A metamorfose de Elizabeth Woolridge Grant

por / quinta-feira, 02 abril 2015 / Publicado emColunas, Textos

Lana Show

A metamorfose de Elizabeth Woolridge Grant

Eizabeth Woolridge Grant nasceu em Nova Iorque em 21 de junho de 1985. Atualmente, é cantora e conhecida pelo nome artístico Lana Del Rey. Há quem acredito que a mudança de nome foi inspirada na combinação da atriz Lana Turne e do carro Ford Del Rey, outros que ela criou a identidade num bate papo com amigos cubanos, contudo, a cantora nem sempre almejou ser uma diva de referência por seu estilo retro dos anos 50 e 60 no início de seu sucesso, ou uma sex symbol com imagem mais moderna e praiana, devido seus novos singles.

Lana Turner

May Jaler

Sem maiores informações a serem investigadas, sabe-se que Lana possui um álbum nomeado Sirens pelos fãs, foi lançado sob o pseudônimo de May Jailer e gravado entre 2005 e 2006. O álbum vazou no youtube em 2012, contém 15 faixas, tem como gênero o folk, porque a cantora canta todas as canções ao som de um violão, por conta disso todo álbum possui o mesmo ritmo acústico.

Inicialmente, Elizabeth Grant ingressou descompromissada nos palcos de clubes da cidade de Nova Iorque, com o tempo, passou a usar pseudônimos e a frequentar boates de Brooklyn como nova cantora nova-iorquina num cenário underground. Apesar de ter feito amizades durante esse percurso e ter começado a se consagrar como cantora, nunca teve a intenção de cantar profissionalmente. Nesse período estudou filosofia na Universidade de Fordham e confessou ter tido problemas com envolvimento de drogas, bebidas e uma paixão que pensou que duraria para sempre. Apesar de se dizer não mais etilista está sempre com o cigarro na mão/boca, com o conhecimento de seu passado, torna-se mais compreensível as temáticas de suas canções quando nelas encontramos termos ou versos como yayo, “Let’s go get high”, “cigar hangin’ from your lips”.

Nesse sentido, antes da transformação para Lana Del Rey, Elizabeth tentou em 2008 o lançamento frustrado de um EP intitulado Kill Kill com três canções, nas faixas selecionadas podem-se perceber as referências de jazz, blues e eletrônica, além de vocais que lembram a voz doce de Marylin Monroe em seus consagrados filmes. Observa-se que Lana é fã de Marilyn, porque além de trechos musicais em que a voz da cantora fica extremamente aguda, no clipe National Anthem a cantora recria a canção “happy bithday Mr. President” de Monroe para o Presidente Kennedy de forma menos rústica, mas com referência fiel ao ato.

Happy Lana

Happy Marilyn

Após tais acontecimentos, a garota com seus 24 anos lança em 2010 o álbum Lana Del Ray a.k.a. Lizzy Grant com treze faixas pela produtora “5 Points Records” de David Kahne. Entretanto, não chegou a fazer sucesso, porque mesmo tendo sido lançado principalmente na loja on line do ITunes, acabou por ser retirado. Nesse ponto ninguém reconhece os motivos concretos, nem a cantora entrou em detalhes ainda sobre tal situação, por isso há um mistério que cerca o rompimento de Grant com Kahne.

BornDessa forma, após rompimentos e mistérios, agora sim intitulada Lana Del Rey, a cantora surge com tudo em 2011 ao estourar com o hit “Video Game”, além de aparecer em diversos meios de comunicação com o tema central voltado para músicas. Vemos, então, uma Elizabeth transformada em Lana Del Rey, com cabelos imensos em colmeia, unhas compridas e bem pintadas, vestidos impecáveis e melhor que isso, uma voz firme que marca presença aonde quer que seja escutada. Finalmente é lançado o primeiro álbum de sucesso “Born to die”, a carreira da cantora a partir desse momento só tende ao sucesso.

Junto aos hits, não podemos deixar de comentar os clipes criados e editados pela própria cantora que contou com a participação de modelos como Bradley Soileau, Shaun Ross, Asap Rocky ou ainda seu ex-namorado Barrie-James O’Neill. Os clipes trouxeram marcas próprias como os filtros retros, as paixões das personagens vividas nas letras musicais por homem branco, negro ou velho. Também contamos com uma paixão lésbica em “summertimes sadness”. Não podemos deixar de lado a curta metragem “Tropico”, em que a cantora/cineasta faz uma temática que podemos remeter fortemente a escola literária brasileira barroca, o desejo entre o pecaminoso e a crença divina.

Summer wine

Por conta de sua atitude nas músicas, seu medo em não falar do glamour, do sexo e dos junkies é que cada vez mais a cantora Lana Del Rey se destaca. Atualmente tem realizado trilhas sonoras para filmes como “Now is Good”, “Great Gatsby”, “Maleficent” e “Big Eyes”. Com toda essa bagagem em sua carreira, não é para menos que a cantora tenha sido indicada a 11 prêmios e levado para casa 8 deles.

Por fim, sem medo de gerar polêmica com suas músicas, mesmo já tendo declarado que dormiu com homens da indústria musical, Lana Del Rey não se deixa intimidar (nem deve) pela fala dos outros. Tem trilhado uma carreira formidável capaz de ganhar ainda mais fãs aonde lhe permitirem que suas músicas sejam tocadas. Lana Del Rey é encantadora.

 

Espero que tenham gostado. Beijos <3

Beijos

Por Pedro Bossonario

Pedro Bossonario
Estudante de enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, porém, Apaixonado por pinturas, livros, filmes, músicas, cantores, artistas, fotografia, tudo que envolva cultura. Gosta de criação e publicações de imagens e textos, então decidiu iniciar por uma de suas cantoras preferidas.
  • Raphael Lucas

    Amei. Eu gosto do Sirens, e vejo ele como o incio, o gênesis. Deposi vem o Kill Kill/ A.K.A Lizzy Grant, que já se diferencia pelo próprio nome Lana Del RAY na capa. Até temos Lizzy Grant e May Jealer, mas nada de Lana Del Rey. Como se aquela fada madrinha de Cinderela tivesse vindo pessoalmente até aquela garota loira de cabelo curto e a transformasse numa ruiva dos lábios carnudos e vez potente (Apesar de algumas lives deixarem a desejar). Born To Die tem toda uma sonoridade incrivelmente diferente dos seus últimos trabalhos, e é quase impossível dizer que a pessoa que gravou For K (1 e 2) gravou Off To The Races, portanto, não acho que Lana Del Rey seja apenas um nome, um pseudônimo, e sim, uma pessoa de verdade, uma criação de Lizzy Grant. (Como um belo alter ego). Depois de Born To Die, o álbum do amor, e Paradise, o do sexo. (Li algo assim em um blog, que infelizmente não me lembro.) Temos o Ultraviolence. Ele é SUPER diferente. Lana pintou o cableo em tons escuros, não usa mais aquelas roupas estilo menininha e trocou de maquiagem (até os lábios ficaram menos notáveis!) Foi como se o Ultra fosse uma mensagem de Lana Del Rey para Lizzy Grant (O que se tornou até obvio com Fucked My Way Up To The Top). Essa Lana de Ultraviolence não é a mesma de BDT ou Paradise, ela se assemelha com a Lizzy Grant de A.K.A e de Sirens. Estou ávido por Honeymoon e no que ela vai se transformar. Realmente, uma metamorfose ambulante…
    Btw, amei o texto <3

  • Cece Jailer

    Vale falar que a Lana não só “tinha problemas com drogas e álcool”, mas também é alcoólatra e foi mandada pra um internato por isso. E eu digo “é” alcoólatra por que alcoolismo não tem cura, e ela mesma diz que ainda tem que se controlar todos os dias pra não voltar a beber 🙂

  • Amber

    Não creio que summertime sadness seja direcionado a uma paixão lésbica.

    • Peu Bossonario

      O que quis dizer foi a diversidade de histórias que ela nos passa nos clipes e afins 🙂

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