MTV: “Qual era nosso problema com Lana Del Rey?”

por / quarta-feira, 26 abril 2017 / Publicado emNotícias

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Ontem, a MTV publicou uma matéria sobre a evolução da Lana Del Rey, desde sua apresentação considerada desastrosa no SNL até os dias de hoje, confira a tradução a seguir.


Qual era o nosso problema com Lana Del Rey?

Relembrando (e lamentando) a embaraçosa repercussão de 2012

Há cinco anos, Lana Del Rey passava por maus lençóis na mídia. As críticas de seu álbum de estréia, Born to Die, foram mornas, para dizer o mínimo, e sua apresentação no Saturday Night Live, que era para ter sido um momento marcante de sua carreira iniciante, acabou sendo duramente criticada. O próprio programa tirou sarro dela na semana seguinte.

Mas a verdade é que nenhuma dessas críticas negativas foram culpa de Lana! O fato é que a Repercussão Lana Del Rey™ foram produtos de nossas próprias expectativas irreais e projeções tóxicas. Ela não nos deve nada, e ela é a única pessoa que sempre soube disso.

Enquanto os primeiros singles de Lana sinuosos e sentimentais, eles mantiveram os ouvintes e espetadores firmes em seus assentos. O clipe de Video Games tocou no clamor de nostalgia da audiência (lê-se: filmagem com qualidade de VHS, que nos deixava cientes de estarmos adentro o mundo de outra pessoa), enquanto Born to Die era um imponente exercício de mitologia interior. Invocando o americanismo da década de 1960, Lana criou uma versão moderna e sensacional de Rebelde Sem Causa com o auxílio de um filho de tigre. Quase instantaneamente, ela se estabeleceu como uma personagem. E tão rápido quanto, queríamos mais.

Isso acabou fundando uma das maiores repercussões de… nada, na verdade. Enquanto a apresentação de estreia de Lana no Later… With Jools Holland em Outubro de 2011 não a fez ganhar nenhum novo fã, qualquer afeição por ela era imediatamente repreendida pelos haters criados pelo SNL alguns meses depois (incluindo Brian Williams, que, por algum motivo, até escreveu um e-mail condenando a apresentação como uma das piores de todos os tempos da história do programa). Enquanto Lana cantava, rodopiava e murmurava pelo Studio 8H, os espectadores das redes sociais ficaram loucos, deixando passar qualquer simpatia pelo medo de palco que a cantora possuía e, ao invés disso, optando por usá-la como exemplo para sua raiva vaga em blogs de cultura hipster ou daquelas crianças de hoje em dia. Naquele momento, Lana Del Rey deixou de ser uma cantora, e virou um símbolo para a constantemente mutável paisagem cultural. Ela virou uma nuvem para quem os velhos gostam de gritar — queriam que ela simplesmente sumisse.

Bom, é claro que ela não sumiu. Born to Die acabou vendendo 7 milhões de cópias ao redor do mundo, e Lana lançou Summertime Sadness em 2013 — canção cujo remix foi disco de platina, junto com o seu tema para o filme O Grande Gatsby. Ela lançou o intrigante Ultraviolence em 2014, fez uma turnê com a Courtney Love no ano seguinte, e lançou Honeymoon logo na sequência, sob excelentes críticas.

Durante estes cinco anos em que todos resolveram odiar Lana Del Rey, ela virou menos a representante de como o mercado fonográfico pode ser cruel, e mais a prova viva de que o mercado digital fornece cinzas para se ressurgir. Nascida na batalha mortal dos blogs dos anos 2000, ela se acomodou em seu nicho musical e estético, apostando em sua personalidade para se sobressair em relação a seus críticos e aos velhacos que gostam de gritar para as nuvens para atingir diretamente seus fãs, os que genuinamente se identificam com sua sonoridade, vibe e temática lírica. A internet pode ter estado por detrás da onda de amor/ódio contra Lana em 2011-2012, mas também acabou trazendo ouvintes fiéis o bastante para fazer dela uma das maiores pop stars da atualidade. Lana Del Rey e seu público se encontraram, e eles acabaram ganhando muitos haters pelo caminho.

Ou pelo menos é isso que podemos perceber da resposta de Lust for Life, o mais novo álbum de Lana, cuja capa tem a cantora sorrindo. A questão é que seriamos tolos em pensar que seu sorriso significa a chegada da “real” Lana Del Rey, ou que, após anos oferecendo apenas seu coração partido, finalmente teremos um vislumbre por trás da cortina. Como ela sempre foi, Lana é uma cantora consumada. Ela é uma personagem, cuja versão está sendo generosamente estendida para as massas para o consumo em massa, para o escrutínio, a crítica e o elogio. Durante os últimos cinco anos, ela cresceu como cantora e compositora. Todo o resto? Permaneceu mais ou menos o mesmo. Ela canta grandes baladas emotivas que capitalizam na nostalgia e na melancolia romântica, e ela faz o que ela quer, sabendo que não nos deve nada.

A única diferença? Parece que nós aprendemos isso. E apesar de ainda haver alguns haters de Lana Del Rey por aí, muitos de nós amaduremos o bastante para poder aceitar e reconhecer o que ela é por si mesma.

Por Anne T. Donahue
Tradução por Lucas Almeida

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • John Grant

    TEXTO MARAVILHOSO! <3

  • Maria Clara Leal

    Nossa, que texto maravilhoso, adorei !!

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