ANÁLISE | The Blackest Day: O término de uma possível recém-casada durante uma possível lua de mel

por / quinta-feira, 23 fevereiro 2017 / Publicado emAnálises, Colunas

TBD

Estamos diante da décima primeira faixa de Honeymoon, a mais longa do álbum com 06min e 05seg. Estou falando de The Blackest Day. Canção extremamente profunda e controversa ao título escolhido para esse álbum, afinal de contas, Lana sofre pelo término indesejado com um homem que partiu para algum lugar, ao invés de nos trazer histórias bonitas de amor após um casamento.

TBDAssim, em The Blackest Day, Lana Del Rey nos convida para mergulhar em seus sentimentos frente ao término de um relacionamento. Temos essa certeza logo no começo da música e com o refrão repetido ao longo da letra: Ever since my baby went away/ It’s been the blackest day – Desde que meu amor foi embora/ Tem sido o dia mais negro da minha vida –. Contudo, não sabemos se tudo isso aconteceu antes, durante ou após algum casamento, pois não fica claro na letra da música. Como o nome do álbum é Honeymoon, imagina-se que esse rompimento devastador tenha acontecido na própria lua de mel. Enfim, Lana nos conta sobre seu sofrimento por meio das cinco fases de luta – a negação, no primeiro verso; a raiva e a barganha no segundo versos; a depressão no refrão; e a aceitação nas estrofes finais.  Não sei se a intenção de Del Rey foi essa, mas se encaixa perfeitamente nessas categorias que todos passamos em determinadas situações de nossas vidas. Agora que já sabemos de modo geral sobre o que Lana traz na música comecemos nossa análise!

Já nos primeiros versos de The Blackest Day notamos as particularidades dessa canção. Lana diz estar com asBH unhas  pintadas de azul, cor citada em várias outras canções do álbum Ultraviolence como em Old Money e Shades of Cool, portanto, possivelmente as unhas azuis podem ser resquícios da cor usada no dia anterior no casamento. Porém, a sacada de Lana vai além da citação das blue nails, pois também faz referência ao estilo de musica blues (And my favorite tone of song E meu estilo favorito de som), isso nos prepara para o momento em que Billie Holiday será citado no trecho: All I hear is Billie Holiday. Billy Holliday foi uma importante cantora dos anos 30, 40 e 50 conhecida pelas canções de jazz e blues. Ainda é dito I don’t really wanna break up – Na verdade, eu não quero terminar –, ou seja, Lana não quer terminar com esse amor que pode ser Salvator, algum outro homem, ou até mesmo o misterioso K, que é sua Religion (Religião), então, estamos frente a primeira fase do luto: a negação.

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Após citar o término, Lana diz não ser fácil reviver essa história que possui meia vida de sonhos, e por isso não consegue explicar seu sentimento, pois ela não é simples, porque se assemelha a trigonometria (It’s not easy for me to talk about/ A half life in lost dreams/ I’m not simple, it’s trigonometry/ It’s hard to express – Não é fácil para mim falar sobre/ Uma vida de sonhos perdidos/ Eu não sou simples, eu sou a trigonometria/ É difícil me expressar).

Apesar disso, conseguimos ter algumas percepções desse relacionamento conturbado com o refrão. Primeiramente, devemos saber que os refrãos estão dentro do estágio depressivo do luto, pois o amante de Lana a deixou. E desta vez ele se foi, como em Blue Jeans, para algum lugar possivelmente perverso e cheio de vadias. Esse contexto se contrapõe a Music to Watch Boys to em que Lana está muito bem esclarecida quanto à ida de seu possível homem.

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Ainda sobre o refrão, desde a partida de seu grande amor ela tem se sentido inútil. Os dias têm sido escuros, tão “escuros” que tornam sua melancolia mais presente e profunda a ponto de procurar o amor em lugares errados. Essa fase pode ser considerada a barganha acompanhada da raiva, pois ela clama por Deus, como se estivesse negociando com Ele sua perda amorosa e procurando um amor saudável (Getting darker and darker/ Looking for love/ In all the wrong places/Oh my God – [os dias] Têm sido negros e negros/ Procurando pelo amor/ Em todos os lugares errados/ Oh meu Deus). Como sabemos que Lana adora citar relacionamentos com dealers (traficantes) e badboys em suas canções, provavelmente esses lugares errados tenham sido casas noturnas em que tocavam MUITO Florida Kilos rs!

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Na continuidade da música, temos uma Lana mais Lizzy Grant, mais selvagem, com arma e carro em alta velocidade (got my new car and my gun – tenho meu novo carro e minha arma). Estamos diante do último momento dela com esse enigmático homem (quem sabe não seja o próprio K?). Ela não quer saber de nada, apenas deseja continuar no carro com seu rapaz sem falar sobre o que está por vir no futuro, como se ela já soubesse e negasse o rompimento LDR e boydesse relacionamento, mas isso não adianta de nada, pois ele se vai e leva junto seu sentimento, nesse instante ela não possui sentimentos (Now that he’s gone/ I can’t feel nothing – Agora que ele se foi/ Eu não consigo sentir mais nada)

Neste momento da canção, para mim um dos melhores momentos, a música sai totalmente fora daquela linha contínua e nos surpreende com a Lana tentando aceitar o final do relacionamento devido ao uso do tempo now (agora). Começamos, então, o momento de aceitação na fase do luto. Isso pode ser percebido quando é dito e reforçado: I got you, I got you/ I got you where I want you now – Eu tenho, Eu tenho/ Eu tenho você onde eu quero agora –. Prova de que para ela, ele está morto, ou seja, ela aceita e pretende jogar o jogo dele, o jogo da separação (I’m playing their game – Eu estou jogando o jogo deles [homens]). Com isso, finalmente Lana chega ao final das fases de luto, pois ela está inserida num ciclo contínuo da vida em que os homens são questionados por suas atitudes em relacionamentos. Assim, sente-se confortável para expressar a sensação de estar sozinha novamente e, talvez, ela possa começar a partir de então a procurar um amor saudável que vai alimentá-la como pessoa, sem retornar ao amor autodestrutivo que tem dado importância até o momento.

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Outro ponto interessante que podemos observar é que na música Honeymoon Lana parece confiante, sem medo de perder o boy, porque There’s nobody for you but me – Não há ninguém além de mim para você – mas ele se vai e ela conta sua tristeza em The Blackest Day. Agora imaginem se The Blackest Day fosse o roteiro de um filme? Com certeza Honeymoon seria a melhor soundtrack escolhida para o longa metragem. <3

Por fim, percebemos que os versos dessa canção foram muito bem escritos e estruturados, pois há o prepara para citações futuras, é trabalhado os cinco momentos do luto em um término de relacionamento, além de a canção ter palavras que rimam e formam uma sonoridade maravilhosa que dá vontade de aprender a cantar na hora. Ou seja, canção linda, melodia maravilhosa, letra bem elaborada e análise deliciosa de ser feita…

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Por Pedro Bossonario

Pedro Bossonario
Estudante de enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, porém, Apaixonado por pinturas, livros, filmes, músicas, cantores, artistas, fotografia, tudo que envolva cultura. Gosta de criação e publicações de imagens e textos, então decidiu iniciar por uma de suas cantoras preferidas.
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