Análise | “I heard the sirens” – May Jailer em Sirens, 2012

por / sexta-feira, 15 maio 2015 / Publicado emAnálises, Colunas

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Vamos comemorar o mês de maio, porque além de ter começado a turnê “Endless Summer” – Verão Sem Fim – foi nesse mês, em 2012, que o álbum Sirens de Lana Del Rey vazou na internet e pudemos então conhecer um dos primeiros álbuns da cantora nova-iorquina. Porém, antes de tudo, é necessário compreendermos mais a fundo esse álbum – primeiramente, devemos conhecer as faixas do álbum e, ao final, entender o que Lana pretendia nos transmitir com as canções. Assim, o álbum é composto pelas músicas: For K, Next To Me, A Star For Nick, My Momma, Bad Disease, Out With A Bang, Westbound, Try Tonight, All You Need, I’m Indebited To You, Pretty Baby, Aviation, Find My Own Way, Pride, Birds of a Feather.

Playlist Sirens

Sou suspeito em falar sobre esse álbum, pois sou APAIXONADO por ele, mas vale saber que as canções de Sirens foram escritas e gravadas entre 2005 e 2006. Lana o lançou sob o pseudônimo de May Jailer, a qual possuía apenas 20 anos de idade. Pelo fato de ainda ser muito nova, o álbum foi considerado juvenil, além de que ela, nesse período, assumiu o desafio de escrever o maior número de músicas possíveis com apenas quatro acordes que tinha aprendido em sua guitarra, e por isso o álbum possui características folk, apresentando apenas Lana no vocal e sua guitarra como melodia. Vale lembrar que o produtor de Sirens é desconhecido – assim como ele pode nem ter chegado a ser produzido – e não se sabe se as canções foram sugestões dele ou da própria May Jailer.

Quanto à temática do álbum, muitas letras referem-se a um amor perdido, à perda da pureza e à vinda da idade de uma garota de apenas 20/21 anos. O tema gira em torno do enigmático K, tendo a apresentação de como ela o conheceu em “Next To Me”, a primeira música que Lana escreveu sobre esse homem. Ainda é contado como se dá a morte desse rapaz em “For K (Part 1)”, ele também é citado na canção “My Momma”, além de ser mencionado no próximo EP da cantora, o Lana Del Rey A.K.A. Lizzy Grant.

trash

Só para entendermos um pouco da morte e do encontro de Jailer com K, escrevi a análise das canções desde o encontro até sua morte – vale lembrar que aqui iniciarei por “Next To Me” e depois irei para “For K (Part I)”, porém, no álbum as canções são invertidas. Let’s go

May Jailer começa “Next To Me” nos contando que espera o sol nascer, pois mais um dia está feito e acabado, mas em algum lugar, provavelmente num bar nova iorquino, Lana pergunta o que o Boy estava fazendo, se ele gostaria da giphycompanhia dela, como ele estava e se gostaria de se sentar ao lado dela. K, por sua vez, responde que não sabe, que Elizabeth é muito bonita – além disso ele é um bom homem, vive uma vida boa em uma casa boa, só que apesar de ele ser casado com uma ótima esposa, está cansado de tomar decisões sem pensar. Como se tivesse passado um dia inteiro, Lana já está no fim da tarde esperando para observar a lua brilhante, porque outra noite chega para novas horas se desenrolarem até a noite acabar. E novamente, nessa mesma noite, ela pensa em chamar K para sentar ao seu lado. Após ler análises e saber do lado wild de Lana, pode ser que a garota da canção que quer se envolver com K seja uma garota que tentou fazer sexo com ele, porém, ele era casado e tinha uma boa vida. Contudo, a canção termina durante a noite e For K (Part 1) se inicia durante a madrugada.

Em linhas mais criminals, notamos que May inicia a música com a expressão “drive-by”, apesar de na tradução estar no sentido de “perigo”, também pode ser interpretada “tiroteio”, ou seja, um tiroteio provavelmente ocorreu tumblr_mg74jhSOtt1r47k2fo1_500durante um domingo de madrugada. Temos essa noção de tempo, porque May diz estar na cama com a luz apagada, porém sirenes de ambulância/polícia interromperam o silêncio da calada da noite. Com toda essa confusão, ela questiona de forma sarcástica se cometer um crime era o que K planejava. Com certa indignação é contado que o criminoso era uma pessoa legal, com um bom emprego, mas passaria 30 anos na prisão pelo ato culposo que cometeu, por isso, a cantora repete a mesma pergunta sarcástica anterior, mas dessa vez quer saber se ele queria aquilo o tempo todo. Depois disso tudo, temos a primeira informação de que K é amigo de May Jailer, ela pensa nele sempre com sentimento de saudade e das lembranças de quando tomavam vinho branco juntos. Por conta dessa privação da companhia do rapaz, a jovem não se sente mais livre – mesmo não sendo ela quem está na prisão – e pergunta mais uma vez se K cometeu aquele crime para deixá-la para trás. Finalmente May nos “esclarece” qual foi o crime cometido por K, após ter sido julgado na tentativa de redução da pena de 30 anos, mas isso não foi possível, porque descobriram que ele cometeu duplo homicídio, o que o levou à sentença de morte. Com um final triste e surpreendente, May Jailer termina a canção perguntando se K havia cometido aquele duplo homicídio porque queria morrer. Dessa forma, galera, fica a dúvida no ar sobre o real motivo do assassinato cometido.

Assim, em 2006, Sirens surgiu oficialmente quando um blog disse possuir um “álbum da Srta. Grant que nunca ninguém havia ouvido”. Entretanto, as canções do CD não estavam nomeadas, exceto “Faixa 1”, “Faixa 2″… Nenhum título podia ser confirmado, a não ser “Junky Pride“, “A Star for Nick“, “Out With A Bang” e “Bad Disease“, pois essas músicas já haviam sido reproduzidas em plataformas online com esses nomes. O resto foi simplesmente criado por fãs. Eis o álbum que o blog menciona abaixo:

May-Jailer-Sirens

Logo em seguida vieram as críticas e muitos jornalistas da imprensa compararam Sirens com o álbum Pieces of You, da cantora Jewel, devido a sua vibe folk, que ainda somos capazes de ver e sentir no seu estilo atual. Foi também comparado ao EP não lançado de Lady Gaga, o Red & Blue, devido à falta de produção de estúdio e o lançamento antes da fama. As críticas surgidas depois do vazamento do álbum foram positivas em todos os sentidos, inclusive vindas dos fãs, que elogiaram os vocais simplórios e os sobretons de Elizabeth Grant. Becky Bain, de Idolator, comentou que “ao passo em que os vocais dela são frequentemente fracos e instáveis, o seu tom soa delicado e doce em todas as simples faixas do álbum”, e reforçou os comentários sobre o tom de voz de Lana ao dizer que “é também muito interessante escutar May apresentar canções escritas em seu estilo, assim ela não precisa cantar na sua voz mental e adotar aquela meiguice e espírito de menina flertante”. Muitos críticos disseram que escutariam o álbum numa cafeteria em uma pequena cidade, e a elogiaram por sua vibe puramente acústica.

Ride

Por fim, não é para menos que o álbum Sirens mereça ser analisado, pois é rico em informações e ótimo para se ouvir numa cafeteria de uma cidade pequena (rs)! Só gostaria de lembrar que todas as informações foram retiradas do Lanapedia.

Beijos, espero que tenham gostado e fica o recado:

lana-del-rey-hates-live-show-studio-singer-fuse-interview

Por Pedro Bossonario

Pedro Bossonario
Estudante de enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, porém, Apaixonado por pinturas, livros, filmes, músicas, cantores, artistas, fotografia, tudo que envolva cultura. Gosta de criação e publicações de imagens e textos, então decidiu iniciar por uma de suas cantoras preferidas.
  • DONATTO

    só uma correção de tradução: no lanapedia, quando eles dizem na review “head voice”, não é “voz mental”, se refere a uma técnica do canto, chamada “voz de cabeça”. O nome ja fala por si só, é uma técnica que leva a ressonancia da voz a se alojar na região da cabeça, saindo do peito (voz que usamos pra falar mais naturalmente). Um exemplo é o final de off to the races, aquelas notas agudas de cola do meio pro fim da música, etc

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