ANÁLISE | O Clipe de Ultraviolence: Um Enigma Audiovisual

por / sexta-feira, 05 setembro 2014 / Publicado emAnálises, Colunas

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Antes de iniciar mais uma análise minuciosa de um vídeoclipe de Lana Del Rey, eu assisto ao material mais uma vez e começo a buscar referências audiovisuais, tais como filmes, livros, artistas, obras, músicas, lugares e também busco por simbologias. O vídeo para a faixa ‘Ultraviolence’ surgiu de forma inesperada, em uma plataforma conhecida, dentro de um canal com o qual muitos não estão familiarizados. O vídeo também foi dirigido por um dos muitos fotógrafos-que-viraram-diretores dos últimos 50 anos – fenômeno este que se iniciou com Andy Warhol, estamos falando de Francesco Carrozzini.

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O italiano Carrozzini está no ramo da fotografia desde 2006, e em pouco tempo se tornou um dos fotógrafos mais respeitados da indústria da moda, tendo seus trabalhos expostos nas páginas de revistas conceituadas como Vogue, Vanity Fair e Rolling Stone, além de ter trabalhado também com propagandas e políticos, migrando em seguida para seu trabalho como diretor. Em 2008, Francesco dirigiu um curta chamado apenas ‘1937’, um thriller ambientado no famoso hotel Chelsea, de Nova York. Creio que tenho sido a partir deste que Lana conheceu a obra de Carrozzini, por ser obcecada pelo Chelsea, sua história e suas celebridades. Mais recentemente, Carrozzini dirigiu Jealous de Beyoncé e I Will Never Let You Down de Rita Ora.

Lançado em 30 de Julho no YouTube, o vídeo do mais recente single de Lana surgiu inesperadamente em um canal diferente, o Noisey. Curioso como não vi ninguém se questionando sobre esse canal, mas vi muita gente atacando o vídeo por ser simples demais. O Noisey é uma ferramenta da grande Vice, revista física e digital sobre arte, cultura e jornalismo, sendo este voltado a lançamentos musicais e ao apoio a artistas. O canal do Noisey no YouTube vem ganhando cada vez mais espaço pelas suas produções audiovisuais, que inclui um catálogo em construção de vídeo clipes conceituais, verdadeiras obras de arte simples feitas para estimular o espectador a uma possível produção própria. Esse é o intuito do Noisey, e esse é o intuito de “Ultraviolence”, na minha opinião.

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Gravado inteiramente usando um iPhone e na Itália, o vídeo possui aquele já conhecido efeito de ‘filtro do Instagram’, que Lana usou em “Summertime Sadness” e em seus vídeos caseiros no início da carreira. E como seus primeiros vídeos, ele é simples e conciso: Lana está vestida de noiva em um cenário que lembra algumas fotos de divulgação do álbum Ultraviolence, uma parede viva, até que, depois de uma curta marcha nupcial, chega a uma antiga capela italiana, e se ajoelha sob os degraus do altar. Onde deveria haver um noivo, não há ninguém; onde deveria haver um padre, não há ninguém. Há apenas a presença de Lana. E então ela vai embora, e escutamos uma voz masculina dizer, “Você estava esperando por alguém?”, para o que Lana responde, “Sim, papai”.

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O vídeo pode e deve ser visto de diversas formas. O vejo como o anseio de Lana Del Rey de constituir algo real com alguém, constituir algo eterno ou pelo menos duradouro. Como mulher, ela se pinta moderna, mas vemos que possui o desejo de qualquer outra mulher, de qualquer criança que deseja encontrar um príncipe encantado para viver feliz para sempre. Acredito que “Ultraviolence” represente isso, a angústia de não encontrar um grande amor que seja recíproco e que dure eternamente.

 

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • jc

    National Anthem também não foi lançado no Noisey?

  • Mathx

    Cara, eu li um comentário no Youtube e fiquei muito intrigado, dizia que esse vídeo representa a vida amorosa de Jim Morrison e Pamela Courson , e realmente acho que é isso , pois eles tiveram um relacionamento conturbado e ele conheceu ela ainda com 17/18 anos , o primeiro ( e único ) amor dela , e mesmo ficando juntos por 6 anos nunca casaram no altar devido a morte precoce do Jim, e depois de 3 anos ela também se foi; depois da morte dele ela ficou abandonada e nunca subiu no altar, mesmo tendo encontrado o príncipe dela , enfim acho que sim o vídeo é uma homenagem ao relacionamento deles pois mesmo sendo curto foi muito intenso e trágico, achei muito a aura da Lana ….eu não sou bom em escrever , recomendo que pesquisem por si próprios é …lindo , e na forma como vocês escrevem vai ficar mais ainda ! bjoos

  • Vagner

    No final, o Francesco pergunta pra Lana de ela está procurando por alguém, e ela responde “Yes, Pam”, não “dad”… O clip/música e o álbum Ultraviolence em geral, no meu ponto de vista, é uma representação de um amor platônico que a Lana sente pelo Jim Morrison. E o cover de “The Other Woman” não é nada mais nada menos que um triângulo amoroso entre Jim, Pam e Lana… Um amor platônico, mas que de alguma forma, ela sente-se ligada à ele.

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