‘Eu tive um monte de imagens com lindas cores em néon’, Lana Del Rey fala sobre Music To Watch Boys To à rádio Triple J

por / segunda-feira, 21 setembro 2015 / Publicado emEntrevistas

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Enquanto Lana Del Rey esteve promovendo “Honeymoon” em Paris, ela concedeu uma entrevista por telefone à rádio australiana Triple J que foi ao ar na manhã dessa segunda-feira (21). Ela fala sobre o clipe de Music To Watch Boys To, a capa do novo álbum, os motivos de “Ultraviolence” ter tido poucos vídeos, Mark Ronson, backing vocals e turnê em 2016.

Confira o áudio original e, logo abaixo, a tradução.


Veronica Milsom: Veronica & Lewis na Triple J. E nós somos muito sortudos porque Lana Del Rey está se unindo a nós por telefone agora! Como você vai, Lana?
Lana Del Rey: Hey, eu vou bem! Obrigada.

Lewis Hobba: Quais são suas novidades?
Hmm… Agora eu estou em Paris e estou basicamente fazendo um pouco de divulgação do meu álbum.

L: Sim, legal! Nós gostamos bastante do álbum, particularmente High By The Beach — nós acabamos de tocar o primeiro single. Há várias faixas no álbum, 14 ao todo. Você teve muito material com que trabalhar quando estava organizando as faixas e tal?
Hmm… Não muito, quero dizer, eu acho que trabalhei com umas 17 músicas do último ano pra cá, e então eu soube quais das 14 eu queria. Quero dizer, eu sabia que queria encerrar com um cover, da mesma forma que fiz com o álbum do ano passado, tipo, o cover da Simone. Eu gostei da ideia de continuar a tradição, então… Eu meio que tinha uma ideia do que eu queria fazer, mas eu não tinha nenhum material antigo que eu quisesse…

L: Eu sei que você disse que Music To Watch Boys To era uma das suas músicas favoritas do álbum. Por quê?
Eu gosto do som dela. É basicamente só… Eu gosto da atmosfera que ela carrega, bem exuberante. Eu gosto da melodia também.

V: As letras são, em sua maioria, meio autobiográficas ou elas são coisas imaginadas?
Sabe, eu não me sinto muito atraída, tipo, a escrever coisas que eu fiz ao longo desse ano. Então… não é que elas não sejam [autobiográficas], é só que… Eu sinto que ele é meio que um álbum do meu estado de espírito, onde eu acho que não é como a maioria das minhas músicas antigas onde eu queria contar um pouco da minha história. Mas definitivamente há algumas canções — eu não sei, como Terrence Loves You que é mais pessoal, enquanto em Music To Watch Boys To eu brinquei um pouco mais, imaginativamente.

V: O que você quer dizer com “álbum de estado de espírito”? Tipo, como você descreveria o que é isso?
É um álbum com as minhas vibes, porque essa é a vibe [risos] da maioria das letras… [risos] Mas — obviamente, eu gosto de brincar com as palavras, elas são importantes pra mim — mas às vezes a paisagem sonora ou a atmosfera sonora são tão importantes quanto. Mas… eu não sei, eu me diverti mais ao brincar um pouco com a produção das faixas, eu acho, e eu me diverti mais do que nas outras vezes.

L: Hm. Triple J, aqui são Veronica & Lewis, eu estou conversando com a Lana Del Rey. E, Lana, você compôs com o Rick Nowels, que é um compositor legendário que produziu para pessoas como Madonna, e Robin e Sia. Como foi trabalhar com ele em outro álbum?
Foi ótimo, ele… Eu sinto como se ele fosse um tipo de parceiro, um amigo, eu o vejo todos os dias… E eu acho que ele é um produtor incrível, nós nos divertíamos todos os dias.

V: Então vocês, meio que, se sentavam numa sala e simplesmente compunham, produziam músicas, melodias… É assim que funciona? Vocês faziam tudo juntos?
Hmm… No meu caso — apesar do Rick ser um compositor incrível — comigo ele vem produzindo [os sons] pelos últimos cinco anos. Quero dizer, ele também toca teclado, então se tem alguma melodia que precisa do som de um teclado ou algo assim, é ele quem toca, porque eu não toco piano. Mas escrever letras e a melodia delas é o que eu faço, enquanto a produção é o Rick quem faz, e ele é muito bom. Mas, hmm… Depende do dia — às vezes eu tinha algo em mente e levava pra ele, e às vezes eu não tinha nada e ele me mostrava alguns acordes, e eu os usava.

L: É, legal, porque você gosta de colaborar com as pessoas, você já colaborou antes com Dan Auerbach, do The Black Keys… Você curtiu colaborar com alguém novo nesse álbum?
Na verdade eu fiz tudo com o Rick.

L: Legal [risos] [risos] É.

L: Certo.
É, eu só fiquei em casa.

L: Tudo bem [risos] E ano passado, quando eu vi o Dan [risos] Eu, na verdade, levei para o Dan o álbum que eu já tinha feito com o Rick, para meio que mudar a vibe dele, deixá-lo um pouco mais obscuro.

V: Então, havia rumores de que você iria trabalhar com Mark Ronson nesse álbum, mas isso era simplesmente… falso?
Não. Eu ia trabalhar com o Mark, mas… Eu acho que, tipo, o single dele estava fazendo tanto sucesso [risos] Então ele ficou na cidade por três dias, mas ele rapidamente chegou e já teve que partir, então… Nós basicamente… Nós tentamos, mas ele não tinha muito
tempo.

V: Nós estamos com Lana Del Rey por telefone agora.  E, Lana, os videoclipes que vieram do álbum até agora são tão lindos — Honeymoon foi incrível e agora Music To Watch Boys To com essas mulheres flutuando no oceano. Você está envolvida artisticamente nessa criação?
[risos] Sim, definitivamente. Eu criei um roteiro para o clipe. E, tipo, o clipe de Music To Watch Boys To vai sair na semana que vem, provavelmente, mas a gravação das garotas na água na verdade são do ano passado, de algo que eu estava trabalhando sozinha. Eu não pude usá-las antes, então meio que reformulei a ideia sobre essas garotas na água, e Kinga Burza tirou a ideia a partir daí — ela é a diretora — e ela meio que elaborou algo ao redor disso.

L: É. Muitos devem pensar que, como você disse, o álbum foi baseado num estado de espírito, ele é bastante cinematográfico. Você tem imagens na sua cabeça quando está compondo?
Sim! Quero dizer, eu com certeza tive algumas imagens com esse álbum. Eu acho que com o “Ultraviolence” eu não tive essa imagética e, pensando sobre isso agora, eu acho que é por isso que ele não teve tantos videoclipes. Mas com esse eu tive um monte de imagens com, tipo, lindas cores em néon e… eu amo trabalhos de câmera subaquáticas, então… Nós usamos bastante isso nas coisas que estão por vir.

V: Nós lembramos de ter ouvido que você estaria migrando mais para os filmes e tal. Isso é ainda algo que você pensa em fazer?
Sabe… Eu não faço ideia [risos] Eu acho que… Eu realmente amo trilhas sonoras e eu gosto de editar coisas pra curta-metragens, então eu não sei. Eu espero que um dia eu faça coisas interessantes em filmes, no futuro.

L: Sim. E falando sobre toda a imagética, a capa do álbum é realmente incrível — você está em um ônibus da Starline Tour [risos], que é uma linha de turismo que leva as pessoas para as casas das celebridades em Hollywood.
Isso.

L: Qual foi a ideia por trás disso?
Bem… Minha irmã tirou essa foto depois de já termos feito o ensaio para a capa, e o ensaio da capa original era incrível, mas eu sentia como se estivesse faltando algo, então… Sabe, eu tinha essa ideia de alugar um ônibus e fazer um tour por Bel-Air, tirando algumas fotografias. É uma espécie de comentário esquecido sobre voyeurismo e anti-voyeurismo, de que lado você está.

V: Você algum dia já esteve, de fato, em um desses ônibus?
Sim [risos] Sabe de uma coisa? Eu nunca estive em um desses ônibus pra valer, mas eu acho que, se ninguém fosse me reconhecer, eu provavelmente teria estado em um [risos] Mas… Eu não sei, acho que seria bem estranho.

V: Há bastante vocais de fundo, o que eu realmente amei nesse álbum, várias vozes diferentes. Você faria uma turnê com uma banda grande e backing vocals com esse álbum?
Hmm… Sabe, era exatamente sobre isso o que eu estava pensando agora. Eu estava pensando sobre quantas pessoas eu quero levar comigo na estrada, porque eu estive fazendo turnê com os mesmos quatro caras da minha banda e com a mesma equipe por, tipo, um ano. Sabe, eu sou muito fã, tipo, dos primeiros shows da Whitney Houston, em que ela levava tantos backing vocals e… Eu não sei, eu meio que estou pronta pra fazer algo um pouco diferente, então sim, eu estou pensando sobre isso.

V: Você tem algum plano pra vir a Austrália por agora?
Hmm… Eu acho que se eu fosse fazer uma outra turnê de verdade, Austrália é um dos primeiros lugares nos quais estou pensando, além do Oriente Médio. Então, sim. Porque eu fiz uma turnê incrível na Austrália — parece que foi há um longo tempo — mas eu fiquei meio chocada sobre como esse show foi pra mim.

L: Sim, foi grandioso. Veronica e eu estávamos lá, e eu lembro que nós mal cabíamos na tenda da imprensa [risos] Então foi um dos shows mais cheios do festival.
Oh, sim, aquilo foi incrível. Porque, fora esse show, eu acho que toquei em seis outros lugares, mas esse… esse foi um grande momento pra mim. Eu me lembro disso.

V: Então, é incrível que você esteja querendo tocar no Oriente Médio. Onde você acha que gostaria de fazer turnê por lá?
Eu adoraria ir para o Catar e Kuwait.

L: Certo. Você tem muitos fãs por lá?
Sim.

L: Oh, legal! Oriente Médio e Austrália!
[risos] Sim!

L: Incrível! Bem, Lana Del Rey. Muito obrigada por ter tirado um tempo pra conversar com a gente, nós estamos amando seu novo álbum, “Honeymoon”, parabéns por ele!
Obrigada!

L: E, esperançosamente, nós nos veremos em breve, seja no Catar ou na Austrália.
[risos] Eu espero que sim. Obrigada.

Por Veronica Milsom e Lewis Hobba
Tradução por Raphaella Paiva

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • João Vianini

    Oriente Médio e Austrália… E Brasil, claro.

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