‘Por dez anos escrever era a única coisa estável e tranquilizadora em minha vida’, leia a tradução da entrevista publicada no site The Star

por / sábado, 12 julho 2014 / Publicado emEntrevistas

The Star

 

Confira a tradução completa da entrevista publicada no The Star, site da Malásia, na última quinta-feira (10)

 

Lana Del Rey: Nascida para fazer música

O novo álbum e a carreira musical de Lana Del Rey são os resultados de uma batalha contra os comentários falsos e ganhar a aprovação de seus pais.

Não muito tempo depois do lançamento de Born to Die, Lana Del Rey disse à Vogue que seu lançamento na gravadora seria seu último trabalho. “Eu sinto como se tudo que eu o que eu quisesse dizer já está dito”, a cantora americana citou.

Isso foi por volta de 2012, um ano que também vi a nativa de New York enfrentando acusações de a gravadora tê-la construído artisticamente e falsamente depois da desastrosa apresentação ao vivo no Saturday Night Live e seus esforços musicais menos-que-estelares no passado – um choro distante da cantora opressiva que cativou a internet com o assombroso Video Games.

Com a barreira de críticas negativas, poderia parecer que a nascida Elizabeth Grant tinha de fato esgotado a personagem Lana Del Rey. Mas em algum momento, Born to Die vendeu mais de sete milhões de cópias no mundo todo e se tornou o quinto álbum mais vendido em escala global em 2012.

Talvez tenha sido a percepção de que a má imprensa não necessariamente impedem recordes de vendas porque dois anos depois da entrevista pra Vogue, nós fomos agraciados com Ultraviolence.

Del Rey levou um tempo para falar sobre a sequência de sua comercialmente estreia de sucesso em uma entrevista transcrita fornecida pela Universal Music.

 

Entrevistador: Após seu último álbum, Born to Die, você anunciou sua retirada da música. Mas aqui está você de novo com Ultraviolence.
Lana Del Rey: Eu não posso começar um álbum se eu não tenho ideia alguma da narrativa, do conceito. Se as canções não forem perfeitas pra mim, qual o sentido de forçar a mim mesma? Foi por isso que eu respondi que eu não tinha um álbum planejado. Mas tudo mudou depois de conhecer Dan Auerbach do Black Keys em uma festa. Algum tipo de química aconteceu.

E: O que deu esse suave tom hippie, anos 70, ao Ultraviolence?
LDR: A primeira música do álbum, Cruel World, decidiu tudo. Ela encaixou o álbum geograficamente. No início do texto há algo minimalista, uma simplicidade que se repete de novo e de novo, sem chamar muita atenção. E então o refrão surgiu com essas grandes batidas, essa bagunça elétrica. Essa mistura, essa coabitação entre normalidade e caos é muito simbólica do que eu passei na minha vida.

E: Suas músicas oferecem uma estranha mistura de luxúria, riqueza e tristeza. Um pouco como Roy Orbison…
LDR: Eu sinto como se eu estivesse fazendo canções felizes mas quando eu tenho pessoas as ouvindo, elas dizem como soam tristes. Eu não fujo da minha vida, que é um tanto tumultuada. Três anos depois da minha verdadeira estreia, eu ainda sou atormentada por dúvida e tristeza. Eu tenho apenas incerteza, vazio a minha frente. E eu não gosto de não saber pra onde estou indo. Minha vida amorosa, minha vida familiar… Eu não tenho certeza de nada. Por isso eu odeio quando eu não consigo escrever porque por dez anos escrever era a única coisa estável e tranquilizadora em minha vida.

E: Você cresceu no interior. Era solitário?
LDR: Não, eu tinha um verdadeiro grupo de amigas, inseparáveis, nós éramos muito parecidas. Foi a primeira – e última – vez em minha vida que eu senti tanta amizade. Mas aos 14, eu fui mandada pro internato porque nós causávamos muitos problemas juntas – como sair com garotos mais velhos, fugir pra festas. Na escola, eu me tornei amiga de um dos professores – ele tinha 22 anos e eu tinha 15 – que me ajudou a descobrir Jeff Buckley, Tupac e Allen Ginsberg. Quando eu cheguei a Nova York lá pelos 19 anos, eu tentei encontrar essa amizade perdida com as pessoas da minha própria idade. Mas era muito tarde, eles todos pareciam obcecados com suas carreiras, seu sucesso social… Então eu me perguntei onde os músicos estavam, (pessoas que estavam) dispostas a sacrificarem tudo por suas canções, prontas para morrerem por elas.

E: Então você tinha a sensação de deixar tudo pra trás com essa ideia de sucesso social?
LDR: Eu li um livro de Napoleon Hill que falava exatamente sobre a necessidade de um artista deixar tudo pra trás com qualquer oportunidade de carreira. Por anos, minha vida tomou espaço em minha cabeça, ninguém sabia de nada. Era quase como uma vida dupla. Eu me sentia tão sortuda por receber essas músicas quando eu nunca dizia a ninguém sobre, porque por um longo tempo, exceto por minha colega de quarto, ninguém ouvia minhas músicas. Mas era um encantamento real. A música me dominou, literalmente. Músicas inteiras, já compostas e arranjadas saíam da minha caneta para o notebook. Eu sabia que isso era eu. Quando eu tinha 20 anos, já que nada acontecia, eu decidi continuar respondendo a esse chamado, qualquer que fosse ele. Isso soa estranho, mas eu era fã da minha música. Eu era aterrorizada por como as pessoas me viam. É tão pessoal, a música, que nós inevitavelmente lutamos contra a rejeição.

E: Em que ponto você sentiu que estava certa em abraçar isso?
LDR: Durante a gravação de Born to Die, eu nunca esquecerei a visita do meu pai. Ele estava maravilhado por me ver com tanta certeza, tão em controle, tão satisfeita, pedindo ao produtor para me dar uma batida ou uma sinfonia. Ele não fazia ideia do que eu tinha feito por seis anos, que eu pacientemente construí meu pequeno mundo. Meus pais nem ao menos sabiam que eu cantava. Mas quando ele me viu no estúdio, meu pai me disse que aquele foi o dia mais feliz da vida dele. Meus pais insistiram pra que eu não deixasse a escola pela música – e eu terminei meus estudos em filosofia, porque eu sabia que eles poderiam alimentar minhas músicas. Eu disse a eles antes que eu queria me tornar uma cantora, mas eles não entenderam o quão apaixonada, o quão séria eu estava sendo. Mas de repente, quando meu pai me viu, ele entendeu, isso fez valer a pena os seis anos de trabalho.

E: Que parte do seu trabalho é prazeroso, inspirador, complicado, doloroso…?
LDR: O prazer começa e termina com a gravação do álbum. Aí vem a dor. Eu sou extremamente envolvida em cada frase do álbum até a mixagem, masterização. Eu não deixo a mesa de mixagens até o momento que terminamos as tomadas, um momento de tristeza. Então as turnês começam, dolorosas, ou as divulgações, difíceis. Eu sinto como se eu tivesse que me justificar, me defender, quando eu não sinto a necessidade disso porque minha música é boa o bastante para não ter que fazer isso. Lá no fundo, eu preferiria me manter em silêncio.

 

Por Chester Chin
Traduzido por Raphaella Paiva

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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  • Juh FlordeLotus

    Essa mulher <3

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