‘Eu realmente gosto da ideia de que a vida imita a arte e percebi que poderia fazer isso no meu próprio trabalho’, confira a entrevista de Lana Del Rey para a C Magazine

por / quarta-feira, 14 fevereiro 2018 / Publicado emEntrevistas

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Inspirada pela Califórnia, a cantora Lana Del Rey descobriu que a vida imita a arte

Lana Del Rey sempre foi uma garota da Califórnia de coração. Mesmo antes de colocar raízes em Los Angeles, a nativa de Nova York tinha uma afinidade pelo estilo de vida da Costa Oeste. “Sou muito liberal e sempre fui. Eu também adoro o estilo de vida orgânico e todas as atividades ao ar livre. Eu me sinto muito bem com a mudança”, diz a cantora e compositora por telefone. Ela está ligando de Columbus, Ohio, uma das paradas em sua turnê mundial, “LA To The Moon“, que começou em janeiro em apoio ao seu último CD, nomeado para o Grammy Lust for Life.

Del Rey se mudou para Los Angeles em 2012, parcialmente inspirada por uma grande migração de amigos do mundo da música, incluindo seu colaborador, produtor e compositor de longa data, Dan Heath. Ela passou os quatro anos anteriores “procurando por essa comunidade [de músicos] que eu tinha ouvido falar que existia em Nova York quando The Strokes e pessoas como Adam Green de The Moldy Peaches estavam láEu simplesmente não achei isso. Eu acho que muitas pessoas se mudaram para o oeste“. Diz Del Rey.

O ícone da música rapidamente descobriu o que estava procurando. “É onde eu tenho mais espaço para ser criativa e ter tempo sozinha e ter muita privacidade – mas, ao mesmo tempo, tenho muitos amigos artísticos incríveis“, diz Del Rey, que ficou famosa com o sucesso do single de 2011, “Video Games“.

Esse sucesso continuou com álbuns de estúdio, começando com sua estreia em 2012 com Born to Die, que alcançou a posição 2 na Billboard 200 e nunca mais deixou a lista. (Recentemente, ganhou destaque ao ser um dos únicos três álbuns de uma artista feminina a passar pelo menos 300 semanas no ranking.) Nesse mesmo ano, Del Rey lançou um EP, Paradise, que lhe valeu uma indicação ao Grammy, assim como a música “Young and Beautiful” presente na trilha sonora do filme O Grande GatsbyUltraviolence, o primeiro álbum de Del Rey a alcançar a mais alta posição nas paradas dos EUA, chegou em 2014 seguido por Honeymoon em 2015.

A Califórnia tem sido uma fonte de inspiração para Del Rey nos últimos anos, muitas vezes atrás do volante de sua caminhonete (“É novo, não é uma nostálgica, pickup dos anos 50“, ela graceja. “Minha velha obsessão por carros antigos acabou – estou feliz com Bluetooth”) dirigindo ao longo da Estrada da Costa do Pacífico. O San Ysidro Ranch em Montecito, que sempre fica devastado devido aos deslizamentos de inverno, sempre foi o destino favorito para Del Rey se recarregar.

Eu diria que os últimos dois anos têm sido relativamente pacíficos“, diz Del Rey de seu atual estado de espírito, que acabou influenciando seu ultimo trabalho. “Eu acho que é por isso que o meu CD mais recente tem um tom mais brilhante, enquanto que antes eu definitivamente trabalhava muito na estrada 24 horas por dia durante todos os sete dias da semana“, diz ela. “Ainda estou viajando muito, mas eu tenho muito menos trabalho do que há alguns anos atrás, acho“.

Essa mudança de perspectiva brilha em baladas como “Change,” a última música que Del Rey escreveu para o seu álbum, que aborda o fato de que ela estava buscando mudanças em sua vida, mas não sabia como fazer isso. “Era apenas mais uma pequena borbulhação de querer transformar as coisas esteticamente na minha arte e pessoalmente também. Eu realmente gosto da ideia de que a vida imita a arte e percebi que poderia fazer isso no meu próprio trabalho. Eu sabia que as coisas boas poderiam acontecer se eu colocasse para fora que eu ainda estava tentando crescer”.

Nascida Elizabeth “Lizzy” Woolridge Grant, Del Rey admite ser “uma daquelas pessoas que irritantemente estava cantando antes mesmo de falarem“, diz ela. (“Eu sou esse tipo de cantora – cantando todas as minhas frases. Eu ainda faço isso“.) Crescendo em Lake Placid, NY, Del Rey sempre soube que a música seria uma parte importante de sua vida, mas “eu realmente não pensava que conseguiria, que eu poderia fazer isso e ter uma carreira real”. Depois de frequentar um internato em Connecticut, Del Rey se formou na Fordham University com um diploma em filosofia – enquanto perseguia seus sonhos no circuito da vida noturna de Nova York como Lizzy Grant, lançando seu primeiro EP, Kill, Kill, em 2008.

Mas foi só depois que ela assumiu o encantador nome, Lana Del Rey, e aperfeiçoou sua imagem de retro-glam que é sua assinatura (pense em cabelos colmeias, cílios postiços e delineados asa de anjo) que a artista começou a
acumular tanto elogios musicais como se fosse um culto a ser seguido – para não falar mais do que um punhado de fãs enfatuados. (Durante a sua turnê em Orlando, a polícia conseguiu impedir uma tentativa de sequestro por um deles.)

Apesar de Lust for Life não se libertar da assinatura de Del Rey, que canções melancólicas, apresentam um novo território com músicas como “Coachella-Woodstock in My Mind“, que reflete o clima político atual. Também é a primeira vez que Del Rey apresentou colaborações com outros artistas em seus álbuns, incluindo The Weeknd, Sean Lennon e Stevie Nicks (essa última aparece na balada “Beautiful Beautiful Beautiful People

Eu acho que eu estava muito nervosa para fazer isso. Eu não tinha certeza do que as pessoas diriam. Quando eu consegui Stevie Nicks para cantar comigo, eu não tinha certeza de que eles pensariam que eu era digna de uma colaboração com Stevie, mas ela era tão fabulosa em pessoa e ela era minha fã. Então, meio que me fez baixar a guarda um pouco“.

Nos dias em que Del Rey está programada para fazer um show, ela faz um ensaio completo do show com sua banda, antes de assistir a uma performance de Whitney Houston ou Ariana Grande. “Poderia ser qualquer um, mas eu prefiro alguém que eu possa cantar junto, para aquecer todo o meu alcance – para ir da minha oitava mais baixa, como em ‘Ride’, para as notas, Cs e Ds, em uma música como ‘When the World Was no War We Kept Dancing“, ela explica.

Parte de seu aquecimento também inclui uma meditação guiada por 1 hora e 40 minutos – a mesma duração que o seu show. “Eu tento um tipo de equilíbrio de quanto tempo eu vou colocar para fora e o quanto eu vou colocar para fora. Quero dizer, isso em voz alta, parece um pouco louco, mas eu não acho que eu faria tanto se não estivesse fazendo arenas”, diz ela. “Agora estou soando tão LA”.

Em frente aos estádios cheios, Del Rey está rodeada por um conjunto de design que leva pistas do entorno da sua vida na Califórnia, incluindo uma paisagem oceânica do Big Sur, projetada em uma tela. Afinal, o mundo de Del Rey tornou-se seu palco. Basta pegar a letra de abertura de “Lust for Life“: Suba no H do sinal de Hollywood … “Nestes momentos roubados, o mundo é meu”.

 

Por Lesley McKenzie
Tradução Marcos Almeida
Revisão Thay Frascolli

Redação LDRA
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