ANÁLISE | “POOLSIDE Short Film”

por / terça-feira, 10 março 2015 / Publicado emAnálises, Colunas

PoolSide

Quando falamos em Lana Del Rey, podemos notar em suas músicas e em todo o contexto que a envolve referências a músicos, filmes, livros, artistas e tantas outras pessoas e fatos do meio cultural e histórico. Por isso, não é de se estranhar que Lana já tenha participado de um curta metragem há alguns anos. Sim, nossa diva realizou um filme como uma das personagens principais. Para nos aproximarmos um pouco mais da carreira da cantora, resolvemos analisar o filme PoolSide, que inicialmente pode parecer um pouco confuso, mas garanto que não é. Rs! Para não me chamarem de chato, já aviso que há spoilers no decorrer do texto, ou seja, caso você queira ver o curta antes, basta dar play para assistir legendado em nosso site. <3

Shades

O filme Poolside, em português “À Beira da Piscina”, é um curta metragem de 15 minutos de duração, dirigido por Aaeron Peer. Estrelado por Elizabeth Woolridge Grant, creditada sob seu apelido Lizzy Grant, ela interpreta Lisa, moradora de uma casa de luxo. Foi estreado no Picturestart Film Festival, em Nova Iorque, em 5 de junho de 2010. Foi lançado pela primeira vez online em 31 de julho no Vimeo e em 1 de agosto no YouTube, ambos no ano de 2012. O filme teve um orçamento de US$ 400 com contribuições de amigos e familiares.

Asphalt Jungle

Quanto ao gênero, o filme pode ser considerado como neo-noir. O gênero noir foi bastante comum no cinema norte-americano da década de 1940, no qual sempre traz um retrato pessimista e cético do mundo. Nele os personagens masculinos não possuem valores morais claros para o espectador, já as personas femininas seguem a linha femme fatale, uma metáfora para independência feminina como percebemos, por exemplo, no filme Asphalt Jungle de 1950, no qual Marilyn Monroe interpreta Angela Phinlay. Nesse sentido, os filmes noirs procuram utilizar sombras dramáticas, alto contraste, e película em preto e branco. Também é conhecido pelo uso de ângulos de câmera não convencionais; então, em Poolside, apesar de ser colorido, notamos característica de filmagens rústicas, que relembram a imagem formada pelas câmeras antigas que filmavam em preto e branco. Outros dispositivos de desorientação utilizados nos filmes noires incluem pessoas filmadas em espelhos, ou contra múltiplos espelhos, filmagens através de vidros, e várias exposições. Finalmente, a moral do desses filmes tendem a ser ambíguas e relativas. Os personagens podem aderir a determinado objetivo moral, mas sempre apresentam comportamentos extremistas como percebemos no final de Poolside, quando JP foge e deixa Ray para trás.

Primeiramente, devemos ter em nossas mentes antes de tudo, que Del Ray não aparece o tempo todo, nem é uma história focada na personagem, mesmo porque, os protagonistas são dois limpadores de piscinas: Ray (Aaeron Peer) e JP (Charlie Alberto). Pois bem, depois de toda essa análise, comecemos a falar desse filme que inicialmente parece ser tão complexo no entendimento, mas observaremos que desde o início nos dá pistas do que vai acontecer, ou seja, nos envolve de forma a questionar a amizade dos dois personagens companheiros.

Fuma

Bom… Numa das primeiras cenas, assistimos a Lana dialogando com Ray, primeiro limpador de piscina a aparecer. A principal percepção que temos é a Lana que encontramos, pois ela está diferente do que estamos acostumados. Com ar tropical, Lizzy está loira, com sobrancelhas pretas, biquíni e fumando nas escadarias de sua casa. Lisa questiona quantas vezes Ray limpa piscinas e comenta sobre seu novo vizinho possuir um limpador automático de piscinas; ele responde: “Uma vez por semana há três verões”, ou seja, é um funcionário provavelmente de confiança, habituado a frequentar aquela residência.

 No tempo 1 min e 40 seg, já são dados indícios de qual caminho o filme irá trilhar, pois Ray fala sobre como é trabalhar na casa de pessoas ricas e cita palavras chaves como roubo e chave, dois elementos que estão totalmente ligados ao desenrolar do roteiro. Depois disso, durante um diálogo entre JP e Ray, é nos contado que Ray gosta de limpar as casas de elite, localizadas em Nova Jersey, porque pode roubar dos ricos uma série de objetos sem valor, pois, segundo ele, eles possuem tantas riquezas que nem percebem quando algo desaparece.

Após esse desabafo, temos ambos os limpadores na casa elitizada de Lisa, na qual somos apresentados a um novo personagem. Não é possível saber o que esse homem é dela, porém é um advogado que pretende viajar com a moça loira para Costa Rica. Ótima oportunidade para ser planejado um furto, e pensarmos nas semelhanças com o longa metragem de Sophia Copolla, Bling Ring lançado em 2013, em que o roteiro nos conta a história real de cinco jovens que roubam casas luxuosas em Los Angeles.

Bling Ring

Eis a primeira cena: em quase 6 minutos de filme, os dois limpadores de piscina não aparecem de azul, e sim de cinza. Talvez isso não seja importante agora, mas devemos perceber que é nesse decorrer de cenas que eles conversam mais profundamente sobre roubo. Ray conta seu sentimento ao roubar um isqueiro, provavelmente de 1970, de Beatti Jett. Dle sente como se tivesse um pedaço do homem roubado junto dele. JP, então, pergunta se o parceiro nunca xeretou nos pertences da casa de Lisa; como resposta, Ray diz que não, porém, somos transportados para cena em que JP, já de azul novamente, “canta” Lisa enquanto Ray corta a mangueira do limpador automático do vizinho. A “cantada” dá certo e Lisa propõe um encontro com JP.

Esse encontro entre Lisa e JP é meio perdido no roteiro, porque não é dado um motivo relacionado ao rapaz chegar no Harshey Motel, pedir à MotelLisa, secretária do motel, a chave de um quarto para dois… Toca uma música instrumental (poderia ter sido uma do álbum Lana Del Rey A.K.A Lizzy Grant que com certeza teria sido mais sucesso. Rs!!!)  mostra Ray entrando no quarto e em seguida Lisa chega, abre a porta, fecha-a, olha para o rapaz, e senta no colo dele. Ambos vestem camisas azuis. A cena é cortada, pressupõe-se que provavelmente ambos tenham feito sexo. Lisa está no banheiro, sendo filmada através de um espelho. A garota passa maquiagem na boca, enquanto JP, parcialmente nu na cama, rouba da carteira dela a chave de casa. Neste ponto, temos certeza que os limpadores de piscinas serão cúmplices de um crime. Podemos começar a ficarmos desesperados, porque já foram 12 minutos de filme, faltam apenas 2 para terminar, e ainda não aconteceu NADA de exuberante, por isso é importante termos paciência, porque o final é interessante e entenderemos cada vez mais a classificação do gênero noir.

tumblr_msveatAThD1rr0bkio9_250

No grand finale desse curta-metragem, temos a segunda cena em que os limpadores vão entrar na casa de Lisa e não estão de azul, ou seja, os dois momentos em que não vestem roupas azuis é no planejamento e dia/hora do roubo. Contudo, a invasão de domicílio dos dois parceiros não sai como planejada, porque aquele VIZINHO, que teve o limpador de piscina automático cortado, percebe estranhas movimentações na residência e liga para o serviço de emergência norte americano 911. Informa suas percepções e solicita uma viatura policial para checar o local. Nesse momento, Ray está na banheira e JP na piscina. O barulho das sirenes os assustam, só que JP foge com o carro deixando Ray para trás sozinho. Contudo, ao analisar a denuncia de uma outra maneira, observa-se JP no celular já dentro de um carro assim que a ligação é finalizada, ou seja, JP pode realmente ter denunciado a invasão se passando pelo vizinho ou o vizinho pode ter denunciado, já que a voz ao telefone não se parece com a de JP.

Enfim, antes que o filme termine, Ray narra que ele considerava JP seu parceiro, mas não esperava que ele o traísse. Porém, isso não foi um grande problema, porque, talvez, somente aquela repreensão policial fosse capaz de fazê-lo parar de roubar a casa de pessoas ricas… E esse final é fantástico, porque termina com o Ray provavelmente preso, pensando que JP foi quem o denunciou, quando na verdade foi o vizinho que ele mesmo prejudicou ao cortar a mangueira do limpador de piscina automático.

Por fim, esse filme de curta duração apresenta fotografia simples, sem grandes efeitos quanto ao ajuste da câmera, lentes, composição, enquadramento e luz, já que a característica visual dos filmes noires são fotografia preto e branco, iluminação de baixa intensidade, alto contraste entre o preto e branco, uso recorrente de fumaça e névoa, uso estilístico de espelhos e janelas, uso de close ups de rosto, como percebemos quando Lisa está no banheiro do motel sendo roubada. Agora que entendemos pouco mais desse filme, dá até para encarar um segundo play para revê-lo. Beijos!!!

Beijos

 

Por Pedro Bossonario

Pedro Bossonario
Estudante de enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP, porém, Apaixonado por pinturas, livros, filmes, músicas, cantores, artistas, fotografia, tudo que envolva cultura. Gosta de criação e publicações de imagens e textos, então decidiu iniciar por uma de suas cantoras preferidas.
  • RaphaellaPaiva

    Adoreeei, Peu! Maravilhoso como sempre <3 Enquanto isso fico aqui sonhando com a Lana estrelando algum filme…

  • marianamila

    Mas foi o JP que denunciou o Ray .-.

    • Peu Bossonario

      Acabei de rever poolside e considerei seu comentário, realmente pode ter sido JP. Já coloquei a sugestão na análise 🙂

  • Mel

    Achei que a Lana foi super mal dirigida no filme, e estava super canastrona, sem contar que a grana que eles gastaram nesse filme, foi totalmente desnecessária, sem contar os erros tecnicos (ok, perdoável) mas para a Lana atuar bem, só com um bom diretor ao lado dela, como em Ride. Desculpem as críticas, mas ela está mal no filme.

  • João Vianini

    Decidam por favor se foi de $400 ou $400.000 Na descrição do vídeo vocês disseram $400 e, sinceramente, acho $400.000 muito para esse filme.

    • Peu Bossonario

      Foram 400 dólares, foi erro de digitação!

      • João Vianini

        Obrigado. E desculpa por esse tom meio mal-educado aí em cima, nem me lembrava disso.

  • júlio Ary

    Nossa cara parabéns! Gostei da análise, eu não conhecia o curta, mas achei muito bom.

TOPO