“Encontro-me, às vezes, indo e voltando entre a escrita autobiográfica e vivendo falsamente através das minhas próprias letras”, confira a crítica sobre Lana Del Rey publicada no site Inquirer

por / domingo, 15 fevereiro 2015 / Publicado emEntrevistas

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Lana Del Rey: Eu era muito selvagem

Los Angeles – “Eu era muito selvagem”, admite Lana Del Rey, que reconta seus problemas passados em nossa entrevista. A cantora e compositora sofria de alcoolismo na adolescência. “Eu fui para o colégio interno (Kent School em Connecticut), o que não era comum, porque eu sou de Lake Placid (Nova Iorque).” Ela tinha apenas 15 anos, os pais dela a enviaram para Kent esperando que ficasse sóbria.

“Nós não conhecíamos ninguém que já tivesse ido á um colégio interno,” recontou Lana, de uma beleza impressionante em um top preto e saia, óculos de sol sobre sua cabeça.

O lado negro

GQ

 

Ela contou a GQ sobre seu vício em álcool: “Eu era a maior bebedora do momento. Eu gostava de beber todo dia. Eu bebia sozinha. Eu pensava  que a porcaria do conceito era muito legal. Uma grande parte do que escrevi em ‘Born To Die’ é sobre esses anos selvagens. Meus pais estavam preocupados, eu estava preocupada. Eu sabia que era um problema quando eu gostava mais de beber do que qualquer outra coisa. No início, tudo bem… você pensa que tem um lado negro – é excitante – e então você percebe que o lado negro ganha todas as vezes que você decide desfruta-lo. Isso foi a pior coisa que aconteceu comigo.”

Mesmo assim, Lana sentiu seu lado artístico. “No fundo do meu coração, eu realmente queria ser criativa. Eu realmente procurava por direção e validação, por alguém para dizer que isso não tem de ser um negócio, você pode fazer alguma coisa quando por toda sua vida vai acabar por ser a extensão de sua profissão.”

 

Cantora de Coro

Lana, que é descendente de escoceses, disse que escreveu seu primeiro som aos 11 anos de idade. “Ele se chamava ‘Chine Palace’. Era sobre ser uma princesa.”

Ela sempre esperou que tivesse talento, disse Lana, que foi criada como católica. “Eu era a cantora no coro da igreja. Eu era um anjo nos concursos de natais. Eu realmente gostava de cantar.”

A nativa de Nova Iorque, cujo nome real é Elizabeth Woolridge Grant (seu antigo nome artístico era Lizzy Grant), complementa, “Mesmo com pouca idade, eu realmente queria ter uma carreira. Eu não sabia se eu poderia. Essa frustração foi parte do que me levou para esse caminho. Eu tenho pessoas inspiradoras na minha vida – pessoas que conheci ao longo do caminho que não são muito conhecidas.”

Ela fez menção especial a uma tal individua, Jane Powers. “Ela é uma corretora de imóveis. E eu a conheci há sete anos em Nova Iorque e amei-a. Eu realmente queria ser uma cantora. ‘Eu dizia ‘eu não sei o que vai acontecer’. Ela dizia, ‘Deus não te salva de um afogamento somente para derrotá-la na praia. Tudo o que você realmente precisa é paciência quando você tem persistência’. Ela é um anjo.”

Inspirações criativas

Grants

Ela citou seu pai, Robert England Grant Jr.: “Ele é outra pessoa maravilhosa. Eu tenho muitas inspirações criativas. Eu amo (Frederico) Fellini. Há um documentário sobre ele, ‘I’m a Born Liar,’ que era realmente interessante.”

Bob Dylan a inspirava, ela disse, “o jeito que ele criava suas próprias histórias que o permitia criar seu próprio futuro. Eu me mudei para West Village (Nova Iorque) porque eu amava essa era na década de 1960 quando eles estavam criando um novo mundo.”

Lana ama as décadas de 50 e 60 tanto que ela se descreve como uma “gangster Nacy Sinatra.”

Em seus relacionamentos, que incluíram gravadoras e músicos, Lana confessou, “Eu costumava ser aquela que não deveria ser confiada, porque eu nunca tinha certeza. Eles disseram que quando você sabe, você sabe. Eu nunca soube. Quando você continua nas coisas mesmo ao pensar que você não sabe, não necessariamente faz de você confiável. Eu tenho tido desapontamentos nas relações em que eu estava realmente esperançosa, mas nunca porque a pessoas era desonesta – talvez não inteiramente dele mesmo ainda.”

Grande imagem cármica

“Eu tinha sorte em estar numa relação por um longo tempo onde muitas coincidências aconteceram dentro do relacionamento, quase como terminando as frases de alguém. Eu tenho tido sorte em estar, sem soar maluco, quase psiquicamente conectada em outro nível com alguém. Isso separou aquela relação das outras que pareciam boas, mas talvez eu tenha percebido que não foram tão significativas na minha grande, e cármica imagem da vida.”

“Infelizmente, ele não tem estado sentindo-se bem por quatro anos. Eventualmente, eu decidi mudar e tentar alguma coisa nova. Eu sou tradicional, eu acho, procuro por alguma coisa que faça tudo mais bonito do que já é.”

Ela está apaixonada agora? “Talvez,” ela responde com um sorriso. Lana esta namorando Francesco Carrozzini, um fotografo de moda italiano.

Como a carreira musical dela (o terceiro álbum, “Ultraviolence,” estreou no top do Billboard 200 ano passado), Lana disse, “Eu sinto que os três álbuns foram bem pesados e autobiográficos. Eles têm estado tão purificados. Eu gosto de usar meus trabalhos prévios como um ponto de partida para algo novo.”

“Eu estou pronta para mergulhar em ‘Lucy in the Sky With Diamonds,’ um lugar surrealista. É por isso que eu realmente gostei do que ouvi sobre Fellini e todos os filmes que eram overdubbed e os autores estavam contando e não dizendo linhas. Eu não podia acreditar nisso.”

Novo álbum

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O novo álbum de Lana, “Honeymoon,” inclui o cover de Nina Simone “Don’t Let Me Be Misunderstood.”

A cantora e compositora, cujo filme “Big Eyes” teve o mesmo título, ganhou uma indicação como melhor música no último Globo de Ouro, exultou o poder das palavras.

“Eu sou uma daquelas pessoas que acreditam que palavras são algumas das formas de magia que existem,” disse Lana, que ganhou sua primeira indicação ao Grammy ano passado. “Se você pode alterar o sentimento das pessoas através das rimas, dísticos e melodias, é realmente um trabalho divertido de se ter. Encontro-me, às vezes, indo e voltando entre a escrita autobiográfica e vivendo falsamente através das minhas próprias letras”.

“É uma forma de escapar de mim de algum jeito, agora que eu não saio mais. Assim, definitivamente, se você tiver sorte suficiente para fazer o que você ama, isso pode ser toda a sua vida. Eu sou muito sortuda.”

Ela descreveu seu processo de composição: “Eu gosto de escrever à noite. Eu vivi em Nova Iorque por 10 anos. Eu nunca pensei que me mudaria para costa oeste. Agora eu estou na Califórnia, eu acho que eu realmente amo escrever quando está muito quente. Então eu gosto do verão; Eu sou uma caçadora de sol. Tudo é verão. Eu tenho sido proibida de usar essa palavra.”

 

O amor e os trópicos

“Eu gosto de estar apaixonada quando eu estou escrevendo. Eu não gosto de nada tropical e exótico, nada Tahitian, Hawaiian.”

Lana teve dificuldades quando seu trabalho foi criticado. “Eu tenho estado triste por diferentes razões. Eu tenho minhas razões pessoais. Eu estava desapontada quando eu fui criticada no início das músicas em que eu era atacada, porque me considerava uma escritora. Talvez o jeito que interpretei me atrapalhou. Isto foi decepcionante por alguns anos.

“Nova York foi minha grande inspiração. E, em seguida, estar na TV de Nova York e sentindo como se isso realmente não ia bem (sua performance de duas músicas no ‘Saturday Night Live‘ foi criticada)… e me mudar para a Costa Oeste e reorientando tudo. Eram muitas mudanças.”

Questionada sobre como ela está agora, Lana, 29 anos, e prestes a embarcar em uma turnê este ano com Courtney Love, respondeu: “A primeira coisa que eu preciso é ser feliz, o que pode ser difícil quando você fica 7 meses em turnê durante o ano.”

Wild

Por Ruben V. Nepales

Tradução por Pedro Bossonario

Revisão por Kassia Lasarino

 

Redação LDRA
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