ANÁLISE | Black Beauty: O Desespero do Amor Incondicional

por / quarta-feira, 06 agosto 2014 / Publicado emAnálises, Colunas

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Foi a primeira música, do que viria a se tornar o Ultraviolence que conhecemos hoje, que nos foi apresentada. Com uma melodia simples e sem muitos efeitos que vimos em Born To Die, a versão demo da canção cativou a todos em pouco tempo.

Lana Del Rey declarou que costuma focar o álbum inteiro em um única canção título e que Black Beauty era sua escolha. Ela já imaginava como seria o seu clip, mas depois do vazamento ficou desmotivada e teve que mudar as coisas. Desde que anunciou ‘Ultraviolence’ como titulo do seu novo álbum, na premier do curta-metragem ‘Tropico’, nasceu a dúvida se a faixa estaria ou não no álbum.

Para alivio geral, a canção constava na setlist oficial divulgada por Del Rey como bônus track do disco. Confesso que assim que comprei o álbum, sabia que não conseguiria esperar 11 faixas para finalmente ouvir a música que tanto havia esperado, tamanha era a curiosidade.

Sendo assim, Black Beauty foi a primeira canção que ouvi de Ultraviolence.

Nos primeiros minutos, nada parecia ter mudado – além dos vocais mais claros, os simples arranjos de piano com suaves acordes de guitarra continuavam os mesmos de sempre, trazendo uma onda de familiaridade para o álbum. Mas é no primeiro refrão que somos tomados pelo som das guitarras mais fortes, de uma bateria envolvente e por uma orquestra enternecedora para completar a atmosfera da canção.

Cópia de tumblr_n0j80n6OyU1qeyjyfo1_500Na música, Lana convive com alguém que parece já ter perdido as esperanças sobre a vida – como se estivesse condenada ao corredor da morte – e ela fez de tudo para essa pessoa mudar de ideia.

Oh, what can I do?
Life is beautiful, but you don’t have a clue
Sun and ocean blue
That magnificence, it don’t make sense to you

Tentou mostrar as belezas da vida como um guia, mas “a magnificência do sol e o azul do oceano” não faziam mais sentido.

IMG_1020Então ela, já cansando-se de tanto tentar, resolveu mudar sua atitude e fazer com que as coisas ficassem no mesmo jeito que a pessoa: ela pintou as unhas de preto, escureceu o cabelo como ele gostava. Pintou o céu de preto porque ele tinha que estar no mesmo estado que a alma da pessoa. Pintou a casa de preto e o seu vestido de casamento era preto também.

I paint the house black
My wedding dress black leather too
You have no room for light, love is lost on you
I keep my lips red
To seem like cherries in the spring
Darling you can’t let everything seem so dark blue
But oh, what can I do
To turn you on or get through you?

O preto da música remete a um estado deprimido que rodeia a vida da Lana por anos. Mas ao mesmo tempo, ela enxerga certa beleza nessa tristeza, e por isso canta com tons tão melancólicos sobre a vida. Ela não quer desistir da pessoa mas também não quer se entregar totalmente a essa depressão. Por isso ela manteve os lábios vermelhos como um ultimo ato de esperança, para mudá-lo ou chegar nele. Mas também é como se ela não quisesse desistir de ser ela mesma. Lana se transformou nele mas ainda assim tem amor pela vida e quer salvá-lo.

Oh, what can I do?
Nothing, my sparrow blue

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Ela coloca tanto sentimento a cada verso da música, mas podemos perceber mais emoção quando ela canta ‘oh, o que eu posso fazer?”. Soa como se estivesse orando ou implorando pela ajuda de alguém, como se sentisse impotente mas continuasse tentando. É quase um amor de mãe para filho, que faria de tudo para vê-lo bem.

É um amor incondicional.

 

Escrito por Yuri Oliveira e Nathan Pagliotto

 

 

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
  • Lolita

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