Lana Del Rey concede entrevista à Pitchfork. Confira a tradução!

por / quarta-feira, 19 julho 2017 / Publicado emEntrevistas

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Vida, liberdade e a busca pela felicidade: uma conversa com Lana Del Rey

Na véspera de seu quarto álbum, a estrela pop pagã parece mais satisfeita do que nunca. Como ela chegou lá?

Artistas famosos estão sempre atrasados, mas quando eu cheguei, cerca de 20 minutos antes, para a entrevista no estúdio de Lana Del Rey em Santa Monica, ela estava lá me esperando, com um aperto de mão e um sorriso. É uma semana antes do lançamento do seu novo álbum, Lust For Life, mas ela parece despreocupada e relaxada; quando eu perguntei se ela tem estado ocupada nas vésperas do grande dia, ela diz “não“, com um sorriso, como se ela soubesse que ela deveria mesmo estar. Ela não está vestida com o glamour que você vê nos vídeos e fotos: o cabelo dela, longo e castanho, está preso atrás do seu pescoço, e ela está usando uma camiseta branca e um jeans azul, com tênis creme e meias brancas. Em seguida, ela me convida a entrar em uma porta ao lado no santuário onde as músicas são criadas.

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Para os assistentes de Lana, esse é um lugar místico. Ela tem gravado aqui desde Born To Die, em 2012, seu lançamento em uma gravadora maior. É uma sala linda, preenchida com luz natural vindas de duas janelas, o oposto dos estúdios comuns. Se parece com o que você pode esperar de um lugar de trabalho de Lana Del Rey: sutil e calorosamente retrô, com cabines em madeira escura e uma pintura com um ar da metade do século com formas geométricas se entrelaçando, pendurada na parede do fundo. No centro do estúdio está uma poltrona de couro rasgada com um a capa de um álbum de Tammy Wynette. (“Eu sempre tenho Tammy aqui“, ela diz sobre a cantora de country conhecida por sua eterna devoção, “Stand by Your Man”). Essa cadeira, e não a verdadeira cabine na frente da sala, é onde Lana se senta para gravar seus vocais. “Na cabine tem o calor da luz vermelha“, ela diz. Ela gosta do fato de que o estúdio fica perto da praia, onde ela vai, às vezes, ouvir as mixagens em seu iPhone.

O estúdio é operado pelo dono, Rick Nowels, que é o pordutor de longa data de Lana. Ele veio hoje ouvir o álbum conosco, um par de óculos de sol sobre seus olhos. Nowels é mais de 20 anos mais velho que Lana, que tem 32 anos, e ele tem um papel de uma espécie de tio na vida dela, deixando a compositora um pouco tímida quando docemente se refere à balada “When the World Was at War We Kept Dancing” como uma “obra de arte”, por sua mensagem sobre a importância de achar maneiras de se divertir, mesmo em uma era do Trup. Se preparando para gravar o que se tornaria Born To Die, Lana conheceu uma infinidade de produtores que tentaram dizer a ela como ela deveria ou não soar, alguns a encorajaram a mergulhar no seu estilo vocal sussurrado, que se tornaria sua identidade. Quando ela finalmente conheceu Nowels, ele não quis mudar nada. “Eu passei por 111 produtores para achar alguém que diz ‘sim’ todo o tempo“, ela diz. “Todo mundo está tão obcecado com dizer ‘não’, que te destroem para te reconstruir“.

Lana é viciada em um estúdio – Lust For Life é seu quarto álbum em cerca de cinco anos. Ela diz que um dia que ela trabalhar é melhor que os que ela não o faz. Nowels me disse que mesmo que o novo álbum nem tenha saído ainda, ela já está fazendo música nova. “Se eu tenho uma boa melodia na minha cabeça, eu sei que é um presente“, ela diz. Conforme nos sentamos para ouvir Lust For Life, é como se ela estivesse em casa: Como uma boa anfitriã, ela ela me oferece sua poltrona e se senta em um sofá azul de veludo. Ela tem um relacionamento familiar, não só com Nowels, mas com o engenheiros de som Dean Reid e Kieron Menzies, a quem ela dá créditos por fazer seu trabalho melhor, e os quatro se empenham na masterização, fazendo piadas sobre o perfeccionismo de Lana quando chegam os cortes finais de suas músicas.

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O álbum, como o seu trabalho em um todo, enfatiza o som e a atmosfera fascinante de Lana: uma neblina de estimulação lenta e melodias floridas, evocando um pano de fundo para letras sobre o verão e ícones de celebridades antigas e relacionamentos perigosos e insatisfeitos. Na frente e no centro dessa mistura esta a voz dela, que tem um tom romântico e um alcance especialmente amplo, de profunda e baixa a alta e afiada. A maioria das estrelas do pop depende da reinvenção para manter a relevância, mas sua produção é notavelmente consistente. Ela diz que seu principal critério é se uma música parece ou não transportar os ouvintes a algum outro lugar em suas mentes. Em cada álbum, a estrutura permanece mais ou menos a mesma enquanto infunde seu trabalho com elementos estilísticos de diferentes gêneros, do rap ao rock e ao jazz.

No entanto, o novo CD é um ponto de partida de maneiras fundamentais. No passado, Lana tornou-se famosa por temas que são, às vezes, sem esperança: romance tóxico, violência, uso de drogas, desespero, envelhecimento, morte. Isso não quer dizer que todas as músicas que ela já gravou são depressivas ou que ela não mostrou um senso de humor sobre sua reputação. Mas sua obsessão implacável com as artes obscuras é uma razão pela qual seus fãs a amam com um fervor quase religioso; ela teve problemas com pessoas que entraram em sua casa. “Eles querem conversar“, ela diz friamente. Seus temas ameaçadores também levaram a resistência em certos momentos de audiências maiores que, talvez treinadas para imaginar a música pop como uma ferramenta de empoderamento e empatia, simplesmente não puderam enfrentar seu niilismo.

Enquanto Lust for Life certamente tem sua parcela de momentos sombrios, não é tanto uma avalanche de melancolia, e talvez ofereça sinais para um futuro mais feliz. Às vezes, Lana até se aproxima da alegria descomplicada, como no primeiro single “Love ”. O álbum também contém algumas de suas primeiras músicas que lidam com um universo maior do que a intensidade emaranhada dos relacionamentos entre duas pessoas – as faixas pretendidas são bálsamos e gritos de guerra para tempos difíceis, que, como muitos americanos, ela encontrou-se preocupada constantemente durante a campanha eleitoral de 2016. E, pela primeira vez em qualquer álbum de Lana, ela também está abrindo a porta para vários vocalistas convidados: A$AP Rocky, Playboi Carti, The Weeknd, Stevie Nicks e Sean Ono Lennon em uma música de referência aos Beatles chamada “Tomorrow Never Came. “. “Eu falei com Yoko pelo FaceTime, e ela disse que é a coisa que o Sean fez que ela mais gostou ate hoje.” Lana nos diz.

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Pitchfork: Alguns anos atrás você estava cantando letras como “Eu não tenho muito mais pelo que viver,” e agora você está sorrindo na capa do Lust for Life. Como você chegou num lugar feliz?
Lana Del Rey: Eu fiz compromissos pessoais.

Compromissos com o quê?
Bem, eles são pessoais. [risos] Eu tinha algumas pessoas na minha vida que me tornaram uma pessoa pior. Eu não tinha certeza se eu poderia sair daquela caixa de familiaridade, que era ter muitas pessoas ao meu redor que tinham muitos problemas e sentir que aquilo era uma base doméstica. Porque é tudo o que eu conheço. Passei a minha vida toda a raciocinar com pessoas loucas. Eu achava que todos mereciam uma chance, mas eles não merecem. Às vezes você só tem que se afastar sem dizer nada.

Seus álbuns anteriores apresentavam frequentemente um universo claustrofóbico composto por você e outra pessoa, mas de repente, é como se você estivesse bem aberta e olhando para o mundo ao seu redor.
No tocante ao desenvolvimento, eu estava no mesmo lugar há muito tempo, e então me levou mais tempo do que a maioria das pessoas para ser mais exposta. Sendo naturalmente mais tímida, demorou mais da minha parte para continuar a me integrar com a comunidade local, comunidade global, para crescer como pessoa. Além disso, ficar realmente famoso não ajuda você a crescer com a comunidade. É importante ter a sua própria vida. É difícil com o quanto as coisas são acessíveis. Hacking? Email não é para mim. Eu faço muito para me certificar de que não me sinta presa.

Seus fãs são famosos por serem obsessivos. Eles cruzaram a linha?
Pra caralho. Alguém roubou os meus dois carros. Toda essa merda assustadora. Eu tive pessoas na minha casa com certeza, e eu não sabia que eles estavam lá enquanto eu estava lá. Eu chamei a polícia. Eu tranquei a porta. Obviamente, uma pessoa entre outras centenas de pessoas que é louca. Mas eu [tive problemas para dormir] por um tempo.

A fama pode ser isoladora, mas você está fazendo um esforço real para não deixá-la ser.
Vai ser isoladora. Ponto. A menos que você force. Mas é preciso muito trabalho. Superando a incompetência de ser a única pessoa no cômodo que todos reconhecem. Nos últimos anos, eu tenho saído o tempo todo: boates, bares, shows. Durante anos, fui mais silenciosa, sempre pela porta dos fundos, não conte a ninguém que estou indo. E agora eu relaxei quanto a isso, onde vou aparecer. Não preciso de um bilhete especial. Vou sentar em qualquer lugar. Parece um pouco mais comigo de novo.

Se você está mais feliz hoje em dia, o que você pensa quando escuta uma letra de uma música antiga, como, “Ele me bateu e eu senti como um beijo” de “Ultraviolence”?
Eu não gosto. Não gosto. Eu não canto. Eu canto “Ultraviolence” mas não canto mais essa parte. Ter alguém agressivo em um relacionamento era o único relacionamento que eu conhecia. Não vou dizer que essa [letra] foi 100 por cento verdadeira, mas sinto-me à vontade para dizer que o que eu estava acostumada era ter um relacionamento difícil e tumultuado, e não era por minha causa. Não veio da minha parte.

Agora você quer apresentar uma face diferente ao mundo em Lust for Life?
Não. Eu não me importo. Eu apenas diria que eu sou diferente. E sendo um pouco diferente me faz querer não cantar essa frase. Para mim, era exatamente o que era. Eu lido com o que está na minha letra – você não lida com isso. Eu ficava irritada quando as pessoas me perguntavam sobre essa letra. Como, quem é você?

Você acha que você romantiza o perigo em sua música?
Não. Eu não gosto disso. É que era a única coisa [que eu conhecia]. Então estou tentando fazer uma coisa nova. Nunca escrevi melhor quando tinha muita turbulência acontecendo. Born to Die já havia sido feito quando a merda atingiu o ventilador. Quando as coisas estão boas, a música é melhor. Estou tentando mudar o jeito que eu achei que as coisas seriam para o que eu sinto que elas poderiam ser, que talvez sejam mais brilhantes.

Mas, mesmo com algumas perspectivas novas, Lust for Life ainda é muito melancólico em alguns momentos. Se você faz música triste, o que você fez por muito tempo, isso significa necessariamente que você está triste?
Sim. Eu acho que para a maioria das pessoas, independente do que elas dizem, é provavelmente um reflexo direto do seu mundo interior. Com o meu primeiro álbum, eu não me senti magoada. Eu me senti muito animada e então fiquei um pouco mais confusa.

Após o lançamento do Born to Die, você enfrentou muitas críticas, em parte sobre a questão de se você era ou não autêntica. Você se considera autêntica?
Claro. Eu sempre estou sendo eu mesma. Eles não sabem o que é autêntico. Se você pensa em toda a música que surgiu até 2013, foi super direto e brilhante. Se isso é autêntico para você, isso parecerá o contrário. Eu acho que essa merda é estilizada. Só porque o meu cabelo é volumoso não significa que eu sou um produto. Se significa algo, estou fazendo o meu próprio cabelo, estufando a merda do estofamento ali como uma colmeia. A música estava em um lugar super estranho quando eu fiquei conhecida, e na verdade eu não gostava de nenhuma.

Você já sentiu que a crítica tinha uma inclinação misógina?
Não. Mulheres me odiavam. Eu sei porque. É porque havia coisas que eu estava dizendo que elas simplesmente não podiam se conectar ou talvez estivessem preocupadas que, se estivessem na mesma situação, isso as colocaria em um lugar vulnerável.

Você não estava cantando coisas empoderadoras.
Não, eu não estava. Esse não era o meu ângulo. Eu realmente não tinha um ângulo – esse é o problema.

Você percebeu que todas as músicas na rádio estão tristes agora? Essa letra do Lil Uzi Vert – “Todos os meus amigos estão mortos” – quase parece uma letra sua.
Houve uma mudança sônica importante culturalmente. Eu acho que tenho muito a ver com isso. Eu acho. Eu ouço muita música que soa como essas músicas antigas. Seria estranho dizer que não. Lembro-me de sete anos atrás, eu estava tentando conseguir um contrato, e as pessoas ficavam tipo “Você está brincando? Essas músicas? Não há mercado para isso.” Houve tanto tempo em que as pessoas tinham que se encaixar nessa caixa pop.

Com toda a crítica que você recebeu ao longo dos anos, particularmente depois de Born to Die, algumas pessoas teriam desistido. Mas você dobrou a aposta e fez um ainda mais controverso, quase um hiper-Lana álbum com Ultraviolence.
Eu super dobrei a aposta. [A crítica inicial] fez eu me questionar – eu não sabia se sempre seria assim. Você não pode lançar álbuns se 90 por cento dos comentários em lugares como o Times serão negativos. Isso seria uma loucura. Teria feito sentido voltar para trás, mas eu estava tipo, deixe-me lançar mais três álbuns e ver se eu posso ficar no olho do furacão. Sem mudar demais. Deixe-me apenas tirar um pouco da [produção] para que você possa ouvir as coisas um pouco melhor; Pensei que as pessoas talvez estivessem distraídas. Eu fiz o mesmo com Honeymoon. Todos por aí ouviram e ficaram: “É um álbum legal, mas você sabe que não vai estar na rádio, certo?” E eu dizia, “Sim. Eu disse ao Jimmy [Iovine], quando eu assinei: “Se você quer me assinar, isso é tudo o que será”. Eu estava muito empenhada em fazer música porque acredito no que faço. Tudo o que eu tinha que fazer era não desistir.

Então, aquela mulher do Ultraviolence que está tão tomada de turbulência – ela ainda está aí em Lust for Life?
Veremos. Essa foi a minha experiência até agora, mas estou tentando.

Algumas das músicas mais esparsas e realmente sinceras de Lust for Life me lembraram a música do Ultraviolence “Black Beauty”.
Essa é uma música triste. Naquela música – [canta] Mantenho meus lábios vermelhos como cerejas na primavera / Querido, você não pode deixar tudo parecer tão azul escuro – essa é uma garota que ainda está vendo o céu azul e colocando um toque de cor apenas para ela mesma. Mas esta [outra] pessoa – era tudo preto para eles. E meu mundo tornou-se escuro com esses sobre-tons. [Com isso, Lana começa a chorar, e nós paramos por um momento.]

O que te fez chorar agora mesmo?
Naquele momento, quando eu disse “toque de cor”, eu estava conectada a esse sentimento de só poder ver uma parte do mundo em cores. E quando você se sente desse jeito, você pode se sentir preso.

Você está vendo o mundo em cores agora?
[Suspiros] Eu realmente não sei como descrever minha perspectiva no momento.

Mas você está tentando, e é disso que Lust for Life se trata?
Não é. Não sei do que se trata. Não sei o que é.

O álbum é uma maneira de dizer que você, pelo menos, quer ser feliz?
Não. É só que algo está acontecendo.

O que te faz feliz?
Eu sou muito simples. Eu amo a natureza. Eu gosto de caminhadas. Estar junto à água – nem sempre entrando. Adoro os elementos. Cantar em um festival ao ar livre. Adoro esse sentimento.

O que te chateia?
Sentir que estou retrocedendo.

Existe um enredo para o álbum?
Sim.

Qual é a história?
Você tem que descobrir.

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Apenas alguns anos atrás, você estava dizendo que não se preocupava com o feminismo, e agora você está escrevendo músicas de protesto e meditações sobre guerra e paz.
Porque as coisas mudaram culturalmente. É mais apropriado agora do que antes sob a administração do Obama, onde pelo menos todo mundo que eu conhecia se sentia seguro. Foi um tempo bom. Nós estávamos apenas melhorando.

As mulheres começaram a se sentir menos seguras sob esta administração instantaneamente. E se eles tirarem a Planned Parenthood? E se não pudermos ter controle de natalidade? Agora, quando as pessoas me fazem essas perguntas, eu me sinto um pouco diferente. A razão pela qual eu pedi a Stevie Nicks para estar no álbum é porque ela muda quando seu ambiente muda, e eu também sou assim.

Em “When the World Was at War We Kept Dancing”, eu escrevi, “Meninos, não façam muito barulho/ Não tentem ser engraçados/ Outras pessoas podem não estar entendendo.” Como, você pode diminuir o tom da sua retórica excessivamente turbulenta que não está funcionando? “God Bless America – And All the Beautiful Women in It” é para as mulheres e qualquer outra pessoa que nem sempre se sente segura andando pela rua tarde da noite. Isso é o que eu estava pensando quando escrevi: “Mesmo quando estou só, não estou sozinha/ sinto seus braços ao meu redor”. Não é sempre como me sinto quando ando pela rua, mas às vezes em minha música eu tento escrever sobre um lugar para o qual eu vou chegar.

Você se sente insegura?
Eu me sinto menos segura do que quando Obama era presidente. Quando você tem um líder no topo da pirâmide, que faz piadas sobre coisas assim, são trazidos defeitos de personalidade em pessoas que já têm a propensão a ser violentas contra as mulheres. Eu vi isso em L.A. Ao caminhar pela rua, as pessoas simplesmente falavam coisas que eu nunca tinha ouvido.

Quando as pessoas me perguntavam sobre a questão feminista antes, eu dizia: “Eu realmente não estou experimentando discriminação pessoal como mulher. Eu sinto que estou indo bem. Eu marco shows como o The Weeknd marca. Eu tenho toneladas de mulheres na minha vida, amo as mulheres, apoio as mulheres” Eu simplesmente me sentia tipo, por que não falamos sobre a música primeiro? Posso dizer-lhe que o que fiz pelas mulheres é contar a minha própria história, e é tudo o que qualquer um pode fazer.

É mais difícil romantizar a América quando o Trump é a maior celebridade do país?
Certamente é incômodo. Eu definitivamente mudei o visual da minha turnê. Eu não vou ter a bandeira americana balançando enquanto eu canto “Born to Die”. Não vai acontecer. Prefiro ela estática. É um período de transição, e estou muito consciente disso. Penso que seria inapropriado estar na França com uma bandeira americana. Isso me parece estranho agora – não parecia estranho em 2013.

Todos os caras no estúdio – não sabíamos que íamos começar a chegar todos os dias e falar sobre o que estava acontecendo. Nunca tínhamos feito isso antes, mas todos os dias durante a eleição, você acordava e alguma coisa nova e horrível estava acontecendo. Coréia, com mísseis repentinamente apontados para a costa ocidental. Com “When the World Was at War We Kept Dancing”, eu estava fazendo uma pergunta real para mim mesma: poderia isso ser o fim de uma era? A queda de Roma?

A nostalgia pode ser realmente brega quando não é bem feita, e você se baseia na nostalgia. Como você tenta acertar?
Eu sei que chego no limite às vezes. [Risos] Eu vi comentários que as pessoas fizeram sobre a minha música “Coachella – Woodstock in my Mind”. Eu escrevo esse título e eu gosto, ok, eu sei que fui longe. Mas acho que é incrível. Está na cara. É assim na cara. Mas às vezes as coisas são apenas o que são. Estou no Coachella por três dias, e a Coréia do Norte está apontando um míssil para nós, e eu estou assistindo o Father John Misty com minha melhor amiga, que é a esposa dele – é tudo o que eu estou dizendo literalmente. É como, sim, eu sou hipster. Eu sei isso. Entendi.

Você mencionou que trabalhou com Stevie Nicks nesse álbum, como foi gravar com ela?
Ela veio diretamente de um avião vindo de seu último show de uma turnê em 60 cidades, que eu deveria abrir. Ela me perguntou e eu fiquei tipo, “Oh, meu deus.” Mas não pude porque não quero fazer uma turnê de 60 shows.

Ela passou pela porta. Luzes loiras no cabelo, óculos rose gold, ouro na ponta das unhas, batom rose gold, colar de ouro, anéis de ouro, preto no preto no preto. Muito estilosa. E enquanto isso, eu parecia uma dona de casa com 15 camadas de flanela porque era uma noite fria. Eu pensei, por que eu não me vesti para a Stevie Nicks?

No final da faixa, ela canta, então eu canto, então ela canta. Eu estava meio que envergonhada. Eu estava tipo “Eu soo tão baixo comparado a você” e ela disse “Isso é bom, você é o meu pequeno eco”. E eu fiquei tipo, Stevie me chamou de seu pequeno eco. Era uma coisinha estúpida, mas ela foi muito estimuladora dessa maneira e não depreciou o fato de eu ter uma voz mais respirada. O que eu nem sabia até que eu estava ombro a ombro em uma faixa com alguém com menos ar em sua voz. Eu me senti um pouco mais exposta naquele momento. Mas ela dizia, “É você. Seja só você.”

Falando de ícones musicais, você pode me contar sobre tocar na festa de casamento de Kim e Kanye?
Foi uma surpresa para a Kim. Eu não a conhecia. Eu cantei “Young and Beautiful”, “Summertime Sadness”, “Blue Jeans”. Kanye pediu “Young and Beautiful”. As meninas – as Kardashians – eram tão agradáveis. Havia apenas uma fila, apenas eles, ali mesmo. Eles estavam vivendo para isso. Eles começaram a tocar os discos de Kanye e Jay-Z o resto da noite e choveu e todos estavam apenas dançando na chuva. Eu fiquei por uns 40 minutos e depois fui embora.

As pessoas fizeram um grande burburinho sobre esse colar que você está vendendo que parece ter uma colher de cocaína. É uma colher de cocaína?
Sim. É engraçado. Eu também tenho um frasco de bebida e um isqueiro. Eu não uso cocaína.

Você disse no passado que você também não estava bebendo, e ainda assim aparece na sua música. Você bebe agora?
Sem comentários.

Você canta muito sobre drogas e álcool.
Não neste álbum. Eu costumava usar muitas drogas, mas eu não uso agora.

Que tipo de drogas você usava?
Sem comentários. [Risos] Mas acho que a colher de coca é meio engraçada. Eu sou tipo, tanto faz. Eu não acho que isso fará com que alguém use cocaína.

Você está consciente de quando você caminha até um tabu em seu trabalho?
Na verdade não. Essa é a única coisa em que não me meto. Eu estou lá, mas há vezes que eu realmente não sei disso. Há algumas coisas que eu acho um pouco legais que eu sei que para outras pessoas podem ser tipo, Okayyyyy.

Como cantar sobre a morte?
Essa é a vida real. Vida super real.

Você ouviu muita merda por dizer “Eu queria estar morta” para um jornalista alguns anos atrás.
Foda-se esse cara. Eu não pensei que ele iria escrever isso e tornar o título. Eu estava tendo um momento muito difícil. Eu estava na estrada por um ano. Eu estava realmente lutando. Eu fui apenas estúpida, eu estava tipo, “eu quero morrer.” Talvez eu quisesse realmente dizer isso. Eu realmente não sei.

Qual dos seus álbuns é o mais autobiográfico?
Todos eles. O último disco – eu escuto uma música como “Terrence Loves You”, e eu realmente sinto por mim mesma na época. A pessoa de quem eu canto – [canta] Você é o que você é / eu não importo para ninguém – eu realmente disse que eu não importo para ninguém? Isso é loucura.

Você se sentia assim?
Eu acho que sim. Eu cantei isso.

O que faz você se sentir orgulhosa?
Meus álbuns. Eu amo os meus álbuns. Adoro eles. Estou orgulhosa da maneira como coloquei partes da minha história em músicas de forma que só eu entendo. Em termos do meu indicador do que é bom, é realmente exatamente o que penso. Eu tenho uma estrutura interna que é a única coisa pela qual eu medi. Minha própria opinião é realmente importante para mim. Ela começa e para por aí.

Por Alex Frank
llustrações pos Juliette Toma
Tradução por Ana Luiza Guimarães, Leticia Oliveira e Marcos Almeida

Redação LDRA
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