Lana Del Rey fala sobre seu novo álbum, ‘Lust For Life’, para a revista sueca BON

por / domingo, 23 julho 2017 / Publicado emEntrevistas

BON

O desejo de mudança de Lana Del Rey

Uma noite finalmente aconteceu. A entrevista foi adiada algumas vezes, mas agora eu estou sentada em minha cozinha quando um número desconhecido de Santa Monica me liga.

Oi, Annah, como está você? Lana Del Rey aqui. É manhã na Califórnia.

Bom dia, Lana! Eu estou bem, como vai você? Legal falar contigo, eu te entrevistei em 2012.
Oh, uau. Sério?

Sim, pelo telefone. Você estava em Paris.
Sim, eu me lembro agora. Naquele quarto de hotel… Sim. Foi há muito tempo.

O que aconteceu desde que nos falamos pela última vez?
Tudo tem sido muito fantástico. Quando você lança apenas um álbum, não sabe o que esperar, então penso que é bem legal eu ter tido a chance de fazer tanto o Ultraviolence quanto o Honeymoon.

Qual foi a maior mudança desde então?
Bem, eu me mudei pra Califórnia. Eu nunca vivi aqui até então. Mas eu gosto muito e me sinto verdadeiramente confortável em Los Angeles agora.

Você tem um grande sorriso na capa de Lust For Life. Isso significa que Lana Del Rey é… Feliz agora?
(Risos) Bem…

Não mais uma garota triste?
Digamos que isso está sempre em progresso. Mas é verdade que eu tenho um monte de coisas em minha vida que me deixam animada. Eu amo meu trabalho e o que eu faço. Também tenho bastante tempo pra sair e passar o tempo com meus amigos. Então, vamos dizer que eu me tornei mais arraigada.

Me conte mais sobre a ideia de sorrir na capa do álbum.
Minha irmã mais nova tirou a foto, assim como ela tira a maioria de minhas fotos. Nós duas concordamos que queríamos capturar um novo sentimento — enquanto aludíamos ao primeiro álbum. Nós fotografamos em frente de um caminhão branco, e a imagem… Tem um brilho nela de que eu gosto.

Seguir você através da música, e dos longos clipes e filmes, é como entrar num mundo de fantasia. Você diria que o sorriso é parte da história que você está contando através de Lana Del Rey? Você sabe, de Born To Die até Lust For Life.
Ainda não há uma resposta pra essa questão. Eu realmente não sei como a história de Lana Del Rey termina ou para onde ela se encaminha. Estou verdadeiramente criando-a enquanto a acompanho. Mas sei que as primeiras músicas que eu escrevi para o álbum foram Love, Lust For Life e outra que não faz parte do álbum. A intenção era trazer uma nova ludicidade dentro da música, para torná-la mais leve, não só fraca, lamacenta e baixa. Eu queria seguir em frente. Sinto que estou avançando e explorando coisas novas. Uma parte disso significa convidar alguns amigos para estar no álbum. Eu trouxe A$AP e The Weeknd para minha casa para fazer alguma coisa juntos, e tudo isso foi super legal. Mas eu também fiz novos amigos, Sean Lennon e Stevie Nicks. Os dois realmente incorporaram a ideia que eu tinha pro álbum. Sean Lennon é puro amor, e Stevie é o poder da música personificado — ela é TÃO legal.

O dueto com Sean Lennon tem muitas harmonias de John Lennon. Você escreveu esta música antes ou depois de perguntar a Sean se ele queria ser parte dela?
Sim, está cheia de influências de Lennon. Sabe a parte em que eu canto “Lay lady lay, on this side of paradise…” (Lay lady lay, deste lado do paraíso), Eu acho que é, tipo, uma progressão de cordas direta dos Beatles, mas não estou certa disso. De qualquer forma, foi quando eu escrevi essa parte “We could turn on the radio, play our favorite song, Lennon and Yoko, we could play all day long” (Nós podemos ligar o rádio, tocar nossa canção favorita, Lennon e Yoko, nós podemos tocar o dia todo), que eu percebi que a música foi feita para Sean.

Vocês gravaram juntos?
Não, ele mora muito ao norte do país. Liguei para Sean e ele estava super feliz. Ele me disse que estava procurando um novo projeto, e que sua namorada amava meus álbuns. Então essa parte foi bastante fácil. Tomorrow Never Came é a única música escrita por mim que eu não tinha certeza de onde veio, nem os acordes nem nada. Ela apenas se escreveu sozinha.

Sobre o que a música Change é?
É sobre sentir que você tem que mudar em muitos níveis diferentes. Primeiro de tudo, que algo tem que mudar no mundo. No primeiro verso, eu canto “There’s something in the wind, I can feeling blowing in” (Há algo no vento, eu posso sentir soprando), e no segundo verso eu canto que está “on the wings of a song” (nas asas de uma música). Quando expresso meus pensamentos sobre mudança através de letras e música, pode ser sobre a Coreia do Norte lançando mísseis ou o que quer que seja. Mas também pode ser direcionado para o interior. Então no segundo verso eu torno pessoal, quando se trata de ser estável, forte e segura, e não procurar por novas descobertas quando eu nem mesmo consigo manter minha vida organizada.

Sinto que Change é muito política, o que é uma nova direção para você. O que te fez querer ir nessa direção?
Sim, mas esses são os tempos em que estamos vivendo. Como eu digo na música, “There’s a change gonna come, I don’t know where or when, but whenever it’s here, we’ll be here for it” (Há uma mudança chegando, eu não sei quando ou onde, mas quando vier, nós estaremos aqui para ela). Eu quero estar envolvida e acender uma faísca; uma faísca que será o começo do fim do que está acontecendo em nosso país agora. Quero fazer parte das conversas e abrir caminhos. Eu não necessariamente acredito que serei um catalisador para essa mudança, mas definitivamente estarei aqui quando ela chegar — e serei parte dela.

Quando eu a pergunto se a canção God Bless America – And All The Beautiful Women In It é uma música feminista, Lana Del Rey fica visivelmente desconfortável. No começo, ela fica quieta, e depois responde cautelosamente, como se tivesse medo de estar prestes a cair numa armadilha.

Sim… Sim, provavelmente. Eu acho. Quero dizer não, não é uma música feminista. Mas eu… (suspiros) Eu sempre fico desconfortável quando me fazem essa pergunta, já que não estou exatamente associada a ela… a ESSA palavra. Em meus últimos álbuns eu estive cantando sobre minhas próprias experiências, e talvez elas nem sempre foram as mais empoderadoras para mulheres… Mas estou num lugar diferente da minha vida agora, especialmente considerando as mudanças que estamos passando aqui na América. E ficaria mais do que feliz se pudesse ser mais aberta e cantar sobre outras mulheres que conheço. Ou apoiar mais as mulheres em geral.

Não quero definir minha música por gêneros; é só minha música. Mas não estou infeliz em chamar esta de uma música feminista, é só que eu sei o que as pessoas vão dizer sobre isso. Você sabe, eu já posso ver isso; todos vão dizer “sim, sim, eu sei o que ela está tentando fazer, virar uma nova página e seguir adiante”. Mas penso que o feminismo vem naturalmente se você apenas observar o que está acontecendo ao redor do mundo… É apenas senso comum.

 

Por Annah Björk
Tradução por Mateus Santana

Redação LDRA
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