Lana Del Rey concede entrevista para Billboard e fala sobre sua ascensão improvável para o estrelato, relacionamentos passados e esperanças para o futuro

por / quinta-feira, 22 outubro 2015 / Publicado emEntrevistas

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Lana Del Rey é capa da edição desta semana da revista americana Billboard, onde a aclamada e enigmática cantora concede uma entrevista para o romancista/roteirista Bruce Wagner sobre sua ascensão improvável para o estrelato, seus relacionamentos passados (e esperanças para o futuro, incluindo pensamentos sobre ter crianças) e porque ela é atraída por Big Sur (região localizada no centro da Califórnia). Sendo fotografada por Joe Pugliese no dia 2 de Outubro, de 2015, em Los Angeles.

Confira a tradução da entrevista abaixo:


 

Lana Del Rey em por que seu estrelato pop “poderia facilmente não ter acontecido”

lana-del-rey-cover-bb32-2015-billboard-510Lana Del Rey e eu fomos apresentados pela primeira vez em uma impressionante mansão, no estilo da Architectural Digest (revista sobre design de interiores) fora da estrada da Costa do Pacífico durante uma festa oferecida, estranha o suficiente, por Werner Herzog e seu amigo, o físico Lawrence Krauss. (Del Rey, 30, já havia falado do seu interesse em ciência e filosofia). Nessa noite, ela usava um vestido de blusa Polo não marcado com uma vibe personal-old-fave. No desglamouroso modo “Estrelas sem maquiagem”, ela estava despretensiosa e suavemente sociável, com um inocente olhar arregalado, como uma mal vestida recém-chegada na cidade. Eu estava na mesma mesa e ela me pegou encarando o horizonte. Del Rey estava ironicamente em sintonia, cutucando seu namorado, o fotógrafo e diretor italiano Francesco Carrozzini, para dar uma olhada no cliché: os homens calados e melancólicos. Seu aconchego me tirou de si.

O quarto álbum de Lana Del Rey, Honeymoon, estreou em número 2 na Billboard 200 em Setembro, mas quando eu perguntei se ela planejava cair na estrada para promover isso, ela balançou sua cabeça “Eu faço tudo ao contrário. Isso já aconteceu – Na verdade, eu já acabei a turnê mundial que eu comecei quatro anos atrás, quando eu precisava estar por fora. Eu realmente precisava estar lá fora cantando”.

Esse êxodo nasceu, em parte, da necessidade de curar a sequência de uma apresentação em 2012 no Saturday Night Live que provocou uma tempestade de massacre-do-cordeiro de escárnio sobre a futura estrela em ascensão parecendo estar fora de área em um amadorismo. Ela foi ridicularizada como uma poser – parte Edie Sedgwick, parte Valley of the Dolls, uma Never Will Be Ready for Primetime Player – mas acabou que Del Rey estava apenas no final do Ato 1 em um todo-americano A Star Is Born, a encenação da paixão, a crucificação e ressurreição da celebridade.

Nascida como Lizzy Grant em Lake Placid, N.Y., Del Rey se mudou para Manhattan com 18 anos. “Por sete anos eu escrevi músicas sexy sobre amor”, ela disse. “Esse foi o tempo mais divertido da minha vida”. Ao invés da tela em que tantas personagens fofoqueiras foram projetadas (ricas, suicidas antifeministas, mórbidas superficiais), transformou-se em um ícone de um painel quase religioso de sedução fantasmagórica. Ela é um fenômeno global, parte da conversação nacional e do ambiente sonoro cultural. Nielsen Music coloca seu total de vendas de álbuns nos EUA em 2,5 milhões e seus vídeos já foram vistos centenas de milhões de vezes. Del Rey está agora poucos anos em sua volta do deserto, tendo chegado em um misterioso trem com ares de Santa Ana, medo existencial e “soft ice cream” (para citar sua música ‘Salvatore) que é singularmente sua.

Eu a encontrei para a entrevista numa casa de John Lautner que ela aluga em Los Angeles. Lautner era um inaugural arquiteto da Califórnia do Sul e Del Rey diz que sua escolha de hospedagem foi intencional. Ela produz e projeta sua vida. Ela me cumprimenta no percurso – curiosa, amigável e atenta. Por um momento ela parece Elvis e Priscilla, tudo em uma só. O cabelo é old-school Clairol escuro, os olhos sedutores verdes, o castanho avermelhado, o castanho-avermelhado é a coisa que mais a faz.

“Você amaria meu pai”, ela diz. Ela acabava de estar no telefone com ele; seus pais estão visitando. Ele é um corretor de imóveis, e mamãe é uma professora de inglês cuja paixão é ler livros de história. Del Rey vive com sua irmã mais nova, Caroline Grant, uma fotógrafa que atende por Chuck. (Del Rey me diz que sua irmã estava tão chocada com a força da emoção dos fãs durante os shows que ela não tira mais fotos deles).

“Meu pai é um cara com perfeitas blusas havaianas e shorts combinando”, diz Del Rey. “No outro dia ele disse, ‘Nós deveríamos pensar sobre pegar um Rolls vintage’. Eu disse ‘Hum, é um pouco chamativo.’ E ele disse, ‘Uh, yeah’.”

Billboard: O que você faz consigo mesma agora que não tem nada no seu cronograma?
Lana: Eu dou longas caminhadas, longos passeios. Eu entro no carro e dirijo pelas ruas, sentindo os lugares. Eu vou para o Big Sur. Eu amo o Big Sur, mas se tornou tão turístico. Eu fui para o General Store e tinham multidões. Em uma segunda! Mas eu sou atraída por lá. As vezes eu vou escrever. Eu tenho pensado que talvez seria hora de fazer um vídeo longo, um vídeo de 40 minutos. Eu estava assistindo The Sandpiper e estava trabalhando em algo baseado nisso.

B: Você já pensou em escrever algo para si? Atirar no helicóptero dos paparazzi no vídeo de “High by the Beach” foi sua ideia, não?
L: Sim, foi. Eu gostaria de escrever um livro um dia. Mas você precisa de um começo, um meio e um final! Eu posso lidar com quatro minutos – mas eu não tenho certeza sobre um livro.

B: Sua música “God Knows I Tried” se encaixa entre “God Only Knows” do The Beach Boys e “Hallelujah.” de Leonard Cohen. Eu estou pensando em Cohen por causa dessa linha “Even though it all went wrong.” (Mesmo que tudo desse errado).
L: Eu amo Leonard – porque ele é todo sobre mulheres. Mulheres e Deus.

B: Tudo deu errado?
L: É difícil, às vezes, para mim pensar em continuar quando eu sei que nós vamos morrer. Algo aconteceu nos últimos três anos, com meu pânico…

B: Eu tinha lido que você estava propensa a isso.t34rFGxQMRo
L: Piorou. Mas eu sempre estive propensa a isso. Eu lembro de ter 4 anos de idade, eu acho, e eu tinha acabado de ver um show na TV onde a pessoa foi morta. Eu virei para os meus pais e disse “Todos nós vamos morrer?” Eles disseram “Sim” e isso foi totalmente perturbador! Eu cai em lágrimas e disse “Nós temos que passar!”

B: Como você lida?
L: Eu vejo um terapeuta – três vezes. Mas eu realmente estou mais confortável sentada na cadeira no estúdio, escrevendo ou cantando.

B: O pânico não vai durar para sempre.
L: Eu não acho, mas… as vezes eu queria só ser capaz de aproveitar a vista. Eu acho que eu sou realmente como a minha mãe, no sentido de que eu faço pequenas listas. Para me acalmar, eu me recompenso. Você sabe, “Se você terminar isso, eu farei isso” – Eu irei para uma longa caminhada na praia ou nadar no oceano. Eu vou nadar e eu na verdade estou chocada que eu faço isso. Porque uma coisa que me apavora são os tubarões.

B: Você pensa que ter crianças te relaxaria? Você pensa em ter filhos?
L: Eu pensei nisso. Realmente penso nisso ultimamente porque eu acabei de fazer 30. Eu amaria ter filhas. Mas eu não acho que seria uma boa ideia ter filhos com alguém que não estivesse… na mesma sintonia.

B: Alguém que…
L: Que não fosse exatamente – como eu! (Risos). Apesar de que talvez fosse melhor ter filhos com alguém que seja… normal.

B: Quando foi a última vez que você foi destruída por um caso de amor?
L: O último – antes do namorado com quem eu estou com agora – foi muito ruim. Não foi bom estar nele, mas não foi bom para sair dele, também. Ele era como um irmão gêmeo. Não é um gêmeo fac-símile (uma cópia), mas um irmão gêmeo real.

B: Então talvez procurar a mesma pessoa não funcione. Relacionamentos são difíceis pra você?
L: Para alguém como eu – e isso não é uma coisa subordinada – Eu apenas gosto de ter alguém. Eu estive sozinha, e estava tudo bem. Mas eu gosto de chegar em casa e ter alguém lá. Você sabe, dizer “Oh, ele está aqui.” E essa outra coisa (Faz mímica apontando a mesa) está aqui. E isso (Faz mímica colocando um objeto na mesa) está aqui. (Risos). Eu sou muito metódica. Eu tenho que ser. Eu também sou assim no estúdio. Mixagem e masterização podem levar mais quatro meses depois que já acabamos – três para mixar e um para masterizar. Eu gosto de ter um plano. Embora eu deixe espaços para improvisação no estúdio quando eu escrevo.

B: Você se importa se eu escrever tudo isso? Porque eu não quero chatear Francesco.
L: Oh, ele vai ler isso! Mas ele vai ter coisas a dizer de qualquer maneira. Ele é muito… agressivo. (Sorrisos). E além disso, eu não disse que ele não era exatamente como eu.

B: Há algo estranhamente xamânico sobre o seu trabalho. Você canaliza Los Angeles de maneiras que eu não tinha visto ninguém fazer, pelo menos não em um longo tempo. Lugares agora extintos, ruas e sentimentos que você não tem direito de ser capaz de evocar por causa de sua idade. E isso é tão improvável que você seja a única a ser a ser o oráculo dessa maneira. Mas é real.
L: Eu sei. Eu sei disso. Eu amo essa palavra “xâmanico” Eu leio energia; Eu sempre tenho. Um dos livros que eu amo – além de Hollywood Babylon de Kenneth Angers – é The Autobiography of a Yogi. E Wayne Dyer… Eu fiquei tão triste quando ele morreu! [Dyer, parte budista, parte do novo palestrante de pensamento motivacional, foi mais conhecido pelo seu livro Your Erroneous Zones. Ele morreu em Agosto]. Ele me deu tanto nos últimos 15 anos. Eu fui ver uma clarividente. Ela me pediu para escrever quatro coisas em um cartão antes que eu entrasse, coisas que eu talvez estivesse pensando, e ela acertou todas as quatro. Eu perguntei sobre o homem que eu estava vendo – aquele, antes desse de agora. E ela disse “Eu realmente não gosto de ir nessa parte, mas… Eu não vejo ele presente. Eu então disse “Ugh”. Ela está vendo o futuro e não o vê presente. Oh, não!

B: Você está ciente do seu efeito nos homens?
L: Só recentemente eu me tornei ciente dos homens heterossexuais que estão na minha música. Eu lembro quando eu tinha 16, eu tinha um namorado. Eu acho que ele tinha… 25? Eu achava que ele era a melhor coisa. Ele tinha uma picape F-150 e me deixou dirigir uma vez. Eu estava tão chapada! Eu entrei em pânico e estava preocupada de talvez matar alguém – atropelar uma freira ou algo assim. Eu comecei a tremer. Eu estava gritando e chorando. Eu o vi olhando por cima e ele estava sorrindo. Ele disse, “Eu amo que você está fora de controle.”. Ele viu o quão vunerável eu estava, com tanto medo, e ele amou isso. O balanço mudou a partir daí. Eu tinha vantagem – até então.

lOUdOoQbm20B: Você quer estar em filmes?

L: Bem… Eu estou aberta a isso. James Franco me pediu para estar em três filmes que estavam sendo dirigidos por um diretor espanhol e eu estava hesitante. Eu acho que ele ouviu minha hesitação e ficou com medo. Alguém queria que eu fosse Sharon Tate. E eu pensei “Isso é tão certo”. Nessa hora, tinham três filmes do Manson sendo falados, mas nenhum deles foram feitos. Então talvez essa seja a resposta.

B: Você já foi a “voz da razão” para um amigo em crise?
L: Eu fui – eu posso ser. É mais fácil fazer isso as vezes… para alguém que está observando meio de fora.

B: Ou seja, você.
L: Sim. (Pausas.) Você sabe, eu estava morando no Hancock Park uma vez e pensei sobre uma ideia de filme. Eu estava alugando essa casa cujas paredes altas tinham sido adquiridas, então claro que eu continuei as fazendo mais altas e altas. Eu tinha uma ideia de escrever algo sobre uma mulher morando lá, uma cantora perdendo sua mente. Ela tinha essa fortaleza, com um sistema de segurança instalado, câmeras em todo lugar. As únicas pessoas que ela via eram as pessoas que trabalhavam no terreno: pessoas da obra e jardineiros. Um dia ela ouviu um jardineiro murmurando essa música que ela escreveu. Ela entra em pânico e pensa “Oh, meu Deus. Eu estava cantarolando essa música alto assim ou apenas para mim? E se foi em voz alta, não era às 4 da manhã? Isso significa que ele estava do lado de fora da minha janela?” Então uma tempestade vem, aquelas tempestades de L.A. e a luz vai embora, com exceção das câmeras que estão em uma fonte diferente. E a piscina, esteve vazia por meses por causa da estiagem. E ela vai para fora, no meio da noite, porque ela escuta algo – e tropeça na enxada do jardineiro e cai na piscina vazia e morre de bruços como William Holden no final da Sunset Boulevard.

B: Para mim, uma das coisas mais interessantes sobre você e sua história – e claro, sobre seu trabalho – é que você rompeu. E isso acabou bem.
L: Eu penso sobre isso, e sou tão grata. Eu estou ciente que isso poderia facilmente não ter acontecido. Isso poderia ter se tornado… um pesadelo americano. Eu vejo ela – Lana – e escuto ela, vejo ela, e eu sou… protetora.

B: Vamos terminar com o Big Sur. Você pensa que seu interesse é por conta da sua afinidade com os Beats? Seu fascínio com Kerouac?
L: Big Sur me desafia a me entregar. O que me atrai são… as curvas. Eu realmente sou atraída por curvas.

Bruce Wagner, um romancista e roteirista, mora em Los Angeles. Seu novo livro, I Met Someone, será publicado pelo Blue Rider Press em Março.

Fotos por Joe Pugliese
Entrevista por Bruce Wagner
Tradução por Cristine Sol

Confira em nossa galeria todas o photoshoot completo realizado por Joe Pugliese, para a edição da revista:


Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Raphael Kaiston

    macabra

  • Rebecca Almeida

    que entrevista maravilhosa, meu deus

  • Leonardo

    Melhor entrevista de todas, estou de boca aberta! Quanta coisa maravilhosa <3

  • João Vianini

    Achei essa entrevista meio tensa. Toda essa história sobre Barrie, Francesco… Sobre Lana. Pesada. Maravilhosa, mas pesada.

    E isso me estressou um pouco: “O quarto álbum de Lana Del Rey, Honeymoon, estreou em número 2 na Billboard 200 em Setembro, mas quando eu perguntei se ela planejava cair na estrada para promover isso, ela balançou sua cabeça ‘Eu faço tudo ao contrário. Isso já aconteceu – Na verdade, eu já acabei a turnê mundial que eu comecei quatro anos atrás, quando eu precisava estar por fora. Eu realmente precisava estar lá fora cantando’.”

    • Leonardo

      Muito tensa essa entrevista mesmo.

  • Débora Radicchi

    Não sabia que ela tinha problemas como Pânico… Só me fez admirá-la mais ainda <3

  • Lolita

    Maravilhosa. Ah, Lana.
    <3

  • Karla

    Só eu que torço pra ela ficar com o James Franco? Tenho a impressão de que eles dariam certo juntos. Ele também é bem profundo, inteligente e fora do comum, mas ele é mais “feliz” (?). Acho que eles se completariam bem.

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