‘O amor é a única coisa que é realmente divertida’, leia a entrevista feita pela revista Complex.

por / terça-feira, 22 julho 2014 / Publicado emEntrevistas

Complex 2014

Lana é capa da Complex Magazine (edição de Agosto/setembro) e concedeu uma entrevista interessantíssima à revista. Ela falou sobre o Barrie, sobre seu relacionamento com um homem casado que era importante na gravadora, uma possível continuação para o Ultraviolence e muito mais! Confira a tradução abaixo:

Na contramão
Lana Del Rey sabe o que você pensa dela. E ela aprendeu a viver com isso.

Vestidos de cetim, carros velozes, pílulas, e festas são a alma do Glamour Americano. Tapetes vermelhos, opulência desenfreada, e o tipo de elegância que parece incrível em fotografias em preto-e-branco são a sua essência. Ícones como Sinatra, os Kennedys, Elvis, e Marilyn Monroe pareciam os faróis da boa vida, mas atrás da corda de veludo estava uma obscura, menos do que intocada realidade: uma cheia de fofoca, vício, traição, e violência. Em 2014, nenhum artista abraça o brilho inebriante do mundo e costuras desfiadas mais agudamente do que Lana Del Rey.

Em seu sucesso de 2012, Born to Die, Del Rey lançou-se como uma trágica popstar de uma época passada. Seus videoclipes eram épicos: na faixa título do “Born to die”, ela começa em um trono rodeada por tigres-de-Bengala, e termina com o modelo Bradley Soileau carregando seu corpo sangrento dos destroços ardentes de um Ford Mustang Mach 1 1969; em “National Anthem”, ela interpreta Jackie O para o A$AP Rocky de JFK. Onde muitos de seus contemporâneos se deleitavam com subculturas e artistas de fora, Del Rey foi para os ícones. “Elvis é meu pai/Marilyn é minha mãe/Jesus é meu melhor amigo,” ela escreveu na introdução do seu curta Tropico dirigido por Anthony Mandler, lançado ano passado. A nostalgia do século 20 de Lana Del Rey (envolta em batidas fornecidas por Emily Haynie, produtor original do Kid Cudi, e o colaborador de Kanye West, Jeff Bhasker, entre outros) se provou imensamente bem-sucedida. Só quatro álbuns lançados em 2012 foram mais vendidos que o Born To Die, que virou platina nos Estados Unidos e alcançou primeiro lugar em 11 países. Del Rey vendeu mais de 12 milhões de singles mundialmente, recebeu duas indicações para o Grammy (Melhor álbum Pop, para seu EP Paradise; Melhor canção escrita para Mídia Visual, para “Young and Beautiful”), e esgotou uma turnê norte-americana.

Sua chegada também atraiu críticas viscerais. A análise do The New York Times do Born to Die atacou ferozmente sua estética e “pose” artística. Pitchfork comparou o seu álbum de estréia a um “orgasmo forçado”. A mídia parecia focada em qualquer coisa menos na música do álbum: a suposta carreira musical de antes sob seu nome real, o ciclo de vida da máquina-hype de internet que a deu origem, ou a performance agressivamente ridicularizada no Saturday Night Live que a tornou um nome familiar.

Em 2012, Lana se mudou do Brooklyn para Los Angeles, e um ano depois começou a trabalhar no seguimento do Born to Die. Lançado em Junho e produzido pelo Dan Auerbach do The Black Keys, Ultraviolence troca as melodias pops de Born to Die para intros de piano despojadas e solos de guitarra pesados que lhe dão alma, espaços vocais para brilhar.

Liricamente, no entanto, a posição de Lana Del Rey continua intransigente, com títulos como “Dinheiro, Poder, Glória” e “Fodi O Meu Caminho Até O Topo” explicitamente referenciando a sua imagem, e tendo como objetivo os seus depreciadores inumeráveis. E algumas de suas velhas críticas mudaram de tom. Na sua análise, o New York Times chamou as críticas contra o Born to Die de “imprecisas” e elogiou a “sofisticação retrô” de Del Rey e “sinceridade inocente”. Pitchfork chamou de “música pop original” adicionando “não existem muitas pessoas assim a nossa volta”. Apesar das modestas reproduções em rádio do seu primeiro single “West Coast”, o álbum estreou em primeiro lugar na Billboard, vendendo 182 mil cópias na sua primeira semana (mais do que o dobro do Born to Die), uma prova de sua crescente fanbase.

Sentada na cobertura do Wythe Hotel em Brooklyn para a nossa entrevista, a “estrela do pop” de 29 anos está vestida como uma adolescente suburbana, em um jeans claro e uma polo apertada, branca, de manga curta e com listras horizontais. Ela tem uma postura perfeita e cruza as pernas ordenadamente. Existe uma graça no jeito que ela fuma Parliaments e diz “merda” quando ela quebra uma de suas unhas pontudas lilás de acrílico. Se tudo é um show, bem, é um show bom. As rachaduras na fachada do glamour a humanizam e são uma das razões pelas quais ela tem sido capaz de misturar escrita séria sobre amor verdadeiro e morte com provocativas, quase cômicas letras como a famosa “Minha boceta tem gosto de Pepsi Cola.”

Pelos próximos 60 minutos, Del Rey reflete sobre trapaça na indústria musical, Marilyn, Elvis, e Jesus, e a reação a sua chegada na cena do pop. E palavras. Del Rey é uma escritora – não somente o assunto, mas também a diretora de seu próprio drama. A única marca de sua riqueza é uma gargantilha de diamantes com um pingente de cruz pendurada logo acima do esterno. O seu brilho evoca o brilho caricaturial das bijuterias, mas é tão real quanto ela se tornou.

Complex: Quando você está escrevendo, o que vem primeiro? Títulos, melodias, música?
Lana: Bem, me levou um tempo para escrever o álbum como está registrado. Eu estava escrevendo bastante desde que o último álbum saiu, mas por alguma razão, 70% do que eu estava escrevendo não parecia certo para mim. Então se eu sou sortuda o suficiente de ter uma experiência que realmente me impacta, isso vem com um verso e uma melodia. A partir daí eu improviso. Mas elas vem juntas, a melodia e as palavras vêm juntas. Mas isso acontece raramente para mim.

Complex: O que você quer dizer?
Lana: Quando isso acontece, onde ela meio que vem. Eu me lembro que com “Carmen”, eu estava fora de casa bem tarde e caminhando no tempo do meu próprio ritmo, e então eu comecei a cantar “Carmen, Carmen doesn’t have a problem lying to herself cause her liquor’s top shelf.” e foi fácil. A coisa toda simplesmente veio, e eu acho que estava em um lugar muito bom, então foi como se as coisas…foi muito fácil canalizar.

Complex: O que define estar em um bom lugar?
Lana: Se sentir muito feliz e apenas circunstancialmente como se nada de errado estivesse acontecendo, o que se torna mais difícil, mas essa é apenas a minha experiência. Eu acho que muitas pessoas acham que a coisa toda é muito boa. Tornar Brooklyn minha casa pelas duas últimas semanas e meia tem realmente me ajudado, como eu realmente comecei a pensar conceitualmente que eu tenho esse complemento, esse complemento para esse álbum que poderia vir com facilidade. Isso não acontece há muito tempo. Não desde que escrevi o complemento Paradise para o Born to Die, que eu realmente amei.

Complex: Você sentiu falta do Brooklyn?
Lana: Eu senti falta do Brooklyn. Eu senti falta das pessoas.

Complex: Como as pessoas daqui são diferentes?
Lana: Elas não são diferentes. Eu sou um pouco diferente. A vibração é a mesma. Eu conheci uns caras daqui semana passada que eu nunca tinha visto antes, e eles foram muito amáveis. Todos os de tipo artista – escrevendo durante o dia e indo para bares de noite. Eu sinto saudade disso, eu gosto disso. Eu não encontrei isso na California ainda. Eu fui para lá porque meu álbum se tornou um pouco maior, mas eu nunca encontrei uma cena musical de que eu fizesse parte. Tinha algo acontecendo – lá era uma espécie de som Lauren Canyon re-emergente. Jonathan Wilson, Father John Misty, e eu realmente gostava desses caras. Eu senti como se eu tivesse algo em comum com eles e entrei para aquela atmosfera muito bem.

Complex: Vamos falar sobre o Ultraviolence. O corte da foto da capa do álbum é similar ao corte das suas duas primeiras capas de álbum.
Lana: Eu gostei disso, eu queria a continuidade. Eu não tinha isso para a capa do álbum na época e queria que fosse uma continuação da história. Eu gostei da ideia de ser em preto-e-branco então foi, literalmente e figurativamente mais a ser revelado. Mesmo colorida.

Complex: Você queria uma continuação na estética para essa capa do álbum, isso é algo que foi importante musicalmente para o Ultraviolence também?
Lana: Sim. Não sendo enganador em termos de sua estética pessoal, como sua psique vindo através da concepção sábia e musicalmente – Eu gosto de continuidade.

Complex: Você tem esse jeito de expressar a sua visão criativa através de tantas partes diferentes da sua arte – vídeoclipes, letras, tons e a melodia, estilo de se vestir. São essas coisas que você planeja com antecedência quando pensa sobre um álbum? É um conceito que cresce a partir de uma ideia?
Lana: Eu não sei. Eu estava na faculdade de Fordham quando tinha 18 anos. Eu estava vivendo entre o Brooklyn e New Jersey e eu estava trabalhando com esse cara que era mais famoso do que qualquer um que eu conheci naquela época, o produtor David Kahne. Eu tinha aquele álbum – você sabe, eles engavetaram por dois anos – e eu tive esse tempo todo para pensar sobre o que realmente era importante para mim e o que eu realmente queria fazer se eu tivesse a oportunidade de fazer o que eu quero. Eu sabia que queria fazer a vida ficar fácil para mim mesma de um jeito que eu vivesse sempre num mundo que eu contruí e tudo que parecia verdadeiro para mim, independentemente do que aquilo parecia para outras pessoas. Aquilo definitivamente se estendeu para títulos de músicas, se eu filmava em preto-e-branco, cor de cabelo, coisas do tipo. Não é algo que eu planejei. Eu tinha o senso de que eu queria o mundo que eu vivia personalizado como eu queria.

Complex: Quando eu escuto as palavras “ultra” e “violence”, eu penso sobre WorldStarHipHop. O que essa frase significa pra você?
Lana: Isso é engraçado. Eu me sinto conectada a duas emoções – agressão e suavidade. Eu gosto do som luxoso da palavra “ultra” e o tom malvado da palavra “violence” juntos. Eu gosto que duas palavras possam viver em uma só.

Complex: Qual o relacionamento entre violência e amor?
Lana: Eu gosto de um amor físico. Eu gosto de um amor com muitos toques. [Pausa.] Como eu posso dizer isso sem arranjar muita encrenca? Eu gosto de um tangível, apaixonado amor. Para mim, se não é físico, eu não estou interessada. Tudo o que eu faço parece tão organizado: turnê, planejando um show todas as noites com uns meses no meio para fazer um álbum, e estar em controle de tudo isso – mixagem, masterização. Às vezes eu conheço pessoas com muito fogo e energia. Mentalmente, talvez não sejamos muito similares. Telepaticamente, não estamos no mesmo comprimento de onda. Se tem uma fisicalidade e química, isso acaba me vencendo toda vez porque é o oposto do que eu tenho todo dia.

Complex: Quem foi a última pessoa que você conheceu que fez você se sentir assim?
Lana: Dan Auerbach, na alegria e na tristeza.

Complex: Você acha que um “prazer culpado” é uma coisa real?
Lana: Sim, mas eu não tenho muitos deles musicalmente. Eu tenho muitos na vida.

Complex: Nos conte.
Lana: Bem, fumar é um deles. Açúcar, café. Eu devo beber 13 xícaras por dia. É uma pena que tenha consequências na saúde porque muitas coisas boas vêm do café e do cigarro. Muitas músicas boas foram escritas.

Complex: Por que você escolheu fazer um cover da música The Other Woman da Nina Simone para o Ultraviolence?
Lana: [Canta, “The other woman has time to manicure her nails, the other woman is perfect where her rival fails.”] Eu me identifico com o tipo de pessoa que as pessoas procuram para “mudar a velha rotina”, mas não ser a coisa principal. Eu tive um relacionamento de 7 anos com alguém que era o presidente de uma gravadora e senti como se fosse a mudança da velha rotina. Eu estava sempre esperando para me tornar a pessoa para quem as crianças deles vão para casa, e isso nunca aconteceu. Obviamente eu tive que procurar outros relacionamentos, e eu sinto que isso virou um padrão. Eu era mais nova – 24, 25 na época. Eu sabia o que queria fazer por um bom tempo. Eu estava confiante sobre a música desde o ensino médio, e eu parei de beber quando tinha 18. Aos 24, eu era uma pessoa muito séria. Eu achava que era uma escritora, e eu era uma cantora. Eu achava que sabia como queria que fosse o meu caminho. As pessoas por quem fui atraída já estavam estabelecidas, mas provavelmente estavam procurando alguém mais em seu nível de idade. Mas eu amo a ideia de encerrar o álbum com uma referência.

Complex: Muitos artistas usam referências obscuras para tentar provar individualidade e originalidade. Por que você vai para ícones como Marilyn, Elvis e Jesus?
Lana: Quando eu tinha lançado apenas “Blue Jeans” e “Video Games” eu tive um monte de jornalistas me perguntando porque eu estava sendo tão literal e óbvia. Eu referenciava coisas como Marilyn sem tentar ser acessível. Eu tenho um relacionamento pessoal com a minha percepção de quem era a Marilyn. Ela era o tipo de mulher que era muito calorosa e generosa. Eu gosto desse tipo de garota que é amigável e fácil. Eu sempre procurei garotas assim para ser amiga. Eu senti como se a conhecesse desse jeito. E Jesus – eu quero dizer, sendo criada católica, era só um estilo de vida. Espiritualidade e religião eram fortes. Eu estive em uma escola Católica até os 13. Como muitas outras pessoas, eu acho que estava inspirada por hinos, musicalmente.

Complex: Como você conheceu o Dan:
Lana: Eu conheci o Dan no clube de strip The Riviera no Queens. Ele estava com Tom Elmhirst, que é um excelente mixador, e eu estava com Emilie Haynie. Emilie perguntou se eu queria me juntar a eles e eu me diverti bastante pela primeira vez em um bom tempo. Dan tinha mixado o álbum do Ray Lamontagne com o Tom no estúdio Electric Lady. E ele foi embora quando eu cheguei – Lee Foster me deu o Electric Lady por três semanas.

Complex: Wow.
Lana: Foi incrível. No final das três semanas eu pensei que tivesse acabado. Então eu conheci o Dan e ele disse “Por que não vamos para Nashville e vemos o que acontece?” eu fui porque parecia que seria divertido. Eu não queria que a festa acabasse. Eu voei para lá com o Lee e alugamos uma fazenda por seis semanas. Nós dirigimos para o estúdio do Dan na oitava rua todo dia e eu amei. Ele era o que eu estava procurando, porque ele era um facilitador. Ele dizia bastante “sim”. Se eu dissesse “Eu só quero cantar isso uma vez” isso era normal para ele. Era natural que uma pessoa quisesse o que tinha conseguido na primeira tentativa. Ele era legal assim. [Acende um Parliament com seu isqueiro roxo de plástico.]

Complex: Você tem fumado muitos cigarros no palco.
Lana: Cara, eu tenho que fumar. Eu não posso passar por isso.

Complex: É um vício?
Lana: Sim. Eu sou uma fumante compulsiva.

Complex: Há quanto tempo você fuma?
Lana: Desde que eu tinha 17. É louco. É por isso que eu toco geralmente em festivais ao ar livre. [Risos.] Porque 45 minutos no palco, quando você ainda tem mais 45, você precisa fumar.

Complex: É muito tempo para se ficar de frente para pessoas.
Lana: É muito tempo. Se as pessoas vêm e te veem num show por 80 minutos elas literalmente sabem tudo sobre você. Com 5,000 pessoas vindo, eles te filmam para que as pessoas nos fundos consigam te ver nos telões. Não existe um momento aonde você pode se virar e se recompor. Tudo o que você sente, tudo o que você está passando, está lá. Eu fiz mais turnê do que achei que faria; eu achei que seria mais uma cantora de estúdio. Mas eu fiz turnê pela Europa por dois anos.

Complex: Teve um tempo depois que o Paradise saiu em que você disse que não tinha certeza se faria mais música. O que mudou?
Lana: Um ano depois que o Born to Die foi lançado, muitas pessoas me perguntaram como o novo álbum soaria e quando sairia. Eu disse, “eu não sei se terá um novo álbum”. Eu não tinha canções que eu achava boas ou pessoais o suficiente. Dan Auerbach mudou as coisas para mim, e eu não sei porque. Ele apenas se interessou por mim. Isso fez eu me sentir como se o que eu estava fazendo fosse interessante. Ele me deu de volta um pouco de confiança. Ele ouvia músicas folk na época, e ele pensou que talvez, com um pouco de revisão, elas poderiam ser mais dinâmicas. Eu comecei a ver uma imagem melhor. Para mim, se eu não tenho um conceito não vale a pena escrever um álbum inteiro. Eu não gosto se não tiver uma história.

Complex: Existem maneiras diferentes de interpretar a sua música “Fucked My Way Up To The Top”. É sobre pessoas não querendo te dar crédito pelo seu sucesso? Ou é sobre foder pessoas para chegar ao topo?
Lana: É um comentário, tipo, “Eu sei o que você pensa de mim”, e estou falando sobre isso. Você sabe, eu dormi com muitos homens da indústria, mas nenhum deles me ajudou a conseguir negócios com gravadoras. O que é irritante.

Complex: Qual o pior conselho sobre relacionamentos que você já recebeu?
Lana: Que o amor não vem fácil e que relacionamentos deveriam ser uma luta. Todo o resto é tão difícil, esperançosamente o amor é a única coisa que é realmente divertida.

Complex: Isso me lembra um trecho de uma entrevista da Eartha Kitt que você postou uma vez. Perguntada sobre amor e compromisso, ela diz “O que existe para comprometer? Eu me apaixono por mim mesma e eu quero alguém pra compartilhar isso comigo.”
Lana: Ela estava tão certa com isso. É bom ter um relacionamento fogoso que aumenta tudo o que você faz, que não parece parte de algo que você não quer.

Complex: Qual a coisa mais valiosa que você destruiu na vida?
Lana: Em termos de dinheiro?

Complex: Não precisa ser, mas vale.
Lana: Eu não sei. Eu não acho que o dinheiro teve uma influência nas coisas que eu sabotei. Mas existem coisas.

Complex: O que é algo que você destruiu que é valioso pra você?
Lana: Provavelmente o relacionamento em que estive pelos últimos três anos. Definitivamente demoli através de toneladas de depressão e insegurança. Agora é apenas uma relação insustentável, impossível por causa da minha instabilidade emocional.

Complex: Às vezes as pessoas se saem melhor escrevendo quando estão “fodidas”.
Lana: E eu estou um pouco fodida. Toda essa experiência me fodeu.

Complex: Te fodeu como?
Lana: Eu não sei. Foi difícil. Eu estava em um bom lugar quando escrevi meu primeiro álbum porque eu o escrevi por diversão, mas depois, eu senti que tudo que veio para mim com o álbum foi pesado. Eu estava tentando lidar com coisas com a minha família também. Por isso eu gostei do Dan: Ele era casual. Não precisava ser tão sério.

Complex: Falando de falta de seriedade, que restaurante tem o melhor molho de tomate do mundo?
Lana: É uma boa pergunta. Eu frequento os mesmos lugares em Los Angeles o tempo todo, Ago no Melrose. Eu peço a mesma coisa toda vez, penne alla vodka.

Complex: O que você estava ouvindo enquanto estava escrevendo?
Lana: Eu amo Jaz. Eu amo o documentário Let’s Get Lost do Chet Baker, que influenciou o meu vídeo para “West Coast”, que Bruce Weber filmou. Eu amo Nina Simone e Billie Holiday como todo mundo. Eu tenho uma playlist dos anos 70 que eu escuto diariamente. Muito de Bob Seger, que eu amo. Ele é provavelmente a pessoa que eu mais escuto, e também os Eagles e Chris Isaak, Dennis Wilson e Brian Wilson. Eu gosto de Echo And The Bunnymen, “Killing Moon” – como singles.

Complex: Você tem um “prazer culpado” nessa playlist?
Lana: Não, são todas muito boas.

Complex: Você experimentou um nível de crítica que foi muito pessoal. Como isso te afetou?
Lana: A coisa boa sobre receber tanto ódio por parte dos críticos é que você literalmente não se importa. Isso me colocou em uma moldura na minha mente onde eu espero que as coisas não deem certo, porque elas geralmente não dão. Mas não é um lugar pessimista. A música é sempre boa, na minha opinião. É o que eu espero agora da minha carreira, que a música seja sempre boa e a reação será fodida.

Complex: Por que você acha que eles reagiram de forma tão veemente ao que você estava fazendo?
Lana: Se eles pensavam que era supostamente para ser categorizada como música pop, esse foi o primeiro erro. Não foi feita para ser popular. Era um tipo mais de tentativa de música psicológica. As pessoas estavam confusas porque eu só ficava em pé no palco e cantava e não performava. Para mim, performar é apenas canalizar e emocionar através da modulação da voz, ritmo, fraseologia. Isso é muito diferente do que é popular, então eu acho que eles pensaram que não deveria ser popular. O que você acha?

Complex: Parecia que você estava sendo criticada não como uma artista ou até como uma musicista pop, mas como uma celebridade iniciante. Você apresentou um projeto compreensivo, aparentemente calculado – os vídeos, o estilo, as referências, etc – que as pessoas se sentiram obrigadas a provocar.
Lana: É engraçado, porque meu processo foi natural. Eu me lembro de fazer “Video Games” e eu fiz minha maquiagem como fiz todo dia. Eu fiz meu cabelo para o alto como fazia. Eu estava usando um vestido e me filmando. Eu não achava que a justaposição com essas filmagens encontradas que eu havia tirado da lua de mel das pessoas na Super 8 teria a reação que teve. A reação a tudo 6 anos antes disso, a partir do dia em que o Youtube nasceu, foi uma não-reação. As pessoas simplesmente não se importavam.

Complex: Você se sente vingada?
Lana: Eu me sinto aliviada, mas não me sinto vingada.

Complex: Como assim?
Lana: Eu não acho que as coisas tenham ido bem. Não é o jeito que eu teria escolhido. Então não é como se tudo tivesse se transformado e estivesse ótimo.

Complex: Você tem alguns discos de ouro, e muitos outros de platina.
Lana: Sim, mas eu ainda não encontrei a minha comunidade que eu estava procurando, assim como Bob Dylan encontrou seus amigos, ou o respeito por ser um escritor. Porque essas coisas de ouro e platina, isso não significa muito se você está andando pela rua e pode ouvir pessoas falando coisas sobre você. Ter isso não te equilibra.

 

Por Dana Droppo
Traduzido por Ana Luiza Guimarães

 

Confira os bastidores do photoshoot clicando aqui e veja em nossa galeria as fotos tiradas pelo Neil Krug para a entrevista clicando na imagem abaixo:


Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
TOPO