O motivo pelo o qual você AMA Lana Del Rey

por / domingo, 04 janeiro 2015 / Publicado emColunas, Textos

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Para amar Lana Del Rey e entender a sua música não é preciso de muito, como costumam pintar por aí. Para senti-la e entendê-la, você não precisa se preocupar em ler tudo sobre a geração beat, nem os principais poemas de Allen Ginsberg e Walt Whitman. Para se identificar com sua vida, você não precisa percorrer todos os lugares citados em America, Why I Love Her, de John Wayne, nem se interessar por filmes noir, ou, tampouco, viver sob filtros de polaroid.  Amar Lana Del Rey vai além disso… é mais simples, e não menos profundo e intenso.

Quando ouvi Lana pela primeira vez, eu passava por um turbilhão de problemas – muitos desses sem saber realmente de onde vinham. E, ao escutar os primeiros versos de Born To Die em janeiro de 2012, eu fiquei paralisado. Ela descrevia cada fragmento dos meus pensamentos e, com sua fusão de palavras selvagens e delicadas, me fez senti-la do fundo da minha alma. Eu nunca havia sentido e nem ouvido aquilo até então.

Algumas pessoas não entendem o que nós, admiradores, vemos nela. Vivemos em uma geração atropelada pela superficialidade e facilmente controlada. Nossos momentos e sentimentos precisam ser seguidos por um padrão para que seja perfeito e alegre. Aprendemos, desde o nascimento, a buscar pela felicidade plena e sermos felizes para sempre. Mas não é o que a vida, em seus dias mais conflituosos, parece ser.

Lana Del Rey nada mais é do que um ser humano que, naturalmente e milagrosamente, se desprendeu de qualquer corrente em que a vida nos prende. Uma mulher que está pacientemente atenta a cada suspiro ao seu redor.

Lana Del Rey não nos ensina a viver na tristeza e nos afogar em vícios, quem pensa que sua música o leva para este sentido, está indo para o lado errado. Sua música nos mostra que os momentos escuros são partes naturais e necessários em nossos dias, e que precisamos tirar proveito disso. Nem todos nascem com o dom da felicidade plena, e se o que o que te abastece é mais cinza, você precisa parar de buscar por cores. Ela nos mostra que estar (não ser) feliz é se satisfazer-se e entender-se com o que tem.

 

Se você já amou perigosamente alguém que te mostrou prazeres, ou se sentiu tal sentimento apenas em suas próprias mãos e percebeu que daria tudo por aquele momento – por mais sozinho que estivesse -, você sabe do que eu estou falando. Se, sentado em sua janela ou deitado no quintal, olhando para o céu escuro e as estrelas brilhando, rezou para sair de sua cidade e experienciar o que é a vida é, mesmo sabendo que jamais terá tempo para usufruir de tudo e chorou por isso, você também sabe do que eu estou falando. Se você já se apaixonou por um, três ou cinco no decorrer de sua pequena trajetória e ainda ama todos eles, tem certeza que se lembrará de cada rosto enquanto estiver vivo, você também sabe do que estou falando. Se, no final do colegial, olhou para uma lista de cursos da faculdade e não se identificou com nenhum, quis sair correndo do meio de seus amigos, gritando internamente por uma vida que não existe e nunca existiu em uma sala de aula, você também sabe. Quando deitou em lençóis desconhecidos ou levou estranhos para dentro apenas para sentir um pouco de amor, tesão, desejo, vida… E se você leu tudo isso e nunca viveu nada parecido, mas deseja, você tem um dom.

 

A imensidão de Lana Del Rey não se resume a loucuras de uma vida perdida, pelo contrário. Ela nos mostra a atenção que devemos ter com cada ruído e sensação que nosso corpo e mente nos permite olhar, sentir e tocar. E que cada momento vivido, vale a pena. Lana Del Rey me ensinou que a minha forma de amar nunca deveria entrar nos trilhos, e que eu encontraria alguém que olhasse para mim com admiração. Ela nos mostra que a vida, apesar de ser às vezes escura, às vezes colorida, às vezes um êxtase e, na maioria das vezes, dolorida, é o único momento que temos… e a admiração que existe em nós por ela, o que acreditamos que ela seja, é o que existe dentro de nós mesmos. Ela nos ensina como nos amar, por mais perdidos, insensatos, transformados e loucos que sejamos.

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Júnior Waldorf
Redator no Billboard Brasil
Ex reporter e redator da Billboard Brasil e estrategista de marketing virtual da Forbes Brasil, atualmente no marketing da cantora Wanessa.
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  • RaphaellaPaiva

    Gente da Billboard Brasil escrevendo pro LDRA… O Addiction está cada vez mais rico, ele é poderosíssimo.

  • http://glee-e-pizza.tumblr.com Lucas Castro

    Eu amo, praticamente, todas os textos e matérias desse site. Mas, sinceramente, esse texto me tocou profundamente. Perfeitamente perfeito. Disse tudo. Parabéns ao site e a todo seu crescimento. :3

  • Karol Vale

    Um dos melhores textos do site! Conseguiu colocar em palavras tudo que penso… <3

  • Lidia Gomes

    Descreveu exatamente o que eu sinto o que mais me chamou atenção na Lana a principio foi o detalhismo que ela coloca nas suas músicas, não é preciso conhece-la para perceber o quanto as suas músicas são sinceras. E como foi dito na matéria nessa geração em que estamos vivendo tão superficial onde a música nada mais é do que lucrar precisamos de muitos artista como a Lana.

  • João Michaelis

    me identifico muito com a parte em que vc fala do colegial, de ter uma vida que não está no padrão, ou de transar com desconhecidos pra poder sentir um pouco desejado, estou no colegial e já fiz e me sinto totalmente assim. As músicas dela simplesmente me representam e tem uma mágica e um poder sobre mim que realmente não entendo.

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