Put Me In… Literature | 10 livros que Lana Del Rey poderia ter escrito

por / terça-feira, 07 julho 2015 / Publicado emColunas, Put Me In

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Lana já disse em entrevistas que primeiramente se considera uma escritora, e só depois uma cantora. Ela é fã de Walt Whitman, Nabokov e já declamou sua paixão pela Geração Beat no curta-metragem “Tropico” e em sua canção Brooklyn Baby. Então não é muito difícil querermos imaginá-la como uma escritora de fato, expondo livros deliciosos em vitrines de livrarias do mundo inteiro (já posso imaginar a sessão de autógrafos?). Assim, a coluna de hoje é uma dedicatória a livros que infelizmente não foram escritos por Del Rey, mas com certeza poderiam ter sido — sejam eles alguns já citados pela própria cantora e outros que simplesmente nos deixam com aquele pensamento: “Cara, esse livro é a CARA da Lana Del Rey!”. Então venha pra cá e vamos explorar o mundo da literatura — ah, como seria lindo! — que poderia pertencer à musa.

  1. Garota Exemplar, de Gillian Flynn (2012)

Sinopse: Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino?

Sério, como não amar (e sentir medo) da Amy Exemplar? Todo o perfil psicológico da personagem, já conhecida pelo filme de mesmo nome, é ainda mais detalhadamente traçado no livro dessa escritora incrível que é a Gillian Flynn — e é impossível não imaginar que Amy facilmente poderia ser uma personagem criada por Lana Del Rey. Quase nos lembra da vingativa Lana de “She’s Not Me”, da fervorosamente apaixonada Lana de “Serial Killer” e da maldosa “Lolita”. Sem spoilers, mas seria uma montanha-russa entre amor e ódio que Del Rey adoraria testemunhar com uma máquina de escrever.

 

  1. A Resposta, Kathryn Stockett (2010)

Sinopse: Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA. A trama segue Eugenia ‘Skeeter’ Phelan, jovem que acabou de se graduar e quer virar escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, Skeeter encontra um tema em duas mulheres negras: Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que não arruma emprego porque não leva desaforo dos patrões para casa.

Ah, essa história… Eu sou suspeita pra falar porque o filme originado desse livro (Histórias Cruzadas) é um dos meus favoritos de todos os tempos; ele te faz rir, te faz chorar, te faz ficar com o coração largo de amor e depois tão apertado! Mas é irresistivelmente apaixonante — assim como cada canção da Lana Del Rey. Quando vimos o lado feminista que ama a si mesma nas músicas “Big Eyes” e “I Can Fly”, Del Rey parece exalar uma força incrivelmente poderosa de si mesma que apenas é fortalecida pelo eu-lírico de “Cruel World” que canta “I’m finally happy now that you’re gone”. “A Resposta”, assim como sua adaptação “Histórias Cruzadas”, é uma história deliciosa de superação e histórias de mulheres simples que possuem uma bela história de vida, e seria absolutamente encantador se tivesse sido escrito pelas talentosas mãos de Del Rey e sua adorável sensibilidade que se importa profundamente com o bem-estar de seus fãs e qualquer ser vivo ao seu lado. Simplesmente inspirador.

 

  1. Bonequinha de Luxo, de Truman Capote (1958)

Sinopse: Bonequinha de Luxo acompanha as estripulias de Holly Golightly, a jovem que escapa da vida besta do interior para tentar a sorte na Nova York dos anos da Segunda Guerra. Moça de hábitos e horários nada ortodoxos, Holly põe em polvorosa uma galeria de personagens que vai de um mafioso preso a um escritor inédito, passando por um fotógrafo japonês, uma modelo gaga e uma cantora rouca – para não falar de um certo diplomata brasileiro. Tudo isso sem abandonar a visão de uma vida de luxo, calma e volúpia, se possível bem longe do Texas e bem perto da joalheria Tiffany’s.

Eu nem preciso falar muito, não é? Essa história é LINDA e todo mundo que já assistiu ao filme se apaixonou pela maravilhosa Audrey Hepburn e sua personagem adoravelmente bagunçada. Party girl, louca por diamantes, cigarros e bebidas, ela é praticamente a encarnação sessentista de Lana Del Rey que procura desesperadamente um daddy milionário e é apaixonada por Nova York! Então nada seria mais perfeito do que essa história sendo de autoria da cantora, onde basicamente teríamos as personagens festeiras de Del Rey todas juntas numa narração deliciosa com essa bonequinha de luxo que adora voltar das festas às cinco da manhã para tomar café em frente às vitrines cheias de diamantes da Tiffany’s.

 

  1. Hell – Paris 75016, de Lolita Pille (2003)

Sinopse: Hell, pseudônimo da narradora, é uma garota rica, fútil e arrogante, detestável sob todos os aspectos. Niilista, despreza a humanidade e seu único credo é: ser bela e consumista. Todos os sonhos que o dinheiro pode comprar estão a sua disposição, incluindo drogas. Faz amor sem amor e este polêmico diário romanceado vem recheado de sexo, drogas e grifes, como pano de fundo Paris. Lolita Pille escreve sem pudor sobre o mundo ao seu redor. Polêmica, bela e assustadoramente irônica, vem gerando fascínio e provocando a todos com um livro lúdico, onde é impossível permanecer indiferente.

Enquanto “Bonequinha de Luxo” seria o lado bom de ser uma garota festeira, em “Hell – Paris” vemos justamente o contrário. O livro escrito pela parisiense Lolita Pille é basicamente uma narração de sua própria vida e da vida da alta elite da cidade-luz, que esconde muitos mistérios e obscuridades por trás de todas as suas belezas. Terrivelmente honesta, a narradora soa como a irônica e “degenerate beauty queen” que temos em muitas canções de Del Rey, desde “Off To The Races”, “Lolita”, “Gods And Monsters”, “Money Power Glory” e, claro, “Carmen”. A polêmica Lana daria à mídia realmente o que falar, e nos faria amá-la ainda mais pela carga quase cruel de sinceridade bruta. Livro recomendadíssimo.

 

  1. Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1857)

Sinopse: O romance conta a história de Emma, uma mulher sonhadora pequeno-burguesa, criada no campo, que aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao indissolúvel casamento ao qual a protagonista se sente presa. Emma, cada vez mais angustiada e frustrada, busca no adultério uma forma de encontrar a liberdade e a felicidade. Apesar da intensa procura de uma vida digna, dificilmente consegue sentir-se satisfeita com o que é e o que tem.

Bela, jovem e dona de uma mente sem limites que sonha com uma grande paixão que a tire o ar e qualquer pensamento lúcido, Emma é a personagem que transmite os sonhos e frustrações da maioria das garotas que pensam longe demais e se perdem em devaneios. E esse clássico da literatura francesa continua fazendo jus aos dias de hoje, sendo uma obra atemporal que se encaixaria perfeitamente na atualidade e que poderia ser belamente escrita pela mente de Lana Del Rey. Apaixonada, sonhadora de um amor verdadeiro que um dia lhe tire a lucidez, Lana é como Emma Bovary — que, cedo demais, se vê presa a um casamento sem vida enquanto vê nos homens do lado de fora sua verdadeira depravação e vontade insana de uma vida cheia de emoções sem esperar que, infelizmente, um trágico final lhe aguarda. Quer algo mais Lana Del Rey do que isso?

  1. Não Me Abandone Jamais, de Kazuo Ishiguro (2005)

Sinopse: Kathy, Ruth e Tommy são amigos íntimos que cresceram juntos num internato inglês que possui um segredo assustador. Quando eles descobrem a excruciante verdade — que eles são clones produzidos geneticamente para serem doadores de órgãos — eles se agarram ao breve tempo que lhes resta para viver e amar.

Essa é uma daquelas histórias que, quando termina, você pensa: “não sei o que dizer, só sentir”. Extremamente profundo e dono de uma das minhas adaptações cinematográficas preferidas, esse livro é devastador — profundo, honesto e que te faz sentir um tipo de emoção totalmente inédito; é quase que um misto de melancolia, amor, compaixão, tristeza e, ainda assim, esperança. De uma sensibilidade que há muito tempo não se via na literatura nem no cinema, “Não Me Abandone Jamais” é uma daquelas obras que seriam como um encaixe perfeito à arte de Lana Del Rey, desde o seu próprio título (quem aí não é apaixonado pela música “Never Let Me Go” dessa deusa?) até  a descrição de um mundo que não parece ficção científica, e sim mais um belo romance que tira todo o seu ar. Adorável e melancolicamente imperdível.

 

  1. O Poderoso Chefão, de Mario Puzo (1969)

Sinopse: O submundo da Máfia e o talento literário de Mario Puzo ganharam notoriedade com a publicação de O poderoso chefão. O carisma de Don Vito Corleone encanta na mais perfeita reconstituição da vida e dos negócios das famílias mafiosas de Nova York. Apesar de implacável, Don Vito é, essencialmente, um homem justo. Padrinho benevolente, nada recusa aos seus afilhados: conselho, dinheiro, vingança e até mesmo a morte de alguém. Em troca, o poderoso chefão pede apenas o respeito e a amizade de seus protegidos. Mas ninguém pode vencer as trapaças da idade. Quando seus inimigos atacarem juntos e tudo o que a família Corleone significa estiver por um fio, o velho Corleone terá de escolher, entre seus filhos, um sucessor à altura.

Todos nós sabemos que Lana é viciada em histórias sobre máfias, e que seus filmes favoritos são “O Poderoso Chefão” e “Scarface”, então é claro que não deixaríamos esse de fora! O clássico que deu origem à trilogia de sucesso no cinema, começou com esse livro esplêndido que mostra o melhor e pior do mundo da máfia italiana, cercada de inimigos e uma luta por justiça que nem sempre é compreendida. Como a própria Lana que se diz “sem bússola moral apontada para o norte”, esse livro cairia como uma luva se fosse escrito por ela, lembrando-nos o lado gângster que vemos em “Live or Die” ou na mulher de “Sad Girl” que ama ter seu homem mafioso ao seu lado. Ah… E quem é que afinal resiste aos Corleone?

 

  1. As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides (1994)

Sinopse: Em meados da década de 70, numa sonolenta comunidade de Michigan, vivem as irmãs Lisbon, cinco adolescentes cuja beleza encantou um grupo de rapazes vizinhos. Isoladas por seus superprotetores pais, elas são como visões na paisagem suburbana, luminosas e inatingíveis. Mas quando o bonitão da escola, Trip Fontaine, convence Lux Lisbon e suas irmãs a irem ao baile de formatura, as fantasias românticas dos rapazes ameaçam tornar-se reais — até que são envolvidos em uma espantosa série de acontecimentos que mudará suas vidas para sempre.

Se existe uma história fascinante, com certeza “As Virgens Suicidas” é uma delas. Belamente escrita e envolta de mistério e um encanto sublime, é o tipo de livro (e filme) que te fascina do início ao fim, e você se pega deslumbrado pelas irmãs Lisbon. Externamente doces e internamente perigosas, elas são a personificação das personagens nas músicas de Del Rey, com aquele ar de menina lolita, cabelos loiros e pés descalços, mas suas mentes… Ah, suas mentes continham a profundeza dos oceanos. E poderia ter surgido da talentosa alma poética que Lana nunca escondeu.

 

  1. O Vale das Bonecas, de Jacqueline Susann (1966)

Sinopse: Anne, Neely e Jennifer têm um sonho em comum: o sucesso no showbiz. As três se conhecem em Nova York e se tornam amigas. Circulando pelos bastidores nem sempre glamourosos do mundo dos espetáculos, elas compartilham os mesmos objetivos, decepções e um apetite voraz por pílulas estimulantes, que ingerem com fartas doses de uísque.

Se você é fã da Marina And The Diamonds, com certeza se lembrou de sua música “Valley of the Dolls”, inspirada por esse livro que se tornou o maior best-seller feminino do século XX — mas que ainda se encaixa muitíssimo bem à atualidade. Narrando a história das três amigas dependentes de pílulas e mais pílulas (pills = dolls), podemos vislumbrar o que o sucesso e a ambição são capazes de fazer com uma garota, o que Lana Del Rey conhece perfeitamente pelos obstáculos percorridos em sua carreira e, claro, o eu-lírico de canções como, por exemplo, “Is This Happiness”. Nada como uma garota que vivenciou tudo isso para narrar o lado obscuro e afundado em drogas que permeia Nova York, Hollywood e qualquer outro lugar que contenha violentas doses de fama, desejo, álcool e, obviamente, muitas e muitas pílulas.

 

  1. Lolita, de Vladmir Nabokov (1955)

Sinopse: Polêmico, irônico, tocante, narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos, uma ninfeta que inflama suas loucuras e seus desejos mais agudos.

É claro que não esqueceríamos dessa obra-prima! Não é novidade pra ninguém que Nabokov é um dos escritores favoritos de Lana (ela inclusive tem uma tatuagem em homenagem a ele) e que Dolores Haze é sua personagem mais inesquecível, presente no estilo e nas tantas canções de Del Rey. Incrivelmente tocante e — eu sou suspeita pra falar — maravilhosamente bem escrito e explorado, “Lolita” é com certeza uma das melhores obras da literatura. Presente em “Off To The Race” quando Lana rouba a frase mais icônica do livro: “light of my life, fire of my loins”, a história se vê presente em inúmeras e inúmeras outras músicas da cantora, como a própria “Lolita” e a canção que originou o nome dessa coluna (“Put Me In a Movie”), ou quando vemos Lana com seus óculos em forma de coração em antigos vídeos ou em canções como “Diet Mountain Dew”, ou acompanhada de seu daddy como nos próprios clipes de “Ride”, “West Coast” e “Shades of Cool”.

E então, gostaram? Quais dessa lista vocês já leram e quais vocês ficaram com vontade de explorar um pouquinho mais? Acha que faltou mais algum livro?

Raphaella Paiva
Escorpiana, 20 anos. Estudante de Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás, escritora em pré-contrato e uma beatnik nascida na época errada. Descobriu Lana Del Rey em 2011 quando Video Games roubou seu coração, tornando-se uma tradutora, redatora e colunista que adora um teste do sofá no Addiction. Cinéfila que também ama jazz e blues, Pink Floyd, Arctic Monkeys, Kristen Stewart, Marilyn Monroe e qualquer coisa escrita ou filmada por Woody Allen.
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  • Raphael Carvalho

    Tem On The Road do Jack Kerouak também!!

    • Raphaella Paiva

      Sim, ele tava na lista! Mas como ele é uma autobiografia do Kerouac, eu acabei deixando de fora.

      • Raphael Carvalho

        ah sim! 😉 obg

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