Vogue: Por que você deveria ver a turnê da Lana Del Rey com a Courtney Love

por / quinta-feira, 07 maio 2015 / Publicado emNotícias

Vogue lana courtney

A Vogue escreveu um artigo sobre o porquê você deveria ver Lana Del Rey e Courtney Love na Endless Summer Tour! Vontade eu tenho, só me falta o dinheiro pra ir hahaha

Confiram a tradução a seguir


Por que você deveria ver a turnê da Lana Del Rey com a Courtney Love

Apenas duas mulheres famosas ganharam a ira de Kim Gordon, baixista do Sonic Youth e modelo de respeitabilidade do rock, em seu novo livro de memórias, Garota em uma Banda: Lana Del Rey e Courtney Love. Embora já tenha colaborado com a Love, Gordon pergunta se o seu comportamento errático no amor é uma indicação de que ela poderia ser “mentalmente doente”. “Courtney era o tipo de pessoa que passou muito tempo crescendo se olhando no espelho, praticando a sua aparência para a câmera”, escreve Gordon. Del Rey recebe o seu pior. “Hoje temos alguém como Lana Del Rey, que nem sabe o que o feminismo é”, escreve Gordon sobre a declaração da jovem pop star de que ela não se importa com o feminismo e não sabe se quer estar morta ou viva. “Será que ela realmente acredita que é bonito quando músicos jovens se envolvem com drogas e têm depressão, ou é apenas a personalidade dela?” Ouch.

Talvez o desprezo de Gordon tenha dado às duas um sentimento de solidariedade, porque esta noite, como Thelma e Louise, Lana Del Rey e Courtney Love estão caindo na estrada, para uma turnê por oito cidades em que Del Rey será a atração principal e Love será a abertura.

Não há muito o que conecte as duas musicalmente. Lana sussurra canções pop, Courtney grita rock; Lana faz beicinho e olha para o chão, Courtney aperta e te encara; Lana é uma estrela da era da internet, se é que um dia existiu uma, a era da Courtney era o grunge dos anos noventa. Mas elas compartilham um lugar de garota má na música que é certo para fazer esses futuros shows surreais, potencialmente embaraçosos — e muito, muito emocionantes.

O que é uma menina má, exatamente? Rihanna se considera uma — @badgalriri — mas ela é muito amada para ser uma menina má de verdade. Uma menina má de verdade deve ser tão insultada como ela é adorada, e principalmente sem medo das consequências. Quando Del Rey foi ridicularizada pelos críticos após o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, Born to die, por causa de suas letras niilistas sobre relacionamentos deprimentes com homens venenosos, ela respondeu com um álbum, Ultraviolence, que só amplificou seus temas autodestrutivos, meditando sobre dependência de drogas, e em entrevistas para promover o álbum, contemplando publicamente sua morte. Na faixa “Sad Girl”, ela repete a frase “Eu sou uma menina má” mais e mais, como se estivesse pronunciando as palavras com os lábios franzidos. Love, por sua vez, jogou seu compacto na Madonna ao vivo durante uma entrevista com o Kurt Loder da MTV; foi acusada de usar heroína durante a gravidez, e ameaçaou atacar o jornalista que fez a acusação; e, nos bastidores de um Lollapalooza particularmente estridente, atacando fisicamente Kathleen Hanna.

O novo documentário sobre o Kurt Cobain, Montage of Heck, explora como uma mistura estranha de culto da celebridade e de doença mental pode ter levado ao eventual suicídio de Cobain, baseando-se em entrevistas com Love como prova. Morte, drogas e violência não são brincadeira, claro, o que é um ponto que trouxe Del Rey e Love juntas uma vez antes. Quando o entrevistador perguntou Del Rey sobre o seu amor por Amy Winehouse e Cobain, Del Rey disse “Eu queria estar morta”. Isso irritou Gordon, mas também chamou a atenção de Frances Bean Cobain, que respondeu no twitter: “Eu nunca vou conhecer o meu pai porque ele morreu jovem, e isso se torna desejável porque pessoas como você acham que isso é legal. Bom, não é.” (Del Rey tentou esclarecer suas declarações no twitter, em seguida excluiu os tweets).

Há algo mais para se observar na garota que amamos odiar e na garota que ama ser odiada: Del Rey e Love vivem na confusão. Elas levam os socos, figurativamente e literalmente às vezes. É fácil fazer um levantamento histórico do pop e encontrar meninos maus – James Dean, Tupac, Mick Jagger, Rimbaud, Caravaggio – que recebem crédito para a mesma agressividade e perigo que fazem Love e Del Rey suspeitas. Por que é tão mais preocupante quando se trata de uma mulher?

Del Rey e Love já provaram as suas intenções, Love com o seu clássico álbum Live Through This, Del rey com o seu maravilhoso e deprimente álbum Ultraviolence. Ambos são belamente trágicos e cheios de desespero. Love escreve letras sobre mulheres desprezadas — bruxas queimadas, mães ruins, bonecas quebradas, rainhas da beleza caídas. “Eu sou a Miss Mundo, alguém me mate”, ela canta no álbum. Del Rey vai ainda mais fundo no abismo. Ela canta sobre tudo o que ela supostamente deveria não querer, sair com homens abusivos, usar o sexo para conseguir o que quer, ansiando por poder e bens materiais. Até o título do álbum, tirado de Laranja Mecânica, foi irresponsável no ano da ISIS [nota do redator: Estado Islâmico do Iraque e do Levante], ataques aéros e tiroteios policiais. Aqui estão as mulheres que querem ofender, e muitas vezes conseguem. Quem se preocupa em ser bom, elas parecem dizer, quando você pode ser grande?

Você poderia chamar isso de trem desgovernado da escola de celebridade, uma fama tão carbonizada e desastrosa que você não pode desviar o olhar. Ou você pode reconhecer que há algo de inegavelmente atraente, até mesmo inspirador, nas mulheres que são apresentadas como exemplos de tudo o que não deveríamos ser.

 

Por Alex Frank
Tradução por Ana Luiza Guimarães

Redação LDRA
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