Rick Nowels explica ao site ‘Genius’ como ‘Lust For Life’ foi feito, confira a tradução

por / sexta-feira, 21 julho 2017 / Publicado emEntrevistas

Rick nowels

Compositor e produtor Rick Nowels explica como Lust For Life foi feito

Ele trabalhou com Lana em algumas de suas maiores músicas

O veterano compositor e produtor Rick Nowels trabalhou com as estrelas; de Madonna a Adele, Santana, The xx, Fleetwood Mac e Sia, o nativo de São Francisco tem sido uma força importante na indústria musical há décadas. Nos últimos anos ele tem sido um dos principais colaboradores de Lana Del Rey, trabalhando em faixas de Born to Die, Ultraviolence, Honeymoon e agora tendo um papel instrumental em seu novo álbum, Lust for Life.

O Genius entrevistou Nowels para entender seu processo de composição, sua relação com Lana e a relação criativa por trás deste último álbum.

Você trabalha com Lana por bastante tempo. Como é seu processo de composição e como ele evoluiu?
Nosso processo não mudou durante os anos. Lana quase sempre vem com um conceito e às vezes com uma melodia e letras em seu iPhone. Escuto ela cantando acapella, encontro o tom no qual ela está cantando e começo a criar um arranjo ao redor disso. Começamos a tocar juntos e definimos os acordes exatos e a melodia. Depois ela termina a letra. Sempre me surpreendo pela sua composição, por como suas letras são incríveis e como ela parece compô-las sem dificuldade.

Depois disso, nós solidificamos os versos e o refrão.Geralmente compomos os oito do meio do começo – essa é a seção que vem depois do segundo refrão. É uma construção de música clássica, às vezes chamada de ponte. Você não vê muitas pontes nas músicas mais. Adoro que a compusemos assim porque as fazem soar mais atemporal e satisfatória. Lana geralmente grava seus vocais logo depois do processo de composição. Eu toco piano ou guitarra com ela e nós fazemos takes ao vivo. Isso dá à música um aspecto de performance, e acho que contribui para a intimidade de sua entrega vocal. Eu trabalho meu piano ou guitarra para ser um acompanhamento para sua voz. Sigo seu clima e sentimos isso juntos. Ela não faz muitos takes. Ela sabe quando parar.

Depois que ela já gravou o vocal principal, ela começa imediatamente a arranjar e cantar os vocais de fundo. Isso é muito bom, porque ela é completamente única em sua abordagem e tudo faz parte de como ela compõe suas músicas. Quando os vocais de fundo estão prontos você tem em mãos uma música finalizada de Lana Del Rey. A música funciona com uma instrumentação mínima e apenas seus vocais. Depois que começamos o processo de construir uma faixa, o que pode levar um tempo, é que começamos a experimentar e convidar ótimos músicos para contribuir.

Muitas pessoas disseram que este álbum parece um retorno à sonoridade inicial de Lana. Você concorda este comentário, e se sim, foi uma escolha intencional de Lana?
De forma alguma. Estamos sempre indo adiante. Lana é uma compositora prolífica. Vejo cada música nova como o próximo hit de Lana Del Rey. Sou muito honrado em ser a primeira pessoa a escutar muitas delas em sua forma crua e por ser quem ela confia para ajudá-la a construí-las. Não há outro motivo além de querer compor a melhor música que pudermos e depois capturar sua essência em uma gravação. Para mim, é de música em música, e porque ela é tão prolífica, temos uma riqueza de muitas músicas fortes. Uma inspiração vem e eu sei que ela está sempre com ela em mente.

Você e Lana inverteram o que era originalmente o verso de “Lust for Life” para virar o refrão. Como foi o processo e quanto a música mudou do que era originalmente?
A “Lust for Life” original é uma música de arte linda, muito tocante. Talvez Lana a lance. Nós a refizemos durante a composição do álbum. Acabou ficando ótima e foi incrível ter o The Weeknd e Lana cantando juntos.

Como foi trabalhar com A$AP Rocky em “Summer Bummer” e “Groupie Love” ? Lana sempre quis ter rap nas músicas e como isso afeta o processo de composição e produção?
“Groupie Love” foi uma das primeiras que compusemos. Lana teve a ideia de trazer A$AP Rocky. Ele é um cara ótimo; muito inteligente e criativo. Seu produtor, Hector Delgado, também veio e fez as batidas da música e a coproduziu conosco. Foi bastante divertido tê-los no estúdio. Eles tem almas muito criativas.

Eu não estive muito envolvido com “Summer Bummer”. Lana foi para o estúdio com Boi-1da e compôs aquela. É uma ótima adição ao álbum. Eu perguntei a Zac Rae, que é um tecladista brilhante e uma mente musical, para fazer umas gravações sobrepostas. Passamos alguns dias com Boi-1da e T-Minus trabalhando juntos. Acredito que Rocky e Playboi Carti gravaram suas partes com Hector Delgado. Essa foi uma das últimas compostas para o álbum.

Quais são suas favoritas do álbum?
Diria que “Tomorrow Never Came” é uma gravação muito especial. Pedimos para Sean Lennon cantar nela e, quando enviamos a faixa, ele ficou tão inspirado que acabou tocando todos os instrumentos nela. Ele gravou tudo em seu estúdio no interior de Nova York. Foi legal conversar com ele por FaceTime durante o processo. Ele fez um trabalho espetacular e sua voz com a de Lana soam ótimas juntas. Presumo que ele tenha usado alguns dos instrumentos vintage de seu pai, mas você teria que perguntar a ele.

“Change” realmente me toca. Nós estávamos masterizando o álbum e tínhamos que entregá-lo para a gravadora no dia seguinte. Lana me ligou naquela tarde e disse que tinha mais uma declaração a fazer no álbum e que ela queria gravar uma nova música naquela noite. Aquela música acabou se tornando “Change”. Começamos às oito da noite, e por volta das duas da manhã a música estava pronta. Soube que tínhamos que fazê-la somente piano e voz porque era o tempo que tínhamos. A vejo como a gema do álbum.

“Beautiful People Beautiful Problems” foi especial porque pudemos passar um tempo com Stevie Nicks e ter uma colaboração de duas das grandes poetisas da composição musical. Já conhecia Stevie há muito tempo e queria que Lana e Stevie se conhecessem. Adoro escutar suas vozes icônicas juntas. Acho que formei uma amizade verdadeira.

Como você acha que este álbum se encaixa no catálogo de Lana?
Lana é uma artista de carreira, uma artista que define sua geração. A vejo como uma peça da grande corrente junto com Bob Dylan, Leonard Cohen, Joni Mitchell, Stevie Nicks e todos os grandes compositores e cantores de sua época. Ela criou sua própria linguagem e seu próprio gênero. Ela está sempre inspirada e ativamente criando seu trabalho. Este álbum é sua nova oferenda.

 

Por Chris Mench
Tradução por Lucas Almeida

Redação LDRA
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