Como Lizzy Grant se tornou Lana Del Rey, confira o artigo da Complex

por / domingo, 11 outubro 2015 / Publicado emNotícias

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A conceituada revista Complex publicou um artigo sobre a ascensão e desenvolvimento da carreira de Lana Del Rey, desde seus dias como May Jailer e seus contratos como Lizzy Grant, até a exaltação midiática que ela se tornou hoje.

Confira a tradução.


COMO LIZZY GRANT SE TORNOU LANA DEL REY

Lana Del Rey nem sempre foi Lana Del Rey. Mas nós já sabemos disso.

Nascida em 1986 como Elizabeth Woolridge Grant e criada em Lake Placid, NY, Grant cresceu interessada em canto por meio do coro e do incentivo de sua mãe. Quando era adolescente, ela descobriu a Criação Literária como uma das “matérias menos agressivas da escola”. Acompanhando a ideia romântica de um escritor torturado, Grant começou a beber muito enquanto bem jovem e eventualmente foi enviada para um rígido colégio interno pelo seus pais, com o objetivo de botá-la na linha. Aos 18 anos, ela estava sóbria. Depois de se formar, Grant foi aceita em uma universidade, mas ela decidiu não aceitar imediatamente (ela cursou seus Ensino Médio na Fordham University, no Bronx, estudando filosofia e metafísica alguns anos depois) e mudou-se para Long Island para viver com seu tio e tia.  Ela se voluntariou para ajudar os sem-teto e em centros de reabilitação de drogas e álcool, até fez uma viagem que cruzava o país para ajudar a criar casa nas reservas indígenas americanas. Depois, ela conseguiu um emprego como garçonete (“Eu amo isso! Todo mundo sempre me disse que eu era uma ótima garçonete”, ela contou para a MTV em 2012) enquanto seu tio a ensinava a tocar violão.

Aparentemente, Grant usou os quatro acordes que ela sabia no violão e escreveu o máximo de músicas que conseguiu, as quais ela eventualmente gravou sobre o pseudônimo de May Jailer. Em 2005, ela juntou as melodias acústicas básicas em um EP chamado Sirens. As faixas seguem a história de uma inspiração chamado “K”, criando típicas histórias de amor e perdas, e soa mais como Jewel do que Lana Del Rey. Não é claro se o álbum foi realmente lançado, mas eventualmente ele vazou em 2012 depois que um blogger, que disse ter encomendado o CD do Sirens em 2006, ter colocado online, enviando fãs e críticos a uma exaltação ridícula.

Uma vez de volta à universidade no Bronx e vivendo nos sofás de namorados e amigos por toda extensão de NYC (ela contou à revista Nylon que ela era mencionada como “a rainha do sofá” durante essa época), Grant estava pobre e batalhando.  Ela começou a fazer performances em clubes em Lower East Side e Williamsburg como Lizzy Grant. No mês passado, uma antiga amiga e aspirante a cantora, Brea Tremblay, escreveu um artigo para o Daily Beast sobre o momento em que ela e Grant saíam juntas enquanto tentavam atingir seus objetivos.

“[Um cara da indústria chamado Bob] se cercava de meninas que eram cantoras-compositoras — eu era uma, assim como um bando de meninas que nunca ficaram famosas, mas Lizzy [Grant] também estava lá, assim como Stefani Germanotta, entretanto ela já se chamava de Lady Gaga naquela época. Eu acho.” Tremblay escreveu. “Algumas vezes no Tumblr eu vejo crianças falando dos anos mais recentes da carreira da Gaga como se fosse os velhos e maus tempos de Nova Iorque, como se nós tivéssemos nos arrastado pelo Lower East Side com agulhas espetando nossos ombros, fazendo truques por cordas de violão. Por favor. Todo mundo usava botas Uggs”.

Em 2007, Grant chegou ao último round de uma competição local de talentos no Brooklyn. Um dos juízes foi Van Wilson, um gerenciador de talentos da gravadora independente de NY “5 Points Records”. Wilson e o dono da gravadora, David Nichtern, viram potencial em Grant e assinaram com ela um contrato multi-record com um orçamento completo de $50.ooo,oo (rumores que ela só recebeu $10.000,00 , mas o Nichtern desmentiu isso em uma entrevista para a MTV).

Grant se juntou com o produtor David Kahne e usou seu pagamento adiantado para se mudar para um trailer em Nova Jersey, onde eles começaram a aperfeiçoar seu álbum de estréia, Kill Kill, enquanto ela continuava viajando para o Bronx para ganhar seu diploma.

“Havia muitas famílias que estavam lá há 35 anos”, ela contou à Nylon em 2013. “Eu gostei de ter um tempo para mim mesma. Eu gostava de decorar com fitas — mas só a parte de dentro — aquários, pequenos alto-falantes rosa na tomada para o meu iPod touch. Eu não estava festejando, estava em uma época séria, eu gostei dos diversos ambientes — que vai do Bronx de Nova Jersey, e depois gravar com David no Gansevoort Street, no Meatpacking District. Eu adorava pegar o carro e ir um lugar para outro”.

De acordo com Grant, sua música tinha a intenção de soar “famosa, como Coney Island e como uma festa triste”. Os apelidos usuais de LDR para seus homens são “daddy” e “baby”, murmurando como uma gravação de uma festa de coquetéis em 1950. Sua voz é mais grave comparado à época em que ela gravou como Jailer, ainda bem longe do profissionalismo das suas músicas atualmente. Durante essa época, Grant estava se apresentando em festas privadas em Wall Street e trabalhando no seu medo de palco. Ela nunca ia a lugar algum sem um frasco de pimenta caiena, polvilhando em seus lábios qualquer ocasião que ela sentisse ansiedade. “Isso me acalma”, ela contou à revista Index.

Mesmo Kill Kill não tendo atingido o sucesso que Grant, seus gerentes e a gravadora esperavam, ela ainda foi considerada uma artista para se ficar de olho, no iTunes. Entretanto, durante essa época (segundo Nichtern), Grant estava se preocupando com seu nome, mudando-o de Lizzy Grant para Lana Del Ray, e eventualmente para Lana Del Rey. Em 2010, Grant trocou seus gerentes por um novo time que, novamente segundo Nichtern, pensaram que Kill Kill não era uma boa faixa e que Grant precisava trabalhar na sua música.

“Eu fui algumas vezes para meio que fazer as pazes”, Nichtern contou a MTV sobre a tensão entre Grant e o produtor de Kill Kill, David Kahne. “Eu sempre perguntei a Lizzy se ela estava de acordo com isso, se ela queria fazer isso. E era emocional, mas ela fez. Então durante todo o processo eu falava para ela o caminho certo a seguir, com o nome, ela fez certas decisões. É por isso que eu ri bastante quando alguém disse que ela estava sendo forjada. Não tem jeito algum de você fazer isso com ela. Ela é bem cabeça-dura e sabe o que quer. Isso é um erro também. Ela queria ser conhecida como Lana Del Rey bem cedo. Esse é no nome dela, ela criou isso, eu pensei que era um pouco ruim. [Risos]. Ela era essa linda e jovem cantora-compositora chamada Lizzy Grant, era um nome legal. Mas ela queria criar essa coisa, Lana Del Rey.”

(De acordo com um artigo de 2012 da Rolling Stone, Lana Del Rey planejou lançar Kill Kill nas suas próprias palavras, “As pessoas agem como se isso fosse cercado de mistério, o terrível álbum esquecido. Mas se você olhar no YouTube, todas as 13 faixas estão disponíveis com milhões de visualizações, então não é como se ninguém tivesse ouvido ele. Nós todos estávamos orgulhosos disso. Ele é muito bom.”)

Grant eventualmente comprou os direitos de Kill Kill, teve ele removido do iTunes, e viajou para a Inglaterra para se reinventar junto de seus novos agentes. Ela voltou para ser a Rainha do Sofá que ela já foi um dia em NY, passando as noites com seus agentes ou namorados. Ela continuou a escrever músicas como “Mermaid Motel” e colocando-os no YouTube, mas foi somente quando ela disponibilizou “Video Games” (o qual no futuro seria um single para o lançamento da Interscope, Born To Die, em 2012) que as coisas realmente começaram a se acumular para a nova e perfeita Lana Del Rey. A popularidade viral de “Video Games” no YouTube, em agosto de 2011, rendeu a ela um contrato de gravação com a Interscope. “Assim como qualquer estrela, você pega e escolhe quais serão seus pontos fortes,” Ed Millet, coagente da Lana junto de Ben Mawson, contou para a Billboard em 2013. “Lana possui uma visão de identidade incrivelmente forte e mais ou menos foi aí que concentramos nosso foco.” Lana Del Rey ganhou rápido reconhecimento na moda, adornando a capa da Vogue britânica apenas dois meses após o lançamento de Born To Die. Quando ela emergiu novamente para os holofotes nos EUA pela sua vergonhosa apresentação no SNL em 2012, ela era oficialmente Lana Del Rey, e o mundo pop queria saber tudo sobre essa misteriosa e bela cantora.

Depois da apresentação no SNL ter bombado, críticos de todos os lugares, do SPIN até o The Guardian estavam tentando entender essa pop star divisora de opiniões. Tudo sobre a sua autenticidade, desde a sua persona, até suas músicas e seus lábios carnudos estavam sendo questionados, enquanto ela parecia manter um comportamento calmo, misterioso e entorpecido em todas as entrevistas. Não importa o que a mídia fala, a música diz por si só, e mesmo que Born to Die não tenha sido aclamado pelas críticas como foi aclamado como uma curiosidade cultural, o seu próximo lançamento, Ultraviolence (2014), a viu progredir como uma artista musical mais respeitável, não somente uma celebridade. O seu último álbum, Honeymoon (2015), que estreou no começo desse mês, é o seu melhor até agora, prova de que a resistente cantora romântica está ficando cada vez melhor ao decorrer do tempo, e que não importa com qual nome ela comece, ela será agora e para sempre lembrada como Lana Del Rey.

Por Mish Way
Tradução por Marcela Oliveira

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Thiago Percides

    Artigo maravilhoso. Vocês são demais!

  • Daniel Henrique

    Te amo, mulher! #LanaDelRey

  • http://garotoimpulsivo.blogspot.com.br/ ziinhooo

    Alguém me explica o porquê da apresentação no SNL ser vergonhosa?

    • Piaf

      ela foi péssima. deve ter sido nervoso… afinal ela é maravilhosa

      • http://garotoimpulsivo.blogspot.com.br/ ziinhooo

        Péssima nos vocais?

        • Piaf

          nas primeiras apresentações

  • Eduardo Diniz

    Adorei a notícia, mostra como ela “se fodeu (um pouco) para chegar ao topo” e como está subindo ainda mais <3

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