‘I like the snake on your tattoo’, da inocência ao medo

por / segunda-feira, 20 outubro 2014 / Publicado emColunas, Resenhas

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Quando Lizzy Grant soltava a voz, o bar se calava. Era só olhar para os olhos entristecidamente bêbados daquela garota loira em cima do palco e não tinha quem não ficasse imóvel ao acompanhar com os ouvidos as notas inocentes e potentes daquele sonho americano. Em 2012, quando Lizzy descansou e aflorou a botox-na-boca Lana Del Rey na corrida atrás da fama, Lana parecia ter perdido a inocência e ganhado uma coisa que não a abandonaria tão cedo: o medo.

A.K.A à parte, Born To Die atingiu quase que positivamente a massa crítica da sociedade (tendo o álbum atingido média 62, com apenas 2 notas negativas), exceto por um problema: o medo. Durante os lives, Lana parecia querer conter a voz e a insegurança, que tentava esconder – sem sucesso. A voz rouca muitas vezes a deixava na mão, forçando-a a tilintar para notas desconhecidas e evocações dos mais variados demônios em pleno palco. E isso deu início à terceira guerra mundial de uma pessoa só, ou até mesmo “Caça à Lana Del Rey – Morta ou viva”.
Em muitos outros lives, Del Rey perdia o medo e a cara de assustada, entrava no palco e mostrava que não veio para bagunça. No live do Corinthia London Hotel, Lana mostrou para o que veio, soltando a voz em “Video Games”.
Quando Lana está com fãs, não importa o momento, fase ou lágrimas, tudo é perfeito, tudo é uma troca de amor e não uma venda de produtos. Ela não está com medo. Ela está amando e está sendo amada.

Sem desafinar nenhuma vez, Lana enterrou definitivamente (não tão definitivamente assim) seu medo e entrou na vibe da costa oeste quando ao vivo no Festival Glastonbury, deu vida a “Ultraviolence”, executando a faixa com elegância e magia. Faixa essa do seu álbum-reinado “Ultraviolence” que atingiu média 74 nas críticas, exatos 10 pontos a mais que seu antecessor, o relançamento de Born To Die, o enxuto como uma melancia “Paradise”, que rendeu o também não menos importante “Tropico”, o metafórico curta-metragem, mal interpretado por muitos.

Lana, atualmente está em relacionamento sério com o mais importante prêmio da música “Grammy”, queria aproveitar esta matéria pra declarar meu total repúdio ao mesmo, detendo  sete submissões. Sendo elas West Coast (Gravação do Ano, Música do Ano, POP Solo Performance), Shades Of Cool (melhor vídeo), Ultraviolence (Álbum do ano, melhor álbum vocal pop) e Trópico para melhor filme musical.
Quer queira, quer não, Elizabeth evoluiu e muito. Em 2012, quando fabricou um produto e revendeu para a industria Lana Del Rey, teria que estar preparada para a pesada artilharia que viria. Apesar de todos os contrafeitiços, Lana se manteve e deixou de vender um produto e passou a não mais vender-se e sim a comprar-se.  E comprando-se fez-se atemporal. A “criança da má revolução”, “fodendo louca porém grátis” fez-se finalmente ela mesma, não Lana, não Lizzy, não Sparkle e sim algo acima de pseudônimos. Algo acima dela mesma, algo que nem mesmo ela consegue compreender.
“Seja como a neve, bela e fria”, enquanto Lana Del Rey viver haverá sempre uma avassaladora Lizzy Grant dentro dela, muitas vezes aprisionada pelo acaso, medrosa e acanhada, mas é só oferecer uma dose de tequila para ela, que o sorriso não tão doce assim se sobressai e revela quem é o National Anthem. Não poderia terminar esse post sem dizer que para descrever Lana Del Rey só haverá um adjetivo disponível. Lizzy Grant.

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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