‘Sou atraída por homens difíceis’, confira a tradução da entrevista concedida ao site alemão World on Sundey

por / terça-feira, 01 julho 2014 / Publicado emEntrevistas

World on Sunday

 

Entrevista concedida pela Lana ao portal alemão World on Sundey (Welt am Sonntag) no fim do mês passado. Leiam a tradução a seguir:

Por que ela chorou durante um show? Quem é o Guru que ela seguia quando mais jovem? Motoqueiros tatuados são bons homens para se começar uma família? Uma entrevista íntima com a cantora Lana Del Rey.

Lana Del Rey tem sido chamada das seguintes coisas: uma figura da arte, um fenômeno do YouTube e um produto de empresários da música. Há três anos, sua música e o vídeo para “Video Games” apareceram e desde então não há um elemento de seu passado que não tenha sido alvo de comentários. Desde o início, Lana Del Rey era de fato uma obra de arte, mas não apenas em seus vídeos meticulosamente editados. Seu entusiasmo era tão grande que logo surgiram ataques contra ela.

E assim continua. Ela acabou de lançar seu novo álbum Ultraviolence, mas a atenção da maioria se voltou para um comentário feito em uma entrevista – “Queria estar morta”. O foco cessou recentemente, mas Lana Del Rey diz se sentir incompreendida; depois ela disse que só deseja isso às vezes. E que às vezes não deseja. Uma diva em ascensão.
O único fato sobre Lana Del Rey que é verdadeiro é que ela não é uma diva, nem um artefato, mas sim uma típica garota americana muito simpática. No dia desta entrevista, enquanto ela senta de bom humor em um sofá no Berlin Soho Club, fumando e falando entusiasticamente sobre o público de seu último show (Courtney Love, membros de Guns N Roses e The Who), ela não se distrai pela fama, e ri constantemente. Acima de tudo, ela parece muito jovial. E muito direta.

Jennifer Wilson: Dia 29 de Junho é uma data especial para você?
Lana Del Rey: Na verdade, não, por quê?

JW: Há exatos três anos seu vídeo de “Video Games” foi postado no YouTube. Ele fez de você uma estrela quase que da noite para o dia.
LDR: Foi em 29 de Junho? Não fazia ideia. Mas isso é ótimo, poderia celebrar.

JW: Como você descreveria o tempo desde então em três palavras?
LDR: Pesado. Complexo. Surpreendente. Especialmente a última palavra. Eu costumava sentir como se minha vida pertencesse apenas a mim – como se eu estivesse no controle. Conforme fui ficando mais famosa, fui ficando cada vez mais no controle secundário, em que não se sabe o que vai acontecer a seguir. E esse ainda é o caso. Todos os dias há coisas que me fazem questionar ‘Por que as coisas estão acontecendo agora?’. Se tornou comum para mim esperar o inesperado.

JW: Antes, apesar de ser muito menor, você fazia shows e gravava álbuns. Havia alguma preparação para isso?
LDR: Eu era de uma pequena gravadora independente e fiz um álbum com um novo produtor que ficou engavetado por dois anos e meio. Era algo completamente diferente. Comecei de verdade quando assinei com minha gravadora atual e minha música estava no rádio. Esse foi o grande momento.

JW: Quando você se tornou a grande popstar Lana Del Rey?
LDR: Eu sempre senti que sou Lana Del Rey. Uma pessoa diferente, livre, que faz o que quer. Então decidi mudar meu nome.

JW: Logo muitos especularam sobre essa pessoa realmente livre e, principalmente, quem era ela. A cantora planejada – e a mulher por trás dela, Elizabeth Grant. E como uma se tornou outra; a autenticidade de tudo.
LDR: Primeiramente, não há diferença entre Lana Del Rey e Lizzy Grant. Sempre fui diferente, mesmo quando muito jovem. Sempre quis coordenar minha vida, construir meu próprio mundo. Comecei cedo. E eu acho que era muito madura quando criança. Acho que esse discurso de autenticidade como tema não é interessante. Porque é relevante? Não me visto e me apresento querendo ser outra pessoa. Sempre compus minhas próprias canções. Também é verdade que eu fazia coisas cotidianas em minha vida que não eram do interesse de ninguém.

JW: E quando você era uma semi assistente social?
LDR: Se você se interessa mesmo por um artista, deveria provavelmente buscar a história real por trás de tudo. Eu era muito tímida no começo e não gostava de dar entrevistas. Antes mesmo de eu conceder minha primeira entrevista, tantas mentiras já haviam sido escritas e ditas sobre mim. E eu nem havia dito nada ainda! Por isso eu quis compor meu novo álbum inteiro. Para que eu pudesse mostrar o que influenciou minha vida e minhas músicas. Quem se interessa por mim pode simplesmente escutar.

JW: Escutamos, por exemplo, sobre um ‘líder do culto’ [“cult leader”, em inglês, referenciando a música “Ultraviolence”], um guru, que você seguia.
LDR: Acredito que minha busca por um guia seja um tema constante em minha vida. Soube relativamente cedo quem eu sou. Mas não sabia o que queria fazer. Sempre busquei pessoas parecidas comigo. Então aos 18 anos fui à Nova York. Estava procurando um grupo bacana de artistas, mas não encontrei. Mas encontrei alguém como eu, e tivemos uma relação especial. Ele havia construído um grupo de seguidores.

JW: Isso parece assustador.
LDR: .No fim, não era certo pra mim. No entanto, sou uma buscadora. Adoro ter questões. Não acredito em ‘Se você esquecer a pergunta, as respostas vêm naturalmente’. Acredito que você só encontra algo se buscar por algo.

JW: Isso inclui ir a uma cartomante?
LDR: Fui a uma cartomante ano passado antes de minha turnê porque meu amigo estava muito doente na época. Fomos a vários médicos, mas nada resolvia. E então fomos a uma cartomante muito famosa. Ela tinha uma resposta para ele. Ela disse para eu escrever quatro perguntas em um pedaço de papel e, antes de nosso encontro, colocar o papel debaixo de meu travesseiro. Ela respondeu cada uma das perguntas sem olhar o papel.

JW: Que tipo de questões eram?
LDR: Eram muito pessoais. Uma era sobre continuar com o que estou fazendo, ou se deveria procurar uma nova ocupação. Ela disse que não conseguia ver. Disse que coisas ruins aconteceriam comigo, mas que, com o tempo, tudo iria voltar ao normal para mim.

JW: Há vídeo de um momento em que você estava no auge; em um show em Dublin, onde você canta “Video Games” e a plateia vai à loucura. Você chorou, por quê?
LDR: Eu não estava me sentindo bem fazendo turnê naquela época. Estava doente e me sentindo desconectada de minhas próprias músicas porque todos estavam se metendo entre mim e meu trabalho. Quando todos começaram a cantar as letras de “Video Games” – era tão alto que eu não conseguia escutar nada mais – eu me senti triste por não poder apreciar o momento. Senti uma conexão com o público, mas não com minhas músicas. Certa vez foi muito importante que eu compusesse para mim mesma e naquele momento senti que não fazia isso há anos.

JW: Você acha que encontrou isso de novo?
LDR: Sim, quando conheci Dan Auerbach, com quem fiz meu novo álbum. Ele se interessou por mim e por minhas músicas, e isso quer dizer que recomecei a me achar interessante. Ele me deu confiança.

JW: Qual música de seu novo álbum significa mais para você?
LDR: “Cruel World”. A canção é como minha vida, os versos são diretos, o refrão é bem dinâmico, quase caótico, mas lindo; ela ascende… E depois volta ao segundo verso. É exatamente assim. É boa porque é simples.

JW: Em seu novo álbum você canta versos como ‘Ele me bateu e pareceu um beijo’ e ‘Fodi meu caminho até o topo’. Você as canta devido seu passado ou está apenas sendo propositalmente provocativa, como nas últimas músicas e clipes?
LDR: Agora eu percebo que versos assim são provocantes. Mas não tinha percebido isso antes. Apenas compus para mim. Coisas escritas sem a noção de que se tornariam públicas. Não era para ser uma música pop, mas um documento de minha vida. Eu não tinha nenhuma influência ou voz, então não sentia que deveria ser um modelo de conduta em nenhum aspecto.

JW: Mas agora você é uma estrela mundialmente famosa. Isso não traz uma responsabilidade?
LDR:  Um pouco. Eu não vou mudar. Mas entendo a questão.

JW: As pessoas quase sempre falam da imagem feminina que você apresenta. O que lhe atrai no papel de femme fatale submissa?
LDR: Nunca entendi porque é errado ser ambivalente. Quer dizer, talvez eu não saiba muita coisa ainda. Em alguns casos eu talvez não tenha certeza. Só posso cantar sobre minhas experiências. Na minha vida privada, eu certamente não sou [submissa] – se eu quero casar, se eu quero encontrar um amor verdadeiro; sei lá.

JW: Ter uma família?
LDR: Sim, eu adoraria ter uma família. Seria ótimo.

JW: Os homens que sempre aparecem em seus vídeos, os motoqueiros tatuados, não parecem ser típicos e confiáveis homens de família…
LDR: Sim, eu sou um pouco… Tenho um gosto um pouco diferente. Me sinto atraída por pessoas que são confiantes e criativas no que fazem, e esses são os que muitas vezes são especiais.

JW: Possivelmente aqueles que são particularmente difíceis?
LDR: Sim, isso mesmo. Definitivamente. E eu acho que é aí que começa o problema para mim. O que eu quero e o que é fácil nunca são o mesmo. O que eu quero é alguém dinâmico e diferente – especial. Mas, claro, é mais fácil escolher aqueles que escolhem o caminho certo.

 

Por Jennifer Wilson para World on Sunday
Traduzido por Lucas Almeida

Redação LDRA
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