Confira a matéria do The Huffington Post sobre a evolução de Lana Del Rey

por / sexta-feira, 24 abril 2015 / Publicado emNotícias

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A EVOLUÇÃO DE LANA DEL REY

Uma análise de como Lizzy Grant virou uma das maiores estrelas de nosso tempo criando uma ilusão de nostalgia.

 

Pronta para embarcar em sua Endless Summer Tour, a altamente criticada e igualmente celebrada Lana del Rey virou uma pessoa de interesse e intriga para fãs e céticos também.  Gostando de sua música ou não, ela fez um nome para si e tem um seguimento astronômico para prová-lo. Mas o que faz sua música tão viciante para os milhares de obstinados fãs de LDR? Bom, eu posso te dizer que não é apenas a música. Mais ainda, é a emoção particular que ela evoca, e para entender isso precisamos entender a pessoa por detrás disso.

Antes da dramática e ousada Lana del Rey emergir, havia Lizzy Grant, que começou a apresentar-se com 21 anos em bares de Nova York e Open Mic Nights (eventos em que a plateia pode se apresentar, “Noite do Microfone aberto” em tradução livre) assim como qualquer outra aspirante a cantora na cidade. A voz de Grant, embora familiar, era quieta e pobre em confiança. Em um de seus primeiros shows, ela está em um palco pouco iluminado, usando uma camisa, jeans e um cabelo loiro preso em um rabo-de-cavalo – Um look casual que contraria tudo que associamos com a Glamour Queen que conhecemos agora.

Nós não ouvimos muito sobre Lizzy Grant porque sua grande chance nunca veio, de fato, justo antes da primeira canção de Lana del Rey aparecer no Youtube, os perfis em redes sociais de Lizzy Grant misteriosamente desapareceram da internet. Sem o conhecimento do mundo, uma transição estava em andamento.

ENTRA: LANA DEL REY

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Quando Elizabeth Grant reentrou em cena, ela mudou muito mais que apenas o nome. Seu cabelo era um dourado escuro e brilhante, acabando em volumosas ondas. Ela usava uma maquiagem elegante, lábios carnudos e uma disposição confiante para combinar com uma voz forte e sensual. Era uma persona inteira criada com o melhor do passado. Ela era como uma relíquia da antiga Hollywood dos anos 40, inconfundivelmente glamourosa, e isso ficou muito à seu favor. Sua identidade como Lana del Rey é uma caricatura da figura que ela sentia combinar com suas canções, e eu não duvido de que isso estava em Lizzy Grant o tempo inteiro. Talvez ela apenas precisasse de uma ajudazinha para executá-la. Lana del Rey é auto descrita como uma “Nancy Sinatra gangster” e diz que sua inspiração inclui “Todos os melhores”.

Mas o que eu acho mais fascinante nessa estrela são as ideias nas quais ela se baseia em busca de inspiração lírica. Ela já cantou sobre a poesia Beat, Lou Reed e coleções de Jazz, e seus vídeos tem a aparência agradável de produção amadora justapostos com temas cinemáticos românticos e luxo. É tudo sobre evocar as emoções associadas com nostalgia, como se sua jovem vida já estivesse cheia até a borda com experiências e sofrimentos, e nós estamos lendo sobre isso ou assistindo como num filme. Contudo, a maioria dos fãs de Lana del Rey está abaixo dos trinta, e a maioria deles dificilmente viveu isso em seus primeiros vinte anos, então o que eles sabem sobre a poesia Beatnik e a antiga Hollywood, alguém pode perguntar? Provavelmente nada, mas isso não importa. Quase todos os temas que Lana del Rey canta são atemporais e é por isso que alguém de 18 anos em um show dela pode sentir como se a música fosse sobre sua vida, mesmo que não tenha vivido nada daquilo.

É como assistir um romance de drama de 1940 e estar completamente absorto em esquecer o fato que você é o expectador e não a donzela principal. Lana del Rey é uma narradora que é toda sobre justaposições, ainda ingenuamente experiente, tímida porém confiante, linda porém sozinha. Qualquer um consegue se relacionar com esse choque de emoções, e se alguém não consegue, ama assistir – assim é a base de seu sucesso. Essa análise não tem a intenção de ser uma crítica, mas sim, um elogio. Tendências repetem-se o tempo todo, e é preciso habilidade para apresentar algo do passado de modo que ainda cative uma audiência.

Não obstante, ela encarou sua dose de julgamentos em seu caminho. NY Daily News disse que não acharam as tendências de reciclagem de Del Rey atraente, falando de suas músicas: “Elas induzem apenas à dor de cabeça que vem com o reconhecimento: ‘Isso de novo?’”. E a cantora Lorde declarou em uma entrevista que ela não acha os temas de Del Rey saudáveis, muitos dos quais apresentam uma tendência à co-dependência: “Esse tipo de coisa como ‘puxão de camisa’, desespero, ‘não me deixe!’ Isso não é uma coisa boa para garotas jovens escutarem.”

Seja como for, vários dos fãs que apoiam Lana del Rey são garotas jovens, então só podemos esperar que elas não levem a sério demais o que ela diz sobre corações partidos.

A transformação de Lizzy Grant em Lana del Rey foi silenciosa e rápida, mas ninguém poderia esperar a estrela que surgiria para encantar a todos como ela. Ninguém exceto Noah Levy, editor sênior da revista In Touch Weekly. Em 2012 ele disse ao The Guardian: “Ela um dia estará na capa da Rolling Stone”. E em 2014, lá estava ela.

Não é de fato surpreendente quando você pensa nisso, sendo que ela explicitamente incorpora tudo de charmoso, sedutor e bem-sucedido das gerações passadas. Lana Del Rey é uma estrela nova criada a partir de músicas antigas e ideias ainda mais antigas – e ela fez uma fortuna fazendo isso, porque cada vez que a história se repete, o preço sobe ainda mais.

 

Por Profoundly Human/The Huffington Post
Tradução por Andrei Krummenauer

Redação LDRA
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