ICONIC SOUL | Florida Kilos: De cowboys da cocaína e gangsteres cubanos até spring breakers prontos para diversão

por / sábado, 30 agosto 2014 / Publicado emColunas, Iconic Soul

Por Raphaella Paiva

“White lines, pretty baby, tattoos. Don’t know what they mean, they’re special just for you” (Carreiras brancas, lindo garoto, tatuagens. Não sei o que significam, elas são especiais só pra você). Florida Kilos.

Já pararam para pensar em quantas referências Lana Del Rey possui? É um verdadeiro dicionário cultural pronto para ser explorado, e com a música Florida Kilos não é diferente. Sendo a última canção do álbum Ultraviolence, a voz baby-talk da cantora num ritmo incomum em suas músicas, parece uma verdadeira ode satírica e romantizada da cocaína.

Na canção, Lana faz referências metafóricas à droga, começando pelo próprio título Florida Kilos que é a gíria utilizada nas ruas (“kilos” sendo uma espécie de tradução de “cocaína”, ou seja, “cocaína da Flórida”). Então primeiro vamos à letra/tradução e às interpretações principais.

Florida Kilos

White lines, pretty baby, tattoos
Don’t know what they mean?
They’re special, just for you
White palms, baking powder on the stove
Cooking up a dream, turning diamonds into snow

I feel you, pretty baby, feel me
Turn it up hot, loving you is free
I like it down, like it down way low
But you already know that
You already know

Come on down to Florida
I got something for ya’
We could see the kilos
Or the keys, baby, oh ya
Guns in the summertime
Drink a Cherry Cola lime
Prison isn’t nothing to me
If you’ll be by my s-

Yayo, yayo, yayo
And all the dope fiends
Yayo, yayo, yayo

Zoomin’ my miles in gold hoops
You like your little baby like
You like your drinks, cool
White lines, pretty daddy, go ski it
You snort it like a champ
Like the winter we’re not in

Come on down to Florida
I got something for ya’
We could see the kilos
Or the keys, baby, oh ya
Guns in the summertime
Drink a Cherry Cola lime
Prison isn’t nothing to me
If you’ll be by my s-

Yayo, yayo, yayo
And all the dope fiends
Yayo, yayo, yayo

We could get high in Miami
Dance the night away
People never die in Miami
That’s what they all say
You believe me
Don’t you, baby?

Come on down to Florida
I got something for ya’
We could see the kilos
Or the keys, baby, oh ya
Guns in the summertime
Drink a Cherry Cola lime
Prison don’t mean nothing to me
If you’ll be by my s-

Yayo, yayo, yayo
All the Floridians say:
“Yayo, yayo, yayo”
All the Colombians say:
“Yayo, yayo, yayo
And all my girlfriends”
Yayo, yayo, yayo

That’s how we do it, like
Mm-mm, pretty baby
White lines, pretty baby
Gold teeth, pretty baby
Dance the night away

Cocaína da Flórida

Carreiras brancas, gato, tattoos
Você não sabe o que elas significam?
Elas são especiais, só pra você
Palmeiras brancas, fermento no fogão
Cozinhando um sonho, transformando diamantes em neve
Eu sinto você, gato, sinta a mim
Deixe isso quente, amar você é grátis
Eu gosto disso, gosto disso lá embaixo
Mas você já sabe disso
Você já sabe

Venha para Flórida
Eu tenho algo pra você
Nós poderíamos ver onde tem cocaína
Ou marijuana, baby, oh ya
Armas no verão
Beba uma Cherry Cola com limão
Prisão não é nada pra mim
Se você estará ao meu l-

Yayo, yayo, yayo
E todos os viciados
Yayo, yayo, yayo

Aproximando das rodas de ouro
Você gosta da sua garota
Como gosta dos seus drinques, frescos
Carreiras brancas, paizinho, esquie
Você inspira como um campeão
Como o inverno que não estamos

Venha para Flórida
Eu tenho algo pra você
Nós poderíamos ver onde tem cocaína
Ou marijuana, baby, oh ya
Armas no verão
Beba uma Cherry Cola com limão
Prisão não é nada pra mim
Se você estará ao meu l-

Yayo, yayo, yayo
E todos os viciados
Yayo, yayo, yayo

Nós poderíamos ficar chapados em Miami
Dançar a noite toda
As pessoas nunca morrem em Miami
Isso é o que eles dizem
Você acredita em mim
Não acredita, baby?

Venha para Flórida
Eu tenho algo pra você
Nós poderíamos ver onde tem cocaína
Ou marijuana, baby, oh ya
Armas no verão
Beba uma Cherry Cola com limão
Prisão não é nada pra mim
Se você estará ao meu l-

Yayo, yayo, yayo
E todos da Flórida dizem:
“Yayo, yayo, yayo”
E todos os colombianos dizem:
“Yayo, yayo, yayo
E todas as minhas namoradas”
Yayo, yayo, yayo

Assim é como nós fazemos, tipo assim
Mm-mm, lindo garoto
Carreiras brancas, lindo garoto
Dentes de ouro, lindo garoto
Dance a noite toda

White lines se refere diretamente às “carreiras brancas”, ou seja, às fileiras que os usuários fazem após quebrar a pedra branca, separando em pequenas carreiras antes de aspirá-las – o que também quer dizer o trecho turning diamonds into snow/transformando diamantes em neve (transformado as pedras em pó). Já o loving you is free/amar você é grátis seria o fato de ela não precisar pagar um centavo sequer em seu vício, já que o namorado é traficante.

Já a frequente frase We could see the kilos or the keys/ Nós poderíamos ver onde tem cocaína ou marijuana pode ser interpretada tanto pelo fato de “keys” também ser uma gíria para drogas ou então pelo “Florida Keys”, um arquipélago da Flórida onde se concentra belos corais. O termo “yayo”, entretanto, é um termo usado nas ruas para se referir à cocaína igualmente, o que será explicado mais a frente.

Zoomin’ my miles in gold hoops/Aproximando minhas milhas em arcos de ouro é uma forma de visão poética para as rodas de ouro dos carros de gângsteres, que andam por milhas e milhas se exibindo, enquanto White lines, pretty daddy, go ski it/Carreiras brancas, paizinho, vá esquiá-las e You snort it like a champ, like the winter we’re not in/Você inspira como um campeão, como o inverno em que não estamos também se referem ao ato de inspirar a droga em pequenas fileiras.

O resto da música fica com o papel de desempenhar a celebração pela vida em Miami, as curtições e a sensação de liberdade plena quando se está lá fazendo exatamente o que não deveria fazer. Uma verdadeira ode ao proibido que entenderemos adiante.

Em entrevista para o jornal italiano La 27ORA, Del Rey afirmou ter sido inspirada pelo documentário Cocaine Cowboys (Cowboys da Cocaína) que fala sobre o tráfico que dominou o sul da Flórida nos anos 70 e 80, tornando o Estado um dos mais perigosos de se viver na época e mundialmente conhecido justamente por isso. O nome “cowboys”, inclusive, surgiu pelo grande número de assassinatos por dívidas e rixas que assolavam a região.

Sinopse: No início dos anos 1980, barões do tráfico de cocaína da Bolívia invadiram Miami com uma violência jamais vista nos Estados Unidos desde a remota Era da Proibição (quando surgiu a Lei Seca) com os gangsteres de Chicago, nas décadas de 1920. O documentário “Cocaine Cowboys” conta a verdadeira história de como Miami se tornou a capital americana do dinheiro, das drogas e assassinatos, tudo com depoimentos daqueles que fizeram isso acontecer.

“Eu fui inspirada por um documentário chamado Cocaine Cowboys, que fala sobre traficantes na Miami dos anos 70. Eu sou atraída por aqueles que usam métodos ilegais para conseguir o que querem. Quando era criança, eu pensava que tinha o direito de ter o que eu quisesse a qualquer custo. Eu gosto da ideia de chegar ao topo com seu método, sendo ele legal ou ilegal.” Lana Del Rey para La 27ORA, 2014.

Não são novidades esses métodos ambiciosos da morena; ela já comentou em entrevista a The Fader ter tido um relacionamento de sete anos com um empresário musical, anos atrás, e que isso não lhe ajudou a chegar ao topo (que ela inclusive usa como inspiração para sua outra música chamada Fucked My Way Up To The Top).

No documentário, entretanto, há passagens que denominam Miami como o Paraíso Perdido (Paradise Lost), por ser uma cidade tão bela e paradisíaca e que, de repente, foi tomada por traficantes que geraram dívidas e verdadeiros assassinatos em massa no sul da Flórida. O termo é originário do livro Paraíso Perdido de John Milton, lançado em 1667 e que contém o poema de dez cantos de mesmo nome, um termo que Lana Del Rey já usou em seu curta-metragem TROPICO.

“Los Angeles, a cidade dos anjos. A terra de deuses e monstros. O mundo do meio, onde somente as escolhas feitas de seu livre arbítrio vão decidir se suas almas encontrarão seu destino. Alguns poetas chamam isso de ‘entrada para o submundo’, mas em algumas noites de verão parecia ser o Paraíso. Um Paraíso perdido.” TROPICO, Lana Del Rey, 2013.

No curta, ela trocou o cenário de Miami para Los Angeles, mas que mesmo assim possui uma história muito parecida com o que ocorria na cidade nos anos 70. Assim como a Flórida era assolada por traficantes de drogas cheios de cocaína, mortes, gangsteres pecados, a Califórnia é retratada no filme de Lana Del Rey – como se Los Angeles fosse a representação em TROPICO da verdadeira Miami de Florida Kilos. O submundo que parecia ser perfeito, que parecia ser o Paraíso.

O livro de John Milton, no entanto, encaixa-se em ambas as obras de Lana por seu termo “paraíso perdido” quando ela retrata toda a história do filme com os personagens Adão e Eva expulsos do Éden e caídos no mundo real cheio de provocações pecaminosas.

“O poema trata da visão cristã da origem do homem. Da rebelião e queda dos anjos. Da criação de Adão e Eva. Da tentação por Satã. Da expulsão do Paraíso. Da promessa da redenção futura.” Prefácio ‘O Autor’Paraíso Perdido, John Milton.

Mas falando em gangsteres, Del Rey nunca escondeu sua verdadeira admiração por eles – onde entramos com a segunda referência da canção Florida Kilos, o filme Scarface, o qual ela já admitiu em diversas entrevistas ser um de seus filmes preferidos, juntamente da trilogia de O Poderoso Chefão e Beleza Americana.

A versão de 1983 do filme, fala sobre o imigrante cubano Tony Montana (interpretado pelo clássico Al Pacino) que se muda para Miami e se envolve no mundo dos gangsteres traficantes de cocaína, tornando-se um dos maiores chefões do negócio no sul da Flórida.

Sinopse: Década de 80. Centenas de imigrantes cubanos aportam na costa da Flórida, durante uma breve abertura da ilha por Fidel Castro, em uma manobra para se livrar do excesso de presos nas cadeias cubanas. Em meio à massa de miseráveis, chega Tony Montana, bandido de pouco nome e muita bravata, disposto a conquistar o mundo do tráfico.

A primeira versão do filme datada de 1932, diferente da primeira, retrata os gangsteres de Chicago, os maiores e mais temidos da época, enquanto o remake utilizou exatamente o apogeu do tráfico na Flórida para fazer uma reinterpretação brilhante para o longa-metragem.

Os colombianos eram os grandes produtores da cocaína que era enviada e revendida para todas as regiões do estado e o protagonista Tony Montana se torna um dos maiores traficantes. E foi com esse filme que o termo “yayo” foi disseminado para denominar a cocaína, originária da palavra espanhola “lello” – denominação que Lana, além de usar na canção Florida Kilos, também utilizou para intitular uma das músicas do álbum Born to Die: The Paradise Edition.

“I like the snake on your tattoo, I like the Ivy and the ink blue. Yayo, yeah you, yayo” (Eu gosto da cobra na sua tatuagem, eu gosto da Hera e da tinta azul. Cocaína, sim você, cocaína). Yayo.

“All the Floridians say: Yayo, yayo, yayo. All the Colombians say: Yayo, yayo, yayo” (Toda a galera da Flórida diz: Cocaína, cocaína, cocaína. Todos os colombianos dizem: Cocaína, cocaína, cocaína) Florida Kilos.

Lana Del Rey inclusive já compôs uma canção com o título “Scarface” que caiu na internet em 2013 e, assim como o filme foi censurado em inúmeros países por ter Al Pacino dizendo o palavrão “fuck” 182 vezes, a música faz jus ao citar a mesma palavra diversas vezes. E os versos são como as frases do personagem durante o longa.

“Don’t fuck with me, I told you don’t fuck with me […] Scarface, sacrifice. Sold my soul to make it nice, it was worth it, paid the price. Life is death when blow is life” (Não foda comigo, eu disse pra você não foder comigo […] Scarface, sacrifício. Vendi minha alma pra deixá-la assim, valeu a pena, eu paguei o preço. Vida é morte quando a vida é um golpe) Scarface, Lana Del Rey.

O espírito gângster da cantora nova-iorquina sempre foi aflorado e ela nunca escondeu esse lado negro. Ela sempre se diz uma garota má, uma garota que se apaixona por caras errados, que é atraída por coisas erradas em momentos errados e vive intensamente tudo o que a vida lhe tem a oferecer.

Ela seria capaz de tudo.

E igualmente são as garotas do filme Spring Breakers, um sucesso de 2012 que trouxe de volta o submundo de Miami e os gangsteres de dentes de ouro de Florida Kilos, narrando as experiências de quatro amigas universitárias inconsequentes que são capazes de tudo pela liberdade. Tudo.

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Sinopse: Faith (Selena Gomez), Candy (Vanessa Hudgens), Brit (Ashley Benson) e Cotty (Rachel Korine) são melhores amigas. Elas vivem juntas dividindo um dormitório na faculdade quando resolvem procurar uma aventura. Elas decidem passar o spring break na Florida, então roubam um restaurante de fast food para financiar a viagem. Chegando a Miami, elas são pegas em uma festa com drogas e bebidas e são jogadas na cadeia, até que Alien (James Franco), um traficante de armas e drogas, tira-as da prisão em troca de um trabalho sujo.

Some kids… Some little kids, they wanna grow up to be president, some kids wanna grow up and be doctor, you know? I just wanted to be bad! (Algumas crianças… Algumas crianças querem crescer pra serem presidentes, algumas crianças querem crescer e serem médicos, saca? Eu só queria ser mau!). Alien, Spring Breakers.

Tendo a atenção da mídia por ter como protagonistas as queridinhas adolescentes de Hollywood, o filme logo se tornou uma pequena febre ao retratar de forma satírica, cheia de humor negro e um drama com pegada surrealista, desvirginando a imagem da pureza. E é isso o que é apresentado logo no início do filme, mostrando as garotas fumando narguilé, tendo momentos sensuais entre elas e assaltando um restaurante quando não conseguem juntar dinheiro o suficiente para o feriado prolongado de primavera.

Os Spring Breaks estadunidenses, aliás, são conhecidos por sua libertinagem quase carnavalesca, cheia de praias, calor, sexo, festas, álcool e drogas esbaldadas pelos jovens em um instinto puramente livre e selvagem. E é como se o filme fosse a retratação visual da música de Lana Del Rey.

A melodia suave e quase divertida que se assimila aos momentos de curtição no longa-metragem, a voz infantilizada da cantora seria como a inconsequência e as risadas das garotas ao participarem de festas clandestinas cheias de álcool, sexo e drogas. O sol, as praias quentes do sul da Flórida, os gangsteres de dentes de ouro e a espontaneidade e o perigo esperando qualquer vacilo.

“Spring Breakers é um fervente e colorido sonho que é o filme mais inesquecível do ano. É um trabalho genial de Harmony Korine sobre os adolescentes que vão para a Flórida todo ano no Spring Break. É ousado, às vezes irritante, sombrio, engraçado e é sempre, sempre provocante.” Richard Roeper para o Richardroeper.com

Harmony Korine é o diretor do filme e ninguém mais ninguém menos que o co-compositor de Florida Kilos. Ele, Lana Del Rey e Dan Auerbach escreveram a canção juntos (esse último sendo o produtor do álbum Ultraviolence em que Florida Kilos está contida, além de líder do duo The Black Keys, que possui uma de suas músicas na trilha sonora de Spring Breakers). O círculo de ligações parece não ter fim – é como se tudo fosse coincidentemente planejado.

Assim, Florida Kilos é mais do que um “Nossa, por que a Lana escreveu uma música sobre cocaína?” ou “Isso é muito polêmico e vulgar para uma cantora como ela”. Del Rey sempre compôs músicas sobre os submundos ignorados pela sociedade atual, sempre se colocou como uma cantora e uma garota incomum que espera mais do mundo do que apresentações em premiações populares e prêmios renomados. Ela gosta de fazer música – música para ela e para os fãs – e não tem medo dos limites disso.

Uma canção que explora as fronteiras sociais, que é cheia de referências críticas a um acontecimento que os EUA e o mundo não podem negar. A última música do álbum Ultraviolence é uma celebração à cocaína pelo ponto de vista das pessoas que se beneficiavam com ela, é uma música pelo ponto de vista da galera da Flórida e dos colombianos. É a personagem que namora um gângster traficante e não nega festas, cocaína e curtição. É uma personagem louca pela vida e louca pela liberdade.

A sátira pelo ponto de vista dos “vilões”.

Até porque Lana Del Rey é uma pequena garota perigosa e inconsequente que assiste a documentários históricos, é fã de filmes de gangsteres e sempre agiu como o tipo de garota que não perderia um Spring Break. Ela é ela mesma. E é admirada justamente por isso.

 Sem título

“Desde que consigo me lembrar, eu sempre quis ser uma gângster. Para mim, ser gângster era melhor do que ser presidente dos Estados Unidos.” Lana Del Rey, @MissDaytona.

Por Raphaella Paiva

Raphaella Paiva
Escorpiana, 20 anos. Estudante de Letras - Português pela Universidade Federal de Goiás, escritora em pré-contrato e uma beatnik nascida na época errada. Descobriu Lana Del Rey em 2011 quando Video Games roubou seu coração, tornando-se uma tradutora, redatora e colunista que adora um teste do sofá no Addiction. Cinéfila que também ama jazz e blues, Pink Floyd, Arctic Monkeys, Kristen Stewart, Marilyn Monroe e qualquer coisa escrita ou filmada por Woody Allen.
  • Ian Holland

    Adoro Florida Kilos, é tão pesada e tão leve ao mesmo tempo. Muito divertida, fico imaginando como seria um provável clipe haha

  • wellison moura

    Sei que não tem nada ver,mais vai ter clipe de Cruel World?

    • Mateus

      Não há previsão de lançamento de outro single, Wellison. Mas se for anunciado, postaremos sobre aqui no site.

      /Lana Del Rey Addiction

  • https://www.facebook.com/ Ricardo Oliveira

    Ouvir Florida Kilos é como uma ida sem volta, a canção é completamente envolvente e intensa pra quem escuta!!! Florida Kilos é magnífica <3

  • Daniel Reis

    Análise impecável, ficou simplesmente incrível

  • Ghone

    Tudo nessa música é perfeito, a voz, melodia, versos. Ama essa música!!!!!

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