Lana Del Rey concede entrevista à edição italiana da Vanity Fair, confira a tradução

por / terça-feira, 08 agosto 2017 / Publicado emEntrevistas

Vanity fair

Lana Del Rey concedeu uma entrevista por telefone à edição italiana da Vanity Fair. Confira a tradução a seguir.


Seu primeiro álbum foi “Born to Die”, e o nome do último foi “Lust for Life”, não por coincidência. Lana Del Rey está mais feliz e menos obscura nesse novo tempo, ela está compromissada politicamente. Ela se livrou de todas as máscaras por trás de quais ela se escondia, mas ainda guarda memórias lindas do passado. Algumas mais especiais do que outras, e algumas são italianas.

Ela admite que alguma coisa mudou e vem a minha mente que o primeiro sinal dessa mudança pode ter sido seu sorriso na capa do álbum, mesmo que tenha sido bem irônico. Margaridas em seu cabelo, um longo vestido meio hippie e uma sensação retrô que parecem não explicar nada, só dão dicas: nós viemos de seu primeiro álbum, “Born to Die”, em 2012, até o atual “Lust for Life”, que saiu há poucos dias.

Em relação aos títulos, eles parecem espelhar um ao outro, na verdade eu percebi isso muito depois, não foi algo pensado, mas eu realmente gosto da ideia, é realmente legal. Para mim, simboliza o começo de um novo capítulo. Porém o conteúdo desse novo capítulo ainda não está definido” ela diz, antes de explodir em risadas, e essa não vai ser a única vez durante essa conversa. Ligando de Los Angeles, Lana Del Rey fala tão devagar, que você consegue escutar música e pessoas conversando no fundo.

Teóricos conspiradores do negócio provavelmente têm muito a dizer sobre essa mudança… Indo de um personagem obscuro de David Lynch cantando sobre morte, violência, amor sem esperança, para uma popstar no estilo da Califórnia, sempre triste, mas com um toque hippie (também tem um dueto com Sean Lennon, chamado “Tomorrow Never Came”, e ela nos diz porque escolheu ele: por causa do conceito de “paz e amor” que corre em suas veias).

Quando Lizzy Grant mudou seu nome artístico para Lana Del Rey, junto com sua nova música, Video Games, ganhando milhões de visualizações no Youtube, a suspeita recaiu sobre ela: sua aparência era considerada muito perfeita, planejada antecipadamente, aquela imagem gótica – ela parecia ser um produto do marketing, sem nada autêntico sobre ela. “Um reflexo de nossos pesadelos comuns sobre cinismo e uma falsa cultura americana”, isso foi escrito pelo New York Times. Era 2011. Sua carreira acabou nos contando outra história. Surgiram álbuns famosos como Ultraviolence e Honeymoon, novos escândalos, um romance com Francesco Carrozzini, filho de Franca Sozzani, que morreu em dezembro do ano passado, e sobretudo, houve o desejo de seguir em frente, no meio de haters e fãs leais.

Você ainda tem a tatuagem que diz “trust no one” (não confie em ninguém)?
Sim e eu nunca entendi porque eu a fiz, eu acho que foi uma mensagem sutil para mim mesma. No começo eu achei que tinha feito por diversão, mas chegou um ponto que eu não tinha certeza sobre isso.

Você foi traída muitas vezes?
(Ela ri) Eu diria que uma boa parte dos meus namorados me traíram. Eu nunca fui boa em escolher (namorados).

Mas hoje você canta sobre seu desejo de viver. É uma afirmação?
Sim, eu acho.

Então, isso significa que você está mais feliz?
Quando eu comecei a fazer esse álbum e eu escrevi “Love”, o primeiro single, eu estava em um momento no qual fazer esse tipo de informação era muito fácil e eu queria mudar.

Como você mudou?
Nos últimos dois anos um monte de coisas aconteceram que me tornaram uma pessoa diferente. Relacionamento, pensamentos. Essa é a direção que estou indo: mais cores, mais luz, um som com um toque dos anos 70.

O que significa essa nova luz que você fala sobre iluminar?
Lindas melodias, um sentimento dos anos 60 mas com uma atmosfera contemporânea. É o tom das minhas músicas que é diferente: elas são o que elas são, sem barreiras, sem máscaras.

E o que as máscaras escondiam?
A história que eu estava contando. Assim, quem escutava não conseguia me entender e sentir empatia. Para mim é uma conquista ter me livrado delas.

É uma nova era para você.
Eu gosto dos meus últimos álbuns, neles eu contei toda a minha vida e foi um desafio muito difícil fazê-los. Com “Lust for Life” eu senti que eu poderia estar mais relaxada e experimentar novas coisas, como ter outras pessoas no meu álbum ao mesmo tempo de ter a oportunidade de me manter na zona de conforto.

“Love” é um hino sobre a juventude, à sensação de ter infinitas possibilidades em suas mãos.
Sim, é um sentimento que eu tenho sempre, que eu posso fazer tudo. Eu gosto da minha vida. Após um dia no estúdio, eu saio e faço o que eu quero com meus amigos, como ir a praia ou sair pela cidade mesmo. Eu realmente me sinto sortuda e livre em todos os momentos da minha vida. Hoje eu só vejo pessoas que querem fazer com que eu me sinta bem e dar energia para a minha vida. “Love” fala sobre essa energia que você tenta criar em si mesmo.

E mesmo assim, há uns anos você disse em uma entrevista que queria estar morta. Foi um escândalo: você se arrepende de ter declarado isso?
Não, eu não me arrependo porque eu realmente pensava isso, era uma época difícil na minha vida. Eu só nunca pensei que o jornalista iria publicar essa frase. Eu estava fazendo shows por 12 meses e nesses tipos de situações, as únicas pessoas que você conversa são jornalistas. Com essa pessoa em particular, eu tinha desenvolvido um relacionamento confidencial. E aconteceu isso. Minha culpa foi ter sido muito ingênua.

Você passou bastante tempo na Itália. O que você aprendeu sobre nosso país e as pessoas?
Eu descobri que a Itália é tão linda quanto você vê nos filmes. Minha experiência foi excitante: quando eu estava em Milão eu era parte de um mundo que estava separado de tudo. Naquela época eu só conhecia alguns italianos e seus amigos eram pessoas com um forte senso de liberdade, eles eram selvagens, eles eram artistas, felizes e tinham esse lema em suas mentes: viver e deixar viver. E aí tinha a moda.

Como era seu relacionamento com Franca Sozzani?
Eu a via bastante porque toda vez que eu ia para a Itália ela ficava com a gente. Eu era uma grande fã dela, eu apreciava demais o jeito que ela levou a moda italiana para o topo do mundo, eu acho isso extraordinário. E ela era extraordinária também.

E quais memórias você ainda guarda do seu romance italiano?
Os dias em Portofino, com um ritmo lindo e devagar, um lugar maravilhoso; jogar futebol em Miami com seus amigos italianos; passar tempo com sua mãe.

Mesmo quando você estava na Itália você foi seguida por paparazzi. Você sempre disse que não gosta da fama.
Não é que não gosto da fama, é que eu a considero um jogo totalmente diferente e que não tem nada a ver com música. Quando eu morava em Londres eu costumava andar com a minha bicicleta e era tão fácil ser reconhecida que eu sempre era pega pelos paparazzi. Aí eu aprendi alguns truques, leva alguns anos para se acostumar com essa vida. Agora é gostoso, definitivamente, eu me sinto tranquila.

Qual a pior parte de ser famosa?
Eu não sei.

Você tem muitos haters.
(Ela ri.) Talvez essa seja a pior parte de ser famosa.

Esse álbum é mais político do que os outros. Por quê?
Eu era uma garota com uma boa voz, que adorava cantar e que sabia que seria uma musicista. Depois da minha estreia, eu passei muito tempo tentando entender o que estava acontecendo comigo. Quero dizer, eu estava descobrindo quem eu era, e isso significa que eu não estava preparada para expressar minha opinião sobre problemas que estavam acontecendo no mundo. Agora, seis anos depois de Video Games, sinto que sou uma parte da comunidade, então eu posso falar sobre a parte social na qual estão envolvidas milhões de pessoas.

Tem uma música no álbum chamada “God Bless America- and All the Beautiful Women in It” dedicada para as mulheres americanas.
Sim, isso porque nós somos as mais prejudicadas nessa nossa administração. Só pense sobre todas as coisas acontecendo com a Planned Parenthood, tentando limitar o acesso ao anticoncepcional. Eu sou apenas uma das mulheres que se sentem ultrajadas.

Mas as feministas nunca te amaram.
No começo da minha carreira as pessoas queria me rotular como “a cantora que não gosta de feministas” por causa de coisas que eu cantava, e então eu recebi um monte de questões sobre o tema. Eu nunca respondi, eu nunca quis chegar no mesmo nível que essas discussões. Eu sempre acreditei que a música vai além de tudo, e, em um ano como o que estamos agora nos EUA, é natural dizer para as mulheres: Eu estou com vocês.

Falando sobre Trump, no Twitter você postou algumas fórmulas mágicas para se livrar dele…
Eu li em algum lugar que bruxas de todo o mundo estavam organizando um ritual contra o presidente. Obviamente, foi uma brincadeira. Foi tão difícil de entender?

 

Por Valentina Colosimo
Tradução por Yeda Salomão

 

As fotos que ilustram a entrevista foram tiradas por Sebastien Micke. Confira todas em nossa galeria.

Redação LDRA
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