Lana Del Rey fala sobre paranoia, Father John Misty, Nina Simone e ‘Honeymoon’ para o The Current

por / quarta-feira, 11 novembro 2015 / Publicado emEntrevistas

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Lana Del Rey concedeu uma entrevista exclusiva através do telefone para a rádio americana The Current, divulgada nesta quarta-feira (11), no site da mesma. Confira abaixo o áudio e tradução da entrevista:


Ouça o áudio da entrevista 

Depois do sucesso do seu quarto álbum de estúdio, Honeymoon, Lana Del Rey se sentou para um bate-papo com David Safar, da The Current,  sobre a paranoia glamourizada e seu amor por Father John Misty e a Nina Simone.

David Safar: Foi apenas no ano passado que você lançou o Ultraviolence. Havia um senso de urgência para voltar ao estúdio?
Lana Del Rey: Sim, um pouco, mas eu não sei o porquê. Eu acho que é apenas uma coisa pessoal. Eu senti que tinha algumas canções que tinha vindo trabalhando enquanto o mixava o Ultraviolence, que levou muito tempo. Eu só queria ver se eu poderia começar a fazer outro álbum. Acho que sempre que você lança um álbum é um bom momento para trabalhar em algo novo, porque não tem qualquer pressão.11849111_641179439355921_34158843_n

DS: Você passou o seu álbum de estreia e os lançamentos seguintes, trabalhou com muitos artistas diferentes e fez uma turnê. O que faz o Honeymoon ser diferente?
LDR: Eu estava contente de ter passado do segundo álbum. (risos) Foi divertido. Eu trabalhei com esse cara que eu amo. Ele tem sido o meu produtor há muito tempo. O nome dele é Rick Nowels. Tenho que ir [ao estúdio] todos os dias e rever algumas coisas no que vinha trabalhando ou começar algo novo. No início, eu queria que [o Honeymoon] tivesse um pouco da sensação de noir, então eu amei a faixa-título ‘Honeymoon’. Acho que isso meio que se soltando um pouco conforme fui avançando, com canções como ‘Freak’ e ‘Art Deco’.

DS: Rick Nowels trabalhou com todos os tipos de pessoas, de Tupac a Madonna atá a Jamie xx. Qual é a sua conexão com o Rick e o que ele traz a sua música?
LDR: Uma das razões que eu gosto tanto de Rick é porque muitos produtores, quando entram em estúdio com um artista, querem desafiá-los ou eles querem destruí-los e construí-los novamente. Acho que isso é realmente inútil. Rick sempre diz que sim e ele é muito fluido. Se eu fico presa com uma ideia liricamente e quero dizer, “Foda-se!” e seguir em frente, ele não se importa. Vamos para uma nova ideia. É muito fácil. Ele contribui muito em termos de – quero dizer, ele toca tudo. Todas as partes de teclado, todas de guitarra. Ele é bastante surpreendente.

DS: Cada álbum seu tem uma narrativa distinta e você é capaz de adotar essa narrativa e transmiti-la ao longo do álbum inteiro. Qual era sua intenção com a narrativa do Honeymoon?
LDR: Eu amo álbuns que têm um conceito forte. A narrativa para [o Honeymoon] foi um tributo a Los Angeles e, por causa da paisagem sonora — nós tivemos um monte de sequências de incríveis acordes — acho que o humor era a narrativa. São várias obras descritivas sobre a dirigir à noite ou estar apaixonada, não estar apaixonado. Tipo a mesma coisa antiga.

DS: O que sobre Los Angeles tem cativado você?
LDR: Eu adoro o clima. Eu estou aqui e esta fazendo 32 °C hoje. É realmente quente todos os dias. Eu realmente amo o clima quente. Tem uma boa energia nisso. Eu estive em Nova York por um tempo, talvez oito anos. Eu estava realmente encantada por Nova York. Mas não conhecia muitas pessoas com quem fizesse música ou colaborações. Aqui, há muitos artistas legais. Tem Emile Haynie quem tem sido o meu produtor, quem eu amo. Neil Croag, que é um grande fotógrafo. Minha irmã esta aqui. Father John Misty passa muito tempo aqui. Há um monte de artistas que estão vindo para cá, de mode que torna-se muito divertido.

DS: Eu não sabia que você era fã do Father John Misty. Nós tocamos um monte de canções dele aqui na The Current.
LDR: Vocês tocam? Eu sou a fã número um dele. (risos) Falando sobre uma narrativa, as canções dele realmente me trazem de volta a razão pela qual comecei a escrever, em primeiro lugar. Nenhuma das coisas extravagantes, é apenas a história em cada uma de suas canções. A canção “I Went to the Store One Day?” me mata, a maneira que ele coloca as coisas. Sinto que ele tem todas as suas inseguranças e esperanças fluindo tão perfeitamente ao longo de cada canção. E a voz dele é incrível. Eu vi ele ao vivo algumas vezes. Fomos em turnê por um pouco tempo.

DS: Como foi?
LDR: Foi divertido! Definitivamente, ele traz a diversão. Ele é realmente engraçado como você provavelmente pode imaginar, se você é um fã. E também apenas vê-lo no palco é realmente incrível.

DS: Você esteve um pouco em turnê, mas não te vimos em Minneapolis. O que você idealiza para a turnê de Honeymoon?
LDR: Bem, eu definitivamente acho que farei uma – eu fiz uma turnê nos Estados Unidos este ano, mas foi em anfiteatros. Ano passado, eu fiz uma turnê menor nos Estados Unidos.

DS: Você tocou com Courtney Love, correto?
LDR: Sim, eu toquei! Foram oito shows com ela. Foi um sonho que se tornou realidade. Ela é tudo que você imagina que ela vai ser e mais ainda.

DS: Você falou sobre Los Angeles e o encontro das artes. Eu sei que filmes influenciam enormemente seu trabalho e eles são uma grande parte de tudo que você faz, especialmente os vídeos de suas músicas. O que você idealiza para os vídeos de Honeymoon?
LDR: Tudo começou com uma fita VHS que eu estava fazendo para a música ‘Honeymoon’. Eu estava sentada em uma colina e, em seguida, passou um ônibus da Starline Tour e eu entre em pânico por um minuto – ele conseguiu pegar na câmera. Eu estava pensando o quanto era engraçado que eu estava preocupada que alguém iria nos ver filmando. Eu comecei a pensar sobre essa ideia para ‘High By The Beach’, que teve um tema similar, como se estivesse com medo de estar sendo vigiada enquanto você está em sua casa. Eu acho que tem um pequeno sentimento de paranoia glamourizada em relação a paranoia entre esses dois. Você ainda não viu o vídeo completo de ‘Honeymoon’ porque eu ainda não liberei. Eu não sei se eu vou, porque eu mesma o fiz. E ‘Music To Watch Boys To’ é somente – quero dizer, eu não sei se tem muita nostalgia em relação a Los Angeles nele, mas o cenário é luxuoso e bem noir, pois é em preto e branco. Há algumas semelhanças na execução dos vídeos.

DS: A ideia de paranoia e alguém te vigiando aparece em ‘High By The Beach’. Isso acontece em sua vida, também? Você sente que as pessoas estão te observando?
LDR: Existiram algumas situações nas quais eu queria que as câmeras não estivessem lá. Sim, eu acho que fui inspirada por isso. Acho que seria estranho dizer que não fui inspirada por esse fato.

DS: Eu gostaria de perguntar sobre alguns dos artistas que influenciaram Honeymoon e eu quero começar com T.S. Eliot, o poeta americano. Você emprestou dele – deu crédito a ele – para o interlúdio do ábum. Como você descobriu sua poesia, e como ela apareceu no álbum?
LDR: Originalmente eu não ia usar esse pequeno trecho, mas eu estava procurando poemas sobre tempo e eternidade. Ele escreveu “the still point of the turning world” (tradução livre: o ponto imóvel do mundo que gira), e nesse ponto tudo é real. Eu amei isso, porque eu sempre sinto que estou tentando fazer com que tudo sempre esteja se movendo e se renovando. Mas eu sempre me encontro em uma quietude real e todo o tempo meio que imagino se as coisas são assim além de tudo que existe ou que seja.

DS: Na morte?
LDR: Sim. Ou além dela.

DS: Existe outra artista que você homenageia em Honeymoon, Nina Simone. Você termina o álbum com ‘Don’t Let Me Be Misunderstood‘. Você pode falar sobre a decisão de incluir essa música e dela ser a última música do álbum?
LDR: No Ultraviolence, ano passado, eu fiz um cover de ‘The Other Woman‘ e eu quis fazer outro cover para encerrar esse álbum. ‘Don’t Let Me Be Misunderstood‘ é definitivamente umas das minhas favoritas das quais ela canta. Melodicamente falando, é provavelmente a minha favorita, e ela tem uma mensagem que eu gosto também. Somente uma alma cujas intenções são boas.

 

Por David Safar
Tradução por Marcos Cz e Yeda Salomão

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Leonardo

    Adorei!

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