Lana Del Rey concede entrevista para o The Sun, confira a tradução

por / sábado, 29 julho 2017 / Publicado emEntrevistas

The sun

Lana Del Rey concedeu uma entrevista ao The Sun, confira a tradução a seguir. As imagens usadas foram feitas por Neil Krug para divulgação do Lust For Life, acesse o ensaio completo clicando aqui ou em qualquer uma delas.


‘No estúdio, nós falávamos de política’ Lana Del Rey diz que Donald Trump a ajudou a moldar seu álbum Lust for Life – e o mundo precisa de feminismo mais do que nunca.

A cantora voltou ao mundo da música com seu quarto álbum de estúdio em cinco anos.

O último álbum de Lana Del Rey brilha com um elenco só de estrelas

Em Lust for Life, o álbum mais impressionante dela até agora, Lana se junta com nomes de peso como The Weeknd, Stevie Nicks, Sean Ono Lennon e A$AP Rocky.

Essas são as primeiras colaborações da carreira dela até agora, que conta com cinco álbuns de estúdio, incluindo quatro nos últimos cinco anos – um ritmo de trabalho impressionante para a estrela de Los Angeles.

Nós encontramos Lana com um humor animado em Santa Monica.

Bem-vindos ao nosso estúdio,” ela diz, com sorrisos e abraços. “É aqui onde fizemos o álbum e vocês têm que fazer um tour.

O estúdio pertence a Rick Nowels, o produtor de longa data e co-escritor dela, o qual trabalhou com Nicks, Madonna, Tom Petty e Brandon Flowers. Discos de platina cobrem as paredes do estúdio.

Eu estou muito orgulhoso da Lana neste álbum,Rick diz. “A espontaneidade do jeito com que ela escreve e as ideais dela me surpreenderam muito. Então você ouviu o álbum – quais faixas você gostou?”

Eu falo a ele que minhas favoritas são a música-título, em que o The Weeknd colabora, 13 Beaches, White Mustang e o maravilhoso dueto entre ela e Nicks, Beautiful People Beautiful Problems.

No estúdio nós não parávamos de falar de política” – Lana Del Rey, cantora

No dia anterior à entrevista nos levaram ao estúdio No Excuses do Dr Dre, onde Kendrick Lamar gravou os seus dois últimos álbuns, Damn e To Pimp A Butterfly.

kkfNJ3IEChY

Lana está relaxada para nossa conversa, usando uma camiseta e jeans, tomando café para viagem. Nós tocamos as nove faixas através de poderosas caixas, que mostram o álbum de Lana em sua maior glória.

Lana diz: “Sou eu mais presente do que nunca. Mais integrada do que nunca. Eu sinto como se fosse eu sendo eu em tempo real, o que é bom. Eu não regredi neste álbum e parece um pouco menos catártico. Mas ainda assim é íntimo, o que é difícil de balancear às vezes, onde você está autenticamente com as letras, mas não ir além do que você quer em termos de revelar coisas. Eu sinto como se tivesse o equilíbrio certo e delicado.

O álbum começou primeiramente com a brilhante música-título, a qual Lana diz ter escrito há um tempo.

Aquela música mudou bastante no processo desde que foi escrita até agora,” ela diz.

Nós conseguimos Abel (Tesfaye, também conhecido como The Weeknd) para colaborar nela. No começo tinha mais uma pegada Blade Runner, e menos Shangri-LasUm ano se passou e eu percebi que essa música parecia inacabada. Nós começamos a produzi-la novamente para que tivesse uma pegada mais anos 60. Eu não sei se era porque tínhamos escrito (o primeiro single) Love naquela época, o qual parecia mais antiga. Eu pensei que o álbum inteiro seria daquele jeito originalmente.”

Então o que mudou?

Lana diz que escrever o álbum durante a eleição americana teve um grande impacto.

Eu não podia ignorar o que estava acontecendo,” ela diz. “Eu não sabia exatamente que o Reino Unido teria uma grande mudança e confusão bem ao mesmo tempo. Eu estava tipo, ‘Que p***a é essa’? Como meus amigos também estavam. Nós estávamos acordando cedo e ligando para dizer, ‘Você viu aquilo’? Aí, no estúdio, nós percebemos que não conseguíamos parar de falar de política. Aí, nós paramos de tentar não falar de política e deixamos o álbum ser sobre isso.

A faixa dela God Bless America foi inspirada no ataque de Republicanos nos direitos das mulheres.

Lana diz: “Essa é um grande símbolo de canção que é sobre exatamente o que o título diz. Naquele tempo, eu pensava nos EUA em que mulheres tinham voz na internet e nas minhas amigas pessoalmente. Isso foi antes da Marcha das Mulheres e quando houve um ser retórico sendo jogado de um lado para outro com quem todos estavam incomodados. E se eles tirassem o Planned Parenthood e preservativos e acabassem com as clínicas? O que as mulheres têm que fazer? Então, antes da Marcha das Mulheres começar, eu escrevi aquela música bem rápido e Rick a adorou. Tem uns teclados bem legais e é pé no chão. Parece uma música bem pé no chão.

txDs7XSKNo0

Quando perguntada sobre suas visões antigas sobre o feminismo, Lana não foi breve ao discuti-las. Ela não gosta de rótulos ou de ser rotulada de nada.

Hoje, ela diz: “Na minha vida eu tenho minha irmã e irmãs de barriga de aluguel. Coisas assim. As mulheres sempre foram grande parte de minha vida. Nós sempre fomos somente amigas, nunca houve muito espaço para manifestarmos isso. Se há alguma hora, realmente parece que é agora e as pessoas estão fazendo isso.

Lana, 32 anos, também fala: “Quando eu estava no meus 20 anos, até 25, eu não sabia para que lugar eu iria como mulher. Eu não sei se eu vou me casar. Você ainda está tentando compreender as coisas. Quando estava na escola, a palavra ‘feminismo’ não era muito usada. Mas foi uma palavra muito importante para a geração da minha mãe. É uma questão muito mais relevante nesses últimos oito meses do que foi há cinco anos. Honestamente, agora o prazer é meu em falar disso. Parece mais uma questão de ser relevante do que algo que poderia ser usado contra mim, o que, às vezes, eu estou pronta para sacrificar somente para irritar alguém. Não você! Há pessoas no passado que eu falava ‘Vai se f***r’!”

Fazer este álbum me fez fazer um círculo completo. Eu segui em frente e eu quero só me aprofundar nesse sentimento – Lana Del Rey, cantora”

Embora esteja mais relaxada intimamente, Lana concorda que ela tem mais confiança em si mesma do que na última vez em que nos encontramos. Esse encontro foi para falar sobre o álbum de 2014 dela, Ultraviolence.

Sim,” ela responde. “Eu acho que eu tenho um pouco mais de confiança. Música é um emprego, e é como um segundo emprego tentar manter tudo normal. Eu ainda faço muitas coisas para mim mesma. Eu dirijo aqui, eu paro no posto de gasolina e compro meu café. Eu ainda saio.

Por ter ficado nervosa em entrevistas passadas, Lana decidiu não fazer nenhuma para o álbum que sucedeu Ultraviolence, Honeymoon de 2015. Hoje, ela admite que desenvolveu uma maior resistência a isso.

Eu acho que sim,” ela diz. “No passado, as pessoas não somente eram desconhecidas, eu sabia que elas me odiavam. Valeu a pena não dar uma boa entrevista só para que eles não ganhassem o que queriam! Muitos artistas nunca vão alienar os fãs porque eles não fazem nada de estranho ou não dizem nada esquisito. Eu não sou uma dessas pessoas, eu estou aprendendo! As únicas duas vezes que me incomodaram foi quando me disseram que os jornalistas eram fãs. Eu pessoalmente amo a forma antiga de jornalismo, em que jornalistas, os paparazzi ou fotógrafo têm o número de telefone do artista e faz uma conversa longa com eles – ao invés de mostrar todas as cartas logo de cara. Eu acho que é mais fácil tirar a verdade docemente. É legal poder somente conversar sobre a música. Mas às vezes alguém quer saber o que você vai fazer na quarta-feira… Bem, esse é o meu dia de folga.

Uma música que se destaca em Lust for Life é o hino 13 Beaches, uma música sobre a Lana tentando escapar do foco do público em uma praia vazia.

ScVEY6eRkyQ

Eu amo que você notou essa faixa,” ela diz, sorrindo. “Parece que é um problema supérfluo mas é um conceito abstrato ter que ir a tantas praias somente para achar uma em que não há ninguém. Para mim, para que eu possa usar aquele espaço – aquele espaço físico e do tempo – sozinha para escrever e meditar. Aquela foi definitivamente uma das primeiras músicas, em que eu estava sendo um pouco impedida por ser mais reconhecida em público.

Duas colaborações de Lust for Life representaram momentos especiais para Lana como fã da música. Uma é o dueto com a lenda do Fleetwood Mac, Stevie Nicks, em Beautiful People Beautiful Problems. Lana insiste em que ela estava nervosa ao cantar junto com a colega americana Stevie, mas chama o dueto de “momento definidor de carreira“. Outra foi trabalhar com Sean Ono Lennon na sonhadora Tomorrow Never Came.

Lana diz: “Essa foi a única que eu senti como se não fosse ‘minha’ música, ou não para mim. Eu não estava pensando em ninguém em particular quando a escrevi. Tinha uma pequena parte em que escrevi sobre (John) Lennon e Yoko e eu pensei, ‘Será que Sean se sentiria confortável em cantar uma música com uma parte sobre seus pais?’ Então eu peguei o telefone dele e eu fiz uma chamada de vídeo por Face Time com ele. Eu não o conhecia, então eu estava super ansiosa. Mas logo que ele atendeu, ele ficou muito animado. Então eu me senti muito orgulhosa de que ter seguido meu coração e me senti muito recompensada por isso. Ele se tornou um doce amigo desde então. E ele não parece seu pai na canção? Ele parece com ele mesmo mas com seu pai também. Rick também disse isso a ele.”

Lana fez um maravilhoso show segunda-feira na Brixton Academy em Londres. E nós arranjamos tempo para falar sobre seus planos, visualmente, para shows futuros. Nós também conversamos sobre o relacionamento profissional com o rapper e produtor A$AP Rocky.

Ela diz: “Nós somos da classe de 2011! Eu o conheci e o Tyler The Creator naquela época e é ótimo que ainda estamos criando músicas. Fazer esse álbum me fez fazer um círculo completo. Eu segui em frente e eu quero me aprofundar nesse sentimento. Têm acontecido muitas coisas inesperadas, mas eu estou bem e tudo sobre esse álbum parece novo.

 

Por Jacqui Swift
Tradução por Davi Perides

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
TOPO