“A felicidade não é um estado de repouso, é uma ação”, leia entrevista de Lana Del Rey para revista bielorrussa ‘BIG’

por / segunda-feira, 18 agosto 2014 / Publicado emEntrevistas

BIG

Lana Del Rey concedeu entrevista para a revista bielorrussa ‘BIG’ onde fala sobre o processo de criação do seu novo álbum, ‘Ultraviolence’, Los Angeles, e sua vida pessoal e profissional. Confira a tradução da entrevista completa:

BIG: Lana você se apresentou no casamento de Kim e Kanye. Como você se sentiu, participando de uma grande cerimônia de casamento?
Lana Del Rey: Foi ótimo. Eu sou uma grande fã de Kanye, ele é um homem muito talentoso. E, francamente contente que eles consideram sua união algo surpreendente. Quando Kanye queria que eu viesse e cantasse para surpreender Kim, concordei imediatamente. Voamos de Cannes para Versailles, e totalmente surpreendeu até as minhas expectativas. Afinal, essa é Versailles! (Lana ri)

BIG: Em suas canções, sentimos uma certa nostalgia e tristeza. Onde a felicidade parece ser um objetivo tão difícil, mas como pessoa, você parece ser bem feliz?
LDR: Eu ainda não encontrei uma maneira fácil de felicidade. A última vez que me senti calma foi há muitos anos atrás… Este é o meu objetivo de vida: a busca do caminho para a felicidade. Naturalmente, há momentos de alegria genuína, mas eles geralmente não duram muito tempo. Felicidade não é um estado estático, é um momento. Esta é uma definição grega antiga. Não é um estado de repouso, é uma ação.

BIG: Como é que você está tentando alcançar essa felicidade?
LDR: Eu tento ser paciente, estar sempre cercada de meus entes queridos, para ser generosa e buscar tranquilidade. Na verdade, eu percebi que a decisão de dedicar a sua vida a outras pessoas é um caminho real para a felicidade.

BIG: Você costumava falar muito sobre a fé em formas alternativas de vida. O que você quer dizer?
LDR: Minha vida passou por muitas fases, em sua maioria transitórias. Mas eu não me considero uma pessoa radical, um agente provocador. Eu amo muitas coisas tradicionais. No entanto, eu acredito em um estilo de vida alternativo e uma abordagem alternativa para relacionamentos. Eu acho que, mais uma vez, perdemos a liberdade cultural e pessoal, que foi desenvolvida na década de 60, quando as pessoas estavam falando sobre um novo sentido de liberdade. É muito mais interessante do que o conceito de liberdade que nós pensamos hoje.

BIG: Você ainda está interessada em filosofia?
LDR: Sim. Também estudei teologia, porque, onde eu estudava, a filosofia era ensinada pelos jesuítas. Fiquei chocada com a pergunta: “Por que nós existimos?” e me diverti pensando sobre isso e discuti com os outros as principais questões do universo, como, por que vivemos e qual o valor que pode ser encontrado na vida.

BIG: E qual é a sua relação com a religião?
LDR: Eu fui a uma escola católica, St. Agnes, e eu gostava de ir à igreja. Estou muito interessada na idéia do plano divino e ao fato de que, no mundo, há algo além de pessoas. Meu ponto de vista da religião é diferente do mundo católico de costume, mas eu me sinto confortável que espiritualmente exista alguém que está nos assistindo.

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BIG: Vamos falar sobre o seu novo álbum. De onde veio o nome ‘Ultraviolence’?
LDR: Eu pensei no nome antes de começar a escrever canções para o álbum. Eu gosto da ideia de usar apenas uma palavra como título, traz simplicidade e elegância. Eu estive pensando em cores, e eu amo tons de azul e roxo, então imediatamente pensei no ultravioleta. Esta foi a base, no final tudo saiu um pouco diferente (sorrindo). “Ultra” tem um som agradável, que é completamente contrário à ideia de violência. Isso, em certo sentido, reflete as contradições que eu encontro em mim. O pano de fundo é que eu sou uma boa pessoa, mas a “violência” dominou os últimos quatro anos da minha vida.

BIG: O que te inspirou a música do álbum?
LDR: Passei muito tempo dirigindo perto da costa oceânica sozinha e pensando. Na verdade, eu não escrevi nada até o inverno passado, quando eu estava em Nova York. Eu ia na minha antiga Mercedes conversível até a cidade, fazia frio e eu pensava muito sobre minha música. Atualmente moro em Los Angeles. Costumo ficar na praia, sentada no carro (algo que as pessoas não costumam fazer). Fico sem sair do meu carro, porque o carro não tem “teto” (risos). Após 23:30, Los Angeles é muito legal para se dar um passeio, indo na Sunset Boulevard em direção ao oceano, com as ruas quase vazias, e eu sinto que estou em meu próprio e pequeno mundo.

BIG: O que você pensou quando o álbum estava finalizado?
LDR: Em primeiro lugar, estou muito apaixonada por ele. Eu comecei a trabalhar neste disco no Electric Lady Studios, em Nova York. Acidentalmente encontrei com Dan Auerbach uma vez. Ele ouviu o disco, e ele gostou, mas Dan pensou que estava soando muito no espírito do rock clássico. No entanto, quando eu disse a ele que eu tive a idéia de combinar o espírito e a cultura do jazz subterrâneo da Costa Oeste, Dan se ofereceu para ajudar.

“A liberdade cultural e pessoal, que foi desenvolvida na década de 60, é muito mais interessante do que o conceito de liberdade que nós pensamos hoje.” – Lana Del Rey

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BIG: Como você descreveria o som da canção ‘West Coast’?
LDR: Quando eu conheci Dan, ele amava a melodia do refrão de ‘West Coast’. Ele chamou de “um balanço narcótico”, e esta é uma boa descrição. Nesta canção, temos não apenas a influência do final dos anos 70, mas também um aceno para o som dos sintetizadores da costa oeste da década de 90.

BIG: O que a vida em Nova York tem de diferente da vida em Los Angeles?
LDR: Para mim, a minha viagem para Los Angeles foi meio que uma fuga, e fiquei impressionada com o quanto há para se fazer no dia-a-dia. Eu gosto de nadar, de ir à praia todos os dias. Eu passo muito tempo apenas passeando ao longo da costa e ouvindo música. Eu gosto de ouvir as trilhas sonoras de filmes como “Beleza Americana”, “O Poderoso Chefão”, “Scarface”. Mas, ao mesmo tempo, eu adoro grunge, como Mark Lanegan, Nirvana. Jazz, como Chet Baker, Nina Simone, Billie Holiday. Mais Bob Dylan e todos os músicos da época.
Gosto de ficar criando e escrever apenas durante a noite, muitas vezes na rua e com diferentes ruídos de fundo. Pode ser de um rádio ou da televisão. Quando eu escrevo, eu recebo inspiração em um ou alguns cigarros e gosto de tomar café… Bastante café!

BIG: O que você pode nos dizer sobre suas primeiras memórias musicais?
LDR: Lembro-me de que nos meus 15 ou 16 anos fui enviada para a escola Kent, uma escola particular em Connecticut, para que eu pudesse lidar com o alcoolismo. Havia um jovem professor, Jean Campbell, que me apresentou ao hip-hop… Ao longo dos próximos anos, especialmente depois que me mudei para Nova York, foram momentos difíceis, mas muito úteis para a minha criatividade. Muito do que tenho escrito nos últimos anos refere-se aos sentimentos associados ao álcool – eu, então, por algum tempo, me senti bem, e depois o álcool deixou de trazer alegria e tornou-se algo muito destrutivo.

BIG: Fumar ajuda a relaxar?
LDR: Fumar ajuda a acalmar. Quando eu quero me acalmar, eu fumo um cigarro atrás do outro. Isso é especialmente útil antes, depois e durante uma apresentação.

BIG: Você tem vivido altos e baixos em sua vida e obra, e, recentemente, está alcançado um enorme sucesso. Qual dos acontecimentos recentes que você pode nomear como o mais inusitado?
LDR: Foi quando eu estava em Londres. Eu liguei para o 911, mas depois lembrei-me que em Londres o número não funciona! (ela ri). Naquela época, eu não sabia que em Londres você não pode ligar para o 911 (o número de Londres é 999). Eu tinha achado que tinha visto algo estranho, como um fantasma, quando estava indo visitar um amigo. No momento, eu poderia jurar por Deus que tinha visto três fantasmas em Kingsland Road. Depois, fiquei sabendo que era a luz surgindo das lanternas chinesas que as pessoas acendem durante verão. Eu era muito boba.

 

Confira em nossa galeria os scans da revista ‘BIG’:

A revista utiliza o photoshoot realizado em 2012, por Bryan Adams para a Zoo Magazine, confira em nossa galeria:


Tradução por Mauricio Sousa
Entrevista por Veronica Parker

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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