Confira a tradução da entrevista por Lana Del Rey ao jornal Le Parisien após a apresentação da cantora no Lollapalooza

por / quarta-feira, 26 julho 2017 / Publicado emEntrevistas

Le parisien

Lana Del Rey: “Na França eu sempre fui compreendida”

A estrela americana é um dos astros do festival Lollapalooza, neste fim de semana em Paris. Ela nos deu uma entrevista comovente após seu concerto.

Ela é dessas pessoas a quem qualquer um perdoa por um sorriso, mesmo quando muda a data de um encontro duas vezes, ou mesmo depois de longos minutos de espera numa chuva torrencial porque ela não ousou recusar o convite do Red Hot Chilli Peppers ao seu show [nota do redator: a banda tocou no festival após Lana]. Subitamente, quando Lana Del Rey nos recebe em seu camarim no Festival Lollapalooza, era quase meia noite de domingo. Pouco importa. Ela realmente se compromete, responde nossas perguntas e posa sem dificuldades para nosso fotógrafo.

Ela impôs sua presença momentos antes sobre o imenso palco parisiense, uma figura de silhueta frágil provocando lágrimas de seus fãs na primeira fila. O show ao ar livre durou mais de uma hora e vinte minutos, combinando seus maiores sucessos a algumas novas canções de seu último álbum, Lust For Life. Um concerto de estrela no auge de sua categoria. Ainda em seu vestido usado no palco, mas com os pés descalços, ela finalmente se senta de pernas cruzadas para falar sobre tudo.

Você acabou de descer do palco… Como se sente agora?
Hoje a noite, eu estou feliz. Quando olhei para a multidão, foi uma loucura. Eu pensei que iria cantar na frente de 10.000, mas tinham 40.000 pessoas. Era realmente muita gente!

Também hoje, você tirou um tempo para descer do palco e cumprimentar seus fãs…
Quando meu primeiro álbum saiu eu vendi muito, mas as críticas não eram muito boas. Eu tenho em mente todas essas pessoas que me apoiaram desde então. Antes, eu fazia músicas que me agradavam. Agora, eu também as faço para que as pessoas as apreciem.

Seus fãs te dão muitos presentes. Qual o mais estranho que você já recebeu?
Eu geralmente não recebo comida, mas já ganhei cookies. Roupas íntimas… Coisas que não mantenho por muito tempo. Mas eu guardo todas as cartas. Eu poderia fazer um álbum com elas.

Você tem uma relação especial com seu público francês?
100%! Quando lancei meu primeiro álbum, com os jornalistas, senti-me considerada como uma artista importante. Tenho memórias maravilhosas do Olympia… Eu sempre fui compreendida.

Após os ataques terroristas na França, você sente algo diferente?
Ao chegar, eu estava um pouco nervosa. Mas também estive em Londres onde coisas loucas aconteceram. E moro na Califórnia, a uma hora de San Bernardino onde muitas pessoas foram mortas [nota do redator: 14 mortos em 2 de dezembro de 2015]. É assustador, vivemos numa época estranha e todo mundo vive preocupado em todos os lugares.

Você acabou de lançar um novo álbum…
Eu adoro a energia por trás dele… Há algo novo, mesmo que não seja uma virada de 180 graus, há um pouco mais de luz. Este álbum é menos trágico e dramático.

Você colaborou com The Weeknd na canção “Lust For Life”…
Ele é fantástico, eu o conheci em 2011. Ele sempre foi curioso sobre o que eu estava fazendo. Sua voz é perfeita. Em estúdio, ele me faz pensar em Michael Jackson, mesmo que seja arriscado pra mim e para ele dizer isso pois todo mundo ama Michael Jackson.

Seu universo é também muito inspirado pelo diretor David Lynch. Você gostaria de trabalhar com ele?
Sim, eu realmente adoraria! Mas eu não o conheço.

A canção “Is The End Of America” é muito política… [nota do redator: a música na verdade se chama When The World Was At War We Just Kept Dancing]
Nesta há um comentário sobre a atual mudança cultural dos Estados Unidos. Faz um ano e meio que as pessoas se perguntam nos jantares: “Será que devíamos ir morar na França?”.

Você também parece mais preocupada com a defesa dos direitos das mulheres…
Houve palavras deslocadas ditas por pessoas atualmente na Casa Branca, que deixaram a população desconfortável. Houve também a intenção de acabar com o Planned Parenthood [nota do redator: Paternidade Planejada, é uma organização sem fins lucrativos que fornece cuidados de saúde reprodutiva nos Estados Unidos e em todo o mundo]. Eu tenho amigas que são mulheres solteiras e com filhos. Elas têm apoio de parceiros, mas devem se preocupar. E o Planned Parenthood é muito importante para elas.

 

Por Marie Poussel
Tradução por Mateus Santana

 

Confira as fotos feitas por Philippe Lavieille para o jornal em nossa galeria.

Redação LDRA
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