Revista Complex divulga outtakes da entrevista concedida por Lana Del Rey em 2014

por / sábado, 19 setembro 2015 / Publicado emEntrevistas

Complex outtakes

Em agosto de 2014, Lana Del Rey foi capa da revista Complexconcedeu uma entrevista para a publicação, a qual não foi publicada na íntegra. Mais de um ano depois, o site da Complex divulgou partes da entrevista ainda desconhecidas em comemoração ao lançamento do Honeymoon. Confira a tradução a seguir.


LANA DEL REY FALA SOBRE IDOLATRAR CAT POWER, CONHECER WAINWRIGHT E IGNORAR CONSELHOS AMOROSOS RUINS

O terceiro álbum de Lana Del Rey, “Honeymoon“, foi lançado hoje, apenas 15 meses depois de seu segundo lançamento, “Ultraviolence“, e solidificou seu lugar na história icônica americana. No ano passado ela provou seu poder de permanência tanto como uma das cantoras pop mais amadas do mundo, quanto como uma de seus representantes mais íntimos. Quando ela fala com a imprensa, uma atividade que está se tornando cada vez mais rara, ela parece inevitavelmente criadora de polêmica. Exemplos notáveis no ano passado incluem seus comentários sobre morrer jovem e ser desinteressada no feminismo — ambos os quais Kim Gordon respondeu com algumas palavras bem escolhidas em seu livro de memórias — bem como um encontro com o inventor/magnata/entusiasta-do-futuro Elon Musk.

Quando eu a entrevistei para a capa da Complex de agosto/setembro de 2014, nós tocamos no assunto “mídia”. Mas Lana estava menos preocupada com a conversa, e mais preocupada em encontrar um grupo de colaboradores que respeitassem sua arte e sua perspectiva como um escritora, “como a forma com que Bob Dylan encontrou seus amigos.” Do lado de fora, parece que ela está mais perto do que nunca, trabalhando com sua irmã, a fotógrafa Chuck Grant, para a arte promocional de “Honeymoon“, em parceria com o diretor de Shades of Cool, Jake Nava, para o literalmente explosivo clipe de High by the Beach, contribuindo para o álbum solo de estreia de seu amigo próximo Emile Haynie, que foi produtor executivo de “Born to Die“, e encontrou novas sinergias artísticas com artistas como The Weeknd.

Quanto mais aprendemos sobre Lana, mais completo fica o retrato de um ser humano de verdade. Em comemoração ao lançamento de seu terceiro álbum, revisitamos algumas das citações inéditas da entrevista de 12 de maio de 2014, sobre o telhado de Brooklyn’s Wythe Hotel. Leia elas abaixo.

 

SOBRE PRODUZIR RIDE COM RICK RUBIN

Eu estava compondo o Paradise Edition, e originalmente foi escrito como um álbum seguinte, mas ninguém queria lançar algo oito meses depois. Acabou sendo um relançamento da segunda edição, e eu amei essa demo que fiz com Justin Parker, com quem compus várias coisas como “Video Games” e “Born to Die”, “National Anthem”, e o Ferdy Unger-Hamilton da EMI odiava a música. Então eu acho que ele e Rick vinham se falando e Rick estava tipo, “O que está acontecendo com Lana? Ela pode vir aqui? Eu ouvi dizer que ela está em LA”. Eu achei que deveria ir pra dizer um “Oi” pra ele primeiro. Só dizer um “oi”. Fizemos uma caminhada por Santa Monica, ele faz o mesmo percurso a pé todas as manhãs. Então algumas semanas mais tarde eu lhe trouxe “Ride”, e ele realmente gostou. Trabalhar com ele foi bom, eu ainda estava no meu velho carro, meu velho Mercedes que mal conseguia me levar durante a uma hora e meia de trajeto até a Shangri-La Studios, em Malibu, e foi realmente bom. Ele tem esse belo gramado com todos esses coelhos e palmeiras. Ele foi muito descontraído. Isto foi bom.

 

SOBRE SER FÃ DE RUFUS WAINWRIGHT

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E o amo. Eu tive uma experiência terrível com Rufus Wainwright na verdade. Eu fui por longos anos fã dele e de sua irmã. Na verdade, foi por isso que eu assinei com a gravadora inicial, 5 Points Records, porque o patrão de lá, o David, era grande amigo de Loudon, pai do Rufus. Eu pensei que seria incrível. De qualquer forma, eu estive esperando por muito tempo para conhecê-lo, e eu estava cantando no Montreux Jazz Festival, acho que há dois anos. Eu tive um show muito ruim. Eu não conseguia ouvir nada no palco, porque o meu “ponto” parou de funcionar. Eu estava nos bastidores e Rufus veio dizer “Oi”, e eu estava a tentando cumprimentá-lo entre soluços abafados. Acho que ele pensou que eu era louca.

 

SOBRE SER FÃ DE MARTHA WAINWRIGHT

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Ela é uma das poucas mulheres com quem me identifico.

Eu amo o jeito que ela usa sua voz de uma forma que não tem como explicar. As palavras não são as únicas coisas que contam uma história, suas inflexões também contam. É por isso que eu realmente gosto da Cat Power. Ela é minha maior inspiração feminina de alguma maneira. Eu assinei com o meu primeiro agente, Peter Leak, porque ele estava administrando Martha seis anos atrás, e eu sempre esperei conhecê-la. O show dela foi um dos poucos que eu vi no Bowery Ballroom.

 

SOBRE A PESSOA MAIS IMPORTANTE COM QUEM ELA JÁ DIVIDIU UM CIGARRO

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Provavelmente o meu agente, Ben Mawson, que continua sendo meu agente pelos últimos quatro anos. Ele não fuma mais, mas ele costumava fumar mais do que eu e beber 12 cervejas por dia. Eu o conheci e ele me disse apenas para ir para Londres, e foi o que eu fiz. Eu simplesmente fui e encontrei com ele. Eu acho que eles estavam na Shoreditch House, por isso subimos até o telhado fumar um pouco. Ele sentiu como eu estava realmente preocupada com tudo, e ele me disse que tinha um plano e que tudo ia dar certo, pra eu não me preocupar. Ele era bastante agressivo, e acreditava tanto nas coisas. Então a resposta seria com o Ben, eu imagino.

 

SOBRE FAZER ARTE VS. SATISFAZER OS DESEJOS DA GRAVADORA

Eu entrei na música com certo privilégio com “Video Games” já que ele teve tantas visualizações, e essa foi a razão pela qual Jimmy Iovine, da Interscope, e Ferdy Unger-Hamilton, da Polydor, me chamaram naquele dia e queriam examinar a música e ouvi-la de novo.

Então, eu assinei em condições ótimas, porque nós discutimos que as coisas seriam do meu jeito. Eu gostava de ser parte dessa coisa faça-você-mesmo, tipo, se eu tivesse um single com o qual eles tivessem vontade de investir e divulgar — eu gostava de saber que eu poderia fazer meus próprios vídeos em casa, como eu fiz com “Video Games”. Eventualmente eu fiquei cansada daquilo, de trabalhar com outras pessoas. Mas eu estava em um lugar realmente bom depois que o álbum foi gravado.

Eu acho que a gravadora estava dividida meio-a-meio nesse álbum [Ultraviolence] porque ele tinha um monte de tons de jazz e referências à Costa Oeste. Eu acho que eles estavam felizes por eu estar feliz e ter feito isso, mas não acho que eles sentiam que alguma música dele poderia tocar no rádio. Mas eu meio que senti isso, porque eu tenho uma relação tão boa com Jimmy e Ferdy. Eu tenho trabalhado, “trabalhado” [faz aspas no ar], cantando durante anos. As pessoas mais próximas a mim são, tipo, meu agente e o produtor de vídeo, porque eles são realmente boas pessoas. Os caras da A&R — Larry Jackson e John, são duas pessoas com quem eu sairia à noite. Nós somos muito flexíveis uns com os outros, mas sempre surgem algumas divergências. Por exemplo, as faixas bônus desse álbum — eu achava que elas não tinham nada a ver com o álbum em si, mas acho que o iTunes é tipo, “você vai se ferrar se não fizer uma versão deluxe”. Por isso essas coisas acontecem.

 

SOBRE O PIOR CONSELHO AMOROSO QUE ELA JÁ RECEBEU

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O amor não é fácil e as relações devem ser uma luta. Eu acho que todo o resto é tão difícil que espero que o amor seja a única coisa realmente divertida na relação. Eu tenho alguns conselhos amorosos muito práticos e realistas, mas prefiro não segui-los. É a mesma coisa com o dinheiro. Você tem que trabalhar a vida toda, ralar muito pra poder receber pelo o que você faz. Eu acho que talvez a melhor estratégia seja se apaixonar pelo o que você faz e esperar que isso, economicamente falando, seja o suficiente para que você tenha uma boa vida.

 

Por Dana Dropo
Tradução por Glauberth Viana e Pedro Bossonario
Revisão por Raphaella Paiva

Em nossa galeria você pode conferir o ensaio fotográfico feito na época para a revista.

Redação LDRA
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