‘Gravar um álbum é fácil e falar sobre ele é difícil’, confira a tradução completa da entrevista para a V Magazine

por / sábado, 05 setembro 2015 / Publicado emEntrevistas

V mag

Lana Del Rey é capa da V Magazine de Setembro que, segundo a própria revista, é a melhor das melhores edições da revista. A cantora foi entrevistada por seu amigo James Franco pois “os entrevistadores usuais geralmente fazem as mesmas perguntas sobre seus amores, sua vida e seus desejos de estar morta“.

Eles falaram sobre Ultraviolence, Honeymoon, assuntos que geraram controvérsias em sua carreira (como o Feminismo) e muito mais. O renomado fotógrafo Steven Klein foi o responsável pelas imagens que ilustram a entrevista. A revista será lançada no dia 10 deste mês e você pode comprar a sua aqui.

Confira a seguir a tradução completa.


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A estrela enigmática que cativa uma geração de ouvintes raramente dá entrevistas e odeia a mídia. Preparando-se parar revelar seu mais novo álbum, Lana Del Rey inicia uma nova página. Conforme ela disse ao seu grande amigo James Franco, esta é a lua de mel de sua vida.

FOTOGRAFIA STEVEN KLEIN          FASHION MEL OTTENBERG          TEXTO JAMES FRANCO

 

Ano passado, quando eu estava fazendo “Sobre Ratos e Homens” na Broadway, eu assisti ao vídeo “Ride”, de Lana Del Rey, enquanto eu esperava para subir no palco. Eu fui imediatamente tomado pela mágica de Lana Del Rey. O vídeo mostra uma paisagem visual e sonora elevadas aos seus extremos de solidão; uma alma perdida a cantar em quartos de pequenos hotéis de terras desertas sobre a educação de estranhos que ela conheceu ao longo da estrada.

Mais tarde eu soube que a canção era um testamento de tudo que Lana de fato é: um contraste entre inocência e experiência, luz e escuridão, vida e morte. Quase todas as suas músicas mostram um anjo de coração partido que fez comunhão com um demônio e como resultado, provou da mais alta paixão, mesmo que o relacionamento leve este anjo à sua destruição.

Depois de assistir o vídeo de “Ride”, eu pedi o número da Lana ao meu amigo Keegan Allen. Coincidentemente, era o aniversário dela, então eu a enviei uma mensagem de aniversário enquanto ela estava em turnê na Europa. Quando ela voltou aos Estados Unidos, duas semanas depois, ela veio assistir “Sobre Ratos e Homens” e nós rapidamente nos tornamos amigos por conta de nosso amor mútuo por música e filmes.

Um dos mais constantes tópicos de nossas conversas é a persona versus a pessoa verdadeira. Como ator, eu vejo arte como performance e até mesmo a vida como performance. Lana, enquanto cantora e compositora, vê seu trabalho como uma expressão de sua realidade. Eu tento argumentar que mesmo que suas músicas sejam confessionais, elas estão contribuindo para uma criação do que ela faz que sua “realidade” é amplamente de sua própria criação. Este modo de ver as coisas perturba Lana, porque ela vê a si mesma mais como uma repórter criativa de sua realidade do que como uma escultora de sua persona.

Ela pediu que eu a entrevistasse para a V porque os entrevistadores usuais geralmente fazem as mesmas perguntas sobre seus amores, sua vida e seus desejos de estar morta. Eles a leem muito literalmente em suas música e geralmente tentam denegri-la por razões que eu não posso compreender, mas suspeito que tenha a ver com o fato de ela ser uma mulher de sucesso, ainda que ela escreva músicas sobre seu lado sombrio ao invés de hinos que elevem a positividade.

Lana já ultrapassou a sua fase live fast – die young (viva rápido – morra jovem), simplesmente porque agora ela já é mais velha que James Dean chegou a ser. As trágicas heroínas de suas músicas podem até ter levado vidas trágicas e morrido por amores antes de seu tempo, mas a verdadeira Lana permanece. Suas músicas podem mostrar figuras quebradas morando na escuridão, belíssimos reinos de sombras, mas sua carreira é o contrário: um triunfo feminino sobre as poucas chances no meio da balbúrdia de críticos que propositalmente a leram de forma errada.

Lana é um enigma que mesmo após um ano eu não sou capaz de entender. Ela parece querer que suas músicas sejam lidas como confessionais, enquanto que, por outro lado, muito do seu trabalho é de criação consciente. Como sempre, eu tentei chegar ao ponto crucial do mistério que é Lana Del Rey.

 

24~23James Franco: Eu vi uma manchete que dizia que você e eu estávamos namorando às escondidas.
Lana Del Rey:
Você quer esclarecer as coisas na mídia?

Bem, eu me pergunto por que eles pensam isso.
Eu acho que é normal eles pensarem isso porque nós temos muitos interesses em comum e temos passado muito tempo juntos. Nós estamos na mesma tribo. Não pareceria forçado pra quem olha de fora, certo?

Eu me lembro quando nos tornamos amigos. Você veio à minha peça e eu senti que nós nos daríamos muito bem.
Definitivamente, eu também.

Diga-me sobre seus vídeos – quando você atua neles, me parece que você deveria ser um personagem.
Eu fiquei surpresa com o quanto você pensou que eu fosse um personagem e, olhando pra trás, eu entendo. Eu acho que é tão difícil dizer quais facetas de uma pessoa chegam a aparecer na tela. Eu hesito em dizer mais porque quando se está em uma certa posição, você tenta manter certa parte da história pra você, ainda que você se sinta artisticamente forçado a compartilhá-la. Eu me sinto meio bloqueada a escrever as coisas autobiograficamente e trabalhar com os vídeos da mesma forma. Há coisas que eu quero dizer, mas que eu não quero comentar mais do que já foi dito.

Muito do que os compositores escrevem é lido como fato.
Quando você escreve um álbum liricamente sozinha e depois cria esses vídeos conceitualmente, as pessoas não têm outra alternativa a não ser aceitá-los do jeito que são. Eu acho que considerando o conteúdo dos vídeos e das músicas, é esse o ponto de onde as críticas surgem. Mas eu tenho um passado feliz e eu tenho sido bem honesta quanto a isso.

Então, e a canção “Florida Kilos”?
É engraçado você falar dessa canção, porque, na verdade, é a única no álbum [Ultraviolence] que foi co-escrita. E foi com o Harmony Korine. Ele queria que eu escrevesse uma música sobre esse filme no que eu acho que você vai atuar [The Trap]. É sobre cowboys viciados em cocaína. Então, divertidamente, essa canção surgiu com ele soltando linhas insanas e pedindo que eu as colocasse em melodias. Essa canção em particular não é autobiográfica.

Mas há a expectativa de que as pessoas venham a lê-la como tal.
Bem, é um risco!

Talvez você não tenha levado essas coisas em consideração tanto quanto levou no seu primeiro álbum, pois tinha essa liberdade inocente. Mas aí as coisas cresceram muito. Isso muda o seu jeito de escrever?
Um pouco. Eu não me monitorei no Ultraviolence porque, considerando o quanto minha trajetória tem sido tumultuosa, eu senti uma necessidade maior de ser honesta. Você tem de selecionar coisas dentro do seu corpo de trabalho para um álbum se você quer um trabalho conceitual – o que todos são, na minha mente. Por exemplo, no Ultraviolence, eu realmente senti a necessidade de voltar às minhas raízes e a algo que eu sentia ser mais feroz e selvagem. Foi por isso que eu pedi ao Dan [Auerbach, do The Black Keys] que me ajudasse – é nesse tipo de de mundo que ele vive. Ele faz o que quer. Eu tive bastante liberdade de gravar uma música em tomada única. Mesmo que minha voz não esteja perfeita, e minha voz está quebrando, acaba sendo especial para mim por conta do momento em que foi capturada. O conceito com esse álbum foi que ele fosse tão cru quanto eu queria que fosse.

E mesmo assim você tinha sido criticada?
O luxo é que você pode continuar a contar sua história. A recompensa em documentar sua vida, se isso for importante para você. Eu não sou uma diretora de cinema, mas eu gosto de escrever e para um escritor, não há história melhor que a de sua vida. De alguma forma, gravar um álbum é fácil e falar sobre ele é difícil. Com Honeymoon eu consegui me sentir um pouco mais brincalhona. Eu não tive muita necessidade de entrar em questões pessoais, mas de conduzir um sentimento meio jazz para a abertura e encerramento do álbum e então algo sonoramente mais sujo com algumas canções de andamento moderado!

26~22Charles Barkley diria “Olha, eu sou um atleta, jogo basebol muito bem. Não sou um exemplo a ser seguido.” Quando você é criticada por não passar uma mensagem positiva, é estranho para mim.
Primeiramente, quando você está escrevendo uma música sozinha você não pensa no impacto que a sua música terá nas pessoas. Eu realmente não sou o tipo de pessoa que perdoa qualquer comportamento que acabaria machucando alguém, mas ao mesmo tempo eu não vou limitar o conteúdo das minhas letras para coisas que não são realmente ligadas a mim ou cantar sobre coisas só por causa da rima. Quanto mais longe eu fico de uma música mais espaço eu tenho para pensar se é importante ser responsável. Eu ainda não sei. Eu estive sendo influenciada pelas coisas que eu leio – é por isso que eu sou uma escritora – mas eu não acho que isso me fez alguma vez fazer algo que eu não iria fazer de qualquer jeito. Eu sempre trago à tona Allen Ginsberg e “Howl” e como foi interessante que isso ressoou em mim quando eu tinha 14 anos e como não foi o mesmo com a maioria dos meus colegas de classe. Na verdade, não ressoou em nenhum deles. Existe uma razão para a poesia beat ter sido importante para mim assim que eu a descobri. Mas as pessoas ficariam acordadas até tarde com anfetamina naquela época e escreviam romances e isso não me fez querer ficar assim! Me fez querer brincar com as palavras. Algumas pessoas escutam música e não pensam muito sobre isso a não ser que elas gostem de escutá-las no carro. Algumas pessoas as escutam e pensam “Meu Deus, isso é provocante, eu não vou deixar minha filha ouvir isso”. A luxuria que nós temos como uma geração jovem é ser capaz de descobrir para onde queremos ir a partir daqui, e é por isso que eu digo coisas como “eu não foco no feminismo, eu foco no futuro”. Não é como dizer que não há mais nada a fazer nessa área. Eu testemunhei pela história a evolução de tantos movimentos sociais e agora eu estou na frente de movimentos de novas tecnologias. Eu não estou desmerecendo outros problemas. Mas eu sinto que isso é óbvio, tipo, eu nem deveria ter que falar isso.

Existe algo sobre os cantores compositores. Você recebe uma quantidade significativa de pressão.
Mas nós temos que ser levados ao pé da letra. Na frente dos Movimentos Direitos Civis nós somos os cantores de folk, por causa do que eles estão falando.

Nos filmes antigos, os gângsteres teriam que ser punidos.
Ser um escritor é muito mais como ser um diretor do que quer um ator. Você está dirigindo o roteiro. Ninguém está falando o que você tem que fazer e você escolhe onde aquela história lírica vai terminar. Como se você estivesse vendo as coisas que eu passei, você não pode controlar o que vem seguido disso. A história está na música. É a sua decisão se aquela pessoa faz o seu gosto ou não. Eu digo, você não pode agradar todo mundo.

Suas músicas são evocativas porque eles capturam as circunstâncias humanas muito bem. Você articula as coisas de uma maneira muito boa.
Obrigada. Eu acho que você acertou em cheio porque clareza é a solução. Muitas pessoas têm boas ideias, mas tudo gira em torno de comunicação. Com muitas das minhas músicas, você não tem que ir muito além disso. Eu estou bem aqui. Está bem aqui. Nós poderíamos quase falar sobre qualquer coisa porque eu estou botando tudo lá já. Toda vez que você tem uma pergunta você sempre pode voltar às músicas. É onde a história está.

O novo álbum é um pouco menos sombrio, mas é sombrio.
Assim também é a vida!

E a arte é o lugar para esse tipo de coisa. Precisa ser falada. Tem que ser posta no Livro de Salmos. Eu olho para algumas coisas que eu fiz, como Spring Breakers. O personagem que eu fiz naquele filme não é um modelo a ser seguido. Ele é um assassino, ele é um traficante, ele é maluco, ele é meio que um palhaço. Mas em um outro nível, ele é meio que uma figura libertadora e quase que um guru. Se você olhar para o filme como uma peça de arte que usa situações extremas para falar sobre as condições humanas, então eu tenho muito orgulho disso. Nós capturamos algo único e eu sinto que também acontece nas suas músicas.
Você tem que lembrar que historicamente cinema é onde as pessoas vão para ser entretidas e fugirem da realidade. É a verdadeira forma de entretenimento que a America conhece e ama. E música historicamente é aonde as pessoas vão para procurar a verdade, se você estiver falando de cantores tradicionais, cantores folk, cantores de jazz, e as origens de rock & roll. Mas tendo isso em mente, a música tem ido para diferentes lugares agora onde todos os tipos de estrelas estão todos na mesma prateleira para serem olhadas pelos mesmos olhos. Eu não digo isso de um jeito degradante. Eu acho que a minha música chegou a um ponto onde o visual é tão importante quanto.

Você me falou que você nunca quis ser uma cantora de shows ao vivo, pelo menos não em grandes estabelecimentos, mas parece que [a The Endless Summer Tour] foi uma experiência bem positiva.
Foi incrível, eu toquei em show com capacidade para 40.000 pessoas. Estando na America, isso definitivamente me surpreendeu.

Então você está se acostumando com isso?
Sim. (Risos)

Me fale sobre o seu procedimento de gravação.
Eu acho que o meu processo tem sido o mesmo nos últimos seis anos. Eu levei dois anos na Inglaterra, Suécia e outros lugares na Europa no álbum Born To Die. Nessa época isso aconteceu porque eu estava tocando nas rádios e precisava de um álbum completo. Então eu escolhi as minhas músicas favoritas. The Paradise Edition foi mais ou menos um ano depois. E depois de um ano e alguns meses Ultraviolence veio, e agora um ano e alguns meses eu terei um novo álbum lançado. Eu saí em uma tour por alguns meses, fiz meu álbum em mais ou menos oito meses antes. Eu mixei e masterizei por três meses adicionais. Agora eu estou em uma ótima posição onde eu posso conceituar mais alguma coisa se eu quiser.

Você já está pensando no próximo?
Eu sempre estou pensando no próximo.

23~23Você tocou para mim uma faixa que eu gostaria de dizer que teve influência gospel, do novo álbum.
Há uma canção chamada “God Knows I Tried” que tem uma leve pegada gospel. Há algumas músicas que são realmente agradáveis de se ouvir, como “Honeymoon” e essa canção chamada “Terrence Loves You”. Elas tem melodias lindas com um tipo de atmosfera noir. A música da metade do álbum é bastante praiana e um pouco mais sexy e levemente agitada.

Quem são suas primeiras e eternas influências?
Nada realmente me marcou até meus 17 anos, e até hoje eu não perdi esse gosto. Minha primeira influência seria Bob Dylan. Ele é a pessoa que sempre irá me inspirar. Ele provavelmente odiaria ouvir isso, mas é verdade. Eu amo o quão facilmente a inspiração chegou a ele, e eu gostava de ouvi-lo falar sobre quando isso parou. Ele continuou compondo mesmo assim, com estilos diferentes, do folk ao eletrônico. Eu amo o documentário Don’t Look Back, dirigido pelo D. A. Pennebaker. Aquilo foi uma grande influência pra mim, ver todas as pessoas que o acompanhavam na estrada, como Joan Baez e a banda dele. Eu também amo Nirvana. Isso foi muito bem documentado. Você sabe, o Nevermind. Eu amo a Courtney. Estar com ela [em turnê] foi como um sonho da vida real. Eu amo tudo o que ela faz. Eu sou muito inspirada por ela e seu estilo de vida. Os Beach Boys. Pet Sounds. Eu amo o trabalho solo do Dennis Wilson.

É engraçado, eu associo tanto você com a Costa Oeste, mas você é totalmente uma garota da Costa Leste. Você simplesmente foi ligada a tudo relacionado à Costa Oeste?
Eu fui. Eu nem mesmo me dei conta de que estava incorporando tanto o imaginário da Costa Oeste nos meus vídeos, mesmo quando eu tinha 16 anos. Naquele momento, aquele era a vida perfeita. Então eu cheguei aqui e aquilo tudo poderia ser real. E é real (risos). É maravilhoso quando isso acontece.

Por que você intitulou o novo álbum como Honeymoon [lua de mel]?
“Honeymoon”. Eu acho que essa é a palavra que resume o maior tipo de sonho. Quero dizer, a vida é uma lua de mel, sabe? Vida, amor, paraíso, liberdade… Isso é para sempre. Com alguém, ou simplesmente com você mesmo. Simplesmente pareceu certo, mais ou menos como Ultraviolence pareceu certo naquela época, quando eu tinha um pouco mais de fúria (risos). Eu amo o conceito de que a vida é um sonho e que você pode criar seu próprio espaço para ele se tornar seu próprio Céu. É tudo um acidente do seu estado de espírito, o qual é o motivo de eu não dar muitas entrevistas — porque elas me deixam em uma porra de mau humor. Eu realmente tento e mantenho o meu mundo lindo, mas é complicado. Nós chegamos a um momento em que a vida pode ser verdadeiramente o que você quer ela que seja. Isso é algo em que você pensa ou você só pensa em trabalho?

Minha vida é exatamente como eu quero que ela seja.
Eu sei que essa entrevista não é sobre você, mas algo que eu sempre me perguntei era: é necessário que a sua vida seja uma extensão da sua arte?

Eu tento fazer com que minha vida privada seja o mais estável possível para eu poder fazer o que eu quiser com a minha vida criativa. E uma das coisas mais íntimas que eu posso fazer é produzir algo com alguém. Eu tenho mais uma pergunta. Você disse uma vez que você é mais bem sucedida na Europa. Você ainda se sente assim?
As perspectivas das pessoas estão sempre mudando. Pessoas mudam de ideia. Mas quando eu vou a Paris fazer um concerto no Olympia, eu sei que será tudo lindo e que eu não vou ser mal-interpretada. Isso nunca aconteceu comigo na França ou em Milão. Mesmo com todos os momentos difíceis que eu tive com a imprensa britânica, lá foi minha primeira casa, musicalmente. Então provavelmente sempre será assim. Mas eu me sinto, sim, bem mais confortável aqui agora.

Aqui você é a artista feminina número 1 em termos de streaming. Sua música é inegavelmente popular. (Risos)
Eu acho que existe uma grande discrepância com a quantidade de pessoas que aparentemente ouvem a música e um grande parte de pessoas que tem um monte de coisas negativas pra dizer. Quero dizer, elas quase se anulam. As estatísticas são voláteis, é difícil se apegar a elas. Então, ao ouvir o que as pessoas dizem na sua cara se vocês têm uma discussão ou se você leu alguma coisa no jornal que você lê todos os dias, eu acho que você jamais tem a real noção se as pessoas gostam de você ou não. Mas isso não significa que elas não ouvem [minha música].

Não é como se você fosse…
Uma rockstar que adora chocar?

Sim! E se você pudesse apenas fazer sua música sem dar qualquer entrevista, seria o que você faria. Você não está querendo chamar atenção, mas você provoca algo nas pessoas. Por que isso?
Eu acho que quando você não vai com a cara de um artista, você é forçado a observar o conteúdo de suas letras, e algumas delas não são fáceis de digerir. As pessoas têm reações ruins à maioria dos cenários negativos que eu posso projetar musicalmente. Se não for isso, é alguma outra coisa, e o que é essa outra coisa, nós provavelmente nunca saberemos, entende? Mas meu trabalho é minha vida e eu me sinto sortuda por ser capaz de viajar por aí com um diário, absorver as coisas e refletir minhas interpretações disso em forma de uma canção. Quero dizer, isso é um luxo, e eu sei disso. Por mais desconfortável que minhas entrevistas sejam, quando eu não estou sendo entrevistada, eu tenho todo esse tempo para fazer o que eu quiser. E ser capaz de passar a sua vida fazendo o que você ama? Essa é a maior meta que se pode existir.

 

Por James Franco
Tradução por Max Lima e Raphaella Paiva
Scans da entrevista por @shampainandcola

 

Confira os scans aqui e as fotos do ensaio para a revista em nossa galeria:


Redação LDRA
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