Lana Del Rey fala sobre Honeymoon e seus fãs latinos em entrevista para a Nylon Español

por / quarta-feira, 13 janeiro 2016 / Publicado emEntrevistas

Lana Nylon

No final de agosto de 2015, os boatos de que Lana Del Rey seria a capa de uma das edições mais importantes da Nylon Español foram confirmados. E não demorou muito para as fotos serem divulgadas e esse ensaio se tornar o favorito de muitos fãs para aquele ano, mas não foram somente fotos elegantes que a revista nos ofereceu em sua edição de outono/inverno. Uma entrevista longa e honesta sobre seu álbum Honeymoon, na época ainda não lançado e cheio de expectativa, cobrem páginas e páginas da revista, oferecendo as palavra de Lana Del Rey sobre a ciência (e filosofia) dos sonhos, seu carinho pelos fãs latinos e como ela desejava que Honeymoon fosse recebido.


Paris, a cidade da luz, a cidade da moda; aquela que viu o nascimento de Dumas, Verne, Proust, Piaf e Bardot; e que foi calorosa com BuñuelWilde, Hemingway e Gertrude Stein. Ela nos dá as boas-vindas para fazer uma das maiores e mais esperadas produções da Nylon Espanhol.  A viagem para Paris não foi uma cena clichê de um filme hollywoodiano, tão pouco uma caminhada à meia noite estilo Woody Allen. Nós vamos para Paris em uma contagem regressiva para fazer o nosso trabalho, cinco capas com Lana Del Rey.

 

lana del rey nylon

Há diferentes perspectivas de Paris para todo mundo: há o mundo da moda, da gastronomia, da cultura e da literatura. Mas nessa ocasião, nós não estávamos lá como turistas, tínhamos nove dias para preparar tudo. Como se fosse um reality show, a equipe da Nylon Español tinha apenas poucas horas para criar o que seria a edição mais importante no nosso cronograma editorial. A equipe de estilo, liderada por Greta Forte, visitava com pressa boutiques da moda, entre Champs-Élysées e Le Marais para ter os looks completos para Lana. Enquanto Esteban Calderón, diretor de fotografia, e eu [Marty Preciado], organizávamos tudo cuidadosamente para o ensaio fotográfico.

Da esquerda para direita: Esteban Calderón, Lana Del Rey e Marty Preciado.

As luzes da Torre Eiffel iluminavam nossos passos apressados desde o Arco do Triunfo até a rua Galilée, onde uma quantidade exorbitante de roupas foi guardada. De volta a abril desse ano, eu comecei os processos de negociação e encontros com a equipe de marketing da Lana Del Rey; 145 e-mails depois, nós tínhamos um acordo. Suas músicas são melancólicas e bonitas, mas elas vão fundo em desejo e liberdade, elas representam feminilidade e a sexualidade das mulheres.

O nono dia tinha chegado, o fim dos preparativos. A meia noite nós estávamos nos dirigindo para o Le Bal Studio. Nós fomos acompanhados por uma esquipe de seguranças que estavam tomando conta dos diamantes, apenas um grupo de estilistas e outro grupo de moda. No estúdio, os equipamentos estavam prontos no set, esperando para Del Rey chegar. Pontualmente, Lizzy Grant chega, a pessoa que ela é fora do palco. Com um sorriso e braços abertos, ela se introduziu para toda a equipe.

Sua personalidade profissional e humilde nos permitiu conversar e rir com ela por mais de doze horas, sete trocas de figurino e quinze looks: um ensaio fotográfico como nenhum outro em sua carreira.


Nylon: Honeymoon é o seu quarto álbum, como você define a sua evolução?
Lana Del Rey: Quando eu comecei o meu primeiro álbum, Born To Die, eu já possuía vários anos de experiência escrevendo músicas. Mas quando Video Games finalmente tocou nas rádios, naquele momento, eu sabia que meu álbum era conhecido. Antes desse primeiro, eu já havia escrito dois álbuns, mas escrever Born To Die foi parecido com o jeito que eu me diverti enquanto documentava a minha vida e meus medos, assim como as minhas fantasias.
Depois do lançamento do Born To Die, eu comecei a trabalhar em algo novo, nove músicas, que eu originalmente pensei que seriam para um futuro álbum. Mas devido à certas circunstâncias, elas fizeram parte da versão deluxe rearranjada do Born To Die, o Paradise.
Ela me passou a sensação de ser uma amostra mais forte do que eu estava procurando nos sentimentos e na produção do Born To Die. Eu amo especialmente as músicas Ride e Cola. Então eu fiquei em uma turnê por um tempo e quanto eu estava na estrada, eu comecei a pensar no tipo de música que eu gostaria de cantar no palco: algo muito mais orgânico e com sons de guitarras. Foi assim que eu escrevi músicas com sons mais acústicos e com um toque psicodélico, que mais tarde se tornaria o meu álbum Ultraviolence.
Depois que eu escrevi esse álbum, eu o enviei para Dan Auerbach porque eu queria que ele me ajudasse na produção, depois nós passamos mais quatro meses na mixagem. A mixagem pode ser um processo muito exaustivo, então eu comecei a escrever novas músicas de novo na minha casa, entre as sessões.

Finalmente eu voltei aos estúdios com Rick Nowels. Honeymoon era parecido com quando eu comecei a escrever Ultraviolence depois de Paradise, porque eu não senti nenhuma pressão enquanto eu o fazia. Ele passou a sensação de algo bem natural, mas ao mesmo tempo algo bem sentimental. Eu estava escrevendo músicas como Terrence Loves You, Honeymoon e God Knows I Tried, mas eu também estava me divertindo com músicas do tipo Freak e Art Deco.

Nos conte mais sobre o processo de gravação do Honeymoon.
Eu escrevi grande parte do álbum durante o outono, inverno e primavera; e foi um belo processo de criação porque eu fiz com um dos meus melhores amigos, Rick. Minhas atividades diárias consistiam em nadar na praia e escrever. O álbum começou bem fácil e divertido, com músicas tipo Music To Watch Boys To, Honeymoon e Terrence Loves You. E finalmente eu fui para músicas mais modernas e sexy como Freak e Art Deco. Mas o estilo que passa pelo álbum tem muita influência do jazz.

Qual toque especial você adicionou para esse álbum?
Eu acho que você sempre descobre bastante sobre onde você está em certo ponto da sua vida quando você está escrevendo um álbum. Eu percebi que eu não entendia tudo totalmente, mas eu sabia que eu tinha um grande potencial para ver a vida como uma experiência mais divertida e bonita.

Tropico foi um curta-metragem que você fez com Shaun Ross, escrito por você. Como você se sente indo para a representação visual da sua música? Você está fazendo algo similar com Honeymoon?
Sim, eu gosto do que eu tenho feito com Honeymoon até agora. E sim, eu tenho uma concepção visual por trás desse álbum, mas é mais em termos de que câmeras eu tenho usado e em qual velocidade tenho gravado algumas coisas. Tropico é um dos meus projetos favoritos e foi realmente muito difícil fazê-lo, considerando a sua duração e o número de locações. Com Honeymoon, eu acho que High By The Beach tem um clipe bonito e engraçado ao mesmo tempo. E eu acho que o clipe de Music To Watch Boys To foca na parte legal e tocante da música, partes que talvez passaram batidas. Eu também amo a continuidade de alguns temas que entram e saem do âmbito artístico. Começando com a capa do álbum, e do fato de eu estar posando em um ônibus turístico da Starline Tours, até o fato da presença de telescópios no clipe de HBTB.

Você adicionou algo diferente ao Honeymoon?
Eu acho que os álbuns sempre têm uma maneira de surpreender você. Eu sempre começo o processo de fazer um álbum sabendo onde estou indo, mas quando finalmente as músicas começam a ficar prontas, você percebe que o conceito pode ser algo totalmente diferente daquilo que você imaginava no começo. Honeymoon começou com várias implementações de jazz, mas cresceu para ser algo muito mais forte e minimalista.

Além da sua evolução artística, como está a sua evolução pessoal?
Eu sinto que está sendo o oposto de uma evolução, eu sinto que tem sido mais uma desconstrução. Minha vida pessoal tem passado por diferentes transições, nesse momento, minha vida está em um local desprotegido, onde eu só tenho o básico diário para a sobrevivência. Eu estou trabalhando em mim mesma e onde eu quero ir a partir daqui.

Lana Del Rey como uma artista tem alcançado diferentes tipos de público, independente do gênero e idade. Como você acha o equilíbrio entre diversos tipos de públicos e o que você entrega?
Eu acho que se você continuar verdadeiro e honesto à sua música, então você atingirá o público que você deveria atingir. Eu comecei fazendo pequenos shows na cidade de Nova Iorque e eu sinto que as poucas diferentes pessoas que eu conheci lá, no cenário simples indie, eram o meu público e eu fazia parte do público deles. Enquanto os meus álbuns se tornavam mais populares ao longo dos anos, eu acabei me apresentando para um público mais jovem. Mas eu sinto que todos os tipos de pessoas vêm ao meu show.

Moda e música: vamos falar do seu estilo pessoal e como isso tem influenciado a sua música.
Quando eu estou em casa por um grande período, eu tenho mais tempo de ir fazer comprar e organizar tudo. Eu tenho uma visa bem normal quando eu estou fora dos holofotes. Eu amo couro vintage, jeans azul claro, camisetas brancas e cardigans azuis. Eu passei por diferentes fases na minha vida nas quais eu apreciava moda mais ou menos, dependendo da fase. No momento, eu posso dizer que estou bem interessada. No geral, eu diria que meu estilo pessoal é introspectivo, eu acho que isso é um reflexo das músicas mais contemplativas e cruas como as deUltraviolence.

“Eu diria que com exceção de uma ou duas músicas, minha vida pessoal está sempre refletida nas minhas canções”

O quanto você incorpora nas suas músicas suas histórias pessoais?
Eu diria que com exceção de uma ou duas músicas, minha vida pessoal está sempre refletida nas minhas músicas, é mais fácil escrever sobre o que está perto de você e o que você quer, também é mais gratificante, tirando as consequências disso.

Você fez colaborações com outros artistas, alguns que estão fora do mundo pop, você está interessada em mudar o curso do estilo da sua música?
Eu me vejo trabalhando com pessoas que eu admiro, eu tive a oportunidade de ir um uma turnê com o Father John Misty e recentemente eu fiz uma música com Abel (The Weeknd). Há pessoas com quem eu gostaria de trabalhar no meu próximo álbum. Em termos de estilo musical, eu realmente acho que eu vou dar uma variada em diferentes estilos.

Em termos de mulheres que atingiram grandes desafios na indústria da música, qual é a sua opinião sobre a efetividade dessas conquistas?
Eu não necessariamente escuto mulheres que são consideradas quebradoras de paradigmas de gênero. Eu escuto Billie Holiday, que é alguém muito  importante para mim e que atingiu várias coisas, assim como Joan Baez.

39-12Seus fãs estão bem cientes de cada passo que você toma em sua carreira. A internet permite que eles acessem informações sobre qualquer coisa que você esteja fazendo. O que você acha sobre isso?
Eu não sei, eu acho que grande parte da minha carreira aconteceu pela internet, exceto pelos meus shows e álbuns. Mas com isso dito, eu não sou o tipo de pessoa que passa bastante tempo online.

Durante o ensaio fotográfico, nós estávamos falando de objetivos e desafios e a importância de continuar lutando. Conte-nos mais sobre isso.
Sonhar é tão importante quanto qualquer outro mantra sobre lutar pelos seus sonhos. Há livros que eu amo que falam sobre sonhos como uma ciência e do fato que é impossível fechar o buraco entre “onde você está” e “onde você gostaria de estar sem sonhar”. Meu princípio favorito sobre sonhar é “seja verdadeiro consigo mesmo”.

Você tem fãs fora do Estados Unidos, você está consciente do seu público latino (incluindo Portugal)?
Eu tenho uma conexão com meu fãs na América Latina e Espanha, talvez seja por causa da paixão e devoção que eu sinto quando estou lá, ou talvez é por causa das minhas raízes profundas com a fé. Quando eu estou no México, ou mesmo em Barcelona e Madri, eu sinto que sou mais compreendida e eu sinto que a minha música está sendo apreciada exatamente do jeito que ela é.

Como você se sente sobre a sua música transcendendo fronteiras?
Eu não tenho certeza em como ela transcendeu fronteiras, mas eu tenho certeza que ela o fez do jeito que eu esperava que fosse. Eu acho que tudo isso converge para aquilo que nós estávamos falando sobre sonhar. Quanto mais verdadeiro você for consigo mesmo e o quanto mais forte você sonhar, mais você terá a oportunidade de sua arte viajar para longe.


Confira todas as fotos do ensaio na nossa galeria
Entrevista por Nylon Espanhol
Tradução por Marcela Oliveira

 

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Redação LDRA
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