Emile Haynie anuncia colaboração com Lana Del Rey em seu primeiro álbum.

por / quarta-feira, 27 agosto 2014 / Publicado emEntrevistas, Notícias

Emile

O produtor Emile Haynie revelou ao site Je Ne Sais Pop vários detalhes sobre seu primeiro álbum de estúdio em uma entrevista publicada hoje.  Confira a tradução abaixo:

 

Emile Haynie nos fala sobre seu álbum com Lana, Rufus, Lykke, Florence, Wilson … 

Emile-suite

Produzir temas populares de Lana Del Rey como “Born to Die” e “Blue Jeans”, uma música tão importante na carreira de Kanye West como “Runaway”, “Locked Out of Heaven” de Bruno Mars, a recente “Doom e Gloom” dos Rolling Stone, “My Kind of Love” de Emeli Sandé e “Over the Love” de Florence and the Machine, para citar somente alguns créditos de um currículo que também incluem Eminem ou Fun., te dá carta branca para fazer o que quiser. Mas o produtor Emile Haynie insiste em que seu primeiro álbum, previsto para outubro (talvez novembro), foi gravado com seus amigos, não com qualquer um que aparecesse.

A boa notícia é que a lista de seus melhores amigos nesta agenda são Lana Del Rey, Rufus Wainwright, Lykke Li, Andrew Wyatt do Miike Snow, Florence and the Machine, Nate do Fun., Charlotte Gainsbourg, Julia Holter, Father John Misty… Não, não é uma agenda qualquer. E todos eles, alguns com mais destaque do que outros, já passaram por esse álbum chamado “We Fall”, que conta uma história de amor e desgosto do início ao fim. Escrito nos últimos meses, com essa série de personagens que iam passando como por casualidade por um hotel de Los Angeles em que Emile inicialmente ia ficar 10 dias, o álbum é apresentado por um uma canção diferente das demais, tremulante, chamada “The Kiss Goodbye”, em que nela colaboram Charlotte Gainsbourg e Sampha, o single oficial “Falling Apart”, com as vozes de Andrew Wyatt e Brian Wilson (!!) – uma balada quase natalina, e um segundo single oficial de Nate Ruess do Fun. vai deixar a marca pop inseparável de sua voz.

 

 

Emile Haynie esteve no mês passado em Madrid, tocando todas as músicas do álbum em um hotel e, em seguida, pode nos responder algumas perguntas, como, por exemplo, qual estrela foi mais difícil de conseguir para este álbum. E ele é muito claro: o vencedor do Oscar Randy Newman (indicado 20 vezes nas categorias musicais), descrevendo-o como o compositor favorito de todos os compositores. “Randy Newman foi o mais difícil. Lana Del Rey, Andrew Wyatt, Lykke Li … são meus amigos, fizemos música juntos, mas isso é secundário em relação à nossa amizade. Mas Randy… Estava obcecado com o seu álbum ‘Sail Away’. Quando Andrew (Wyatt) ouviu uma demonstração do que acabou sendo a música de Randy Newman (‘Who to Blame’) me disse que com certeza ele estava pensando em ‘Sail Away’, mas eu nunca tinha ouvido falar do disco, ouvi e disse ‘foda-se: esta é a voz que eu ouço na minha canção, ela se parece muito com a minha música…’. Eu sou amigo de sua afilhada, eu tentei encontrá-lo, mandei um monte de e-mails longos dizendo o quanto era importante para mim que ele cantasse essa música, mas não houve resposta. Levei dois meses para conseguir uma consulta de cinco minutos com ele, fui à sua casa e ele era um cara divertido. Ele estava bastante receoso, havia 40 anos que ele não interpretava uma música que ele mesmo não houvesse escrito, me dizia que não cantava em outros discos, e também sabia que esta era de desgosto. Ele disse “não faço música tipo ‘baby, I miss you’, mas eu não estou reclamando, foi tudo como um elogio”. Ele ouviu a canção, e uma vez que fez uma ideia do que eu queria, de onde ela veio, ele estava feliz por fazê-la”.

O tom geral era completamente diferente, como é o caso de Florence + The Machine, que faz os vocais em “The Other Side”, uma das poucas canções que que o próprio Emile canta. “Florence é uma grande amiga e ficaria um mês no meu hotel, em um quarto no andar acima do meu. Ela sabia no que andava, nós conversávamos muito sobre o amor e a vida, mas eu não iria pedir-lhe para cantar, não queria pressioná-la, mas eu estava morrendo de vontade de ter sua voz no álbum. Na verdade, eu já estava acabando e tinha quase tudo terminado, mas o último dia que ela passou no hotel, tinha a janela aberta e lhe chegava o som da música, ela me disse que era bonita e que queria cantar. E eu disse: ‘Eu vou ao seu quarto em 10 minutos.’ Essa última música é muito pessoal e eu pensei que seria legal ter uma voz feminina em segundo plano e quem melhor do que Flo? Eu disse para ela fazer o que quisesse, pegou o microfone que eu tinha e fez tudo em 15 minutos. Pensei que era muito bom e eu acho que funciona bem em relação ao que eu queria, esse sentimento de incerteza com a necessidade de sair do buraco e começar de novo”. A faixa, que termina dizendo “you don’t even matter no more” (você não tem mais importância) antes de uma nova exibição de cordas, é o fim de um álbum que relata uma história de amor contada em ordem cronológica, com o referido single ‘Falling Apart’ funcionando como sumário no início, e o tema com Rufus Wainwright, ‘Little Ballerina’, como o segundo capítulo, contando como o protagonista se apaixona.

A de Lana Del Rey, faixa três, não vai ser single no momento. Trata-se de ‘Wait for Life’, uma balada bonita com cordas com a parte do som doce que falta em ‘Ultraviolence’ e uma voz agudíssima no final. “Quem sabe se será um single. É a segunda música que fiz. Lana e eu estávamos juntos trabalhando em sua música, ela sabia perfeitamente toda a história pela qual eu estava passando e decidiu contribuir colocando o ponto de vista de uma mulher. Seria um grande terceiro single, mas não sei. Todos eles foram escolhidos, mas é tudo tão pessoal que não posso pensar em singles”. Ainda que Emile tenha nos visitado para falar de seu novo álbum, não posso evitar perguntar pelo momento mais misteriosamente viciante da discografia de Lana Del Rey: esse grito masculino que aparece ciclicamente em ‘Blue Jeans’ e que de certo também foi usado por John Gray em ‘Mad on Her’. Emile ri, surpreendido pela pergunta, e não parece disposto a revelar o último segredo. “É só uma gravação rara de um homem gritando. A voz de Lana é tão bonita, quase perfeita, que eu gosto de produzi-la justapondo algo bastante feio em contraste. Por isso em minhas músicas com ela soam meninos gritando, homens gritando, ruídos de animais, algo de distorção. É agradável”. Não tem um sample, então? “Não, não é uma canção antiga, é uma gravação rara, sem mais. Não havia um plano. Lana me perguntou o que era aquilo e disse que não sabia, mas coloco muitas coisas assim em sua música”.

Emile parece bastante preocupado em encontrar esse contraponto feminino para suas composições. Como no caso de Lana, é o caso da contribuição ambiental – como não – de Lykke Li, cantando em uma “reprise” de “Falling Apart”. “Eu sempre tive em mente ter uma garota para cantar o ponto de vista de uma garota. Queria que uma mulher se explicasse. Lykke Li visitou o hotel para um café, inicialmente não tínhamos planos de gravar, só de ouvir, mas eu lhe disse que tinha um microfone e que procurava uma música-resposta a ‘Falling Apart’. E ela mudou um pouco a ideia da canção. Eu estava pensando em coisas como ‘Here, My Dear’ de Marvin Gaye. Muitos álbuns que ouço dos anos 60 e dos anos 70 têm versões diferentes da mesma música, era muito comum na época, e as músicas que ficaram mais masculinas, seria bom terem uma versão feminina”. A outra canção que é como um pequeno “reprise” é uma resposta ao já mencionado tema de Rufus, ao que se unem ninguém menos que Julia Holter e Father John Misty. Sobre ela me chama a atenção que a descrevam como uma de suas “artistas folks” preferidas do momento, já que a etiqueta parece pequena ante a magnitude de sua obra. “Eu não a considero ‘folk’, mas não sei como descrevê-la. Não é que soe como retro-folk, mas é moderna, original e ainda assim o que me lembro é de pessoas como Joni Mitchell, é ela e sua voz. Não que eu saiba muito bem o que seja folk em 2014”.

De Father John Misty, cujo ‘Fear Fun’ Emile adora, ele fala quando o pergunto o que espera deste disco, se um êxito similar ao que Mark Ronson, quem de certo toca o baixo na música com Rufus, ‘Little Ballerina’, alcançou com ‘Version’ graças a ‘Valerie’ de Amy Winehouse. “Quem sabe, não fiz o disco como nada mais que terapia. Estou contente por tê-lo feito e só. E quanto ao êxito comercial, não tenho ideia. Não fiz o disco tipo “vou chamar todo mundo que conheço para ver o que acontece”, são meus amigos, gosto de suas vozes, tanto faz se vendo 100 milhões de discos ou três. Não sei, só quero que as pessoas tenham claro que não é um disco de um produtor. A única razão pela qual não canto é por que não me sinto seguro. Ainda assim, canto algumas músicas, fiz as demos um pouco bêbado para que as cantoras as interpretem, Mark Ronson me animava para cantar. Queria que Father John Misty interpretasse uma das músicas e ele também me disse que eu deveria cantá-la, ao final nos conhecemos e viramos amigos e ele aceitou cantar. As coisas foram saindo de maneira natural. Não tenho grandes expectativas”.

Haverá apresentações ao vivo que serão realizadas em Nova York, Los Angeles, e talvez Londres e Paris. Emile diz estar francamente impressionado por um show recente que viu de Spiritualized interpretando ‘Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space’ e uma conversa que teve depois com Jason Pierce durante duas horas, e um show de Portishead com projeções e orquestra. “Se dependesse de mim estariam todos os que participaram neste disco, mas será impossível, então tentarei reunir o máximo de gente possível. Tudo nesse álbum é ‘veremos o que acontece’.”

Texto por Sebas
Traduzido por Isabela Guiaro e Mateus Santana

 

Além desta parceria com Emile Haynie, três outras colaborações de Lana em outros álbuns foram anunciadas esta ano: ela cantará a faixa ‘Last Song’ com o ex-Beach Boys Brian Wilson em seu novo disco, ela está na faixa ‘Riverside‘ do novo álbum de seu ex-namorado Barrie James O’Neil e também estará no álbum de Giorgio Moroder em uma faixa ainda desconhecida. Saiba mais aqui.

Emile trabalhou com Lana em todas as faixas do ‘Born to Die’, exceto em ‘Video Games’. Tem créditos na composição de Blue Jeans e American e na produção  de ‘Blue Velvet’, ‘Burning Desire’ e ‘Gods & Monsters’. O que você espera de ‘Wait for Life’? Deixe sua opinião nos comentários!

 

Redação LDRA
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