ICONIC SOUL | David Lynch: A experiência do cinema neo-noir que definiu Lana Del Rey

por / terça-feira, 27 janeiro 2015 / Publicado emColunas, Iconic Soul

“She wore blue velvet, bluer than velvet was the night; softer than satin was the light from the stars…” Ah, Blue Velvet, essa melodia suave, melancólica e sombria que foi um divisor de águas entre o que achavam de Lana Del Rey e o que ela realmente se tornou: um ícone digno de cultura e referências cult tão verdadeiras que ninguém conseguiu mais negar. E essa referência é o tema da Iconic Soul de hoje – as influências que David Lynch provocou não apenas no ideário de uma única jovem cantora, mas sim de toda uma sucessão de gerações que ainda hoje é interminável.

David Lynch é um altamente respeitado diretor, produtor, roteirista, videoartista e recentemente músico que definiu toda uma mudança no cinema, na produção televisiva e solidificou o estilo neo-noir com suas respeitadas obras, entre elas o filme de 1986, “Veludo Azul” (Blue Velvet, em seu título original). Nascido em 1946 e com uma lista consideravelmente pequena de longas-metragens, sua influência foi devastadora e ninguém poderia prevê-las, tornando-se famoso por usar em suas histórias enredos misteriosos, envoltos de crime e personagens cheios de segredos, repletas de surrealismo e certa “bizarrice” – que, se você for um Lynchiano de primeira viagem, pode até se assustar.

E essa influência que ele provocou em jovens dos anos 80, 90 e 2000 não passou em branco por Lana Del Rey, muito pelo contrário.

– Você é fã de David Lynch?

– Sim. Quando eu era uma menina tocando nos bares de Lake Placid, depois de cada show alguém vinha até mim e dizia “Você deve ser fã do David Lynch!”. Naquela época eu não estava por dentro de “todas as coisas descoladas”, mas eu assisti aos filmes do Lynch e rapidamente virei fã. Embora eu ache que os temas que ele explora estão um passo adiante do limite que eu me preparei para ir.

Lana Del Rey para o site The Quietus, em 2011.

Desde o sucesso com o álbum “Born to Die”, Lana tem sido constantemente associada ao diretor, seja por sua imagem típica de uma heroína de seus filmes, seja por seu look retrô, suas músicas misteriosas e melancólicas ou seus videoclipes com aquela boa e velha pitada noir. Aqueles antigos filmes em preto e branco dos anos 40 e 50 que Lana tanto aprecia – como “The Big Sleep” e “Crepúsculo dos Deuses” – surgiram do expressionismo alemão em uma nova forma de se fazer filme que nem mesmo seus próprios diretores sabiam que estavam criando um estilo cinematográfico! A arte, a crítica e o próprio cinema foram quem os definiu assim, anos depois.

Os filmes noir se diferenciavam de muitos outros por serem permeados de mistério e uma iluminação, fotografia e ângulos de câmeras que se destoavam de todo o resto que era feito na época. Filmes com temas como assassinato, ciúmes e personagens que não eram exatamente “mocinhos”, sem falar nos arquétipos criados e que, até hoje, encantam os amantes do bom cinema. A femme-fatale daqueles filmes de detetive, os maridos que se rasgavam de ciúmes e eram capazes de ações mortais por suas mulheres, os gângsteres, as casas noturnas, monólogos, emboscadas, niilismo, traições, Los Angeles, Chicago, Nova York… Todos esses temas definiram o estilo noir e, com certeza, você já se lembrou de algumas músicas e clipes de Lana a essa altura.

“A população veio de toda a América do Norte apenas para se sentar à beira-mar [em Coney Island], agora ninguém vai lá. Para mim, isso é interessante. Isso é o que eu gosto na música; isso é o que eu gosto em filme; é por isso que eu gosto de Antony e dos Johnsons; é por isso que eu gosto de David Lynch…” Uma forasteira nata, não seria precisa muita imaginação para ver Del Rey ser escolhida por David Lynch, Tarantino ou Stone como uma cantora de um clube noturno ou a companheira de um gângster num filme.

Lana Del Rey para a Dazed and Confused, em 2011.

No entanto, enquanto o noir ficou lá atrás nos anos de ouro de Hollywood, David Lynch foi um dos diretores perspicazes, ousados e visionários que não tiveram medo de abrir o mar de filmes enlatados para um novo gênero que persiste até hoje: o neo-noir. O termo começou a ser circulado por críticos do cinema na década de 1970 para poderem definir filmes com um caráter semelhante ao clássico noir, como o gênero de mistério, obscuridade e de diferentes ângulos e tons além de, claro, serem agora em cores. Os famosos diretores Christopher Nolan, Tarantino e David Fincher são um dos famosos pelo estilo (com seus reverenciados “Batman Begins”, “Clube da Luta”, “Kill Bill”, “Pulp Fiction”, “Sin City” etc.), mas foi Lynch quem trouxe um tom especial a mais ao gênero e o tornou um clássico atual, com filmes famosos como “Veludo Azul”, “Coração Selvagem”, “Cidade dos Sonhos”, além da clássica série de TV, “Twin Peaks”.

Veludo Azul”, escrito e dirigido por ele em 1986, é o maior filme de sua carreira, sendo um suspense estranho, surrealista e com uma bizarrice que beira a insanidade da beleza e da composição cult. Não é pra menos toda a repercussão que teve como um dos filmes mais polêmicos da História – levando muito mais do que o próprio filme ao hall dos clássicos do cinema, como também a música e toda uma composição de cenário cinematográfico.

 


Sinopse: Jeffrey retorna para sua cidade depois de estar fora algum tempo e descobre uma orelha humana sobre o chão, em meio ao mato. Não satisfeito com a passividade da polícia em relação ao caso, ele e a filha de um detetive da polícia resolvem fazer sua própria investigação. Eles acabam entrando em um submundo bizarro, envolvendo um homem diabólico e uma linda, porém misteriosa, mulher.

 

Essa clássica obra gerou infinitos comentários e uma grande repercussão, sendo levado inclusive ao Oscar e Globo de Ouro naquele ano. Cenas de realidade que se misturam a sonhos, trilha sonora sombria e investigações sempre estão nos enredos de Lynch, mas aqui ainda temos personagens excêntricos e um tanto assustadores que compõem essa obra magnífica que foi definida pelo New York Times como tendo “um humor natural, assim como um lado moralista que faz sua excentricidade ser rodeada pela loucura. Não há erro no fato emocionante de que é um filme inigualável”.

E foi exatamente desse filme que Lana Del Rey extraiu a canção Blue Velvet, a qual é originalmente cantada por Tony Bennet, mas que ganhou mesmo a atenção do público ao ser interpretada no filme pela misteriosíssima Dorothy. Os tons da iluminação, a voz baixa e profunda, toda aquela aura de perigo e segredos envoltos na cena são tomados por Del Rey como uma homenagem sem fim no clipe da mesma música – que foi escolhida pela própria cantora para ilustrar sua campanha para a grife H&M. Assistam as duas versões da música e reparem como o vídeo mais recente parece alguma cena excluída de “Veludo Azul”, quando Dorothy e Jeffrey estão naquela pequena casa com os gângsteres, por exemplo.

 

 

Seus vídeos, os comerciais da H&M com o selo dos anos 50, suéter angorá e penteado de velha guarda, contribuíram para fazer dela um ícone vintage – uma meia criatura entre “Mad Men” e David Lynch.

Obsession Magazine, em 2012.

Lana com certeza surgiu como um estouro no mercado da música mainstream, principalmente por ser tão diferente do rio em que a cultura pop costumava fluir – tendo referências em clássicos do cinema cult, astros do rock e gerações poéticas movidas à benzedrina, mas sua inspiração por esse tão respeitado homem dos cinemas foi o que mais a destoou de outros artistas. Foi por esse motivo que seu entrevistador do site The Quietus iniciou seu artigo ao melhor estilo “roteiro Lynchiano”:

Uma garota entra num bar. Olho outra vez. É o diabo. Você a está observando ou está sendo observado? Uma moeda é colocada na máquina e o mundo se move outra vez. ‘Sleepwalking’ de Santo & Johnny. Os lábios do Cupido beijam um cigarro; um velho barão do petróleo cai morto do outro lado da cidade, uma faca em suas costas. “Me abrace, amor. Me ame até a morte.” Corta para um grisalho (mas notavelmente bonito) jornalista. Ele tem rugas e pesadelos americanos sob o seu chapéu. Ele espera por um telefonema. [A cena escurece] “Alô? John? Sou eu… Lana”. Um palco, uma cortina vermelha, um único holofote em Lizzie Grant, conhecida pelo mundo como Srta. L. Del Rey.

Lana Del Rey tem o visual certo entre a melancolia vintage dos anos 60 com a força da femme-fatale da era atual, combinando músicas em que ela é uma garota triste com outras em que ela se define como uma garota má que apenas quer se divertir. E é claro que essa personalidade dúbia nos lembra de ninguém mais, ninguém menos que a polêmica, confusa, misteriosa e cheia de segredos: Laura Palmer, a personagem mais icônica de David Lynch em sua série de TV de 1990 e 1991 chamada “Twin Peaks”.

Esse seriado de suspense e mistério escrito por ele junto de Mark Frost se tornou o maior sucesso da televisão americana antes do seriado “Friends” surgir quatro anos depois – e mudou muito mais do que a preferência popular por thrillers, alterando também todo um conceito de produção cinematográfica e televisiva, fotografia, câmeras e, principalmente, a velha definição de que o personagem principal não necessariamente tem que ser bonzinho. O marco da História da televisão que paralisou os EUA ao querer saber a resposta da grande trama: Quem assassinou Laura Palmer?

 

Sinopse: Criada por David Lynch, “Twin Peaks” foi a série de suspense que se tornou um dos acontecimentos mais aclamados na história da televisão mundial. Foi um fenômeno que varreu o mundo, ao mostrar as investigações do brutal assassinato da rainha do baile de formatura, Laura Palmer numa pequena cidadezinha chamada Twin Peaks. Dale Cooper é o agente federal encarregado do caso, e que descobre que a pequena cidade está recheada de segredos mortais. Cooper se enfronha por este mundo, conhece cidadãos misteriosos, descobre um outro crime na floresta e é atormentado por sonhos muito bizarros. Todos queriam saber: “Quem matou Laura Palmer?”. A revelação será apenas mais um choque inesperado numa cadeia de eventos surpreendentes.

Lana Del Rey parece ter sido tirada de um projeto de David Lynch. Não destoaria como personagem coadjuvante em “Veludo Azul” – poderia ser uma personagem de “Twin Peaks”.

El Pais, em 2012.

Já ficou ansioso que eu sei! A série imperdível de Lynch gerou um burburinho imenso na época e uma aprovação sem precedentes, inovando na forma em que um seriado era montado. Até então, as séries eram pequenos plots separados de história, daquele tipo que não precisa necessariamente assistir um episódio pra entender o outro – bem estilo das comédias de hoje, como “The Big Bang Theory” ou “Two And a Half Men” –, e se você já pode se esbaldar em tramas contínuas de puro suspense como “Lost”, “The Following” ou “Pretty Little Liars” é graças a “Twin Peaks”. Ela, inclusive, foi definida pelo codiretor Mark Frost como soap noir (novela noir), levando para a TV uma extensão parecida com as de novelas, mas com a produção e a estética neo-noir típica de Lynch nos cinemas.

Eu sempre fiz isso [caminhar para procurar inspiração], desde minha infância em Lake Placid […] Eu ia sozinha para florestas… Era muito isolado, montanhoso e escuro, tinha um lado meio “Twin Peaks”. Não me admira que eu me sinta em casa nos filmes de Lynch! No início da minha carreira, alguns descreveram minha música como “lynchiana”.

Lana Del Rey para a Les Inrockuptibles, em 2012.

Lana Del Rey tem todas as características perfeitas para uma heroína Lynchiana à altura das clássicas. Ela é a garota má que tenta ser boa, é aquela garota que não gosta de falar muito sobre seu passado com medo de se comprometer, é aquela garota que você percebe assim que entra numa sala, sorriso doce, olhos perspicazes, mente de diamante capaz de partir e montar seu coração. Ela é dúbia, misteriosa, sabe ser perigosa quando quer, mas captura seu olhar e sua devoção mais rápido que qualquer maratonista. Não sei se ela seria mais perfeita como Laura Palmer (loira) ou Audrey Horne (morena), mas com certeza daria uma bela personagem em ambas as atuações.

Laura Palmer Audrey Horne

– Se você puder escolher uma cena, qual momento dos filmes do Lynch você mais usa como inspiração quando compõe? Eu prevejo algo como a sequência do teatro em “Cidade dos Sonhos”, misturados com o vídeo caseiro de uma Laura Palmer morta dançando com Donna.

– Você já viu “Twin Peaks: Os últimos dias de Laura Palmer” e as cenas onde ela está no bar com os lenhadores, meio que dançando e ficando louca? Bem, é essa sensação assustadora de sair do controle que realmente fica na minha mente.

Lana Del Rey para o site The Quietus, em 2011.

Quem aí também se lembrou da música This Is What Makes Us Girls? Quase como uma autobiografia de Lana quando exagerava na diversão com os amigos, a semelhança com Laura Palmer é surpreendente – a boa garotinha do interior com seu grupinho de amigos e que, na verdade, esconde segredos muito mais obscuros; os de Laura Palmer, entre muitos, era a cocaína; a de Lana, era seu vício em álcool quando adolescente.

This Is What Makes Us Girls
Remember how we used to party up all night
Sneaking out and looking for a taste of real life
Drinking in the small town firelight
(Pabst Blue Ribbon on ice)
[…]
Sweet sixteen and we had arrived
Baby’s table dancin’ at the local dive
Cheerin our names in the pink spotlight
Drinkin’ cherry schnapps in the velvet night

Tradução
Lembra de como festejávamos a noite toda
Fugindo à procura de um gosto da vida real
Bebendo na cidadezinha à luz da fogueira
(Pabst Blue Ribbon no gelo)
[…]
Finalmente tínhamos feito 16 anos
Garota dançando na mesa do bar local
Gritando nossos nomes nos holofotes rosas
Bebendo Schnapps de cereja na noite de veludo

Não direi nenhum spoiler revelador da série, mas quando você começar a assistir irá notar mais semelhanças entre as duas do que você imagina, principalmente no filme que sucedeu ao seriado, “Twin Peaks: Os últimos dias de Laura Palmer”. E sabe essa Pabst Blue Ribbon citada na primeira estrofe? Lá vai mais uma referência usada por Lana: é uma famosa cerveja estadunidense que o gângster de “Veludo Azul” adora tomar. Quem aí não lembra do pobre Jeffrey que preferia Heineken e o malvado Frank Booth o tratando feito uma mariquinha por isso? “HEINEKEN? FODA-SE ESSA MERDA! PABST BLUE RIBBON!”.

E é claro que não poderíamos esquecer de “Cidade dos Sonhos”, originalmente intitulado como “Mulholland Drive”, de 2001. A história é ainda mais surrealista e com uma pegada neo-noir extremamente sólida que, por algum motivo, quase sempre é citada em entrevistas e artigos sobre Lana Del Rey, como já pudemos ver num trecho de The Quietus acima. Descrito como perturbador e confuso para aqueles que não conhecem a lógica Lynchiana, o longa-metragem mistura sonho e realidade, universos paralelos e é um thriller psicológico de deixar qualquer um de cabelos em pé. Por esse motivo foi aclamado e reverenciado pela crítica, sendo levado ao cultuadíssimo Festival de Cannes – e dando ao Lynch uma Palma de Ouro de “Melhor Diretor”.

 

Sinopse: Um acidente automobilístico na estrada Mulholland Drive, em Los Angeles, dá início a uma complexa trama que envolve diversos personagens. Rita escapa da colisão, mas perde a memória e sai do local rastejando para se esconder em um edifício residencial que é administrado por Coco. É nesse mesmo prédio que vai morar Betty, uma aspirante a atriz recém-chegada à cidade que conhece Rita e tenta ajudar a nova amiga a descobrir sua identidade. Em outra parte da cidade o cineasta Adam Kesher após ser espancado pelo amante da esposa, é roubado pelos sinistros irmãos Castigliane.

A história de [Lana] não é tão diferente que a de Marilyn Monroe ou Judy Garland, ou até a trágica protagonista de Lynch no filme “Cidade dos Sonhos”. A história é: uma garota da cidade pequena vai para a cidade grande, cai em águas escuras, se torna uma eterna prisioneira da casa de espelhos que é o opressivo olhar da mídia.

Lana Del Rey para o site The Quietus, em 2011.

Intrigante, magnânimo e sexual são as palavras ideais para definir esse filme cheio de enigmas para serem desvendados pelo telespectador e pelos próprios personagens, brincando com a ideia de onde acaba a realidade e onde começa o sonho. Os mistérios envoltos no enredo são tantos que, na versão original do DVD, David Lynch faz uma lista de 10 pistas para ajudar a desvendar esse thriller, alguns como: “No começo do filme, antes dos créditos, duas pistas são reveladas/ Fique atento quando aparece o abajur vermelho/ Quem entrega a chave e por quê?/ Fique atento para o roupão, o cinzeiro e a caneca de café/ Qual mistério é revelado no palco do Clube Silencio?” E é exatamente nesse clube que há uma das cenas que críticos e inclusive fãs tanto de Lana quanto do diretor usam para aproximar ambos os artistas.

A tristeza da cantora na cena seguinte é quase tangível e você pode comparar com lives da Lana, como o de Million Dollar Man no iTunes Festival (principalmente a partir do minuto 2:55 do live). Simples, sem extravagâncias no palco, mostrando a beleza crua da voz “sem banda”.

 

 

Profunda, intensa e com significados que apenas assistindo ao filme você – pode – entender.

O senso de estilo de Del Rey é extraído tanto de pin-ups da era de ouro de Hollywood quanto de personagens do portfólio de David Lynch, incluindo heroínas como Audrey Horne (Twin Peaks), Lula Fortune (Coração Selvagem) e Dorothy Vallens (Veludo Azul) […] Ela descreve seu palco como inspirado por Lynch, juntando “rock ‘n’ roll, glamour e gárgulas”.

Fashion Magazine, em 2013.

E isso é David Lynch, uma estética que vai muito além de aspectos cinematográficos. Você pode comparar os efeitos neo-noir de Lynch aos clipes de Del Rey, principalmente em Born to Die e Blue Jeans em que temos o infindo mistério, aquele final de tirar o fôlego e cenas refletidas em vidros, fotografia escura e de tons sombrios, além da voz cheia de significados da cantora. Você pode comparar as personagens de Lynch dentro da própria personalidade de Del Rey, como a provocante Audrey Horne que na verdade é só uma garotinha por dentro, ou a enigmática Laura Palmer que nunca é o que esperamos. Você pode comparar o visual do próprio Lynch em seu olhar profundo e alma poética assim como a de Del Rey.

Você também pode discordar de tudo isso e achar os dois um par de malucos cheios de inconstantes poesias soltas em suas mentes – mas jamais, jamais poderia negar que suas almas caminham juntas, como duas peças desencaixadas que se encontram em algum momento. Dois olhares de mil segredos, almas de mil personalidades, mentes de mil hipóteses e dois corações negros de um milhão de amores. Amores pela poesia, amores pelo cinema, amores pela música e, eternamente, amores pela arte.

Nós dois temos corações negros, sem dúvida.

Lana Del Rey.

Tire suas próprias conclusões.

“Lana Del Rey, ela tem um carisma fantástico e

— isso é uma coisa muito interessante pra mim

— é como se ela tivesse nascido em outra época.

Ela tem algo que atrai as pessoas.

E eu não sabia que ela foi influenciada por mim!”.

David Lynch.

Raphaella Paiva
Escorpiana, 20 anos. Estudante de Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás, escritora em pré-contrato e uma beatnik nascida na época errada. Descobriu Lana Del Rey em 2011 quando Video Games roubou seu coração, tornando-se uma tradutora, redatora e colunista que adora um teste do sofá no Addiction. Cinéfila que também ama jazz e blues, Pink Floyd, Arctic Monkeys, Kristen Stewart, Marilyn Monroe e qualquer coisa escrita ou filmada por Woody Allen.
  • Gabriella

    Rapha, abalou! Análise impecável! E eu quase tive um infarto quando soube que Twin Peaks vai voltar com uma 3ª temporada depois de 25 ANOS! kkkkkkkk Amei!

  • luna

    finalmente, um site que vai atrás das referencias da lana

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