“Sexo, Mentiras, e Lana Del Rey”, confira entrevista de Lana Del Rey para a revista ‘Maxim’

por / quarta-feira, 26 novembro 2014 / Publicado emEntrevistas

Maxim

Lana Del Rey é a sensação da música pop mais quente e provocativa da América. Mas quem ela é realmente?

Lana Del Rey, a mais enigmática, controversa, e sedutora rock star, passou a manhã no tráfego de Los Angeles, ansiosa, usando um de seus vestidos preferidos – o azul marinho de algodão – na procura de algumas Palmeiras falsas para a decoração do palco do show de amanhã à noite no Hollywood Forever Cemetery. É o famoso lugar de descanso de Rudolph Valentino e Fay Wray, e ela tinha certeza de que o clima tropical floral falso acrescentaria o toque final perfeito para esses surreais shows finais da sua longa turnê de 2014. Mas ela está em casa agora e calma, à vontade no pequeno deck ao lado de seu quarto, escondido atrás de altos arbustos que rodeiam sua casa Tudor de 1920, recentemente pintada mas elegantemente em necessidade de reparo – Glamour da era dourada de Hollywood – como uma cena de Sunset Boulevard, ou, talvez intencionalmente, um de seus vídeos.

2ImgyZccWu8“Eu nunca me vi na Califórnia”, ela me diz. Del Rey é um tanto provocadora como estrela pop, conhecida por canções mal-humoradas e exuberantes sobre a interseção do sexo, violência e dinheiro. Os vídeos com os quais ela fez seu nome no imaginário desbotado de nostalgia e declínio americano. Ela combina uma clássica, sensual beleza com uma dose forte de toda a – alienação americana – a chefe de torcida desesperadamente errada. Há alguns anos atrás, ela trocou o nome, o cabelo, descartou um álbum inteiro, deixou para trás um hábito de festas, e começou de novo. Para alguém assim, a Califórnia parece um ponto de desembarque inevitável.

“Eu tinha um caso de amor com Nova York”, ela diz sobre os seus dias de cantora lutando. “Eu amei toda a história que veio junto, o início dos anos 60, Bob Dylan, e a era da poesia Beat. Eu estava sempre procurando por esse grande avivamento artístico, mas eu nunca realmente aproveitei nada”. Ela se sente mais perto disso em Los Angeles, onde encontrou algumas almas gêmeas que compartilhavam de sua fascinação com “aquele começo de cena Lauren Canyon, Joni Mitchell, Neil Young…Eu sintonizei em algo aqui e nunca realmente quis sair.”

Os dois shows no Hollywood Forever marcam o final de um ano de uma turnê sem parar em apoio ao Ultraviolence, o sucessor do Born to Die, de 2012. Ultraviolence, gravado em Nashville com uma banda de sete membros, é tingido de rock e guitarra pesada, mas ainda repleto com a marca registrada de Del Rey – ela está brincando com canções como ‘Fucked My Way Up to the Top’. O mais estranho: Os críticos adoraram.

É uma reviravolta impressionante para uma artista que passou a parte inicial de sua carreira inspirando mais confusão – e por vezes puro sarcasmo – do que adoração. Ela surgiu a partir da correção pop cultural norte-americana, completamente formada, com o maravilhoso vídeo de ‘Video Games’ e um EP de duas músicas. Acompanhando estes estava uma impressionista (alguns diriam muito impressionista) história com capítulos selvagens sobre alcoolismo, uma temporada em um estacionamento de trailer em New Jersey, e um rosário de relacionamentos destrutivos com os mais velhos e às vezes homens terríveis.

Depois veio a reação. Tudo começou com a sua reconhecidamente estranha apresentação no Saturday Night Live, em 2012, na qual ela parecia estar canalizando uma fortemente medicada Marlene Dietrich. Blogueiros de música foram ao ataque, a chamando de “desesperada por talento”, um “trabalho convincente de ficção” e uma “sirigaita irritantemente falsa”. Mas aqui está a coisa: as pessoas ficaram em transe. Seu álbum de estreia vendeu sete milhões de cópias em todo o mundo, e o Ultraviolence estreou no iTunes no número 1 em 80 países ao redor do mundo. Seus shows tornaram-se eventos de cultura pop frenéticos.

1-hqTEGl_p4Estes dias Lana tende a se livrar de críticas sobre sua aparência alterada ou a veracidade de sua personalidade. Ela admite que “quando eu escureci o meu cabelo; eu não sei porque, mas as pessoas levaram a minha música mais a sério”. A mesma coisa aconteceu quando ela mudou o seu nome de Lizzy Grant para Lana Del Rey. Ele abriu portas para ela, a libertou.

“Há muito a ser dito para fingir”, diz ela. “Você sabe?”

Lana Del Rey se definiu uma vez como uma “Nancy Sinatra gangster”, e é uma descrição bastante adequada de sua música. Suas canções, mergulhadas no trip-hop dos anos 90 e arredondadas com exuberantes cordas dos anos 60, são como dioramas: minúsculas, mundos insulares onde a atmosfera é mais importante que os fatos. Muito parecido com a vida dela.

Os pais da Del Rey sairam do jogo de publicidade de Nova York quando ela era um bebê e a criaram com seus dois irmãos mais novos na vila rural Lake Placid. Ela era supostamente uma garota rebelde que descontroladamente festejava até que seus pais a mandaram para um colégio interno para endireitar-se. Ela não começou a escrever músicas até ter 18 anos.

“Eu estava na faculdade no Bronx [na Fordham], e eu não sabia o que fazer comigo mesma,” ela diz. “Todo mundo estava saindo e bebendo, então eu tinha que encontrar outra coisa”. Ela então começou a frequentar as noites de microfone aberto no Brooklyn, e seu lado de garota do pop tradicional foi convincente o suficiente para que em 2007, enquanto ainda era uma formanda, ela assinasse um contrato de gravação com uma gravadora indie. Em seguida, uma reinicialização completa: Ela se comprou daquele contrato, jogou fora o álbum, destruiu todos os traços da mulher que ela tinha sido, e tentou novamente.

QD6XjYAqNkMEntão ela não foi exatamente uma sensação do dia pra noite, não mesmo, e Del Rey não gosta da ideia disso de qualquer forma. “Para mim, não foi exatamente uma reinvenção. Isso é mais reinterpretação de outras pessoas. Eu sinto muita continuidade entre todas as minhas músicas e todos os vídeos”. Ela descreve sua frustração com a sua primeira gravadora e a necessidade de sair. “Eu realmente queria continuar fazendo música, mas a minha gravadora tinha arquivado as minhas gravações por dois anos. E eu…sabia o que queria fazer. Eu queria incorporar sequências cinematográficas com um som e letras mais pesadas e sórdidas.”

O sórdido permeou sua nova identidade também. Lizzy Grant foi sobre uma doçura loira, mas Lana Del Rey ostentava as suas obsessões com o fatalismo, morte, e perigo. Em seu curta-metragem de 2013, Tropico – uma paisagem de sonho toda repleta de gansters latinos e strippers – Del Rey lançou-se como uma dançarina erótica com uma tatuagem de duas lágrimas. Alguns a criticaram por reforçar estereótipos de latinos como assassinos e criminosos. Mas Lana Del Rey o vê como uma versão de si mesma.

“Eu vivo no Leste de Los Angeles, e eu falo Espanhol” ela diz. “As garotas que trabalham no clube do vídeo são minhas amigas, pessoas que eu conhecia antes de me tornar um pouco mais conhecida. Tipo, eu sempre falei Espanhol em todas as minhas canções nos últimos anos. Então, para mim, pessoalmente, não é uma referência incomum.”

Está tudo muito bem, exceto que, bem, ela não vive no Leste de Los Angeles ou nem em algum lugar perto disso. Nem todas as suas canções possuem Espanhol nelas. E dizer que alguns de seus melhores amigos são latinos…vamos apenas não comentar.

Del Rey não está prestes a se desculpar por nada, mas é claro que ela se sente incompreendida. “Eu estou sentindo falta da marca em termos de ter companheiros e estar alinhada com um movimento musical”, diz ela. “Mas eu definitivamente sinto que o que eu trago musicalmente está no centro do que é relevante.”

E que, depois de toda a especulação sobre a sua natureza, experiência, e intenções, é o que importa. Está além do ponto se ela realmente quis dizer isso quando disse, “Eu queria estar morta” ou “Feminismo não é um conceito interessante”, ou, se uma de suas canções mais famosas é sobre seus órgãos genitais e o suposto gosto de um determinado refrigerante conhecido (procure). Tudo já foi perguntado e respondido, pelos críticos e trolls online e os intermináveis escritores. A música e as imagens são boas demais para ficar presas por tais considerações. E se a sua trajetória como uma estrela pop anti-pop prova alguma coisa, é que sua arte, sincera ou não, é dela e só dela.

Texto por Ian Daly  / Tradução por Ana Luiza Guimarães / Fotografia por Neil Krug

 

Confira em nossa galeria todas as fotos do photoshoot realizado por Neil Krug:


 

Confira também um vídeo teaser divulgado com algumas imagens da sessão de fotos de Lana Del Rey.

Redação LDRA
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