‘Ele me lembrou do poder dos sonhos’, Lana Del Rey fala sobre Daniel Johnston em entrevista a V Magazine

por / sábado, 14 novembro 2015 / Publicado emEntrevistas

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O site da revista V Magazine publicou há pouco uma curta entrevista feita a Lana Del Rey, ao músico Daniel Johnston e ao diretor Gabriel Sunday durante a première do curta-metragem “Hi, How Are You, Daniel Johnston“, no qual a cantora faz parte do projeto na trilha sonora e como produtora executiva.

Confira a tradução.


Lana Del Rey está em uma missão para convencer Daniel Johnston de que eles são almas gêmeas criativas

Lembrando de todos os amigos estranhos da História, Lana Del Rey e Daniel Johnston podem ser os mais estranhos. Uma é a rainha do pop de unhas bem feitas — “uma Nancy Sinatra gângster” com um álbum número 1 debaixo dos braços — enquanto o outro é um texano preguiçoso que luta contra a esquizofrenia e o transtorno bipolar com simples tons de gorjeio e desenhos infantis. Eles se encontraram final de semana passado no lançamento do novo filme de Gabriel Sunday, “Hi, How Are You Daniel Johnston” no MAMA Gallery em Los Angeles.

Del Rey fez um cover da música de 1990 de Johnston, ‘Some Things Last A Long Time’, para o filme, além de ajudar seu financiamento (o rapper Mac Miller também está creditado como produtor executivo). Ela ficou encantada com o estranho músico após assistir ao documentário de 2005, The Devil and Daniel Johnston (O Diabo e Daniel Johnston) com seu namorado da época e cantor folk, Barrie-James O’Neill.

“Eu me identifiquei”, Del Rey me conta na estreia. “Eu mesma já passei um tempo em um universo diferente”.

O projeto de Sunday — no qual ele atua como uma versão jovem de Johnston, tendo uma conversa com o Johnston real — capturou o interesse de Del Rey.

“Nós lançamos o projeto no Kickstarter [nota da tradutora: site de financiamento coletivo que busca apoiar projetos inovadores] e dois dias depois eu recebi um e-mail dizendo, ‘Oi, aqui é a Lana. Me ligue”, disse Sunday. “E eu fiquei tipo, ‘Não’. Eu mandei uma mensagem com meu número e ela me ligou e eu atendi. Ela e seu namorado da época, Barrie — que também é o produtor executivo — falaram [em uma voz estranha], ‘Nós andamos observando você, Gabe. Você está fazendo coisas legais.’ E eles doaram $10.000 dólares para o projeto e, depois de mais ou menos uma semana, ela fez o cover e o enviou para mim. Foi bizarro.”

Agora, como Johnston a influenciou durante esse tempo, Del Rey me contou que via nele suas próprias dificuldades com seus erros, como uma artista mais nova.

“O que ele significou para mim quando eu assisti ‘The Devil and Daniel Johnston’ foi que ele me lembrou do poder dos sonhos”, ela disse. “Ele realmente queria conseguir. Ele foi com tudo. Quando ele estava trabalhando no McDonald’s e distribuía fitas cassetes, eu simplesmente amei aquilo, porque eu senti que se Daniel pode fazer isso, mesmo quando ele estava batalhando contra os limites da realidade em sua mente, eu poderia fazer também, porque eu amava o que estava fazendo tanto quanto ele. Aquela cultura de música de fita feitas no porão — eu estava gravando em CDs, mas eu estava os oferecendo para todo mundo e esperava que eles fossem encontrar a pessoa certa. O que eu gosto sobre Daniel é que o que ele estava fazendo significava tanto para ele. Ele se associou aos Beatles. Ele acreditava naquilo, e meio que se tornou real”.

Del Rey também vê seu estilo lírico como sendo parte da história de honestidade e informalidade da música que inclui Johnston. Para fazer o seu cover de ‘Some Things Last A Long Time’, ela colaborou com o produtor e amigo de longa data, Justin Parker.

“Eu lembro de já estar há alguns meses com o Justin Parker quando fizemos ‘Video Games’, ‘Born to Die’ e ‘National Anthem’, mas nós não tínhamos certeza… porque algumas dessas músicas eram baladas — mas elas passavam a sensação de ser o certo a se fazer”, voltou a contar Del Rey sobre se reconectar a Parker para fazer o cover. “A sensação era de que estávamos fazendo o certo. O refrão era maior [que o do Johnston], mas a narrativa era coloquial. Algumas das músicas tinham nomes e lugares que eu não sabia se iam se traduzir em um nível mais universal”.

Johnston tem feito esse indie rock lento e suave, que é bastante tocado nas rádios universitárias, desde os anos 80. Sua fita cassete de 1986, chamada Yip/Jump Music, é uma das gravações que Kurt Cobain disse em seus diários ter sido um influência. Já famoso, teve uma vez que Johnston provocou um pequeno acidente na aeronave que seu pai estava pilotando, levando-o a fazer um pouso forçado (ambos sobreviveram). Para Del Rey, isso é adicionado a sua grande presença, apesar de sua aparência quieta.

“Muitas das pessoas falam um monte de merda, e eu não quero ouvir nenhuma delas,” ela disse. “Daniel não diz coisa alguma, mas eu tenho consciência da profundeza de sua presença só de estar ao redor dele.”

Parado em frente a uma apurada seleção de seus desenhos na parede, Johnston fecha a noite ao ler duas canções novas e cantar alguns hits para a pequena plateia dentro da galeria, incluindo seu clássico, ‘True Love Will Find You in the End’. Ele estava tipicamente taciturno quando me aproximei e perguntei se ele iria assistir ao filme.

“Provavelmente não,” Johnston respondeu, mal me olhando. “Eu só vou ficar aqui e aproveitar”

Se ele não está interessado em ouvir o cover de Del Rey? “Eu nunca ouvi algo dela,” ele diz. “Eu não ouvi. Você tem alguma de suas músicas em uma fita?”.

Por Maxwell Williams
Tradução por Raphaella Paiva

Redação LDRA
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