Confira a crítica faixa-a-faixa do ‘Honeymoon’ feita pela Digital Spy

por / sábado, 19 setembro 2015 / Publicado emNotícias

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Ontem (18), o álbum “Honeymoon” teve seu lançamento mundial e, junto de inúmeras críticas positivas e sua maior nota no Metacritic até hoje, Digital Spy — o site britânico de entretenimento — decidiu ir um pouco além e analisar o álbum faixa a faixa.

Confira a tradução.


Parece que foi ontem que Lana Del Rey cantou na celebração matrimonial de Kim e Kanye, e lançou seu terceiro álbum, “Ultraviolence“. Mas 15 meses se passaram e a cantora já está de volta com um novo álbum, “Honeymoon“. Abaixo está nossa crítica faixa a faixa.

1. Honeymoon

Chutando tudo com uma espécie de acappella, a faixa-título Honeymoon instantaneamente desmancha qualquer noção de lua de mel como um caso de amor feliz. Ao invés disso, Lana entrega um conto severo de um amor com um histórico de violência. É basicamente tudo o que você espera da cantora, tanto que é quase um tipo de paródia dela mesma. Até aqui, Lana nos enche de expectativas, mas ela também poderia superá-las?

2. Music To Watch Boys To

A perfeita Music To Watch Boys To é aparentemente um tanto lenta e calculada. Apesar de seu título sedutor, a faixa de número dois nunca realmente aumenta seu ritmo. Sim, é da Lana Del Rey que estamos falando, e nós dificilmente podemos esperar algo dançante com a colaboração de algum rapper, mas também não tem o melodrama romântico a que ficamos acostumados quando o assunto é Del Rey.

3. Terrence Loves You

Agora nós chegamos à faixa favorita de Lana, que nos leva diretamente para o meio de um bar esfumaçado tocando jazz. Quem é Terrence? Seu palpite é tão bom quanto o nosso. Referências ao Major Tom de David Bowie e letras proclamando “Eu me perdi quando perdi você” são igualmente vagas, mas os característicos trinados e ronronares da voz da cantora são rodeados de T nessa faixa.

4. God Knows I Tried

Como uma adolescente de 18 anos que bebe todas no Wetherspoons antes de fazer sua primeira viagem sozinha a Magaluf, Lana quer beber o céu como uma tequila sunrise em God Knows I Tried. Decidamente mais poética, ela também fala da monotonia da fama acima de algumas guitarras nebulosas. No entanto, mesmo depois de God Knows I Tried, nós ainda esperamos que “Honeymoon” tenha seu grande momento.

5. High By The Beach

Provavelmente a coisa mais interessante que Lana fez até hoje. High By The Beach é uma peça saída diretamente do pop que cuidadosamente não se precipita para o território das músicas do momento. Batidas preguiçosas e influências trap sustentam a cantora conforme ela dá de ombros repetidamente “Tudo o que eu quero é ficar chapada na praia” com toda a apatia descolada de uma adolescente entediada.

6. Freak

Freak se recusa a sair da sensualidade de High By The Beach por enquanto. Na verdade, ela quer dançar em slow motion com você antes de se curvar, sussurrando convincentemente em seu ouvido o argumento de que você seja “uma aberração como eu também”. Sua devoção lírica à loucura pode soar vinda direto da música R&B dos anos 90, mas é tão mais legal do que isso (graças a Deus).

7. Art Deco

“Você é tão Art Déco, solta na pista”. Em uma circunstância parecida isso seria um comentário maldoso de um hipster melhor-do-que-você. Isso é “Honeymoon“, no entanto, e é outra vinheta posta cuidadosamente no lugar certo, onde podemos ver nossa heroína vagando pela pista de dança procurando se dar bem. Após um início tardio, nós estamos começando a ver mais do que uma sombra que referencia nossa musa, e isso é decididamente mais interessante.

8. Burnt Norton (Interlude)

Tempo para um interlúdio. A dica está nessa faixa, com Lana recitando um excerto do famoso poema de T.S. Eliot que pondera questões sobre tempo e salvação. É um toque sutil, mas é um dos sinais de que a segunda metade do álbum tome um rumo diferente?

9. Religion

Seja bem vindo ao mais perto que você vai chegar de uma canção otimista de amor da Lana Del Rey. Sem comentar que ela ainda é repleta daquele tom noir de autodestruição preferido da cantora. O surpreendente sentimento de vivacidade com “Tudo está claro agora” é quase imediatamente cortado com a resignação “Não é preciso sobreviver agora”. Ainda assim, quase lá.

10. Salvatore

Uh oh. Salvatore chega perigosamente perto da propaganda de ‘Just One Cornetto‘ quando Lana começa a murmurar sobre “sorvete de casquinha” e lança palavras em italiano. Em grande parte de Salvatore, no entanto, ela brinca com uma valsa maravilhosamente misteriosa. Na verdade, ela seria perfeita para um filme. Agora nos perguntamos porquê Lana Del Rey ainda não foi escolhida para cantar uma música-tema do James Bond.

11. The Blackest Day

The Blackest Day se interpreta como se fosse o último capítulo da devoção de Lana à tristeza de amar e soa como a música que todo mundo deve ouvir no momento. Um pouquinho de sorvete e um pijama confortável devem ser a cura do rompimento de uma pessoa normal, mas a ouvir Billie Holiday, como a cantora, é decididamente uma forma mais elegante de sofrer.

12. 24

“Há apenas 24 horas em um dia, o que é menos da metade de vezes que você mente pra mim, meu amorzinho,” Lana murmura no equivalente de “Honeymoon” à frieza mexicana. Construindo um crescendo cheio de acordes, a cantora deixa claro que ela está cansada de seu cretino mentiroso. Esse é o tipo de audácia sutil que diferencia Lana das legiões de estrelas do pop moderno.

13. Swan Song

Tudo o que você espera de uma canção chamada Swan Song [canto do cisne], sério. Ela é um número teatral elegante e suave, com Lana sussurrando trágica e repetidamente: “Eu jamais cantarei outra vez”. Parece que estamos chegando perto do relaxamento que Honeymoon abriu e há o sentimento de agouro que parece terminar num ciclo perfeito.

14. Don’t Let Me Be Misunderstood

Amarrando o final, nós chegamos ao tributo que a cantora faz a Nina Simone na faixa de jazz dos anos 60, Don’t Let Me Be Misunderstood. Nós não temos certeza se isso prova a habilidade de Lana em respirar uma nova vida dentro de uma era clássica de suas raízes em um tempo perdido, mas funciona. Ficando em algum lugar entre o coquetismo da última metade do álbum e a bonança vintage da abertura, nós chegamos ao final do álbum.

O veredito:

Se “Ultraviolence” foi Lana Del Rey em sua maior fúria, “Honeymoon” às vezes pode parecer um pouco doce demais. Uma primeira metade lenta mostra a cantora sendo abraçada em drama noir por minutos a fio em um tempo sem qualquer percepção real. É na segunda metade do álbum onde Del Rey procura além das expectativas, entregando algo verdadeiramente interessante que prova o porquê de ela ser uma das estrelas pop mais vitais e interessantes do século XXI.

Por Amy Davidson
Tradução por Raphaella Paiva

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Carlos Eduardo

    ‘O final.’ *-* – Claro que sim. Mas sem essa rotulação de estrela pop. Saco! A Lana, de certa forma, não tem um gênero definido. E isso que me cativa. A improbabilidade de o que vai vir depois. <3

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