Confira as críticas e reviews dos sites especializados para Lust For Life

por / sábado, 22 julho 2017 / Publicado emNotícias

Reviews

Ontem (21) ocorreu o lançamento do tão esperado Lust for Life, quinto álbum de estúdio da Lana Del Rey. Confira o que alguns dos principais sites especializados em música acharam do novo cd. (O post será atualizado conforme as críticas forem divulgadas.)

 

INDEPENDENTReview de “Lust for Life”, Lana Del Rey: Seu poder é manter as coisas secretas, enquanto parece ser explícita demais.

Seu dueto com The Weeknd prova uma parceria poderosa, eles se destacam no meio como dois artistas que foram bem-sucedidos em criar seus próprios mitos.

No começo de sua carreira, a mulher nascida como Lizzy Grant e reinventada como Lana Del Rey parecia perigosamente perto de se tornar uma vítima do que ela mesma criou: as críticas a revelação que sua persona musical era uma invenção, não uma realidade, foram extremamente brutais.

Nesse novo álbum Del Rey está bem mais consciente do que ela tem sido em seus álbuns anteriores, onde suas letras – sempre parecendo romantizar a morte e o tédio – rapidamente se tornaram cansativas. Quando chegou o Ultraviolence, o sucessor do Born To Die(2012), pareceu que ela precisava de novos assuntos para cantar sobre.

Lust for Life é mais uma elaboração de seus assuntos preferidos do que uma repetição deles. É certo que é seu álbum mais expansivo. “É o fim de uma era?” ela pergunta em “When The World Was At War We Kept Dancing”, “É o fim da América?” em “God Bless America- And All The Beautiful Women In It”, as perguntas soam como tiros.

Ela fala com mais afeição aqui do que em Honeymoon (2005), onde todas as mulheres as quais ela cruzou pareciam trágicas ou insensíveis, e parece mais segura quando canta em primeira pessoa, encontrando coragem para dar bronca em um amor infiel em “In My Feelings” com: “Será que eu posso ter encontrado outro fracassado?” cantado em uma voz doce como calda de açúcar. “Quem é mais forte que essa vadia?” ela intima, “Quem é mais livre do que eu?” e você acredita nela.

Ela cita os BeatlesAnd I Love Her” antes da mudança drástica do ritmo em “West Coast” no Ultraviolence; e, “Tomorrow Never Came” ela faz um dueto com Sean Lennon, usando um sample do estilo sonoro de “Here Comes the Sun” e “Something” e faz múltiplas referências as músicas dos Beatles nas letras. “Beaches” oferece um dos melhores vocais de Lana Del Rey entre todos os álbuns.

Enquanto Dan Auerbach ofereceus suas influências de blues no segundo álbum, com Lust for Life o maravilhoso pop de Benny Blanco e Max Martin dá um brilho hollywoodiano. “White Mustang” e “Groupie Love” ainda possuem resquícios de obsessão com um lado mais frágil da fama, a obscuridade por trás do brilho e dos perigos de desejar um artista; o som brilhante da última lembra o delirante e sinistro som de uma cigarra no calor do verão. O álbum inclui uma de duas ótimas participações de A$AP Rocky em um álbum que parece cheio, mas não tão cheio, de parcerias.

É infeliz que ela emprestou pesadamente “Creep” de Radiohead na faixa final “Get Free”, enquanto é, sem dúvida, um tributo para uma das poucas faixas que podem fazer sua música parecer mais agitada, ela aparece em um álbum que foi mais discretamente trabalhado no instrumental.

Na faixa-título, seu dueto com The Weeknd prova uma parceria poderosa, eles se destacam no meio como dois artistas que foram bem-sucedidos em criar seus próprios mitos em uma era em que nenhum pedaço de informação ultrapassa os limites, e “muita informação” é o que mais oferecem sobre muitas celebridades.

Assim como a marca registrada do The Weeknd é o R&B obscuro, o pop delicioso de Del Rey se mistura com batidas hip hop e seu vocal ofegante; o poder mútuo em serem discretos enquanto parecem extremamente explícitos. É um mix inebriante para curtir.

Por Roisin O’Connor
Tradução por Yeda Salomão

 

THE NEW YORK TIMES: Resenha: Lana Del Rey se pergunta ‘É o fim da América?’ em seu novo álbum

Tempo está pesando em Lana Del Rey no seu 4º álbum numa grande gravadora, “Lust for Life“. Com 32 anos, ela está pensando, não somente em seus romances tumultuosos, que enchem a maioria de suas canções, mas também na próxima geração: crianças usando coroas de flores que ela vê no festival Coachella, jovens que se amam andando na rua que ela percebe. Na primeira música do álbum, “Love“, ela olha para “vocês, crianças, com suas músicas vintage vindas por meio de satélites” (“at you kids with your vintage music, coming through satellites“), e observa, “Vocês são parte do passado, mas, agora, vocês são o futuro” (You’re part of the past, but now you’re the future).”

Essa combinação de antigo e novo tem sido o dom e a estratégia da Srta. Del Rey. Algumas carreiras de cantores pop se desenrolam como uma progressão, uma implícita narrativa de um artista explorando novas ideias e escolhendo diferentes desafios. O catálogo da Srta. Del Rey é mais como um móbile do Alexander Calder: elementos fixados, mas em constante mudança de espaço, que se realinham em cada ângulo que você os vê. “Lust for Life” é o álbum mais longo dela; há 16 músicas, que se ampliam em 72 minutos. Ele, também, em raros momentos, sugere algo por trás das melancólicas canções da Srta. Del Rey.

A Srta. Del Rey é uma estrela somente desde 2011, quando ela lançou seu single “Video Games” e seu álbum de estreia, “Born to Die.” Mas seus materiais e fixações já estavam definidos. Ela cantaria sobre amor, geralmente dando errado, junto com a fama, drogas e pensamentos sobre a América. Ela foi, sem fazer muito barulho ou pressão, contra todas as expectativas do pop na década de 2010. Dando as costas para um som alto, enfático e digitalmente aumentado, Srta. Del Rey sussurrava relaxadamente. Sua voz ficaria gentil, sem ser forçada, usando saltos melódicos, ao invés de usar o pulmão, para auges emocionais.

Do passado, ela refletia grupos femininos e músicas românticas pré-rock, colocava títulos de músicas antigas nas letras de suas canções, como também imagens antigas – principalmente de Hollywood – em seus vídeos. E, do presente, ela usava um linguajar chulo e as frívolas e superficiais batidas de Hip-Hop, misturando-as com nostalgia. Sua música é um mundo dos sonhos feito em casa: um reino lento, intoxicante, triste, glamouroso, pensativo, solitário, com Hollywood em seu centro, com o restante da América no fundo, onde ela gentilmente geme sobre prazeres passageiros e desapontamentos sombrios.

Em projetos que se sucederam, ela melhorou os ingredientes, e quantidades: uma guitarra mais psicodélica em Ultraviolence em 2014, arranjos de cordas irregulares e melodramáticos em Honeymoon em 2015. Embora suas músicas sejam reconhecidas logo de cara. Em “Lust For Life“, há algumas colaborações, – Stevie Nicks, the Weeknd, A$AP Rocky, Sean Ono Lennon – porém, a Srta. Del Rey as domina.

The Weeknd e a Srta. Nicks sinalizam a decadência de Hollywood que a Srta. Del Rey muitas vezes escreve e aponta: The Weeknd se junta com ela em “Lust For Life” para cantar sobre dançar no letreiro de Hollywood e ficar nu, e a Srta. Stevie Nicks colabora com uma música romântica com piano, “Beautiful People Beautiful Problems,” que zoa o próprio narcisismo.

Trabalhar com o Sr. Lennon, na linda “Tomorrow Never Came“, dá a licença à Srta. Del Rey a usar acordes à la Beatles, e a cantar sobre idolatrá-los, enquanto representa mais um cenário de amor perdido. A$AP Rocky aparece duas vezes: em “Groupie Love“, uma de muitas canções dela sobre os perigos de um romance com um musicista, e em “Summer Bummer“, que colide as palavras de A$AP Rocky com uma triste melodia em piano sobre como não é possível se libertar.

A Srta. Del Rey se distancia de questões pessoais por um breve e enigmático trecho, na metade do álbum. “God Bless America – and All The Beautiful Women in It” é uma hora pessimista e outra idealista; no refrão, o verso “God bless America” é seguido de dois tiros. Ela canta “When The World Was At War We Kept Dancing” mudando as notas gentilmente sucessivamente de um jeito verdadeiramente vintage, tentando achar esperança, mas se perguntando: “É o fim de uma era?/É o fim da América” (“Is it the end on an era?/Is it the end of America?“)

Mesmo assim, tristes músicas de amor são a vocação da Srta. Del Rey que mais permanecem: canções como “Change“, uma canção melancólica com piano puro, na qual ela resolve “achar a força para ser fiel” (“Find the power to be faithful“). E, de vez em quando, ela vira a mesa. “In My Feelings“, com sintetizadores e uma percussão Trap*, acha a coragem de rir de um namorado que trai. “Será que eu encontrei outro perdedor?” (“Could it be that I found another loser?“), ela canta docemente. E ela fecha o álbum com “Get Free“, que se inspira tanto em grupos femininos quanto na música “Creep“, de Radiohead, enquanto ela resolve terminar com alguém: “Eu não estava discernindo/E você, como descobrimos, não estava em perfeito juízo” (“I was not discerning/and you as we found out were not in your right mind.“) A melancolia usual está aqui, mas também há uma sugestão de algo novo.
*Trap: gênero musical normalmente associado ao Hip-Hop

Por Jon Pareles
Tradução por Davi Perides Roizman

 

GQ Magazine UK: Lana Del Rey aponta sobre a América de Trump em seu novo álbum

Olha para vocês, crianças, com sua música vintage”, canta Lana Del Rey em ‘Love’, a faixa de abertura de seu quinto álbum de estúdio Lust For Life. É um assentimento tímido e auto-referencial ao seu fascínio pela música dos anos 50 e 60 e todas as coisas vintages, bem como a devotada base de fãs que construiu desde a sua aparição em 2011 com “Video Games“. Do seu visual de Priscilla Presley passando pelos temas penetrantes do glamour de Hollywood antigo e ao amor desagradável para o uso intenso em seus vídeos musicais com estilo retro, Lana Del Rey é a própria encarnação do “velho encontra o novo” – um filtro de Instagram vivo cujos estilo e som inesquecíveis são evidenciados em seu novo álbum.

Na primeira escuta, há um som mais comercial aqui, algo que faltava tanto no Ultraviolence quanto no Honeymoon. A faixa de título “Lust For Life“, onde ela conta com a ajuda do The Weeknd , é um bom exemplo. Ele entrega um dos coros mais infecciosos do álbum enquanto as duas estrelas se juntam para cantar “tire, tire, tire todas as suas roupas“. O amor de Del Rey pelo hip-hop tem sido evidente desde o lançamento de seu álbum de estreia Born To Die e sua influência é salpicada em Lust For Life. Além de The Weeknd, ela também traz Playboi Carti e A$AP Rocky à bordo, o último em “Groupie Love“, onde ela interpreta uma fã bajuladora que olha para o ídolo enquanto ele toca uma guitarra no palco. A música, aliás, apresenta um dos bridges mais bem executados de todo o álbum.

A sensação de melancolia, agora sinônimo de Del Rey, ainda perdura e seus relacionamentos ainda parecem condenados, mas para uma artista que fez da tristeza uma marca pessoal, as coisas são decididamente menos deprimentes desta vez – ela está sorrindo na arte do álbum! Aconteceu também que a garota que cantava sobre um amante que “me bateu e eu senti como um beijo” foi substituída por uma mulher que agora desafia seus namorados. “Será que eu me apaixonei por outro perdedor?“, Ela pergunta “In My Feelings“. Mais tarde, ela diz aos garotos que fiquem quietos e “não tentem ser engraçados“. Mesmo a sua inspiração favorita, o Sonho Americano, está sob fogo: “É o fim da América?“, Ela reflete sobre “When The World Was At War We Kept On Dancing”. Não é surpresa que, na era de Donald Trump, o mundo cor de rosa de Lana e aquela percepção idealista de seu país foi descartada para uma posição mais crítica e cáustica. Isso não é melhor percebido do que em “God Bless America- e And All The Beautiful Women in It” em que dois tiros altos reverberam no coro. É um dos momentos mais memoráveis do CD.

Em outra faixa do Lust For Life, Stevie Nicks faz uma aparição no “Beautiful People Beautiful Problems“, agradável, se não notável, enquanto o filho de John Lennon se apresenta na faixa de destaque do álbum, “Tomorrow Never Came“. Soando notavelmente como seu pai, Sean Ono Lennon e Del Rey lamentam um amor perdido em uma música onde a influência dos Beatles é inconfundível, desde a progressão dos acordes até os ganchos arrastados.

Lust For Life é brevemente desiludido por algumas músicas desnecessárias, ignoráveis que, verdade seja dita, poderiam ter sido tiradas do disco. “White Mustang“, em particular, parece ir a lugar nenhum, enquanto ” Coachella (Woodstock In My Mind)” – onde Del Rey reclama sobre tudo o que está acontecendo no mundo – acaba se perdendo na batida. No entanto, estas são pequenas críticas, uma vez que Lust For Life não apenas marca um retorno à forma de Del Rey mas também é seu álbum mais forte e ambicioso até a data.

No estilo típico de Del Rey, há homenagem a outros artistas: além da homenagem aos Beatles, na faixa final “Get Free” há uma semelhança não tão sutil com os acordes do “Creep” do Radiohead, enquanto o lado do álbum mais acústico tem uma influência clara ao grupo The Shangri-Las. Mas é a voz sempre enigmática que continua sendo o elemento mais cativante. Na deslumbrante balada de piano “Change“, ela começa com esses tons palpáveis, suaves e sensuais antes de o refrão abrir seu alcance vocal. Onde outros artistas se baseiam em baladas de poder para mostrar seu talento, Del Rey está mais confortável com notas suaves e sinuosas que destacam o som emocionalmente cru, aveludado, suave e com gosto de beijo com uísque que ela só pode entregar. Após ouvir “13 Beaches” você fica se perguntando porque os produtores de James Bond ainda não bateram à sua porta.

Numa altura em que alguns dos maiores cantores pop sofrem uma crise de identidade (cof, cof, Katy Perry), a auto-consciência de Lana Del Rey floresce em Lust For Life. Ela pisa um terreno novo e familiar e, embora o álbum não seja uma obra-prima, as bases estão aí para Del Rey construir seu próximo trabalho. Como Melodrama de Lorde, Lust For Life é uma obra de arte completa, um antídoto para as músicas banais que permeiam as paradas e um dos melhores álbuns lançados este ano até agora.

Por Kevin Long
Tradução por Marcos Almeida e Mateus Santana

 

DIY: Lana Del Rey – Lust For Life

Um CD que está preparado para ser verdadeiramente vulnerável, o que é a coisa mais impactante sobre ele.

Ao longo de três grandes álbuns deslumbrantes, Lana Del Rey fez um nome para si mesma como a melhor desenvolvedora de um pop escuro. Adotando o nebuloso traço barbitúrico de uma super estrela entediada e glamourosa, cantando flertes sem destinatários, abuso de substâncias, morte, toxicidade e histórias sobre amor destrutivo, ela se tornou uma artista com um nicho claro e distinto; mas talvez isso limitasse as possibilidades quando se tratasse de encontrar espaço para a expansão. ‘High By The Beach‘ – que apareceu em seu álbum de 2015 ‘Honeymoon‘, e se destacou como um momento de brilho desinteressado – foi talvez a primeira indicação de onde as coisas podem chegar. Hedonista e escapista, veio com uma reflexão lírica conhecida de “luzes, câmera, ação” para seu álbum de estréia, juntamente com um vídeo exageradamente exagerado, onde Lana Del Rey se livra de um paparazzi, com a ajuda de um míssil antitanque. Parecia uma vingança contra os seus detratores além de brincar com a percepção comum (e ligeiramente redutora) de que Lana Del Rey não é senão alguém sem juízo e melancólica.

Entra, então, ‘Lust For Life‘. Seu próprio titulo é humoristicamente otimista e em desacordo com a reputação de Lana Del Rey; a antítese cheia de zelo para seu álbum de estreia ‘Born to Die‘. Sorrindo na capa do álbum, com o cabelo cheio de margaridas, ela parece a própria imagem da satisfação, e com frequência “Lust For Life” é um álbum que explode com uma esperança não diluída pela primeira vez na carreira de Lana. “Finalmente, estou atravessando o limiar“, ela diz diretamente sobre “Get Free“, “do mundo comum para a revelação do meu coração“. É um mantra que é representativo no “Lust For Life” como um todo; bem como a exploração sônica mais complexa de Lana Del Rey até o momento – infiltrando-se com versões de produção surrealistas – é um CD verdadeiramente vulnerável, o que é a coisa mais impactante sobre ele.

Isso não quer dizer que ‘Lust For Life‘ é só doçura e luz. ” When the World Was at War We Kept Dancing” vê cada centímetro de escapismo sendo levado embora nos escombros políticos dos Estados Unidos, antes de pregar ameaçadoramente a III Guerra Mundial. Em outras palavras, é sombrio pra caralho. ‘13 Beaches‘ e ‘White Mustang‘, entretanto, misturam declarações de “chateação” com piscadelas e buscas por praias vazias (finalmente achando no desafortunado numero 13, obviamente, esta é Lana Del Rey). No entanto, bem no fundo do coração, são dissecações honestas do medo de estar sozinhas. “Love“, enquanto isso – em toda a sua história de balada vintage, é uma música de mentalidade política para aqui e agora, abordando hordas de “crianças” anônimas que são despreocupadas e inocentes para todos os males do mundo. “O mundo é seu e você não pode recusá-lo“, diz ela, acrescentando, “Mas não quer dizer que você deve abusar.

Espirituoso, complexo e infinitamente intrigante, ‘Lust For Life‘ é um registro meticuloso do início ao fim, com muito poucas queixas. São apenas algumas faixas para chegar a ser incômodo, além claro do uso de imagens repetidas mas que acaba funcionando como um deleite, como a palavra “bummer” que surge algumas vezes. Curiosamente, Stevie Nicks acrescenta muito pouco. Isso quer dizer alguma coisa, você imagina, e eu te digo que tem mais a ver com o estrelato de Lana Del Rey do que qualquer outra coisa. Seu álbum mais sincero ate hoje, ‘Lust For Life‘ também se destaca como o melhor de Lana Del Rey até o momento.

Por El Hunt
Tradução por Marcos Almeida

 

Galore: “Lust For Life” de Lana Del Rey é o álbum que ela nasceu para fazer

Aqui está a melhor notícia de 2017: a rainha Lana Del Rey lançou um novo CD hoje.

Também poderia ser um feriado nacional, porque além de “Lust for Life” revelar uma Lana muito mais honesta e crua, o CD também é inesperadamente consciente dos eventos e do mundo que a rodeiam. Ela literalmente pergunta: “Isso é o fim da América?” Em “When the World Was At War We Kept Dancing“.

Este é o álbum que 2017 precisava.

Quando combinado com essa modernidade, o tom deste novo CD faz com que ele se pareça mais feliz e genuíno. Talvez porque Lana esteja realmente mais feliz. Na noite passada, ela organizou uma pequena festa de audição para comemorar o lançamento do álbum com os fãs e, entre segurar microfone para cantar junto com as novas faixas, e desfilar ela se esgueirou ao redor do palco em camisas de tecido fino e calções Adidas, claramente não dando nenhuma importância sobre qualquer coisa além de saborear a leveza que é a sua nova existência.

Quero dizer, quem mais canta, “Estou chorando enquanto estou indo/ Fazendo amor enquanto eu estou fazendo esse dinheiro“, como faz em “In My Feelings“?

Essa é exatamente a atitude que ela adotou nesse CD também. Em vez de se dedicar aos temas da escuridão que simultaneamente atormentava e marcava seus CDs anteriores, o que seria totalmente apropriado, dado o estado abismal das coisas, “Lust for Life” de Lana gira para dentro e para o futuro.
Não é apenas sobre a direção, porém: todo o CD parece diferente. Sonoramente, “Lust For Life” caminha entre bases de R&B contemporâneas e melodias sonhadoras dos anos 70 que levam o conteúdo lírico de Lana para o próximo nível. A vibração dos anos 70 é realmente aprimorada em faixas como “Beautiful People, Beautiful Problems“, que possui a rainha das vibrações retro, Stevie Nicks.

Também é fortemente sentida em “Tomorrow Never Came“, que apresenta o filho de John Lennon e Yoko Ono, Sean Ono Lennon. Apesar das vibrações dos anos 70, as canções tem algo do presente e relevante.

E isso é verdade para quase todas as faixas desse CD. Enquanto cada um tem a sua vibração, o registro ainda consegue se sentir coeso e as músicas funcionam juntas para refletir sobre o mundo ao invés de criar o sombrio e paralelo universo de Lana, onde seus CDs anteriores existiam.

O que isso significa para mim é que, em algum lugar entre o caos e a turbulência que sofremos desde o lançamento em 2015 de seu último disco, “Honeymoon“, Lana encontrou-se. Isso não quer dizer que ela não tenha certeza de si mesma ou tenha conhecimento ao fazer os CDs anteriores. Mas, quando olhamos para o pouco que conhecemos sobre a verdadeira Lana Del Rey, especialmente quando comparado com o quanto nós conhecemos a personalidade de Lana Del Rey que às vezes parecia quase etérea ao invés de real, todas as emoções dela haviam sido filtradas por algum tipo de relacionamento externo, seja com homens violentos ou drogas.

Mas agora, ela está falando como se fosse. “É apenas a maneira que eu sinto / E eu estaria mentindo / Se eu estivesse escondendo / O fato de que eu não posso lidar“, ela canta em uma das minhas faixas favoritas “13 Beaches.” Na primeira ouvida, parece que obviamente, caberia bem na discografia de Lana, com letras como “dói amar você“, mas a honestidade resplandece quando ela diz: “Finalmente eu estou bem“.

Maduras e sólidas, como esta, o álbum Lana Del Rey estava destinado a ser assim. E é claro vários aspectos da evolução de Lana devem-se ao clima político, mas ela definitivamente envolveu-se com esforço.

No caso de você não ser fã de mídias sociais, houve uma grande tendência de celebridades do lado mais liberal das eleições. Especialmente após elas, vimos um novo tipo de despertar – e nessa linha pode destacar uma pessoa: Lana Del Rey.

Ao contrário de tantas outras mulheres brancas no centro das atenções que pareciam passar por uma revisão ideológica este ano, Lana fez isso subversivamente.

Embora tenha feito alguns comentários bastante questionáveis sobre não se identificar como feminista há alguns anos atrás, Lana corrigiu-se e realmente fez da consciência social seu objetivo. A menos que você estivesse prestando atenção, o despertar de Lana poderia passar totalmente despercebida das suas redes sociais (o que é um ótimo método de iniciação comparado a uma performance no MET Ball com Migos para provar sua falta de senso). Ela calmamente começou a assumir certos problemas através das mídias sociais. Ele realmente começou com a consciência durante o ciclo eleitoral passado, quando ela tweetou perguntando onde os fãs estavam assistindo os debates presidenciais .

Em seguida, ela lançou a trilha do protesto “Coachella (Woodstock in My Mind)“, que, se eu for sincera, dissipou algumas dúvidas sobre a possibilidade de Lana realizar essa transformação. A trilha estava MUITO no nariz, quase ao ponto de desconforto e me levou a pensar se Lana realmente pensava que Coachella poderia ser o equivalente a Woodstock.

Ah, e não nos esqueçamos de seu período como uma bruxa, defendendo que os feitiços sejam lançados no presidente Donald Trump.

Mas, então, este disco saiu, e provou a todos que Lana está aqui, acordada, e ela não está jogando. “Quem é mais difícil do que essa vadia? / Quem é mais livre do que eu?” Lana canta em “In My Feelings“.

Na última faixa, “Get Free“, ela parece fazer a determinação de reconhecer seu poder interno para ter controle sobre suas emoções: “Finalmente estou atravessando o limiar… E agora eu faço, eu quero mudar / Sair do preto / Ir para o azul“.  A música termina com uma paisagem sônica quase minuciosa, que inclui o canto dos pássaros, que sente como se ela alcançasse a vitória de qualquer luta que ela enfrentasse.

Este disco é o melhor de Lana até hoje, e ela aparentemente já está trabalhando em outro. “God Bless America — And All the Beautiful Women In It“, é outro dos títulos de suas músicas. Obrigado Lana, Deus te abençoe também garota.

Por Keely Quinlan
Tradução por Marcos Almeida

The Guardian – A maioria das estrelas do pop inovam a cada álbum, preocupação constante que é aceitável nessa tumultada era de produção musical. Não é o caso de Lana Del Rey.

A jovial cantora de 32 anos chegou com um som lânguido, uma voz autoral imparcial e um conjunto de obsessões em sua estréia em 2012, com Born to Die, e seu quarto álbum permanece fiel a todos. Uma lina fina resume toda a sua obra: o título de Summer Bummer reflete o mercúrio consistente da encenação de Del Rey; E geralmente, quando há um pêssego perfeito, há uma minhoca no meio. A rima reflete a forma como esse niilismo brilhante é freqüentemente entregue com uma piscadela.

Pelo menos três fatores separam Lust for Life de seus predecessores. Um deles é a abundância de convidados, uma concessão à modernidade. A comunidade de rappers – A$AP Rocky e Playboi Carti – emprestam fricção à ultra sucessão de notas de Del Rey. Você pode querer dar um golpe no ar, entretanto, quando Stevie Nicks aparece em Beautiful People, Beautiful Problems – a entrega de Nicks é tão óbvia quanto à de Del Rey. O título é quase auto-paródico; O resto, no entanto, é mais profundo do que as músicas que Del Rey costuma fazer, combinando um fetiche por homens musculosos do colarinho azul com preocupação com o meio ambiente.

Não é a única instância. Uma série de músicas aqui afastam o tema favorito de Del Rey – erros, jóias – e enfrentam o não solipsismo*. O segundo fator é que este é um álbum sobre a América hoje. God Bless America – and All the Beautiful Women in It usa seu título como um gorro; tiros pontuam o coro.

A fantasmagórica When the World Was at War We Kept Dancing invoca a década de 1940 enquanto se pergunta: “É o fim de uma era? É o fim da América?Del Rey avalia a multidão no Coachella e se preocupa com seus filhos e filhos de seus filhos. “Eu fiz uma oração pela terceira vez“, ela suspira. E nós sabemos, atualmente, como são as orações de Lana Del Rey – em fevereiro, ela encorajou seus seguidores do Twitter a se juntarem a uma coletiva nacional de bruxas para lançar um feitiço no presidente dos Estados Unidos.

Se este é um álbum sobre a América, também é um álbum sobre a cultura americana, e outros materiais de origem veneráveis: a música Coachella é subtitulada com Woodstock in My Mind. Apesar dos rappers, o conteúdo hip-hop no som de Del Rey cede principalmente a gêneros canônicos – o terceiro fator.

Os Millennials podem encontrar edições da Uncut ou da Mojo aqui, pois Del Rey respinga cultura retrô por todo o lugar. “Don’t worry, baby“, ela canta em Love (Beach Boys). “My boyfriend’s back“, ela diz em Lust for Life (The Angels), sua conexão estranhamente insatisfatória com The Weeknd, que pega o título emprestado de Iggy Pop. Tudo fica um pouco ridículo quando Sean Ono Lennon concorda com uma imitação dos Beatles chamada Tomorrow Never Came abarrotado de frases sem fim. “Lay, lady, lay“, Del Rey canta, “I would be your tiny dancer“. É uma marca da habilidade persuasiva de Lana Del Rey de que uma boa música emerge de toda essa bagagem. A menina conhece o menino. O menino não aparece quando ele disse apareceria. O amor dá errado. Repete até desaparecer.

Por Kitty Empire
Tradução Por Leticia Oliveira

V MagazineLUST FOR LIFE: ARDENTE, APOCALÍPTICO, AMERICANO. 

Lana Del Rey sempre deu declarações polemicas. Quando ela lançou seu primeiro disco, “Born To Die“, ela imediatamente definiu o espaço que ocupa na consciência do publico: trágica, nostálgica e eternamente romântica. Desde o inicio, sua musica é tingida por cigarros, amantes que não tratam do jeito que ela merece, com o tipo mais alto de amor magnifico que termina com Del Rey sozinha, ignorando qualquer cidade que ela esteja de passagem, lembrando o que a América foi e os amores que poderia ter tido. Quão refrescante é para os ouvintes mais antigos vê-las mudando totalmente sua melodia sem sacrificar seus incandescentes tons de sépia em “Lust for Life“.
O quinto álbum de Del Rey é solitário em comparação as suas outras obras, pelo fato de não ser mais tão solitário assim. Com seis colaborações que superam as barreiras entre o rock e o hip-hop – provavelmente não existe outro artista que consiga colocar Stevie Nicks no mesmo disco que Playboi Carti. Os fãs mais antigos se alegraram ao ver que ela tem não uma, mas duas colaborações oficiais com A$AP Rocky, e ninguém se surpreendeu ao ver que a faixa título, que conta com The Weeknd foi uma combinação de pop com algo sombrio. Musicas com batidas forte, como “Summer Bummer”, e o luxuoso dueto com Rocky “Groupie Love” fazem contraste com fragmentos de Bob Dylan, o jeito The Beatles em ‘Tomorrow Never Came” com Sean Ono Lennon e o lendário dueto com Nicks Stevie “Beautiful People, Beautiful Problems”.
É uma comprovação do poder abrangente do mundo assombroso que Del Rey criou para si e para seus convidados habitarem, que em cada musica é imediatamente reconhecível como sua, todas pintadas o azul escuro da nostalgia melancólica de um mundo bem perdido. Em seu álbum mais politico, a America Del Rey que costumávamos conhecer está no passado, e ela se transforma em uma relutante mensageira do apocalipse.
“Coachella – Woodstock in My Mind” foi escrita no contexto do festival de musica homônima dias depois que a Coreia do Norte começou a lançar mísseis nos EUA, com Del Rey pensando nas crianças e em “seus desejos, embrulhados como guirlandas”. Em “God Bless America – And All the Beautiful Women In It”, ela escreve um hino feminista usando a imagem da Estatua da Liberdade.
Mesmo quando ela é diretamente politica, ela não perde o gume que a faz tão cortante: uma balada de piano como em “Change”, sua musica mais emocional desde “Old Money” no álbum “Ultraviolence”, é uma ode a mudança e ao crescimento pessoal, a habilidade de ter alguém em seus braços mesmo quando você não está bonita ou estável. A musica é tão memorável e tão apropriada para ser a ultima musica pois pode ser interpretada como uma canção de mudança e uma canção de resistência sobre os desafios que enfrentaremos nos próximos anos. O mundo pode estar em cinzas, mas Del Rey mudou sua forma de vê-lo. Se antes ela teria lamentado, agora olha para o horizonte. Mesmo com o clima atual, tem tempo para cerejas, vinhos, alecrins, e tomilho. Mesmo com o clima atual, existe tempo para achar a praia perfeita. Mesmo com o clima atual, tem tempo para ser jovem e apaixonada.
Se você está torcendo por Del Rey de longe, enquanto ela definhava sua própria marca de desgosto ou a criticou por encabeçar o exercito de mulheres que precisam de um homem, ouvi-la conseguindo conquistar sua independência nesse álbum é tão catártico como é prazeroso ver o desenrolar. Se foram os dias que ela criticava os motoqueiros que ela chamava de daddy. Em vez disso, a vemos deixando seu velho amante de lado em “In My Feelings”, lamentando em voz alta sobre como ela está sujeita a se apaixonar por “outro perdedor”. Finalmente, depois de tanto tempo, ela está apta a ficar sozinha.
Em nossa capa da Americana Issue, na qual Nicks entrevista Del Rey, a lenda do rock estava prestes a perguntar como alguém pode ter ido de “Born to Die (Nascida pra Morrer)” para “Lust for Life (Tesão pela Vida)”. Na nova Americana, Del Rey é pioneira, existe tanta luz quanto medo e apreensão. Talvez ela começou a sorrir para não chorar. Talvez ela se cansou da tristeza. Por outro lado, “Lust for Life” é a faixa que fala o que está por vir, uma trombeta do apocalipse que ferve lentamente, um ataque ao senso de rejeição que a America está, se mantendo esperançosa e sobre tudo, um conforto poderoso nesses momentos tão difíceis.

Por E.R. PULGAR

Tradução por Dandara Mosso

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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