“Às vezes eu deixo minha franqueza ou minha mente prevalecer”, confira entrevista de Lana Del Rey para a Vogue Turquia

por / terça-feira, 17 novembro 2015 / Publicado emEntrevistas

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Neste mês de novembro, a Lana Del Rey foi capa da edição da revista Vogue Turquia, onde participou de um photoshoot exclusivo fotografado por Liz Collins e concedeu uma entrevista, onde falou sobre o processo de gravação, inspirações, o início da carreira, projetos e o sucesso inesperado. Confira tradução abaixo:


Carregando o profundo espírito da temporada fria de novembro. De quando nos dirigimos a nós mesmos e realizamos nossa viagem interior, uma viagem para coletarmos e reunirmos forças. A Vogue Turquia apresenta um ensaio inédito de Lana Del Rey em nossas páginas. Desta vez, longe de todas as distrações, temos Lana sozinha em frente a um fundo branco. Somente o solo e as árvores, o deserto e o mar — em um mundo que consiste de vento — são os parceiros do céu sem nuvens do sonho de Georgia O’Keeffe. Dois protagonistas misteriosos dos jogos de inverno estão a nossa frente: tons de cinzas que persistem em cores vibrantes e fortes padrões de cores. Imaginação do famoso pintor Balthus, quadros de Tim Walker. Essa visual sofisticação misteriosa, representada em dois como a carne e o osso, como o pintor Balthus e sua esposa Setsuko e, já que estamos nas profundezas da arte, com o icônica modelo Kate Moss.

APENAS LANA

Coleção da temporada, artista humilde e pessoa mágica de Hollywood, envolta em melancolia e uma dos representantes mais importantes de sua geração – Lana Del Rey que, assim como Marilyn no ensaio fotografado por Bert Stern e realizado seis semanas antes de sua morte, está se mantendo longe de todas as distrações. Estamos a sós com ela em frente a um fundo branco. Apenas Lana: perfeita em suas imperfeições e abençoada em seu infortúnio.

Apesar de na letra de ‘God Knows I Tried‘, do álbum “Honeymoon” – lançado no final de setembro – Lana cantar: “Eu não tenho muito mais pelo que viver desde que encontrei minha fama”, ela argumenta estar descontente com o fato de as pessoas veem sua música apenas como pensamentos sombrios e tristeza. “Eu tenho um vocabulário especial e meu próprio temperamento. A aliança entre esses dois componentes geram uma base para escrever as histórias,” diz Lana Del Rey, adicionando: “eu quero que as pessoas entendam os pensamentos profundos por trás das frases tristes”. E eis o dilema: a felicidade em atitudes melancólicas (ainda mais importante para o sucesso de ser única). Certamente genuína, mas também deslumbrante demais para ser verdade. Um antigo mistério hollywoodiano com seus segredos e metáforas.

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O início da história de um sucesso inesperado

Nascida em 1985, em Nova York, Elizabeth “Lizzy” Grant se mudou para o Brooklyn depois de ter completado os estudos universitários, a fim de construir o caminho emocional para a sua carreira musical. Com o intuito de permitir que o mundo ouvissem com mais força sua tímida voz, ela se formou na faculdade filosófica e começou a se apresentar em pequenos bares na cidade. Todos os dias tentando se tornar famosa em meio a centenas de carreiras musicais iniciando, ela rapidamente desaparece dos olhos das pessoas. O fato estranho é que o vídeo de uma jovem e simples loira cantando ao vivo no YouTube e vestindo uma camiseta verde, quando ainda desconhecida, se tornaria Lana Del Rey, e o mundo depois olharia em seus olhos. Depois de alguns erros de julgamentos, em janeiro de 2010, Grant estabelece uma nova identidade, mudando seu nome para “Lana Del Rey” — o que faz lembrar a encantadora costa do mar — ela nasce novamente.

O mal reconhecimento de Lizzy, ou não, é fato claro e evidente. Mas do lado oposto temos todo o sucesso, a inacessibilidade e gloria de Lana Del Rey, vendendo 8 milhões e meio de cópias em todo o mundo do seu álbum ‘Born To Die’ desde que todos ficaram de olhos nela. Ela está ciente do assédio e da vigilância contínua, e o fato acabou se tornando um dos principais temas de seu mais recente álbum “Honeymoon“. A cantora americana, sendo uma figura “antifeminista”, parece apresenta temas populares, fazendo com que o mundo preste atenção nela. E com isso há divergências. “Os homens gostam de olhar para as mulheres e as mulheres gostam de pegar esses pontos de vista de si mesmas” – palavras do tradicional crítico de arte John Berger sobre a canção ‘Music To Watch Boys To‘. A cantora diz estar testando sua canção: “Os elementos visuais em Honeymoon são parte de algo que é comum para as pessoas, e se apoia no Ultraviolence. Eu acho que esse é o reflexo da minha posição”.

Enquanto esteve trabalhando no álbum “Honeymoon“, Lana foi inspirada por seu estado de espírito e criou uma atmosfera especial para si mesma. A srta. Del Rey também foi inspirada por belas paisagens nas composições dos Beach Boys e The Moody Blues: “Seria um erro não dizer que uma paisagem maravilhosa me inspirou durante a criação deste álbum. É muito importante para mim trabalhar com um álbum e ao mesmo tempo trabalhar com projetos diferentes também. Isso me ajuda a não ficar presa em um processo”. No álbum anterior, a cantora apresenta um clássico de Nina Simone, ‘The Other Woman’, e no “Honeymoon” ela canta ‘Don’t Let Me Be Misunderstood’. Como uma grande fã de Nina Simone, Lana recentemente disse que o documentário de Simone, feito por Liz Garbus, a influenciou bastante.

Mesmo quando não temos a mesma opinião sobre melancolia, Lana reconhece que suas canções são cinematográficas, como o resto do mundo: “Eu penso da mesma forma, e tenho uma forte percepção estética e de visão, com um dos mais aclamados produtores. Eu tenho muita sorte de ter pessoas que criam a atmosfera sonora nas minhas composições e que acreditam na minha verdadeira alma”. Este é o som característico, responsável por incríveis parcerias com produtores do cinema. Inalando sua verdadeira voz nos trabalhos de Baz Luhrmann, em ‘O Grande Gatsby’, e Tim Burton, em ‘Grandes Olhos’. Mas Lana diz que ainda não realizou o seu sonho com cinemas e que apenas entrou no estúdio para gravar uma canção.

“Eu adoraria trabalhar com Andrew Lloyd Webber”. Depois desta afirmação, ela continua: “Eu acho que seria algo antiquado e icônico. Eu sinto que nós temos uma maneira de pensar muito similar”.

Mesmo quando a Lana não está compondo trilhas sonoras para grandes projetos e grandes diretores, ela ainda encontra uma forma de se expressar. Como? Claro, seus novos videoclipes que carregam um toque especial de estética e arte. Tons escuros e claros de imagens e Lana, na maioria das vezes, com seus olhos realçados com deliniadores — tudo isso levando sua arte ao ponto de partida que dá vida aos seus sonhos: “Em geral, todos os vídeos giram em torno de um tema da cena. Quando eu escolho o diretor do videoclipe, depende da minha percepção de composição e conceito do vídeo”.

Querendo ou não, quando falamos sobre melancolia parece que falamos sobre algum tipo de distopia. “Às vezes eu deixo minha franqueza ou minha mente prevalecer,” diz Lana Del Rey, explicando sua distopia pessoal: “Eu quero que minha imaginação sonhadora influencie minha música da maneira mais positiva”. Aparentemente, quando a escuridão que envolve a diva misteriosa se dissipa diante de nós, parece que temos imagens mais claras. Enquanto estamos tentando descobrir o que na verdade é a Lana, vestida em uma armadura da “velha magia e mistérios de Hollywood”, surgem questões cada vez mais turvas e nebulosas. No oeste de Londres, em um estúdio fotográfico, a nossa frente está a srta. Del Rey, comendo sua pizza de margherita. Talvez Lizzy tenha criado Lana Del Rey com suas próprias mãos apenas para ela nos observar olhando para ela — e a admirando.

Confira os scans da revista em nossa galeria:


 

Confira o photoshoot exclusivo fotografado por Liz Collins, em nossa galeria:


Tradução por Mauricio Sousa

Redação LDRA
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