Lana Del Rey fala sobre o Globo de Ouro e novo álbum ao ‘LA Times’

por / sábado, 03 janeiro 2015 / Publicado emEntrevistas

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Lana Del Rey fala sobre a sua nomeação ao Globo de Ouro com a faixa título “Big Eyes”

 

Assustadoras pinturas, de meados do século passado, de crianças com grandes olhos e a igualmente cruel história da artista por trás delas são o centro do novo filme de Tim Burton, “Big Eyes”. A verdadeira e surreal história de Margaret Keane também ressoa através da evocativa faixa título da cantora Lana del Rey. A melancólica canção “Big Eyes”, nomeada ao Globo de Ouro, é naturalmente encaixada para Del Rey, artista pop que frequentemente é notada pelo seu estilo cinematográfico. Caso em questão: Seu último álbum, “Ultraviolence”, é intitulado com referências a “Laraja Mecânica” e as contribuições dela a outras trilhas sonoras como “Malévola” e “O Grande Gatsby”  parecem mais com extensões do trabalho de Del Rey que com projetos paralelos. A americana da costa leste de 29 anos de idade (nome real Elizabeth Woolridge Grant), falou sobre o trabalho com Burton, seu amor pelo surreal e como é pensar através de imagenss.

 

No cinema, assim como nas suas canções próprias, a natureza da sua arte é lindamente melancólica. Fazer música é um triste esforço para você?
[Risos.] Não, eu realmente gosto. Gravar – toda a diversão está nisso. Quando eu termino, é como se fosse “Ah, Deus”. Eu meio que vou às lágrimas.

Nossa! Eu não esperaria que você utilizasse o adjetivo “divertido” para descrever esse processo.
A tristeza é alegre para mim. Eu amo isso. Quando eu escrevo algo tocante, eu sorrio. Por isso eu gosto do Tim Burton. O mundo dele tem um pouco desse conceito também.

Então você é fã do Burton?
Eu sou uma grande fã. Eu amo “Edward Mãos-de-tesoura”. Mas foi Harvey Weinstein quem desejou que eu trabalhasse nisso. Ele me perguntou seis meses atrás se eu escreveria uma faixa título, então durante a edição ele quis mais uma canção para o final.  Que acabou sendo “I Can Fly”.

Seu som é tão “noir” e visual. O processo de escrever suas próprias canções é similar quanto ao de escrever uma trilha sonora?
Definitivamente. Eu posso ver e escutar isso. Eu estou trabalhando em uma nova gravação agora, e eu tenho essa música “Music to Watch Boys To.” O título, por ele mesmo, atribui a visão de sombras de homens passando pelos olhos desta garota, pelo rosto dela. Eu definitivamente consigo ver as coisas.

Esse filme tem um grande imaginário graças às pinturas de olhos redondos, mas também a essa comovente história sobre uma mulher que foi traída pelo marido. Em geral, ele reivindica a autoria como pintor sobre os quadros, e por anos  o mundo acredita nele.
Ao escrever música, meu lugar favorito para viajar é dentro da minha imaginação, então um filme como esse facilita chegar lá. Eu posso imaginar um outro lado, o que aconteceu com Margaret [Keane, a artista interpretada por Amy Adams], o quão animada ela estava no começo, como ela pensou que encontrou um pai para sua filha. E tudo se tornou um pesadelo. É uma ótima sinopse para se construir uma música envolta.

Certo. Uma trilha sonora atraente não deveria apenas ecoar o que se vê no filme. De fato, deveria se adicionar um outro olhar.
Para mim, a melodia também deve contar sobre a própria história. Seja uma nota maior ou menor, ou se você escolhe usar violino ou flauta. Em “O poderoso chefão, em vários dos pequenos sinais de entrada, foram utilizados apenas sons agudos ou violino. Pense sobre a atmosfera do filme…  teve um motivo pelo qual a música foi tão única.

Agora a sua faixa título foi nomeada ao Globo de Ouro, competindo com artistas atuais como John Legend e Lorde.
Eu cresci assistindo o Oscar e Globo de Ouro, mas eu não me recordo da categoria “Melhor Canção” ter vários artistas contemporanêos. Mas talvez seja apenas eu, pois sou mais ligada a trilhas sonoras.

Quais são algumas favoritas?
A trilha sonora de Thomas Newman para “Beleza Americana”. Eu lembro que na primeira vez que vi o filme, a música é a primeira coisa que você escuta. Eu amei isso. Ou as entradas que Nino Rota fez para “O Poderoso Chefão”, ou Giorgio Moroder para “A Pantera”. Eu amei escrever para filmes, porque eu amo qualquer coisa que me faz você sonhar. Eu ainda assisto filmes para sonhar.

Junto com você, Daniel Heath produziu e foi o co-autor de “Big Eyes”. Ele vem sendo um colaborador de longa data.
Sim! [Risos.] Dan era o melhor amigo do meu primeiro namorado. Naquela época ele fazia entradas para shows de televisão – os shows eram terríveis, mas o trabalho dele era lindo. Eu falei, “Você precisa trabalhar comigo em gravações reais. O processo de escrita da música é simples: introdução, verso um, um refrão, que se repete três vezes. A ponte é independente de todo o resto.” Isso foi tudo que ele precisou ouvir para começar a me enviar composições maravilhosas. Ele fez a faixa título “Ultraviolence” para mim. Ele adiciona muito do cinema às minhas canções.

 

Por Lorraine Ali
Tradução por Kauanna Hino

Redação LDRA
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