‘Eu fui empurrada ao mundo real’ – Lana Del Rey concede entrevista ao site da BBC, confira a tradução

por / terça-feira, 25 julho 2017 / Publicado emEntrevistas

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Nesta terça-feira (25), Lana Del Rey concedeu uma entrevista à rádio da BBC (em breve divulgaremos a tradução) e logo após, concedeu uma entrevista ao site do jornal. Confira a tradução a seguir.


Lana Del Rey: “Eu fui empurrada ao mundo real

Lana Del Rey está de bom humor.

Ela esteve no estúdio BBC Rádio 1, com Nick Grimshaw, tentando fazê-lo rir enquanto ele falava seriamente sobre negócios no ar. E ela sonhava sobre sua iguaria favorita do Reino Unido – um sanduíche do Pret.

Quando ela descobriu que estava no mesmo prédio da redação da BBC, educadamente pediu uma visita guiada.

Eu nunca vi nada assim” maravilhada, a cantora andava de olhos atentos pelos estúdios e estações de satélites.

Nesse momento, Del Rey é estranhamente anônima. Jane Hill, que se preparava para ler as notícias da hora do almoço na BBC One, sequer olhou quando a estrela passou por sua mesa.

É um luxo raro para alguém que é constantemente seguida por paparazzi e cercada de câmeras do TMZ quando está na Califórnia, em sua casa.

Ela aborda a falta de privacidade em seu novo álbum, Lust For Life, em uma música chamada ’13 Beaches’, onde Del Rey procura um lugar onde “passando por Ventura e lentes exageradas” possa desfrutar de um momento romântico em isolamento.

Quando sentamos conversar, ela contou que essas mesmas preocupações a impediram de participar da Marcha das Mulheres nesse ano, em Los Angeles.

Eu levei minha irmã e suas amigas para a marcha”. Ela disse. “Eu pensei em participar da marcha, mas eu não senti que realmente deveria ir”.

Eu não queria ser uma distração para o grupo de 10 meninas que estavam indo. Eu queria que elas pensassem sobre a marcha e não sobre eu parada do lado delas”.

Mas a estrela contribui de outras formas. Uma nova música, God Bless America And All The Beautiful Women In It, é uma ode para as mulheres (“Talvez você continue orgulhosa e forte”), enquanto em Coachella – Woodstock In My Mind, minam contradições sobre dançar no festival “enquanto assistimos a tensão na Coreia do Norte aumentar”.

É uma nova dimensão para as músicas de Del Rey, – que tradicionalmente tinham a preocupação sobre “procurar o amor em lugares errados”.

Eu meio que fui empurrada ao mundo real novamente” – ela disse.

Estava na Califórnia, que é um estado muito liberal, e eu era constantemente bombardeada com notícias. Então meu estúdio virou um grupo de reflexões – durante as eleições, eu constantemente conversava com meu produtor, engenheiro e engenheiros auxiliares”.

E então, durante o Coachella, saíram muitas notícias sobre a Coreia do Norte e sobre terem mísseis apontados um para o outro [Ela se refere a Coreia do Norte e os Estados Unidos terem apontado misseis um ao outro]. Foi um jeito um tanto rude de despertar”.

A nota do álbum de Del Rey é impressionante. Lust for Life é seu quinto álbum em seis anos – e está explodindo, com 16 músicas, todas coproduzidas pelo seu produtor de longa data, Rick Nowels.

Eles gravaram tudo no estúdio dele em Santa Monica, a poucas quadras da praia, então “nunca pareceu trabalho”, ela disse.

Apenas íamos [para a praia] e tomávamos um café juntos, dávamos uma caminhada e então começávamos”.

Então nunca senti como se estivesse bombeando as músicas para fora. Embora foi uma benção que consegui colocar tantas músicas para fora”.

Em Lust for Life, a cantora se abriu musicalmente, e também liricamente. A faixa-título é um dueto arrebatador com The Weeknd, enquanto Summer Bummer quase se autodestrói, resumindo-se em ruídos digitais e batidas apagadas e Lana mal aparecendo na música.

Ela também recebeu colaboradores em seu mundo pela primeira vez – levando-os em sua essência, ao invés de fazer músicas para as paradas.

Foi divertido!” ela disse sobre trabalhar com The Weeknd e A$AP Rocky. “Eu queria eles para adicionar uma pequena chama, um pouco de energia para o CD”.

O mais assustador foi convidar a lenda do rock Stevie Nicks para o dueto Beautiful People, Beautiful Problems.

Eu estava definitivamente nervosa” Disse Del Rey sobre o momento da gravação.

Mark Savage durante entrevista com Lana Del Rey

Ela desceu do avião às 10:30h, e não foi para o estúdio até a meia-noite. E então ela calmamente entrou, toda de preto, com ouro em todo lugar. Ela era uma visão e tanto.

Quando ela começou a cantar, disse que queria que eu cantasse algo e então eu realmente surtei!

Eu disse para ela através do microfone ‘Eu soo tão quieta comparada a você’. E ela ficou tipo ‘Tudo bem, você pode ser meu eco’.

Eu achei isso tão legal, não canto tão alto quanto ela. Minha voz não é tão alta quanto a dela. Mas ela a ama mesmo assim”.

Isso, da forma que aconteceu, foi um marco na minha carreira”.

As outras faixas do álbum tiveram uma gestação mais conturbada. Del Rey diz que a faixa final, Get Free, tinha um título diferente e uma letra muito mais pessoal.

Inicialmente, a música era muito mais reveladora” ela disse. “Eu queria resumir todas minhas experiências nesses seis anos; e então percebi que não queria revelar tudo”.

Uma vez que a versão inicial estava “fora do meu sistema”, ela disse, “a música foi completamente deletada e começada toda novamente”.

A música se tornou mais vaga e esperançosa; e a versão regravada termina com Del Rey referenciando Neil Young: “Quero ir do preto para o azul”.

Acho que seria difícil para mim dar entrevistas se eu dissesse coisas particulares que eu estava pensando”.

Do jeito que aconteceu com Ultraviolence. Foi difícil promover esse álbum”.

Ela se refere sobre a faixa-título de seu segundo álbum, que retratou Del Rey em relacionamentos abusivos e destrutivos. Del Rey já havia insinuado que a música retrata seu envolvimento com uma seita underground em Nova Iorque, que era controlada por um guru.

Em shows, ela recentemente parou de cantar o verso “Ele me bateu e pareceu um beijo”.

Eu não me sinto mais confortável com esse verso”. Ela conta agora. “Seja qual foi meu conceito de amor, isso não me serve mais. Obviamente. Felizmente”.

Em Lust for Life, ela parece mais contente, olhando mais para frente que antes. E nos palcos está mais confiante também.

No show de lançamento do álbum em Londres, ela foi forçada a abandonar a performance de sua faixa de abertura, Love.

No começo da carreira, ela teria congelado, agora ela simplesmente canta acapela, com o público entrando, como seu próprio coro pessoal.

Eu não tenho certeza do que aconteceu, mas acho que o tecladista estava tocando os acordes errados.” Ela explica. “Eu dizia para ele ‘Não é isso, não é isso’ e ele estava tipo ‘É isso, confie em mim’.

Eu ouvi por 10 segundo e pensei ‘Droga, eu realmente não consigo entender isso. Também não consegui entender no ensaio. Então eu apenas disse para ele parar. Eu me sinto mal – Fui um pouco grosseira”.

Mas a música é o coração do álbum, então achei que seria estranho não cantá-la. Por sorte as pessoas que estavam no show sabiam a letra e cantaram comigo”.

Ela ouve a gravação com alegria, e explica que por usar fones não conseguiu ouvir o quão alto a multidão cantou.

Estou tão feliz” ela diz. “Estar na plateia. Você sente isso também?

Eu digo a ela que é como estar na igreja. “Oh, pare” Ela se ilumina e explode em risadas.

O bom humor não vai embora logo.

 

Por Mark Savage
Tradução por Dandara Mosso

Redação LDRA
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