Site ‘We Got This Covered’ dá 10 motivos para que o Ultraviolence seja considerado o álbum do ano.

por / segunda-feira, 22 setembro 2014 / Publicado emNotícias

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O site We Got This Covered divulgou no dia 15 deste mês um lista de motivos para que Ultraviolence, novo álbum de Lana Del Rey, seja considerado o álbum do ano. Confira a tradução abaixo:

 

10 Motivos para que o Ultraviolence, novo álbum de Lana Del Rey, seja considerado o álbum do ano.

No dia 13 de Junho, Lana Del Rey lançou seu terceiro álbum de estúdio intitulado Ultraviolence. A artista conquistou seu primeiro lugar pela primeira vez na semana de lançamento do álbum, mesmo sem fazer nenhuma performance na televisão americana por mais de dois anos e apenas dando um punhado de entrevistas. Ultraviolence vendeu 182.000 cópias em seus primeiros sete dias, se tornando o lançamento mais bem sucedido de Lana Del Rey. No mundo todo, o álbum vendeu 880.000 cópias, atingindo o primeiro lugar em doze países. Além disso, Ultraviolence marcou a melhor semana de vendas para uma artista feminina desde o álbum de Beyoncé, lançado em dezembro de 2013.

Nós podemos estar apenas há nove meses em 2014, mas com seu terceiro álbum, Lana Del Rey já criou o álbum do ano. Claro, música é algo incrivelmente subjetivo e Del Rey dividiu o público mais que qualquer outro artista na década passada, então, percebemos que talvez você precise de mais informações para se convencer disso.

Leia 10 razões para saber porque Del Rey destronou todos os outros artistas neste ano com o lançamento de Ultraviolence, o trabalho mais forte de sua carreira até agora.

10) Ultraviolence deixou os críticos ansiosos

Lana Del Rey teve de encarar duras críticas desde seu aparecimento no final de 2011. Apesar do seu sucesso inicial com Video Games, os críticos estavam dispostos à subestimá-la, declarando que a personagem Lana Del Rey era falsa e que sua música não possuía nenhuma profundidade.

Em Ultraviolence, Del Rey deliberadamente faz gozações de si mesma, satirizando as críticas, atraindo críticos que inicialmente haviam criticado sua música. No single Brooklyn Baby, Del Rey faz graça com hipsters, descrevendo um personagem que define a si mesmo dizendo o quanto é descolado, usando penas em seus cabelos e discutindo poesia beat. A imagem retratada aqui, é uma das que os críticos usaram com frequência para descrever Lana Del Rey no passado.

Eu resposta às fofocas, Del Rey criou outra faixa no álbum chamada Fucked My Way Up To The Top (Fodi meu caminho até o topo), que declara que o poder deve ser conquistado pelas mulheres através de sua sexualidade. O título explícito da faixa é um claro exemplo de como Lana procurou provocar os críticos, atraindo-os para sua isca. Em uma entrevista recente, Lana admite abertamente que dormiu com alguns homens da indústria no passado, mas que nenhum a ajudou a se tornar o sucesso que hoje ela é.

 

9) Ultraviolence possui uma visão cinematográfica.

Após ter lançado um curta de 27 minutos chamado Tropico para fechar a era Paradise, não é surpresa que suas tendências cinematográficas permaneçam fortes na era Ultraviolence. Três dos singles lançados até agora vieram acompanhados de divulgações pesadamente estilizadas que trazem a visão cinematográfica de Lana sobre a vida.

West Coast se inicia com maravilhosas cenas do oceano, mescladas à cenas de Lana com um amante andando pela praia. A maior parte do vídeo foi feita em preto e branco, até que Lana de repente aparece em chamas no final, preenchendo a tela com sombras vermelhas e alaranjadas que combinam com seu brilhante vestido carmesim.

Em contraste, a divulgação de Shades of Cool ressalta as cores, sobrepondo Lana sobre flores exuberantes e fogos de artifício. Quase no final do vídeo, a cena em que Lana sai da piscina, fazendo referência à performance de Marilyn em Something’s Got To Give, faz homenagem à inspiração cinematográfica que prevalece em seu estilo.

Enquanto os dois primeiros vídeos foram cinematográficos de forma tradicional, Del Rey experimentou algo diferente na divulgação da faixa-título Ultraviolence, filmando o vídeo inteiro em um iPhone. No vídeo, Lana caminha com um vestido de casamento até entrar em uma igreja na qual não há ninguém a esperando no altar.

O diretor de Ultraviolence foi Francesco Carrozzini, também responsável pelo clipe de Jealous, da Beyoncé. Ironicamente, o estilo cinematográfico presente em Ultraviolence é mais perfeito para um álbum com um conceito visual e com uma visão mais unificada que o que Beyoncé conseguiu alcançar com seu álbum visual.

 

8) Ultraviolence é o melhor que Lana Del Rey já soou.

Lana foi criticada no passado por muitas apresentações fracas, mas, duvidando ou não de sua capacidade vocal, é impossível negar que sua voz soa excepcional neste disco.

Os álbuns anteriores utilizaram os aspectos mais comerciais de sua voz, mas com um pouco de ousadia, Lana mostrou um lado diferente da sua voz, um lado que pode ter surpreendido até mesmo seus mais dedicados fãs. A artista se transforma de faixa a faixa sem esforços, desviando do tremor soprano de West Coast, até a suave fragilidade de Is This Happiness, até os altos agudos em Money Power Glory, e, ao mesmo tempo, mantendo a vulnerabilidade sensual que se tornou sua assinatura.

As crescentes melodias de Ultraviolence revelam uma voz surpreendentemente poderosa que encontra beleza em todas as letras, mergulhando entre as notas de uma forma que permanece inteiramente única.

 

7) Ultraviolence explora o feminismo de forma única.

Del Rey declarou que considerava o feminismo como “um conceito não interessante” em uma entrevista, porém, a artista certamente faz um esforço para explorar a ideia em algumas músicas do álbum.

Fucked My Way Up To The Top, brinca com a ideia de usar a sexualidade para atingir objetivos, algo que muitas feministas podem recusar, mas, dependendo da perspectiva, alguns podem dizer que isto é, de fato, algo que as mulheres podem fazer.

Money Power Glory celebra a dominância sobre o sexo oposto, contanto a história de uma Femme Fatale que está disposta a tirar tudo o que puder dos homens. As palavras “você deveria correr, garoto, corra” revela Lana em seu lado ameaçador enquanto ela canta com uma venenosa raiva que golpeia medo nos corações dos homens que ela destruiria.

Liricamente, a música mais divisora do álbum é Ultraviolence, que representa a mulher presa pela paixão em uma relação fisicamente abusiva. O título da música dos The Crystals, He Hit Me (And It Felt Like a Kiss), de 1962, se torna um refrão perturbador enquanto Lana canta sobre sirenes que podem representar uma emergência mortal ou o encanto da atração sexual. A maneira com que Lana entrelaça sexo e violência na faixa pode ser perturbadora para alguns ouvintes, mas a agressão passiva que pode ser ouvida nos versos sugere um grau de ironia que os críticos devem considerar antes de atacá-la.

 

6) Ultraviolence dispensa a orquestra hip-hop.

Lana estourou em 2011 com uma combinação única de canções orquestradas combinadas com batidas hip-hop. Para seu novo álbum, Lana contou com a ajuda de Dan Auerbach para suavizar a produção contundente visando obter um som mais simples que evoque o som dos anos 60 e um tempo no qual o sonho americano começou a cair em decadência.

Esta abordagem back-to-basics serviu como luva para a estética de Lana, porém, a gravadora não concordou com ela a princípio. Aparentemente, um representante da gravadora se recusou a lançar o Ultraviolence até que Lana aceitasse trabalhar com um dos produtores de Adele. Felizmente, a artista estava atrasada para a reunião, e, enquanto o produtor a esperava, eles ouviram as músicas que haviam sido gravadas com Auerbach. Relatórios sugerem que o produtor de Adele amou o material e disse que não havia necessidade que algo fosse alterado, assim, de repente, o representante da gravadora mudou de ideia e deu apoio ao projeto.

A intereptação de Dan à visão de Lana a ajudou a criar seu disco mais autêntico até agora, e os críticos parecem concordar, já que Ultraviolence quebrou o recorde de Lana no Metacritic.

 

5) Ultraviolence contém mais um cover perfeito.

Enquanto Lana escreve seu próprio material, ela consegue recriar baladas antigas fazendo-as parecer que são suas. Sua interpretação de Blue Velvet e sua versão de Once Upon A Dream soam como se as músicas realmente tivessem sido escritas para ela.

Para fechar a versão comum de Ultraviolence, Lana regravou a faixa The Other Woman, famosa por ter sido cantada por Nina Simone no final dos anos 50. Ultraviolence conta uma série de histórias durante sua execução e usa Lana como porta-voz, glamourizando os perigos do excesso, mas esta faixa de conclusão do álbum atua como um perfeito aviso às mulheres, alertando-as que tais atividades raramente levam à felicidade.

A letra triste pinta o retrato de uma mulher que está sempre em segundo plano, atuando como uma válvula de escape para os homens ricos e poderosos aos quais ela se apega. Os vocais de Lana tremem com dor e o triste saxofone encoraja o ouvinte a simpatizar com a jovem estrela, apesar dos problemas que ela causa a si mesma.

 

4) Ultraviolence possui um conceito trágico.

Lana foi criticada por elaborar uma personagem, porém, muitos artistas fazem o mesmo e, sem dúvidas, esta personagem criada por ela é a maior atração de suas canções. Através da tortura gerada pelas reflexões desta personagem, Lana é capaz de explorar as profundezas da melancolia sem soar exageradamente deprimente.

Ultraviolence é um álbum que visa encontrar a beleza na tragédia, romantizando extremas emoções de perda e isolamento. Lana certamente nasceu para criar baladas sombrias, transformando romances condenados e a decadência americana em uma triste e assombrante peça de arte. A desolação na abertura de Cruel World define o tom de todo o resto do álbum. Até mesmo as músicas mais animadas, como West Coast, possuem uma tendência sombria.

Mesmo com músicas chamadas Sad Girl e Pretty When You Cry, o álbum nunca se desvia muito da escuridão. Mantendo-se triste, porém, não deprimente. A vulnerabilidade sensual, ainda infantil, de Lana está contida em todo o álbum, unificando cada faixa com um tom consistente que pode soar repetitivo, porém, se revela cada vez mais variado a cada vez que o álbum é escutado. Em uma era na qual downloads individuais reinam, Ultraviolence foi claramente projetado para ser apreciado na íntegra, sendo perfeito para dias de verão nebulosos e noites longas.

 

3) Ultraviolence contém a melhor canção alternativa do verão em anos.

Músicas mais antigas de Lana, como National Anthem e Summertime Sadness continham grandes refrões pop, mas, dispensando as batidas hip-hop, a artista parece também ter parado de procurar fazer hits comerciais. Porém, isso não significa que Ultraviolence seja um álbum de difícil audição de forma alguma. Enquanto faixas como Fancy, de Iggy Azalea e Problem, de Ariana Grande estouravam nas rádios, fãs de música que estivessem à procura de um bom som alternativo não precisavam ir longe. Era necessário apenas ouvir a West Coast, primeiro single do álbum.

A evolução da sonoridade da artista pode ser vista mais claramente em West Coast, que não se parece com nenhuma outra música que ela tenha gravado antes. Enquanto a música contém a assinatura de Lana com seus vocais e sua vulnerabilidade, a produção dá à faixa um balanço sensual que lembra Stevie Nicks em seu apogeu.

West Coast pode não ser chiclete, mas a hipnótica produção e o assombroso refrão repetido várias vezes no final da faixa prendem a atenção do ouvinte sem que ele mesmo perceba, até que você se pega repetindo a faixa várias vezes. Lana está determinada a seguir seu próprio caminho, e, se recusando a se entregar à música comercial, criou seu álbum mais poderoso.

 

2) Ultraviolence confirma que Lana é uma importante compositora.

A depravação da cultura americana sempre foi o foco do trabalho de Lana Del Rey e, enquanto as músicas no Ultraviolence continuam a incluir sua marca registrada mostrando sua obsessão com dinheiro e bad boys, as habilidades de composição da cantora evoluíram junto com sua música.

Cada música no álbum contém imagens poderosas que aumentam o teor melodramático das histórias que Lana Del Rey conta. Investindo excessivamente em características cinematográficas nas letras, o ouvinte é arrastado para um conto de Lana Del Rey como um personagem que não pode evitar ser atraído por falhos e abusivos homens. Há pontos em que Lana até quase se atreve a fazer você não gostar dela, mas há algo atraente naquela honestidade que faz com que você se sinta tocado pela sua personagem.

De forma inteligente, Lana mantém o foco em sua personagem em todos os momentos, colocando todos estes homens nas sombras, de modo que o impacto da devastação chega a um grau desconfortável para o ouvinte. Ultraviolence é de longe o trabalho mais maduro de Lana Del Rey e, como compositora, ela nunca foi melhor.

 

1) Ultraviolence é completamente único.

O primeiro lançamento de Lana, Born to Die, inicialmente polarizou fãs e críticos, provocando reações extremas devido ao seu som extremamente distinto. Em um indústria obcecada em duplicar o sucesso, é curioso que Lana não tenha ninguém que consiga imitá-la, fazendo com que seu estilo seja único, diferente das artistas que dominam os charts.

Ultraviolence continua esta tendência com uma coleção de músicas que são completamente únicas na música de hoje. Soaria absurdo se qualquer outro grande artista cantasse músicas como Sad Girl ou Broolyn Baby, mas Lana as canta de uma forma que não poderia soar mais natural. Literalmente, ninguém mais poderia ter feito um álbum como o Ultraviolence no mercado fonográfico atual sem soar artificial ou não convincente.

Enquanto você ouve o álbum, você pode quase imaginar que Lana Del Rey nasceu em outros tempos e foi transportada para os dias atuais como uma cantora com alma torturada. Alguém que viveu a inocência de décadas passadas e se contaminou com a decadência da sociedade atual. Quer você goste ou não de sua música, é impossível negar que em um mundo cheio de imitadores, Lana Del Rey é uma estrela original e é uma pena que não existam mais artistas como ela por aí.

 

Por David Opie
Tradução por Guilherme H. Lewer Hagler

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Jenniffer Samara

    Estou boquiaberta diante das verdades traduzidas. Eu mesma não saberia explicar como me sinto ao ouvir o Ultraviolence, mas essa pessoa soube explicar. E ir além, no mundo atual, ninguém como Lana, sabe tocar nossos corações. Parabéns pela tradução, está incrível.

  • Igor Santos

    “West Coast pode não ser chiclete”, tsc tsc.

  • Igor Fernando

    Estão ouvindo?É o choro das inimigas ao vento!

  • Carla Mara Miranda Sales

    ESSA MULHER É UMA RAINHA CARA :3

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