Lana Del Rey e o ideal desvanescente de um amor eterno, confira o artigo da Pitchfork

por / terça-feira, 08 setembro 2015 / Publicado emNotícias

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O conceituado site musical Pitchfork divulgou, na semana passada, um artigo superinteressante a respeito do ideal de amor eterno que parece sumir aos poucos do meio musical, citando Lana Del Rey como sólido exemplo ao comparar as letras de Blue Jeans e o mais novo single High By The Beach.

Confira a tradução.


Nunca foi fácil estar em um relacionamento casual com a música. Na era do “try-before-you-buy” [experimentar antes de comprar], quando quase todo novo lançamento está em nossas mãos pronto para ser ouvido, nós somos capazes de consumir música sem nos comprometermos com nada exceto algumas propagandas de 30 segundos antes do áudio começar. Nós vivemos numa era em que não estamos procurando por um “para sempre”, mas sim por uma gratificação intensa e instantânea. O que está começando a refletir isso não é simplesmente o jeito que as músicas pop são entregues — as próprias músicas ecoam esses sentimentos. “Para sempre” é, no mínimo, um conceito fora de moda.

A canção ‘High By The Beach’ de Lana Del Rey é um clássico exemplo. O primeiro single de seu próximo álbum, “Honeymoon“, é um suave monólogo de pré-término. Um romance está terminando, mas não há tristeza na sensação — pelo contrário, Del Rey está cansada do relacionamento em que ela está e da ideia de que ela terá que se dar ao trabalho de pôr um fim nisso: “Agora você é só mais um dos meus problemas,” ela suspira, afirmando “eu mesma vou dar um jeito nisso.” Ela não tem medo de ficar sozinha — na verdade, ela está animada com a ideia.

Isso é um rígido contraste aos sentimentos amorosos do álbum de 2012, “Born to Die“. Aquelas narrativas lidam com a eternidade como se ela fosse a única opção, um futuro trajeto rumo à tristeza. Brincando com um imaginário da Hollywood de Ouro, há uma noção de que, embora nós estejamos ouvindo sobre relacionamentos que poderiam ter sido facilmente formados com uma poeticidade maior do que as mensagens de texto, em um tempo em que é considerado romântico observar o seu amado jogando vídeo games, nós estamos de fato ouvindo histórias épicas de amor do nosso tempo. “Eu te amarei até o fim dos tempos,” Del Rey murmura no refrão de ‘Blue Jeans’, “Eu esperaria por um milhão de anos”. É tudo muito romântico, mas há uma clara noção de algo macabro em “Born to Die“, onde até que a morte nos separe não é necessariamente uma promessa de envelhecer juntos.

Del Rey sempre desenvolveu essa inconsistência, exemplificado por sua estética meio rainha da beleza do festival de uma cidade pequena, meio celebridade do Instagram, mas há algo de infalível e decisivo sobre a nova direção que ela toma em ‘High By The Beach’. Não há romantismo em sua despedida desse relacionamento sufocante. Quando ela decide na música que “através do fogo, nós nascemos de novo”, qualquer conceito de “para sempre” que restou é incendiado.

Essa tendência rumo à incredulidade, rumo ao não-idealismo, parece fundamentado em uma genuína troca cultural. Conforme as vidas dos músicos se torna tão facilmente acessível por meio das redes sociais e compartilhamento constante, a humanidade deles é enfatizada: se eles são simplesmente como nós, assim são seus relacionamentos. Isso não quer dizer que “seja sempre meu amor” e “eu sempre te amarei” não sejam sentimentos que irão retornar ao panorama do pop cultural, que vive mudando e se repetindo. O realismo na música pop pode estar caindo fora a qualquer minuto agora — afinal de contas, nada dura para sempre.

Por Greer Clemens
Tradução por Raphaella Paiva

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Arthur Cobat

    Mais alguém percebeu o “encaixe” que a Lana quis fazer com Honeymoon? No Born to Die ela descreve um romance superficial, ela está deslumbrada com esse mundo novo (como se fosse uma lolita pobre que agora estão com um milionário) e, por isso, age como se o seu amado fosse o único no mundo e que ele ficará para sempre com ela. Ela está encantada com o mundo que esse cara proporciona para ela (riqueza, glamour, status). Mas aí no Ultraviolence ela já mostra um relacionamento intenso, porém, que machuca. Parece que no segundo album ela já não está tão deslumbrada com tudo aquilo que esse relacionamento oferece a ela, mas continua amando ele. Porém, ela começa a descrever que tudo aquilo que ele proporciona para ela não é o suficiente, que riquezas e glamour não sustentam um relacionamento. Vejam que as letras do Ultraviolence ela se torna uma mulher mais racional, que já não ver tanta importância em bens materiais etc. E então chegamos no Honeymoon. Agora Lana já está madura e cansada desse relacionamento. Ela consegue finalmente se separar do seu amado, pois percebe que pode encontrar o amor em outras coisas verdadeiras, que não sejam regadas só por bens materiais. Como cita o artigo da pitchfork, Lana não está triste por terminar seu romance, pelo contrário, ela está aliviada por ter conseguido sair dessa prisão e quer apenas andar pela praia chapada (ter liberdade). Enfim, estou ansioso pelas letras do Honeymoon para poder ter a certeza que a intenção da Lana foi realmente essa.

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