ANÁLISE | Don’t Let Me Be Misunderstood: Da loucura ao amor

por / quinta-feira, 02 março 2017 / Publicado emAnálises, Colunas

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Primeiramente, devemos saber que Don’t Let Me Be Misunderstood é uma reinterpretação da canção originalmente gravada por Nina Simone em 1964, e tem sido regravada por vários outros artistas ao longo dos anos. Porém, não é novidade que Lana Del Rey traga em seu álbum alguma canção da cantora, já que no álbum UltraviolenceThe Other Woman, outra canção de Simone.

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Ainda sobre o cover, em entrevista à Billboard, Lana brincou rapidamente com um comentário sobre esta faixa em particular: “Eu estou fazendo um cover de Don’t Let Me Be Misunderstood. Depois de fazer um cover de Jessie Mae Robinson com The Other Woman, eu gosto de gravar músicas de jazz. Estou me divertindo com minha interpretação”.

Com isso, é importarde sabermos que Nina Simoni é o nome artístico de Eunice Kathleen Waymon. Nascida em Tryon no dia 21 de fevereiro de 1933, veio a falecer em Carry-le-Rouet, França, em 21 de abril de 2003 aos 70 anos de causa naturais. Foi pianista, cantora, compositora e ativista pelos direitos civis norte-americanos. É bastante conhecida nos meios musicais do jazz, mas trabalhou com diversos estilos musicais na vida, como música clássica, blues, folk, R&B, gospel e pop.

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Enfim, que comecemos a análise dessa canção.

No começo da canção, somos convidados a mergulhar no universo de um eu-lírico feminino que expõe ao seu namorado sua capacidade de ser malvada e louca quando tudo tende a dar errado. Pelo que parece, esse casal passou por algum tipo de desentendimento, por isso o rapaz é questionado se ele não sabe que não deve esperar que alguém seja anjo o tempo todo (Don’t you know no one alive can always be an angel? – Você não sabia que ninguém vivo pode ser um anjo sempre?), ou seja, ela justifica sua loucura ao dizer que ninguém pode ser bom, feliz e lúcido a todo instante.  Com um contra ataque, essa mulher tenta se mostrar boa, pois parece que tende a se desculpar por algo visto como ruim pelo homem, que não percebeu suas boas intenções nas ações, porque apesar de tudo, ela contem uma boa alma (When everything goes wrong, you see some bad/ But I’m just a soul whose intentions are good –  Quando tudo dá errado, você vê o lado ruim/ Mas eu sou apenas uma alma com boas intenções).

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Ao analisar o refrão, poderíamos acreditar que essa canção é de autoria de Lana Del Rey, pois acontece algo que já presenciamos em outras músicas como The Blackest Day e Summertime Sadness, ficando claro a influência de Nina em suas canções. Nesse sentido, a mulher da canção pede a Deus que não seja má interpretada por ter sido má (Oh, Lord, please, don’t let me be misunderstood – Oh, Deus, por favor, não me deixe ser mal interpretada). Contudo, a palavra lord pode significar Deus ou Senhor, no caso da tradução do LDRA, consideramos lord como Deus, mas poderia ser compreendido tranquilamente como o homem que esta mulher se submete, por isso pede perdão a ele por algo que ainda não sabemos o motivo.

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Durante a canção, percebe-se que a mulher conversar com o seu homem como se nós fôssemos ele, e então explica que há momentos em que ela pode ser despreocupada e alegre (You know, sometimes, baby, I’m so carefree – Você sabe, às vezes, querido, eu sou tão despreocupada) e se o rapaz permanecer ao seu lado, vai vê-la ter aqueles momentos. Contraposto a isso, do outro lado da moeda, Lana diz que pode ter momentos de preocupação e luta, assim, espera que seu homem aguente esse seu lado (And then sometimes again it seems that all I have is worry – E então, às vezes, de novo parece que tudo o que eu tenho é preocupação).

Na segunda vez em que Lana canta o refrão, percebemos claramente a dualidade de sua personalidade, e após um momento de loucura, quer que seu marido saiba, novamente, que ela é uma mulher de boas intenções e espera que às vezes ele compreenda que ela é menos feliz quando mal interpretada.

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Nesse sentido, Lana quer que seu namorado saiba que mesmo que ela possa parecer nervosa com ele e com raiva por causa dos problemas que a vida nos causa, na verdade nunca teve a intenção de descontar nele (I never mean to take it out on you – nunca foi minha intenção descontar em você), porque ela o ama (Cause I love you Porque eu te amo) e, além de tudo, é apenas humana (I’m just human). Ela tem falhas como qualquer outra pessoa e talvez exija muito de seu amor e acabe sozinha por isso, mas ela se arrepende disso o tempo todo, pois todas essas situações que a deixam nervosa são pequenas.

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Realizar essa análise não foi fácil, pois o eu-lírico feminio é extremamente complexo e não nos dá pistas concretas de onde quer chegar, apenas lança sobre nós sua vontade de ser desculpada pelo amor de sua vida. Mas com certeza é uma belíssima canção regravada por Lana e espero analisar muitas outras de Eunice Kathleen Waymon cantada por Elizabeth Woolridge Grant. Beijos <3

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Por Pedro Bossonario

Pedro Bossonario
Estudante de enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, porém, Apaixonado por pinturas, livros, filmes, músicas, cantores, artistas, fotografia, tudo que envolva cultura. Gosta de criação e publicações de imagens e textos, então decidiu iniciar por uma de suas cantoras preferidas.
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