ANÁLISE | Love – Uma ode à juventude

por / segunda-feira, 20 fevereiro 2017 / Publicado emAnálises, Colunas

Love

Depois de um curto período afastada da música, o que para nós fãs pareceu um período sem fim, Lana Del Rey está de volta! A bola da vez é a romântica canção “Love”, que soa um pouco diferente do que estamos acostumados a ouvir de Lana, mas que continua sendo maravilhosa.

Logo nos primeiros acordes é possível perceber que Lana está em nova fase, não há lamúrias nesta música, esta é uma música esperançosa. A temática, no entanto, permanece a mesma de muito do seu repertório, que consiste em contar experiências de sua juventude. O que muda em “Love” é justamente o ângulo pelo qual essa experiência de Lana é vista, agora sob a lente do positivismo.

Apesar de a letra nos remeter mais ao Born to Die, a música em si remete imediatamente às melodias sinuosas do Honeymoon. Enquanto as do BTD são mais truncadas, mais voltadas ao hip hop, as do Honeymoon são vagarosas, com acordes que mudam e quase passam despercebidos, tamanha a leveza. Os responsáveis pela produção são os velhos companheiros de Lana, o mago do indie Rick Nowels e o excelente Emile Haynie. Mais uma vez, Lana demonstra crescimento, amadurecimento e conhecimento. Lana, mais uma vez, segue em frente.

Com a voz arrastada de sempre, Lana canta com maestria mais uma vez as nossas vidas, e também a sua própria. Somos jovens que escutamos músicas antigas no rádio enquanto viajamos, nos sentimos como parte do passado, mesmo pertencendo ao futuro, os sinais passando nos deixam confusos. E, realmente, às vezes é só o que precisamos para nos deixar loucos.

Somos jovens petulantes, que sabemos que somos legais, o mundo é uma bolha que está em nossas mãos, e controlamos ao nosso bel prazer. Ou pelo menos é o que achamos. Passamos por tantos lugares, vemos tanto em tão pouco tempo que seria o bastante para nos deprimirmos, então não devemos abusar…

E tudo o que precisamos ouvir, ela canta: nada importa, porque basta ser jovem e estar apaixonado. Sim, o amor basta.

Lucas Almeida
Leonino, paulistano, escritor, tradutor, poeta, atua em teatro musical por sonho, canta para espantar a tristeza. Apaixonado por cinema, música, literatura e moda, conheceu a Lana no início de 2012, quando assistiu o clipe de Blue Jeans. Acredita que Carmen foi escrita para Miley Cyrus em um ato de clarividência de Lana Del Rey. Está em busca de um Humbert Humbert para, finalmente, poder exercitar o papel de Lolita.
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