Confira as críticas dos principais sites e revistas especializadas sobre ‘Honeymoon’, o novo álbum de Lana Del Rey

por / sexta-feira, 18 setembro 2015 / Publicado emNotícias

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Pouco mais de um ano após o lançamento de Ultraviolence, seu segundo (e aclamado) álbum de estúdio, Lana Del Rey inicia uma nova “era” com o lançamento de Honeymoon, um dos álbuns mais esperados do ano — já #1 no iTunes! Além da resenha do The New York Times (clique no link para acessá-la), compilamos a seguir as traduções de algumas das críticas de jornais, revistas e publicações importantes do segmento musical internacional.

Além disso, já foi divulgada a nota do álbum no Metacritic. O site faz uma “média” das notas que os sites e revistas especializados em músicas dão a qualquer obra (filme, música, álbum) e os coloca em uma espécie de ranking. Lana Del Rey conseguiu uma nota 79 de 100, a maior que a cantora já obteve (lembrando que ela pode aumentar ou diminuir de acordo com as seguintes críticas).

Confira o ranking completo e, logo abaixo, acompanhe as críticas traduzidas:

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NME (4/5): Lana Del Rey – Honeymoon. O som e tristeza permanecem os mesmos nas 14 elegantes faixas

No início deste ano, Lana Del Rey disse que seu terceiro álbum ‘Honeymoon‘ seria “muito diferente” do anterior, ‘Ultraviolence‘ de 2014.

Naquele álbum vimos a cantora de “Video Games” trabalhar com o vocalista do The Black Keys, Dan Auerbach, para despir os elementos mais modernos do “Born To Die” em troca de uma sensação vintage e esfumaçada. A constante era a personagem que Del Rey — nome verdadeiro Lizzie Grant — fomentou: a mórbida femme fatale, um adicional extra de um filme do Tim Burton, o sensual rosto de tristeza.

Após três álbuns, o desafio de ‘Honeymoon‘ não é apenas se reconectar com o público que foi ganhado pelo “Born To Die“, mas também ver o quanto ela consegue desenvolver essa personagem antes que ela se torne caricata. É o álbum em que ela pode aumentar seu mundo ou distribuir papéis a si mesma para sempre, mas as palavras “muito diferente” eram um exagero — bad boys, tristeza, mortalidade e o mito da Califórnia ainda estão no menu, mesmo se suas batidas nítidas tragam o álbum de volta a 2015.

O vídeo tremido para a faixa-título mostra a cantora se deitando em uma serra ao lado de uma rodovia, um livro desgastado nas mãos; a música soa como um tema para um deserto filme do James Bond dirigido por Lars Von Trier. Del Rey, aparentemente, esteve entre as opções para a música-tema de Spectre, e trilhas sonoras de espionagem fazem parte da maioria do álbum, desde a absorta ‘God Knows I Tried’ até a calmamente poderosa ‘Terence Loves You’. Fora do modo-Bond, o clima é sensual e torturado, o ritmo lento e intenso, mesmo quando sustentado por batidas de hip hop que influenciaram canções como ‘High By The Beach’.

Inebriante de ouvir, ‘Honeymoon‘ é projetado para o brilho dos néons vermelhos de um sombrio cabaret, uma resposta californiana às canções tradicionais. Suas letras são puxadas das garras da tragédia, e suas melodias evocam o inquieto estado entre a vigília e o sonho. Lana parece mais frágil e mais humana neste momento. E isso faz você pensar: talvez não seja um personagem, afinal.

Por Dan Stubbs
Tradução de Rita Miranda e Raphaella Paiva

Rolling Stone (4/5): O terceiro álbum da enigmática estrela é atraente sem quebrar seu feitiço sexy e sombrio

Uma lua de mel com Lana Del Rey é mais pegajosa do que doce: Prepare-se para entrar em um mundo de um verdadeiro romance torturado, completado com um amargor suficiente, luxúria e violência para o renascimento de uma mulher ao estilo Quem Tem Medo de Virginia Wolf? Se o LP de 2014 ao som de guitarras, “Ultraviolence“, foi uma noite casual com um novo som, sua manhã seguinte — é o momento em que Del Rey retorna ao que ela mais sabe fazer.
Os arranjos de cordas taciturnos e cinematográficos na faixa-título e o saudoso ponto alto, Music To Watch Boys To, relembram sua estreia de 2012. Ela entra com tudo no pop em seu single chiclete High By The Beach e na atraente por excelência, Freak; a batida de baixo e a despreocupação envolvente dessa última canção lembram sua recente colaboração com The Weeknd de um modo animador.

Del Rey flerta com a intelectualidade dos anos 60 ao longo do “Honeymoon“, referenciando o Major Tom do David Bowie na Terrence Loves You e narrando um monólogo do sonho hippie sobre o espaço e o tempo no interlúdio Burnt Norton. A maior surpresa aqui vem na faixa de encerramento — um inesperado otimismo toma conta do clássico de Nina Simone, Don’t Let Me Be Misunderstood, que é interpretado como um tiro não muito velado a seus críticos. Independente de suas intenções, eles a lideraram rumo a sua música mais genuinamente eletrizante.

Por Brittany Spanos
Tradução por Raphaella Paiva

Billboard (3.5/5): ‘Honeymoon’, o álbum noir de Lana Del Rey prova que ela não deveria ser subestimada — Crítica do álbum

Lana Del Rey frequentemente discute sua adoração por Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor, e em seu terceiro álbum, “Honeymoon“, ela compõe letras que se referem a ‘Rapper’s Delight’, a ‘Space Oddity’ de David Bowie, ao Eagles, Chet Baker e Billie Holiday. Com cada letra, foto e gesto, ela adiciona outra peça a seu quadro de inspirações: ela teve o penteado de Priscilla Presley e os olhos maquiados de Julie Christie. Mas a antecedente mais óbvia de Del Rey é Barbara Stanwyck, a grande atriz de filme noir que, em 1940 e 1950, costumou interpretar uma femme fatale insolente que usa astúcia e sexualidade para ganhar sua independência de um casamento opressivo. E se for possível imaginar Stanwyck dizendo, “My pussy tastes like Pepsi-Cola,” uma das letras mais hilárias e infames de Del Rey, isso só significa que ela aumentou a aposta.

Desde a estreia de seu primeiro grande single, Video Games, em 2011, e do álbum “Born to Die” no ano seguinte, Del Rey tem incitado críticas que mais parecem tentativas de assassinato; muitas das críticas a denunciam pelo papel submisso que ela toma em suas canções, até mesmo o jeito maleável com que ela chama seu ex de “baby” na hollywoodiana Terrence Loves You. Mas como qualquer fã de noir sabe, isso é só uma isca.

“Eu gosto muito de você, então faço o que você quer”, ela canta na abertura de Music To Watch Boys To, a segunda canção de “Honeymoon“, e um de seus destaques. Sua voz é rodeada de neblina; ela soa atordoada, quase intimidada, entre a vazia, lenta e fria música — principalmente feita de cordas e instrumentos de sopro — a qual, em seu Instagram, ela comparou ao trabalho exótico do compositor Les Baxter, no início dos anos 60. Então a mudança: “Eu sei o que somente as garotas sabem/Mentiras podem comprar a eternidade,” ela declara, dócil como uma pantera, expondo seu coração frio. Quando seu amante, a quem ela pretendia se submeter, atravessa a porta, sua pulsação nem ao menos se eleva: “Eu clico no botão ‘gravar’ e observo você partir”. Uma lua de mel é maravilhosa, mas também é breve.

Essa tranquilidade sem coração é a marca de uma femme fatale. “Eu nunca amei você, Walter”, Barbara Stanwyck murmura na cena climática de Pacto de Sangue, momentos antes de Walter assassiná-la. “Nem você nem ninguém”. No noir, a morte da femme fatale é inevitável, porque não há uma forma de ela sobreviver em um mundo cruel. Del Rey, que tem uma fixação pela morte (“Eu tenho medo de morrer, mas eu quero morrer”, ela disse a um repórter, ano passado), compreende isso.

Em seu álbum anterior, o fantástico “Ultraviolence“, o produtor Dan Auerbach, do The Black Keys, interrompeu suas músicas com rajadas e vibrações de guitarra. “Honeymoon” apaga a maioria das influências modernas de Del Rey — “Born to Die” foi traçado em hip-hop — para mostrar mais sua voz sepulcral e sua dicção de alto estilo, nos quais o melisma é tão arbitrário que quase parece determinado por arremessos do Livro das Mutações. Suas letras dessa vez são menos detalhadas e cotáveis, e há uma determinação contínua em responder e provocar críticos, desde a letra que abre o álbum “Nós dois sabemos que não é de bom gosto me amar” (Del Rey arrasta nove palavras por mais ou menos doze segundos) até o cover de Don’t Let Me Be Misunderstood que o encerra. Okay. Nós entendemos.

E pelo fato de ela (justificadamente) se sentir mal interpretada, ela começou a dar ao mundo uma amostra da fraude que ela vem enfrentando, na esperança de que as pessoas parem de subestimá-la. Há um bocado de tristeza em “Honeymoon“, mas há também raiva, violência, loucura, amargura, e comédia (a resposta adequada a Salvatore — onde ela murmura em italiano como uma colegial que acabou de assistir La Dolce Vita pela primeira vez e canta “Prenda-me se for capaz, trabalhando em meu bronzeado” — é um riso encantado), mesmo que esteja escondida na música sem muito afeto, faz Mazzy Star soar como Stock Aitken Waterman. Por debaixo da cobertura noturna, Del Rey tem explorado grandes ideias sobre erotismo, drogas, mito, a vazia promessa de ‘só se vive uma vez’, o que significa ser uma mulher, e a alma americana. Mas, é claro, continua a escrevendo como “triste”.

Por Rob Tannenbaum
Tradução por Raphaella Paiva

The Guardian (4/5): Crítica de Honeymoon — O indulgente e sofisticado terceiro álbum

A materialização do Honeymoon sugere estrito controle criativo: houve imprensa mínima — uma notável entrevista com o amigo/ “superfã” James Franco — o álbum foi tocado para o público na Urban Outfitters, e a equipe de produção limitou-se à própria Del Rey, Kieron Menzies (engenheiro de longa data) e o produtor de Born to Die/Ultraviolence, Rick Nowels. O álbum resultante é naturalmente indulgente, mas o mais sofisticado e refinado até agora. As suas músicas do tipo trilha sonora são lentamente sabotadoras, aspirando um Rat Pack romântico e que geralmente dá certo. Aparecem nele temas familiares: lendas hollywoodianas assombram em “Terrence Loves You” enquanto a moralidade se torna complicada em “God Knows I Tried”(“eu não tenho muito mais pelo que viver/ desde que encontrei minha fama), e ela ainda simpatiza com homens desonestos, mas, ao invés de motoqueiros transando em máquinas de pinball, ela está agora metida com a máfia. Com um pouco do estilo “chopped-and-screwed” moderno, pitadas de jazz e uma atmosfera musical parecida com Morricone, há uma eternidade em Honeymoon, e uma intriga que deve permanecer por mais tempo que seus LPs anteriores.

Por Harriet Gibsone
Tradução por Yeda Salomão

The Telegraph (4/5): Crítica de Honeymoon — uma melancolia de mãos bem cuidadas

Lana tem a tristeza, “Estou com minha unha pintada de azul/ É minha cor favorita e meu tom favorito de música,” a nova iorquina murmura em The Blackest Day. Isso é um conceito patenteado de Del Rey, combinando sua maquiagem com seu humor, levantando um sorriso irônico entre uma melancolia de mãos bem cuidadas.

Honeymoon, o terceiro álbum de Del Rey, é um estudo narcisista na infelicidade. Ele é um álbum de suspiros e sussurros, vocais sutilmente em camadas até que se multiplique em uma mistura de vozes em um suave cantarolar, melodias que preguiçosamente desenrolam como um sonho narcoléptico, linhas de violão de repetição solitárias, cadeias que vislumbram em uma neblina de calor e padrões de batidas tão contidos que eles são quase constrangidos para chamar a atenção para si mesmos.

Ao andar da carruagem das carreiras pop, o verdadeiro período de lua de mel que Del Rey teve foi breve, até pelos padrões rápidos da era do Twitter. Em 2011, ela lançou um magnífico videoclipe caseiro e o mundo se apaixonou por sua sedução, antes de a cercar de ataques misóginos, olhadelas, denunciando seu suposto artifício de ser fabricada, como se o pop moderno fosse uma espécie de instituto da autenticidade. Ela se retirou, ferida e preparada para combate, mas cada novo lançamento confirma a sua posição como um artista genuinamente original que trata a sua carreira como uma espécie de instalação da arte viva. Nascida como Elizabeth Woolridge Grant, Del Rey é, de fato, a espécie mais autêntica da falsificação. Sua obsessão por sua própria pessoa inventada apoia um espelho para esses que são obcecados com sua própria imagem.

Honeymoon é seu álbum mais solitário até agora. Embora seja coescrito e produzido com o colaborador de longo prazo Rick Nowels, você pode sentir abertamente a presença de outra pessoa nessas baladas de um amor mau, assuntos destinados a homens cruéis e tentativas de fuga. Del Rey uma vez se autointitulou como uma Nancy Sinatra Gangsta, mas aqui ela se aprofundou na loucura de um mundo de espelhos que se parece com o Instagram de Norma Desmond, vagando por sua mansão de Hollywood, postando selfies para comprovar que ela está ainda pronta para ser vista de perto.

Se você levou isso para um sentido muito literal, você poderia temer a saúde emocional e mental de Del Rey, mas há bastante provas para mostrar que ela permanece no controle. Como um experimento da arte, Honeymoon é magnífico, e tem de ser ouvido no contexto com a sua atmosfera de vídeos caseiros. Mas como música pop, ele pode cair um bocado na chatice. A rara desenvoltura de Music To Watch Boys To me lembra do hip hop de Lana em seu álbum de 2012, Born To Die, enquanto God Knows I Tried é um regresso sedutor rumo ao dramático e torturante Ultraviolence. Muitas canções do Honeymoon desenrolam-se em uma trajetória implacavelmente pessimista, no mesmo ritmo e nota, indo à deriva por um humor anestésico. Aqui, a tristeza é uma pose e não uma emoção. Honeymoon é um álbum ambiente para hipsters de coração partido: uma música de fundo em chamas.

Por Neil McCormick
Tradução por Marcos Cz

Gigwise (7/10): Há pouco aqui para ganhar os céticos — mas essa era a intenção de Del Rey

“Nós dois sabemos que não é de bom gosto me amar.” Assim começa a faixa de abertura do quarto álbum de Lana Del Rey. Um suave aceno àqueles que se regozijam em denunciar o seu talento, talvez. Ou apenas Del Rey escorrega ainda mais para a submissão autodepreciativa que ela carinhosamente guarda. De qualquer maneira, é um começo que nos prende.

O que se segue é um album com mais sutileza e contenção do que muitos esperaram. Em algum lugar entre o trip hop de “Born to Die” e a guitarra pesada de “Ultraviolence“, o álbum trai a confiança suprema de um músico completamente desinteressado com a ideia de ganhar as pessoas. Não tem nenhuma urgência, alguns singles óbvios e pouco alarde. Ele demanda repetidas reproduções do ouvinte, e não tenha dúvidas de que você se sentirá na obrigação.

E, assim, melodias como em “Terremce Loves You” são frequentemente desenvolvidas de uma forma tão sensual que elas se arriscam a parar no tempo. Na verdade, Del Rey parece estar mais interessada em usar sua voz, oscilando e aumentando em torno das notas de forma não necessariamente harmoniosa, mas que se unem, simplesmente como um outro instrumento — destinadas a desaparecerem dentro, e não de fora, da orquestra ao fundo.

Gotejando uma certa de nostalgia imaginada, “Honeymoon” ainda se agarra aos temas nos quais Del Rey é tão apaixonada — filmes de Hollywood, jazz, poesia Beat, e uma passividade consumadora um tanto romantizada. Ocasionalmente, de fato, corre o risco de parecer uma paródia de si mesma. “Eu gosto muito de você,” ela canta em Music To Watch Boys To, “Então eu faço o que você quer”.

Claro, ao levar isso de forma literal, perde-se a oblíqua autociência que às vezes emerge da superfície “Eu não eu não tenho muito mais pelo que viver/Desde que encontrei minha fama”, por exemplo, parece uma inconfundível referência à notória entrevista sobre querer estar morta.

Mas a persona que Del Rey criou eventualmente se desgasta, ela canta em Religion, “Você é minha religião, você é como eu vivo / Quando todos os meus amigos dizem que eu deveria me afastar / Bem, eu não consigo visualizar isso por um minuto sequer”, é difícil não parar para abafar um suspiro, e silenciosamente, ela irá reconsiderar o conselho de seus amigos.

O trap e o hip-hop que influencia High By The Beach, vem na melhor hora. É um revigorante pontapé de energia, e um raro momento de desconfiança “A verdade é que eu nunca caí nas suas besteiras / Enquanto você pagava um tributo para mim, porque eu sei que / Tudo o que eu quero é ficar chapada na praia”. Com isso, Del Rey desliza para fora da assertiva compreensão da canção e resolve voltar para seus antigos caminhos tristes.

Com sua melancolia, oscilando melodias e letras implacavelmente mansas, há pouco em Honeymoon, para convencer os mais céticos, mas, suspeita-se, que essa era a intenção de Del Rey.

Por Alexandra Pollard
Tradução por Dandara Marangon

Contact Music (4.5/5): Crítica do álbum “Honeymoon” de Lana Del Rey

Neste mundo um tanto hipócrita e cínico no qual vivemos, onde tudo é analisado ao grau enésimo e se passa mais tempo vendo falhas e defeitos do que realização e obra artística, seria bastante fácil ser irrisório sobre Lana Del Rey (muitos dos seus caluniadores já foram). Acho que alguns são mais felizes só por escolher buracos, enquanto outros não pegaram o ponto e não entenderam. De qualquer forma, eles que estão a perder.

Lana Del Rey é única. Toda a sua imagem, personalidade, estilo, canção escrita e entrega é incomparável no cenário musical atual. Se você acha que isso é conceitual ou clichê, realmente não importa para mim porque o resultado final é a música sublime. Ela pode ser ridicularizada e imitada em igual medida, mas ninguém faz o que ela faz tão bem; não há ninguém que possa alcançar a proeza de cantar músicas tão emocionais.

Lana Del Rey é como um sonho de David Lynch personificado. Ela flerta com o decadente, o desprezível e a subversão, mas vende a cantora sedutora e sensual tão bem. Lana vive em um mundo entre crepúsculos, onde a luz das lâmpadas e sombras criam um sentimento de presságio de mau agouro. É um prazer culpado que reside em um submundo mal iluminado perversamente atraente. Em seu quarto álbum, “Honeymoon“, Lana mal põe os pés na luz do dia, ela habita um mundo de vestidos de festas e saltos agulha, largos ternos com risquinhos de trespasse e sapatos rústicos, papel de parede de bolinhas, veludo e mais veludo — e você tem que admitir, ela está em seu melhor.

Honeymoon” é temperamental, mais escuro e mais melancólico do que cada um de seus álbuns anteriores, mas também o mais consistente e coeso. As referências à cultura popular que Lana é tão adepta se juntam nas letras do seu mais recente álbum. Bob Dylan, Bowie, Jessie J, The Sugarhill Gang, Foreigner e Eagles são todos apanhados ao longo do caminho, misturando-se perfeitamente com frases familiares, observações inteligentes e um humor irônico. Há alguns momentos líricos brilhantes em “Honeymoon“. Lana não só é capaz de ressurgir ditados como “não tenha restrições” e ‘”diz-me com quem andas, direi quem tu és”, mas ela também é capaz de muito mais. Não é fácil cantar sobre o anonimato (Freak) ou ter a arte de rimar “Art Deco” com “gueto” e “bronze”, mas Lana Del Rey gerencia isso com facilidade.

Lana em seu último lançamento, no entanto, não é só sensual e sedutora e com vocais às vezes angelicais, é também mais do que nunca um álbum sobre a paisagem sonora que acompanha essa voz suntuosa. A orquestra e instrumentação são espetaculares e toda a sua produção é impecável. Há sequências de guitarra ao estilo John Barry (que se parece com a trilha sonora de Bond em Terence Loves You), batidas de tambor no primeiro single do álbum, High By The Beach, e guitarras ao fundo em camadas harmoniosas em God Know I Tried. O álbum inteiro é cheio de criatividade soberba. Há momentos de intimidade real, bem como paisagens sonoras cinematográficas gloriosamente épicas que pontuam “Honeymoon“… E cada um é alegremente magnífico. As três faixas consecutivas Religion, Salvatore e The Blackest Day fazem valer a pena comprar o álbum.

Para fechar “Honeymoon”, Lana Del Rey — um pouco ironicamente ou não — opta por fazer a sua interpretação do clássico Don’t Let Me Be Misunderstood. Seu vocal enfumaçado é perfeito para a música e a produção muito bem trabalhada funciona como um contratempo perfeito. É um acabamento fabuloso para um álbum fantástico.

Por Andrew Lockwood
Tradução por Marcos Cz

Slant Magazine (3/5): Lana Del Rey – Honeymoon

O álbum Honeymoon da Lana Del Rey se concentra não na felicidade da fuga romântica, mas sim, ainda mais previsivelmente, nos confortos dos tempos distantes na residência de solidão melancólica de alguém. De certo modo, essa é uma extensão do último álbum, Ultraviolence, onde a “fetichização” de Del Rey (algumas vezes jocosa) da sua preferida e romântica — ou antirromântica — submissão se torna alienadora. Mas é onde, ao menos, o público dirigido que queria ou simpatizava se impressionaram com aquela música, o escasso dramático de arranjos em Honeymoon sugerem uma enorme abstinência de qualquer presença que desafie a própria da Del Rey. 

Ausente é a autoconfiança, ligado à batida motorik o qual sustentou o pop insinuativo de Born To Die, de 2012, junto com o clima noir das melodias e a dinâmica do rock do integrante do The Black Keys, Dan Auerbach, trazida para o pesado Ultraviolence. Honeymoon foi escrito e produzido inteiramente por Del Rey e dois de seus mais próximos colaboradores, Rick Nowels e Kieron Menzies, resultando em tanto no seu álbum menos belo, como no mais longo. É uma hora inteira de expressiva inexpressividade musical — puro solipsismo como uma escolha visual.

Por um momento, a falta de pretensão se traduz com grande força. O minimalismo emocionalmente ressonante das músicas, como o da faixa-título,existe como proposta de presságio do álbum, e a balada de amor não correspondido em Terrence Loves You e God Knows I Tried empurra os vocais de Del Rey para o centro da música, oferecendo pouco mais além disso, salve para o baixo, distante e estrondoso serrado dos acordes das cordas e dos pianos, para distrair do lirismo único de Del Rey, como a linha do history of violence que assusta em “Honeymoon” e a linha multicanal I still get trashed” em “Terrence Loves You”.

Por um momento, a falta de pretensão de “Honeymoon” pode ser traduzida como uma incrível força.

Ajuda o fato de que essas músicas mostram Del Rey menos dependente em relações dominadoras para preencher o seu vácuo interior e sim a se refugiar dessas situações em detrito da sua própria arte, ou de outros. No mundo de Del Rey, uma sessão de lamentações tarde da noite, enquanto escuta músicas de um ex, se entrega para uma divina intervenção de uma faixa de David Bowie, e Hotel California pode fazer uma alma autodestrutiva “se sentir livre”. Artificial como todo conceito da Lana Del Rey sempre foi; distanciar um personagem de preocupações mortais e assimilar isso dentro de uma amostra que foi se formando com o tempo pode levar a um tipo de catarse.

Mas isso também pode ser um beco sem saída. Algumas vezes Del Rey não consegue gerenciar mais do que vazias apropriações de suas influências, como na faixa genérica da Gaga, “Art Deco”, na desnecessária recitação de T.S. Eliot“Four Quartets” em “Burnt Norton (Interlude)”, ou no inacabável réquiem detérmino de namoro, “The Blackest Day”, no qual repetidamente cita Billie Holiday mais como um elemento de estilização do que porque a Lana demonstra qualquer entendimento da paixão comandada por Lady Day. A natureza superficial de algumas músicas seriam um pouco mais boas se elas também não fossem pegas em um compromisso inacessível entre ambição pop e obrigação temática.

Tão pouco de Honeymoon, além do clímax inicial e dançante do single principal, “High by the Beach”, que se distingue para um ritmo usual e uniformemente frio — toda a batida e refrões entregados sem nenhum entusiasmo. É o primeiro álbum de Del Rey que falhou em encontrar algum tipo de forma dinâmica, e mesmo que isso provavelmente tenha sido uma decisão intencional, nos leva ao esperado final, um cover de uma música conhecida de Nina Simone, “Don’t Let Me Be Misunderstood”, estranhamente inconveniente. Del Rey novamente se apropria, dessa vez usando a mensagem da Sra. Simone que tinha o objetivo de endereçar as críticas lançadas nela por causa de uma carreira conflituosa, mas ironicamente, o acumulo descontroladamente desigual deixa essa compositora quixotesca mais vulnerável para os críticos como nunca antes.

Por Sam C. Mac
Tradução por Marcela Oliveira

The Line of Best Fit (8.5/10): Lana Del Rey — Honeymoon

As palavras de abertura do “Honeymoon“, terceiro álbum de Lana Del Rey, são “Nós dois sabemos que não é de bom gosto me amar”. É um descrição adequada de seu relacionamento com os personagens que habitam suas canções e suas críticas. É também um jeito gloriosamente despreocupado de abrir seu álbum mais lindo lançado até a data.

Apesar de ter criado um legendário rebuliço viral com Video Games, em 2011, quando ela lançou “Born to Die“, perguntas foram feitas, principalmente quem era a ‘equipe por trás de Lana Del Rey’ (porque obviamente ela era boa demais para ser verdade) e se ela era uma antifeminista.

A prova de que tudo isso era aparentemente uma pegadinha foi confirmada por algumas pessoas quando surgiu o assunto de que ela já havia sido lançada sob seu verdadeiro nome, Lizzy Grant. Alguns dos comentários na época não ajudaram — a autodescrição de ‘Nancy Sinatra gângster’ foi extremamente comparada com a graça natural de músicas como Summertime Sadness. No entanto, quando ela lançou seu sucessor “Ultraviolence“, o jogo pareceu mudar.

Mesmo com ela se achando amaldiçoada com um exaustivo louvor. Uma artigo a descreveu como uma “misantropa de todos os tipos”, mas isso se perdeu de sua música — o que sustenta suas canções é a palavra de quatro letras: amor. E amor é tudo o que vemos em “Honeymoon“. Significativamente, diferente de “Born to Die” com seus incontáveis produtores e “Ultraviolence“, que pegou emprestada a maravilhosa produção de Dan Auerbach, “Honeymoon” parece mais autônomo e, como resultado, ela nunca soou melhor.

A faixa de abertura a mostra apaixonada, se bem que não apaixonada no sentido perfeito da palavra. Com sua voz rica e arrastada, acompanhada de grandes acordes e piano, soa como se ela tivesse contratado o maestro John Barry para preparar os arranjos, e é a primeira de muitas músicas aqui que faz alguém se perguntar o porquê do tema do filme de James Bond ter sido dado a Sam Smith. Mas amor não é sempre complicado em “Honeymoon“, a adorável Freak o compara com um verão sem fim (“Venha para a Califórnia, seja uma aberração como eu”). Mas esse abandono como plano de fundo é um desejo de dar as costas à fama e curtir uma vida mais simples, o que acontece de ser a história que lidera o “Honeymoon“, assim como a capa mostra, de que ela pode sumir da cidade para sempre.

Music To Watch Boys To — originalmente a faixa-título do álbum — é uma maravilha. Começando com uma frase que retorna ao longo da música (“Eu gosto muito de você, então eu faço o que você quer”), musicalmente ela tem um efeito psicodélico muito maior se comparado a qualquer outra de suas canções, com acordes suaves e um clarinete deixando o som altamente exuberante. Ainda que a efemeridade do amor suba à cabeça (“nada que é dourado fica”).

Ela usa truques inteligentes com suas influências ao longo do “Honeymoon“. Terrence Loves You é uma versão mais lenta da trilha sonora de James Bond, You Only Live Twice, trazendo a referência de Nancy Sinatra, que cantou sua faixa-título. Com um piano minimalista ao estilo Erik Satie e um saxofone de jazz, ele ainda soa grandioso. Quanto ao pós-modernismo, ela maliciosamente rouba a frase “Base de controle para Major Tom” de David Bowie e novamente explora o lado melancólico do amor. As palavras “Eu me perdi quando perdi você” soam incrivelmente de coração partido.

Com toda a orquestra, ela também não abandonou seu amor pelo hip hop. High By The Beach tem uma irresistível pegada funky americana e Lana soa maravilhosamente livre dos bad boys que já a levaram à loucura. “Você pode ser um filho da puta malvado, mas isso não faz de você um homem, agora você é só mais um dos meus problemas”. Ela termina com rejeição ao romance, “Todos podem começar outra vez, não por amor, mas pela vingança”.

A resposta ao coração partido parece retornar a sua arte; Swan Song teria sido o final perfeito para a narrativa do álbum (“Por que trabalhar tanto quando você pode ser livre? Você tem seu dinheiro agora, você tem seu legado”). Isso soa como uma despedida, quase literalmente com as palavras “E eu jamais cantarei outra vez”. Como o cover de encerramento, Don’t Let Me Be Misunderstood, há um leve passo em falso. Apesar do que sua composição traz, ela é mais como uma música nos créditos finais de um filme do que pertencente à história principal. Mas isso é o que menos importa nessa viagem deslumbrante.

É interessante que, mesmo em 2015, um cantor como Father John Misty possa compor um álbum lindo como “I Love You, Honeybear” e ser celebrado por sua honestidade, enquanto uma mulher que usa do mesmo artifício seja considerada errada. Mesmo que “Honeymoon” desbanque a ideia de que Del Rey seja uma anti-heroína do feminismo; ele é simplesmente uma história de amor e todas as suas consequências, independentemente do gênero de seu compositor.

Del Rey tem essa misteriosa habilidade de soar moderna e retrô ao mesmo tempo, mas ela trilha um caminho bastante singular. Então vamos torcer para isso não ser um “adeus”, e sim um “até logo”, porque “Honeymoon” reafirma sua habilidade de fazer música pop de uma forma importante e magistral que não dá a mínima para a moda, e sim a tudo de melhor que ela tem.

Por Ed Nash
Tradução por Raphaella Paiva

The Independent (4/5): Honeymoon de Lana Del Rey — crítica do álbum: O lado sombrio do Sonho Americano é apresentado com uma habilidade cheia de segurança

O que, imagina-se, David Lynch sente quando ouve Lana Del Rey? Talvez ele se sinta lisonjeado pela forma tão habilidosa que ela personifica o arriscado equilíbrio entre perigo e desejo que as heroínas dele têm? Ou talvez ele se sinta um pouco perturbado por sua incorporação tão segura dessa tensão específica das personagens ficcionais dele: quase como se ele fosse perseguido por sua própria criação — a qual é, obviamente, uma noção Lynchiana.
Honeymoon” encontra Del Rey retornando — após os personagens individuais mais atomizados que tem no “Ultraviolence” — a uma persona complexa próxima do tema devasso de sua estreia, “Born to Die“. Não apenas seus vocais são os mesmos por todo esse tempo, mas também a “voz” da protagonista; enquanto o impacto emocional do que às vezes pode se desenvolver de maneira traumática parece, de alguma forma, amortecida, como se fosse experimentado por um olhar narcotizado.
Feliz ou triste, raivoso ou apologético, dominador ou submisso, isso tudo é aparentemente a mesma coisa para Lana Del Rey, que flutua através dessas músicas com uma estranha indiferença. Isso remete a uma espécie de devoção existente em Mulheres Perfeitas em suas canções mais seriamente românticas, como Religion e Music To Watch Boys To, enquanto picadas de perigo crescem através das emoções mais sombrias: tudo o que precisa, na ode à separação que é The Blackest Day, é da menção espontânea de uma arma para gerar a faísca de uma suspeita de que, apesar de não ter intenções, essa obsessão vacilante está no limite do suicídio ou do homicídio. Mas quando, em 24, ela reclama, “Você é difícil de se alcançar/Você é frio ao toque”, é difícil não pensar no sujo e no mal-lavado presos em um cruel abraço.
Musicalmente, o modelo é imposto em Honeymoon e Music To Watch Boys To, com a desafetuosa voz de Del Rey tristemente transportada pelas cordas atraentes e pelos murmúrios dos vocais de fundo em multi-camadas, tudo trabalhado na forma de um arejado casulo que ressoa. É um som miasmático e etéreo, suas sugestões fantasmagóricas de uma sensualidade luxuosa repleta de conselhos sonhadores sobre o perigo que, o cover de encerramento, transforma Don’t Let Me Be Misunderstood numa das canções mais sinistras. E quando, em Freak, ela suplica um convite para seu amante em potencial, “Baby, se você quiser partir, venha para a Califórnia, seja uma aberração como eu”, está apresentando o Sonho Americano como uma espécie de suspensão anestésica banhada em uma calda erótica.
Assim como a imagem da capa — de Del Rey curvada sobre uma propaganda num conversível da Starline Tours, que leva turistas para conhecerem as casas de celebridades — confirma, “Honeymoon” é um álbum bastante hollywoodiano, derramando o calor californiano. Em God Knows I Tried, uma referência a Hotel California é feita sob um humor desvanescente do verão, enquanto ela confirma, de má vontade, a revelação mortal de uma celebridade, “Eu não tenho muito pelo que viver desde que encontrei minha fama”. É uma resposta desiludida à chama persistente da fama que mancha a cultura do século XXI, além de se encaixar com perfeição no sentido que o álbum carrega, no geral, sobre a beleza da decadência. Da mesma forma, em High By The Beach, ela percebe isso em “Eu não posso sobreviver se isso é tudo o que é real”, deslizando para uma consolação ensolarada, embora vazia, que traduz o excesso como um lamaçal de desespero: “Tudo o que eu quero é ficar chapada na praia”.
A única fissura presente na carapaça impermeável de suavidade e brilhantismo emocional vem em Salvatore, onde os acordes macios são sublinhados por uma sutil mistura latina, enquanto Del Rey adiciona a elegante hóstia da graça ao romântico refrão, “Cacciatore/Limusines/Ciao, amore/Sorvete de casquinha”, como se ela estivesse lambendo um sorvete prestes a derreter, sentada no banco da frente de seu brilhante conversível, na rota Mulholand Drive.

Por Andy Gill
Tradução por Raphaella Paiva

Mojo (4/5): Honeymoon — O terceiro álbum vê a completa realização da assombrada persona hollywoodiana de Del Rey

O “Ultraviolence“, do ano passado, impressionou com um vocal ao vivo gravado junto da banda e produzido por Dan Auerbach, revelando que ela é verdadeiramente uma cantora e destruindo acusações de que ela fosse um talento muito limitado e feito sob medida. Ela chamou esse sucessor como algo “muito diferente”, mas ao invés disso, é um aperfeiçoamento garantido de seu estilo — uma Julie London à frente de uma orquestra conduzida por Nelson Riddle, apresentando-se no Club Silencio do filme Cidade dos Sonhos, de David Lynch.

Acordes voando e derramando lágrimas por toda parte, com o estado de espírito refletindo certa tristeza e meditação, sem falar do ritmo lento, (quase seis minutos, como a trilha sonora de um curta-metragem sobre um amor amaldiçoado). Se ela incita um perigo de autoparódia – “Come to California, be a freak like me,” – em Freak, Honeymoon também é friamente evocativa, como em Art Deco, na representação de uma rainha da boate afastada na pista de dança “brilhando como bronze, fria e insegura”. A partir daqui, Del Rey será forçada a redesenhar o esquema, mas por ora, esse é seu melhor até agora.

Por Tom Doyle
Tradução por Dandara Marangon

DIY Mag (4/5): Honeymoon de Lana Del Rey — Em um mundo onde os maiores artistas pop constroem seu próprio universo, o dela poderia ser o mais distinto e intocável

Desde o primeiro dia, Lana Del Rey tem sido marcada com piadas sobre autenticidade. Levou três álbuns, mas com ‘Honeymoon‘, não pode haver absolutamente nenhuma dúvida sobre a ‘verdadeira’ Lana Del Rey. Ela criou seu próprio mundo, e neste último álbum, ela afunda profundamente em suas garras.

Ele é equivalente à queda do alien de Sob a Pele, seguindo Scarlett Johansson antes de ela ser submergida em uma armadilha cheia de tinta. Abrangendo tudo por mais de uma hora, se os acordes fantasmagóricos, com ar de trilha sonora, de Honeymoon e Terrence Loves You não deixam um único rastro, as fúnebres The Blackest Day e Swan Song deixam a trilha.

Tudo é exato, desde as letras lidas pelo (“Nothing gold can stay, like love or lemonade or sun or summer days”, “Come to California, be a freak like me, too”) até os últimos suspiros de respiração do refrão obscuro de ‘Religion’. Há sempre um propósito para cada uma das letras de Lana, mas aqui eles são mais distintos do que nunca.

Se no ano passado ‘Ultraviolence‘ deu a sensação de que evitou a abordagem pop de singles em primeiro lugar, ‘Honeymoon‘ leva esse mantra e corre para longe. Com a exceção de ‘High By The Beach’ cheia do ar da Califórnia, nenhuma canção chega ao refrão antes da marca de minuto. Este não é um álbum cheio de farpas — longe disso — mas tudo é abordado de um jeito repleto de uma qualidade viciante. É o próprio estilo de Lana, e em um mundo onde os maiores artistas pop constroem seu próprio universo, o dela poderia ser o mais distinto e intocável.

Por Jamie Milton
Tradução por Rita Miranda

Cosmopolitan: Lana Del Rey sendo super Lana Del Rey em “Honeymoon” — e isso é uma coisa boa!

Muito tem se falado sobre a primeira frase do single da Lana Del Rey, “Honeymoon”, agora é também a primeira frase do álbum “Honeymoon”: “Nós dois sabemos que não é de bom gosto você me amar”. Mas, claro, que todos nós sabemos, e a Lana também sabe, que é de muito bom gosto amá-la, possivelmente porque ela sempre faz o oposto do que está na moda. Ela não tem uma turma, ela não liga para as redes sociais e ela não vai falar que é feminista só porque todas as outras estrelas pop falam que são feministas. A Lana é uma artista pop famosa, não duvide disso, mas ela apresenta uma atitude alternativa do jeito “compartilhe tudo” exposto por tantos outros colegas do mesmo meio. Se você é uma mulher jovem que não tem interesse em aprender a usar o Snapchat, então a Lana é a sua salvadora. Ela é antissocial e triste e ela realmente não liga se isso te incomoda.

No seu quarto álbum “Honeymoon”, entretanto, você começa a acreditar que talvez Lana estivesse se preocupando um pouco mais com o que as outras pessoas pensam. Isso não é ruim, de qualquer maneira, mas é decorrente dela estar tão fechada em seu próprio mundo. Por exemplo, veja o “Burnt Norton”, no qual Lana se encontra recitando um poema de 1936 de T.S. Eliot acima de instrumentais, ou “Salvatore”, onde o refrão é só ela cantando coisas como “cacciatore” e “ciao amore” entre “la da da” fracos. É difícil se sentir afetado emocionalmente por essas músicas quando elas se parecem muito mais com inovações intencionalmente estranhas. Há uma sensação nesse álbum que Lana está tentando profundamente provar que é tudo ela (especialmente depois do vocalista da banda Black Keys, Dan Auerbach ter recebido muita pressão produzindo o “Ultraviolence”), mas fazer disso “tudo ela” não necessariamente é precisar falar “sim” para toda ideia estranha que passe na sua cabeça.

Dito isso, “Honeymoon” é adorável no geral. Lana Del Rey absolutamente dominou sua marca cinematográfica noir vintage. E se esse estilo próprio funcionou para você antes, então vai definitivamente funcionar para você aqui. Na exuberante desesperançosa balada “God Knows I Tried”, Lana supera a si mesma, com referências de “Hotel Califórnia” e versos como “Eu me sinto livre quando não vejo ninguém / E quando ninguém sabe meu nome”. Ela representa o romance condenado novamente na obsessiva “Religion”, na qual ela literalmente venera o seu amor e pode falar a palavra “Aleluia” muitas vezes (essa última sendo um fato de extrema importância para aqueles que escutaram “Money Power Glory” do “Ultraviolence” dez vezes seguidas toda vez que você ficava bêbado de vinho).

Também há “High by the Beach”, notável tanto por sua habilidade de fazer uma indiferença estudada tão cativante e por seu videoclipe, no qual termina com Lana abatendo um paparazzi no helicóptero. Essa música é um bom exemplo do estilo antes mencionado “essa sou eu” funcionando a favor da Lana. Não soa nada como o resto do álbum e mostra um pouco do lado audacioso da Lana Del Rey que você não escuta em, digamos, “Music to Watch Boys To”, a escolha original para o single principal do “Honeymoon”. O álbum poderia ter se beneficiado por outras duas ou três faixas como ” High by the Beach”, mas até mesmo com só um, “Honeymoon” é uma visão bem fascinante dentro da mente da nossa estrela pop sentimentalista nacional. Porque sair de casa se você pode se sentar em casa no escuro? É muito mais glamoroso.

Por Eliza Thompson
Tradução por Marcela Oliveira

Nylon: Lana Del Rey está mais entediada do que nunca em “Honeymoon” (e é exatamente disso o que o Tumblr precisa)

Após “Born to Die“, a carreira de Lana Del Rey basicamente tem sido sobre ganhar notoriedade. Ela trocou Lizzy Grant por uma brilhante nova identidade, e entrou sorrateiramente no coração da internet. Mas tão rápido quanto ela se tornou um ícone, parece que ela começou a se recuar e confortar a si mesma dos olhos públicos — pelo menos, tanto quanto alguém consegue tendo seus movimentos assistidos por todos. Ela não tem coreografias, ela não abusa de suas redes sociais, e ela certamente não nada nas águas genéricas da música pop. Ironicamente o bastante, seu desitenresse e sua falta de propaganda própria a nebulou em um ar de mistério e especulação, um ar que faz dela uma das coisas mais interessantes da geração Tumblr.

Agora, em seu último LP, “Honeymoon“, Lana parece direcionar indiretamente essa realidade com uma forte dose de letargia. De volta a 2013, ela disse a Radio, “Quero dizer, eu simplesmente poderia ter ficado desconhecida para sempre, o que provavelmente seria bem menos cansativo”. Nós não podemos dizer se essa autoconsciência se ampliou, mas certamente parece ter se desenvolvido. Com “Ultraviolence“, ela foi capaz de direcionar diretamente os rumores — que ela transou para chegar ao sucesso, que ela é só mais uma “garota triste”, que ela cresceu rodeada de riqueza e privilégios — em volta dela. Agora parece que ela seguiu em frente. Os rumores estão lá, assim como a fama, e eles provavelmente estarão. E então, sem um escape previsível no horizonte, ela tem adotado um forte senso de apatia. Com letras como “Eu não tenho muito pelo que viver desde que encontrei minha fama” e “La-da-da-da-da, sorvete de casquinha” e uma variedade de faixas lentas, ela está mais entediada do que nunca.

Mas fora o tédio surge um novo foco. Com um senso de som mais refinado, um núcleo orquestral, e fortes direções vocais, “Honeymoon” é facilmente o maior trabalho de Lana até hoje.

Por Yasmon Gharnit
Tradução por Raphaella Paiva

Nylon Espanõl: Não está na moda amar Lana Del Rey

Em 2014, Lana Del Rey apresentou um álbum no qual a sentimos honestidade, talvez por estar apoiada por outros colegas como Dan Auerbach (The Black Keys), quem evidentemente ajudou a definir o que realmente queria dizer em suas canções. Depois de 15 meses do lançamento de Ultraviolence, Lana decide deixar essa etapa para trás para apresentar Honeymoon. Lana tem uma maneira muito estranha de trabalhar porque não se exila como muitíssimos outros músicos para compor ou gravar, ela segue com sua vida normal (diante de refletores, câmeras e demais) enquanto deixa que suas ideias se convertam em novos conceitos. Deixou que Ultraviolence tivesse uma vida curta pela simples razão de não matar seu processo criativo; estava inspirada e continuou compondo até ter um novo álbum. Sempre me pareceu que a música desta cantora nascida em Nova York tem uma vibe bastante californiana, talvez pelo glamour e a feminilidade que se converteu em seu solo desde o início e, talvez o mais importante, por esse teor nostálgico que sempre a acompanha. As melodias de Honeymoon são muito mais elaboradas que as de discos anteriores, já que em alguns momentos encontramos (muito) tons tênues de hip-hop e ela até se aventurou a temperar com batida trap canções como “Freak” e “High By The Beach”, além de assegurar que “não está na moda me amar”, o qual é um tanto falso se considerarmos que ela fez parte de festivais como Coachella, Glastonbury, Lollapalooza e Governors Ball, para citar alguns.

“Music To Watch Boys To” poderia ser considerada uma homenagem a Born To Die, enquanto “Terrence Loves You” é todo um melodrama protagonizado por uma voz aveludada que aceita que perdeu uma pessoa; ainda que o verdadeiro drama esteja em “Salvatore”, que poderia muito bem ser a trilha de um filme.

Não esperamos encontrar uma canção para dançar ou algo assim, o ritmo se mantém totalmente nesses arranjos melosos que parecem interpretados pela orquestra de um filme da década de 1950. Em “Burnt Norton” encontramos Del Rey perfeitamente em um conversível dirigindo em alguma estrada próxima ao mar. De fato algumas das canções surgiram de passeios. Um dos momentos mais emotivos é o cover de Nina Simone “Don’t Let Me Be Misanderstood”, ainda que por sorte não seja o mais importante. Honeymoon é uma amostra a mais de que Lana Del Rey tem definido muito bem quem ela é, aonde e a quem quer chegar sem ter que mudar suas convicções. Talvez em Ultraviolence estava triste ou perturbada e em Born To Die parecia, até certo ponto, boba. Em Honeymoon reafirma que ela é uma alma velha que não se empenhou muito em ser aceita porque conseguiu se conectar muito bem com quem a escuta.

Por Elsa Nuñez
Tradução por Isabela Guiaro

LA Times: Com Honeymoon, Lana Del Rey obtém ainda mais controle de sua imagem

Você tem de adivinhar qual fotografia inspirou Lana.

Foi aquela em que ela está segurando um copo de café Coffee Bean enquanto passa na frente do Toyota Camry de alguém? Aquela em que ela está conversando com dois amigos que vestem calças de yoga? Aquela em que ela está carregando uma mochila entre os viajantes do aeroporto de Los Angeles?

Certamente foi a mesma que inspirou o vídeo para High by the Beach, o carro-chefe do novo álbum de Del Rey, “Honeymoon“, em que a cantora de 30 anos utiliza uma arma de fogo para acabar com um fotógrafo que se esgueirava em sua casa na praia dentro de um helicóptero.

Entendeu? Ela está cansada dos paparazzi, esse é o resultado natural de sua fama crescente nos últimos quatro anos desde que lançou seu eletrizante primeiro álbum, “Born to Die“.

Ainda assim, o problema de Del Rey não parece ser exatamente sobre a invasão de sua privacidade. São as fotos de tabloide, que ela mesmo pincelou no clipe de sua música de estreia, Video Games.

Seu maior problema são os caras em helicópteros — sem mencionar os caras que a perseguem até a Ralph Lauren ou pelo trânsito massivo de Nova York — tirando fotos nos momentos errados, manchando a imagem da persona glamurosa, mas desconhecida que ela tão carinhosamente cultivou.

Basicamente, eles estão a captando como se estivessem captando uma estrela pop ordinária. E se há uma coisa que Lana Del Rey deixa bem claro em “Honeymoon” é que ela não é nada como estrelas pop ordinárias.

Desde Video Games, Del Rey demonstrou pouco interesse no que está acontecendo nas paradas. “Born to Die” resgatou o início do trip-hop da década de 90, enquanto “Ultraviolence” a encontrou colaborando com Dan Auerbach dos Black Keys — não um pária, mas certamente também não um Dr. Luke.

Honeymoon“, escrito e produzido primariamente por Rick Nowels (que iniciou sua carreira na metade da década de 80 com Belinda Carlisle e Stevie Nicks), é sua rejeição mais pronunciada até agora, com músicas feitas com andamentos tão letárgicos que muitos deles nem se preocupam em ter batidas. Cheio de cordas, sopros e teclas, os arranjos luxuriantes parecem se conectar melhor com a música que Del Rey fez ano passado para filmes (como Malévola e Big Eyes) do que o remix dançante de Summertime Sadness, que a rendeu seu maior hit nas paradas.

“Estou indo cada vez mais fundo”, ela entoa em The Blackest Day e, em termos e visão estética, isso é bastante verdade. Compare a faixa-título ou Terrence Loves You a Wildest Dreams de Taylor Swift, ou a Good for You de Selena Gomez — apenas dois dos títulos pop que Lana inspirou — e ela surge como uma criatura infinitamente estranha, uma combinação certa de Julee Cruise e Eartha Kitt. Ninguém mais está fazendo isso.

E não é apenas a sonoridade de “Honeymoon“, seu terceiro álbum de estúdio pela gravadora Interscope, que marca a cantora como uma orgulhosa ovelha negra. Vez após vez ela mesma explicitamente se descreve desta maneira, como em The Blackest Day, onde ela “está por conta própria outra vez”, e em Freak, em que ela convida uma outra ovelha amiga para segui-la pela Califórnia.

Suas primeiras palavras no álbum vão ainda mais longe: “Nós dois sabemos que não é de bom gosto me amar”, ela canta, luxuriante em cada sílaba. Isso obviamente não faz sentido: Del Rey nunca esteve tão em alta entre magnatas de tendências, seja Kanye West, que a contratou para cantar eu seu casamento, ou o The Weeknd, que rascunhou um dueto com ela para seu novo álbum. Mas as letras dão indícios do quanto ela absorveu as reações polarizadas ao seu trabalho, que gerou tantos inimigos quanto amigos.

Não que ela se importe com o ódio. Onde Del Rey parecia irritada no passado, agora ela está plácida; há um senso de calma neste álbum (ignorando o helicóptero explosivo) que combina com a devastação emocional sobre a qual ela está cantando, embora ela simplesmente tenha optado por sair soberana da situação.

Ela termina o álbum com uma versão assombrosa de Don’t Let Me Be Misunderstood, uma canção que há dois ou três anos — quando Del Rey foi julgada como uma invenção falsa de gravadora — teria soado como um apelo à clareza objetiva.

Agora é oposto: vejam-me do jeito que quero ser vista, é o que a música exige.

Ou ainda mais.

Por Mikael Wood
Traduzido por Lucas Almeida

USA Today: Crítica do álbum ‘Honeymoon’ de Lana Del Rey

Nos versos de abertura de Honeymoon, Lana Del Rey resume o que muitas pessoas acham de sua música.

“Nós dois sabemos que não é de bom gosto me amar”, ela murmura sobre uma cascata de exuberantes versos arrogantes. “Mas você não me deixa porque, sinceramente, não há ninguém para você, a não ser eu.” O quanto é estranho o apelo dessa moderna poetisa hipster que tem uma visão em tom sépia do mundo que, frequentemente, entoa em uma frase de autoparódia, mas consegue nos atrair de qualquer jeito.

Seu terceiro cinematográfico álbum, ‘Honeymoon’, compartilha do mesmo poço de metáforas que inspiram a maioria de suas músicas — desilusões amorosas, Califórnia, ficar chapado — e ainda assim parece uma coisa notavelmente fresca e inédita. Embora ‘Born to Die’ se baseou em batidas de hip-hop e ‘Ultraviolence’ em tons de guitarra, essa nova era tem uma abordagem orquestral: mistura cordas, batidas e percussão raramente ouvidas nas músicas pop atuais.

A combinação de congas e flauta impulsiona a sonhadora ‘Music To Watch Boys To’, enquanto riffs de saxofone e o charme do jazz dão destaque à nebulosa ‘Art Deco’. Os graves batidas cintilantes de ‘Freak’ permitem Del Rey mergulhar em influências da música trap, e a frágil balada ao piano de ‘Terrence Loves You’ está entre as músicas mais comoventes já gravadas por ela (por coincidência, ela disse a um paparazzo que essa é sua música favorita do álbum). Embora mais sonolento do que seus dois últimos lançamentos, ‘Honeymoon’ mostra que o som de Del Rey evoluiu e amadureceu de forma cativante.

Infelizmente, algumas de suas canções ainda tropeçam em suas letras desajeitadas (uma situação semelhante à reviravolta psicodélica de ‘Miley Cyrus and Her Dead Petz’ do mês passado). O que mais chama atenção são as referências italianas em ‘Salvatore’, que soa como o trabalho de alguém que assistiu A Princesa e o Plebeu várias vezes. Divertidamente rimando “cacciatore” com “ciao amore”, e “limousines” com “soft ice cream,” vamos considerar que isso foi uma piada irônica que deu errado.

Dito isto, Del Rey não oferece sua perspicácia gritante ocasional em ‘Honeymoon’. Na penúltima música, ‘Swan Song’, ela implora a um amante para que ele fuja com ela, ao dizer: “Eu nunca vou cantar de novo / de uma vez, tudo irá embora.” Da mesma forma, na balada ‘God Knows I Tried’, ela canta “Eu não tenho nada pelo que viver desde que encontrei a minha fama.”

Considerando a forma como ela se afastou da mídia desde o verão passado — quando ela se viu criticada por comentários sobre morrer jovem e foi acusada de glorificar a violência doméstica em sua música — é interessante a ouvir encerrar o álbum com um cover orgânico de ‘Don’t Let Me Be Misunderstood’, de Nina Simone. Letras sobre ser apenas uma humana e ter boas intenções dão uma nova ressonância em sua interpretação dolorosa da música. Tudo isso antes que ela desapareça e nos deixe querendo mais, no típico jeitinho Del Rey.

Por Patrick Ryan
Tradução por Glauberth Viana

MuuMuse: Honeymoon — A grande fuga de Lana Del Rey

Deus sabe que Lana Del Rey está tentando.

Quando a maioria de nós conheceu a rainha de Coney Island, ela estava fugindo dos policiais em seu top preto, com uma arma em um Bugatti Veyron nos hamptons e com seu “bad baby” do seu lado angelical em sua (ainda) imaculada estreia de 2012, ‘Born To Die’.

Ela provou rapidamente que é a coisa mais polêmica que aconteceu ao pop em eras. Ela era real, ou só uma “verdadeira farsa”? O debate gerou intermináveis análises de críticos sobre sua suposta “autenticidade” de sua persona, pegando cada pedaço da sua história de origem como sua melancolia, balançante estilo de performance — até seu lábios, como se isso importasse.

Eventualmente, o público entendeu mais ou menos Lana, em grande parte devido ao sucesso do remix de Summertime Sadness feito por Cedric Gervais, que alcançou o topo dos charts, o que encaixou a voz da Lana em dimensões eletrônicas mais digestíveis para agradar aos fãs de Top 40 das rádios e festivais de EDM.

As suas contribuições para trilhas sonoras, o que naturalmente serviu a sua aproximação cinematográfica — incluindo ‘Young & Beautiful’ de ‘O Grande Gatsby’ e ‘Once Upon a Dream’ de ‘Malévola’ — fez com que ela ganhasse mais fãs.

Mas a repercussão inicial não caiu bem para Lana, que superou as críticas em um estúdio com Dan Auerbach (The Black Keys) enquanto delineava ‘Ultraviolence’, uma resposta irritada, sarcástica cheia de bateria pesada e licks de guitarra irritados em meio a plumas pesadas de maconha hidropônica.

Um ano depois, as nuvens da tempestade se dissiparam — mais ou menos, de qualquer forma — e Honeymoon, o luxuoso e luxuriante escape de Lana.

Como sugerido em entrevistas prévias ao lançamento do álbum, ‘Honeymoon’, é uma volta ao som orquestral e um pouco jazz de Born To Die e Paradise. Mas, diferente de seus dois primeiros álbuns (e mais como Ultraviolence), Honeymoon conduz claramente a produção de Emile Haynie que fez o álbum ter uma chance nas rádios – não que ela esteja tentando ter um hit de rádio, é claro.

Com uma maravilhosa intensidade de cordas, a música de abertura (e nome do álbum) ‘Honeymoon’ marca o tom sonhador do resto do álbum. Co-escrito inteiramente por Rick Nowels (colaborador de longa data) e Kieron Menzies (engenheiro que virou produtor), o álbum é o set mais íntimo de Lana. E, pela maior parte, ela permite que ela mesma seja indulgente nas produções lentas, com a maior parte das músicas tendo cerca de 5 minutos (ou mais) enquanto ela firmemente sonha distante em sua vida.

Três anos desde sua estreia, a vida é vastamente diferente para Lana.

Tendo passado de curiosidade da blogosfera para genuína superstar em questão de meses, o relacionamento recluso da cantora com sua celebridade recém-encontrada é complicada: de um lado, ela é notoriamente doce em pessoa, parando para tirar selfies com os fãs que a perseguem no Brooklyn, dando grandes sorrisos para os paparazzi e descendo do palco em seus shows para dar abraços e beijos em toda a fileira da frente.

De outro lado, ‘High By The Beach’. Como aparenta, Lana prefere muito mais estar chapada na praia do que lidando com os dramas dos outros.

O vídeo dirigido por Jake Nava do lead single de ‘Honeymoon‘ é a primeira resposta real de Lana sobre os aspectos menos desejáveis da fama: O clipe segue ela cena por cena em uma exuberante casa de praia, enquanto ela é perseguida por um fotógrafo invasivo-até-demais, conjurando visões de cada starlet perseguida enquanto buscava alguma privacidade, de Elizabeth Taylor para Amy Winehouse e até Britney Spears.

Porém, Lana tem o seu destino sob controle nessa fantasia de paparazzi. E, em uma inesquecível e hilariante cena -segurando uma arma comicamente gigante saída direto de “Duke Nukem” – ela explode o helicóptero em pedaços.

Que tal essa para uma foto, Sr. Fotógrafo?

O corte hipnótico infundido de armadilha, com seu refrão repetitivo parecido com um hino, não é apenas o momento mais vívido do álbum – é o mais perto que conseguimos de escutar qualquer coisa uptempo da Lana nesse álbum – mas talvez o mais assertivo e independente que Lana tenha sido em um álbum.

“Luzes, câmera, ação/ eu mesma farei” ela canta. Foi embora a garota se acolhendo em nossos colos e pedindo por vários diamantes bonitos em ‘National Anthem’, de ‘Born To Die‘. Ela consegue ela mesma, muito obrigado.

O surto de empoderamento é, infelizmente, curto. ‘God Knows I Tried‘ tem Lana lutando para lidar com a celebridade, mas ao invés de atirar em um paparazzo, ela optou por fechar as cortinas, colocar para tocar ‘Hotel California’ (The Eagles) e dançar sozinha.

“Eu não tenho muito mais pelo que viver desde que encontrei minha fama”, ela canta tristemente junto com solos de guitarra. O refrão é especialmente assombroso, pois ela renuncia a sua nova realidade: “God Knows I Tried” (“Deus sabe que eu tentei”), ela canta de novo e de novo. Uma referência a “Bem, merda, pelo menos você tentou”, em ‘Blue Jeans’, talvez?

Muito do material em Honeymoon parece uma continuação dos temas e histórias que começaram em ‘Born To Die’, incluindo ‘Music To Watch Boys To’, uma das músicas noir que se sobressai, que toca como uma sequência sombria de ‘This Is What Makes Us Girls‘.

“Eu gosto muito de você (Coloco minha música enquanto observo os garotos)/ Então eu faço o que você quer (Cantando soft grunge enquanto absorvo o barulho)”, ela murmura, mesclando com solos obscuros e dramáticos com cada fala ofegante que ecoa.

‘Freak’, por outro lado, poderia ser ‘Gods & Monsters’, de Paradise, uma vez que Lana seduz com convites para a Califórnia. “Baby se você quer ir embora/ Venha para a Califórnia, seja um louco como eu também”, ela canta sobre batidas sutis e sirenes esfumadas. Duble a cena de stripper com esse refrão – servirá perfeitamente.

A garota que desistiria de tudo por seu homem em ‘Video Games’ ainda está presente em ‘Honeymoon‘, incluindo ‘Religion‘, uma devoção que se move pela realeza espiritual por um pouco de blasfêmia.

“Quando eu estou de joelhos, você é como eu rezo”, ela recita sobre uma batida descolada., estilo Madonna Del Rey, antes de prover um maravilhoso falsete “Hallelujah/ Eu preciso do seu amor.”

A voz da Lana nem sempre recebe a aclamação que merece, mas brilha mais do que nunca em Honeymoon, desde o cover melancólico de ‘Don’t Let Me Be Misunderstood‘, de Nina Simone, para o gigante, de partir corações, auge de ‘The Blackest Day‘. – Seis minutos de uma angústia incessante e as músicas de Billie Holiday em repetição, desabando cada vez mais na depressão.

Se ‘Dark Paradise’ é o resultado de um péssimo término de relacionamento (ou mesmo talvez uma morte), ‘The Blackest Day’ é um relato agonizante do primeiro dia em que tudo desabou.

“Procurando por amor em todos os lugares errados… Ah meu Deus!”, ela exclama em descrença. Real Até demais.

Enquanto o álbum parece a volta de sua estreia, existe alguns experimentos sutis acontecendo. A era espacial de ‘Art Deco’, um ode ao talento mal entendido (o que algumas pessoas online especulam que sejam sobre sua amiga, Azealia Banks – é possível, quem sabe?). Flutua pelos alto falantes com seus estranhos e descolados sintetizadores, quase lembrando a produção esquelética de ‘Pendulum’, de FKA Twigs, no refrão.

“Você é tão Art Deco solta na pista”, ela declara repetidamente – apenas mais uma das muitas coisas características de Lana no álbum.

Falando nisso, a letra de Honeymoon varia de devastadora para completamente histérica, por vezes quase no limite para ser uma paródia de si mesma (A faixa-título quase parece um Lana Del Rey Mad Libs).

Não tem uma letra mais ingênua do que seu devaneio italiano ‘Salvatore‘. A produção é tão majestosa e romântica, que você pode nem perceber o fato de que ela está cantando “La-da-da-da-da/ La-da-da-da-da/ Sorvete de casquinha.” (Ei, essa é a garota que escreveu uma música sobre Diet Mountain Dew – e todos nós sabemos que ela tem gosto de Pepsi lá embaixo. Rainha da Comida e da Bebida!)

O sonho “Honeymoon” de Lana não fica preso na Terra, também.

Independentemente dos temas usuais – romances do tipo “nós contra o mundo”, términos de relacionamentos, fama e fortuna – Lana explora o seu interesse no tempo e espaço nesse álbum, incluindo o interlúdio de ‘Burnt Norton’, uma recitação de parte de um poema de T. S. Eliot sobre o momento presente.

‘Terrence Loves You’, que começa com uma balada profundamente deprimente de um término, vê Lana se perdendo, sendo humilhada e abafando seu sofrimento com um pouco de jazz, até subir momentaneamente até o céu em camadas de harmonia angelicais.

“Base de controle para Major Tom”, ela chora, fazendo uma referência a ‘Space Oddity’, de David Bowie, enquanto ela brevemente vai para as estrelas. Tudo que ela quer é ficar chapada, baby baby, bye bye.

Lana insinuou seu interesse sobre o intergaláctico em várias entrevistas, incluindo uma na qual ela (agora famosamente) explicou que ela era mais interessada em falar sobre explorar o espaço sideral do que sobre o feminismo. Desde então ela tem sido criticada por ser ou “anti-feminista” ou “não feminista o suficiente” — não é surpresa que ela gostaria de passar férias em Marte para sempre.

Como o trabalho em si, faz sentido o álbum se chamar ‘Honeymoon‘. Esse é seu escape criativo — da celebridade, do coração partido, e principalmente, do seu drama.

O fato dela estar casualmente fazendo pose num ônibus da StarLine Tours na capa é uma jogada sarcástica genial.

Nós temos sorte de tê-la, enquanto a temos, porque, um dia, ela pode muito bem ir navegar para longe com seu homem e nunca mais olhar para trás – ou mesmo cantarolar outra música para nós.

“Eu nunca mais cantarei / e você não trabalhará mais nenhum dia”, ela sonhadoramente promete para seu amado enquanto a melodia cresce, a apropriadamente chamada ‘Swan Song‘. Espera aí. Não cantará mais?

A ameaça poderia ser levada mais a sério se Lana não tivesse dito que ela provavelmente pararia de fazer músicas depois de Born To Die (e aí, Ultraviolence aconteceu).

Boa tentativa, Lana, mas nós sabemos agora: Honeymoon é só uma fantasia. Pelo menos por enquanto.

Por Bradley Stern
Tradução por Yeda Salomão

Süddeutsche Zeitung Magazin: Honeymoon — música para rainhas da beleza sedadas

‘Honemoon’, o novo álbum da Lana Del Rey tem o humor perfeito para uma hibernação — mas não é nem um pouco chato. A cantora se apresenta como uma menina americana sentimental, o que a torna incrivelmente bem-sucedida.

Agora que o corpo já está cansado dos hits de verão e das queimaduras de sol, dificilmente poderá haver melhor música a ser apresentada para se preparar para uma hibernação de inverno do que ‘Honeymoon‘, o novo álbum da Lana Del Rey. Acredite, isso é um elogio!

Não é fácil cochilar com o quarto álbum da americana, o que seria muito chato. Ao contrário: é mais provável que o ouvinte do álbum se coloque numa sexy atmosfera onírica diante do crepúsculo, permanecendo diante dos prazeres do presente, dançando em câmera lenta num loop diante do terceiro olho, enquanto todo o resto se encerra numa temperatura congelante.

Ao ouvir esse álbum, você se sentirá como uma beauty queen sedada.
A cantora, que vive em Califórnia, é conhecida desde seu debut com ‘Born to Die’, de 2012, em que ela é apresentada como uma menina americana sentimental musicalmente inserida em diversos padrões americanos, (orquestras hollywodianas, timbre de Nancy Sinatra, batidas de hip-hop), uma espécie de combinação Noir. Foi, portanto, um incrível sucesso: seu último álbum, “Ultraviolence”, estava no topo das paradas americanas em 2014 e, no Spotify, ela é a cantora mais frequentemente executada, mais que Rihanna e Beyoncé.

Ouvir Honeymoon realmente fará você se sentir como uma Beauty Queen sedada: “Hollywood legends will never grow old” (“as lendas hollywoodianas nunca irão envelhecer”), canta Del Rey – a qual celebrou seu 30º aniversário em junho – na canção ‘Terrence Loves You’ junto de violinos congelantes, e é claro que ela faz alguma referência a si mesma como jovem lenda. Há também uma anestésica versão de ‘Don’t Let me Be Misunderstood’, canção que se tornou conhecida nos anos 60 por Nina Simone e, mais tarde, na pungente versão de disco de Santa Esmeralda.

Ela canta sobre um perdido em busca de Deus.
Del Rey canta através de um microfone pré-conectado a um filtro vintage e o faz flutuar hipnoticamente. Em “God Know I Tried” ela trata da busca de Deus feita por uma alma perdida que não é de forma alguma feliz com a fama que possui. Sussurrando através de amplos ecos, ela diz estar “destruída”na segunda-feira, mas até sexta-feira ela ressuscita novamente. Tudo isso no Hotel Califórnia.

Este hotel aparece aqui não como um local bagunçado onde as pessoas se drogam, como na faixa dos Eagles, tampouco como o mórbido Chateau Marmont, que é um lugar famoso onde as estrelas morrem por conta das drogas. Não, o Hotel California parece parece a Lana Del Rey como um lugar místico congelado em algum lugar do deserto californiano sob baixa temperatura em que hóspedes ricos esperam por seus enormes carros art-deco e aguardam serem acordados 100 anos depois para que possam refrescar sua concupiscência.

“Honeymoon” soa como a trilha sonora deste tipo de lugar. Talvez ele não exista, mas quem sabe exatamente? Se ele existe, Lana Del Rey definitivamente deve – se ela ainda não o fez – descongelá-lo urgentemente.

Por Jan Kedves
Tradução por Max Lima

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Leonardo Colato

    Nenhuma nota máxima? Esse álbum está tão bom! 🙁

  • Raphael Kaiston

    “Ela é uma alma velha que não se empenhou muito em ser aceita porque conseguiu se conectar muito bem com quem a escuta.” TIROU AS PALAVRAS DA MINHA BOOOCAA <3

  • http://filmow.com/usuario/hello-stranger Nadine

    Adorei as palavras do ”The Line of Best Fit” 🙂 o álbum tá lindo, feliz com a boa recepção da crítica!
    The Blackest Day é meu novo amorzinho no momento <3

  • Pingback: Confira a crítica faixa-a-faixa do Honeymoon feita pela Digital Spy | Lana Del Rey Addiction()

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