‘Eu nunca vou mudar para me tornar mais popular ou para fazer alguém feliz’, confira a entrevista de Lana Del Rey para a Paris Match

por / quarta-feira, 17 maio 2017 / Publicado emEntrevistas

Paris Match

Em uma entrevista divulgada hoje pela revista Paris Match, Lana Del Rey falou sobre encontrar uma comunidade artística em Los Angeles, más escolhas amorosas, críticas no início da carreira, uma música que escreveu sobre os paparazzi e seu desejo de ter filhos. Confira a tradução:


Lana Del Rey deita-se no divã

Ela não abandonou seus cílios postiços, mas se livrou de sua tristeza. Após dois anos de ausência, a diva do “pop melancólico” retorna com “Desejo Pela Vida”, tradução de “Lust For Life”, seu quinto álbum que será lançado em 21 de Julho, e “Love”, seu single, que já ultrapassou 50 milhões de visualizações no YouTube. Mesma voz hipnótica, mesmo universo poético para uma mulher que possui agora um certo gosto pela felicidade. Desde sua estreia em 2012, na internet, com “Born to Die”, que fez dela uma das maiores estrelas da música, Lana nos conta em músicas alucinantes e belos videoclipes sobre sua vida frágil como uma menina assombrada pela morte e pelo fracasso. Hoje, ela diz que superou esses demônios e seus relacionamentos tóxicos. Solitária, talvez, mas de coração um pouco mais leve.

Para ela, isso já é uma velha história. Aos 17 anos, Elizabeth Woolridge Grant escreveu suas próprias músicas e fez seus próprios clipes: “Eu tirei muitas fotos. Então eu comecei a me gravar, a usar minha imagem.” Depois de sete anos infernais cantando em bares do Brooklyn, seu vídeo “Video Games,” postado em 2011 e que até então tem sido visto 155 milhões de vezes, empurrou em poucos minutos a jovem americana para uma notoriedade imprevista. Ela evoluiu para Lana Del Rey, Lolita 2.0, fã dos anos sessenta que ao longo de suas canções conta uma história às vezes indecente e provocativa, mas sempre sensual. “Eu sou conectada ao futuro e ao passado ao mesmo tempo… É por isso que tenho poucos amigos…” Hoje ela canta “Eu sou jovem e apaixonada“. Mas confessa que encontrou a felicidade… Desde que não está mais namorando. “Eu nunca tive sorte em escolher namorados.

Ela sempre amou fazer um show: “Quando criança, eu adorava fazer da minha vida uma obra de arte.

Minha paixão por filmes bonitos pode explicar minha estética“, diz a mulher que teria amado viver no Flower Power dos anos hippies.

Filhos. Amigos, tudo isso é um bônus. Meu sonho é simplesmente ser feliz.

De nossa colega Karelle Fitousse em Los Angeles.

Paris Match: Nós a conhecemos como sombria e melancólica, cantando suas histórias sobre o amor atormentado. Você voltou com duas músicas que exalam uma falta de preocupação e alegria. O que aconteceu?
Lana Del Rey: Eu não namoro há um ano e meio. Aparentemente, isso me fez muito bem. [Ela ri] Eu aprendi a dizer não e ouvir a vozinha na minha cabeça que me diz para fazer uma coisa ou outra.

Você tem “Trust no one” tatuado no seu dedo indicador…Você já foi traída?
Sim. Eu nunca fui boa em escolher namorados. Agora está melhor, eu sei como fazer. Eu aprendi uma coisa, e isso é que as pessoas mostram muito rapidamente quem elas realmente são. Você tem que ouvi-las, e prestar atenção aos sinais. No passado, às vezes eu tive amantes que me disseram coisas estranhas, coisas que eu deveria ter achado inaceitáveis, mas eu fechei meus olhos. Isso não acontece mais. Na menor indicação de algo estranho, eu saio. Uma história de amor que não lhe faz nenhum bem é tóxica. Eu finalmente entendi isso.

Você não tem medo de que sua recém encontrada felicidade arruine sua inspiração?
Não. Quando eu estava escrevendo o Born to Die, eu estava vivendo em Londres, e eu conheci um monte de gente nova, eu não sabia o que ia acontecer, mas estava cheia de esperança. Eu me vi evoluindo para esse tipo de artista de vanguarda e esse entusiasmo tornou a criação mais simples e fácil. Quando os críticos começaram a ser muito rudes, quando as coisas começaram a ficar mais violentas, foi quando a magia me deixou. Então a felicidade é obviamente uma coisa boa. Não estou com medo.

O New York Times disse que você era “um pesadelo repleto do cinismo e da farsa americana.”
Um começo interessante para a carreira de alguém, não é? [Ela ri] Foi horrível, completamente horrível. Eu realmente devo amar música para ter continuado depois disso. Mas eu deveria ter parado. Felizmente, as coisas mudaram. Eu nunca vou mudar para me tornar mais popular ou para fazer alguém feliz.

Nós vimos muitas pessoas reprovando você por sua imagem pública fortemente construída. Algumas até disseram que você é um fantoche.
Durante muito tempo, eu não entendia essas reações. Claro, eu prestei atenção no meu visual. Eu tinha cabelos longos, mas eu estava muito preocupada com a música para entender por que eles falavam sobre mim assim. Eu estava esperando que as pessoas descobrissem por si mesmas que eu era inteligente… Eu realmente tinha que me questionar, perguntar por que as pessoas reagiam a mim desse jeito. Uma questão de energia, talvez. Com um pouco de espaço, mesmo se eu achasse [o que eles diziam] ridículo, eu podia entender.

Se, com uma varinha mágica, você pudesse começar de novo, o que você mudaria?
Tudo! Eu nem sei por onde começar!

Você não seria uma cantora?
Eu amo música, houve momentos em que ela me salvou dos meus próprios demônios, mas é uma faca de dois gumes. Se eu tivesse a oportunidade de tomar um caminho mais simples, eu faria isso, sem hesitação.

Quando você era mais nova, sonhava em ser escritora…
Sim, mas depois de ter tentado desde nova, eu soube que não tinha a alma de escritora. Eu tentei escrever contos, mas eles eram horríveis. Então, eu tentei fazer poesia… mas ainda não era para mim! Foi assim que decidi escrever música. [Ela ri]. O próximo passo teria sido haïku!…

Entre dois discos e duas turnês, o que você faz?
Eu vou à praia. Eu nado uma vez por semana, eu malho com minha irmã que divide a casa comigo. Aproveito o sol e a maravilhosa natureza californiana: com minhas amigas, vamos para Big Sur ou para Carmel… Eu nunca canso de ver a luz de 7:30 da manhã. Para uma nova-iorquina como eu, sempre é encantadora. Sim, eu sou essa menina com quem você pode constantemente falar sobre o clima! Mas acima de tudo o que eu amo em Los Angeles é que há tantos músicos! Toda banda de Londres a New York se mudou para cá! Arctic Monkeys, The Last Shadow Puppets, Father John Misty… estão todos aqui em L.A.!

Você finalmente encontrou a comunidade de artistas que você sempre sonhou em fazer parte?
Sim. E quando saio em turnê, depois de quatro meses na estrada, eles são como eu. Eles querem pegar de onde paramos. Meus amigos que não fazem música, são vidas que seguiram em frente.

Como você lida com viver na visão constante dos paparazzi?
Eu escrevi uma música chamada 13 Beaches que fala sobre como, no verão passado, eu tive que ir a 13 praias diferentes antes de encontrar uma sem paparazzi, onde eu deitei para ler um livro. Mas podemos nos acostumar com qualquer coisa. E então talvez valha a pena. O que eu não posso me acostumar é sistematicamente encontrar minhas músicas na internet antes que elas sejam lançadas. Demora muito tempo para fazer um álbum… Um ano e meio! Ao sair do estúdio eu sempre tenho que esperar que elas estejam seguras.

Por que você impõe este ciclo de cada dois anos para um álbum?
É o tempo necessário para reflexão e contemplação. Meus álbuns são como cartas de amor para mim mesma.

E você vai ter filhos?
Quando eu tiver filhos… Vou levá-los na turnê comigo. Os meninos do Muse e do Chris Martin fazem isso bem! Eu tenho a sensação de que vai dar certo o que quer que eu decida fazer. Vai ser uma boa surpresa. Sim, eu adoraria ter uma família.

Está nos seus planos?
[Ela ri] Vai acontecer um dia. Sem dúvida, nos próximos cinco anos. Filhos. Amigos, tudo isso é um bônus. Meu sonho é simplesmente ser feliz. E eu sou agora.

 

Por Karelle Fitoussi
Tradução por Ana Luiza Guimarães e Mateus Santana

 

Lana Del Rey posou para as lentes de Sébastien Micke em um ensaio para a revista e você pode conferir as fotos clicando aqui. Os scans da entrevsita podem ser acessados em nossa galeria.

Redação LDRA
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