27esima Ora: ‘Lana Del Rey e o amor violento’

por / domingo, 13 julho 2014 / Publicado emEntrevistas

27esima

Lana Del Rey e o amor violento (Cada casal determina o limite)

Ultraviolence. O título perfeito para um álbum metal, combat rock e gangsta rap (dependendo de como alguém interpretará a palavra violência). Não é uma surpresa encontrá-lo estampado na parte da frente (e dos lados) de uma garota melancólica como Lana Del Rey que o escolheu como o título de seu segundo álbum a ser lançado no dia 17 de junho. “Verdade!” Ri a cantora e compositora americana de 27 anos. “Eu amo o metal mas nesse caso eu gostei do impacto de uma palavra sedutora como ‘ultra’ pelo som da palavra ‘violence’.” Um conceito, o de violência, para amarrar-se ao físico ou ao psicológico?

Nos dois anos passados eu tenho percebido com frequência no ar os sinais de agressão. E então eu entendi que a violência também pode ser algo emocional em relações mas eu também gosto de ter algo forte fisicamente. Então eu penso que isso depende da situação… Mas para mim isso incorpora a palavra paixão.

Nos relatórios, porém, a violência é uma tragédia para a mulher e não uma escolha. “Eu penso que isso vem do indivíduo, cada um tem o seus próprios conceitos para decidir se deve ou não manter o casal junto e isso é diferente para cada um. Eu amo as mulheres e eu quero que todos tenham relações saudáveis e fortes.” Há coisas mais perigosas do que essas faladas para a revista americana Fader e que tem atraído o criticismo de várias mulheres. “Para mim, o tema feminismo é de pouco interesse, disse ela. Eu estou mais interessada em SpaceX ou Tesla (projetos de viagens espaciais e carros elétricos de Elon Musk), em tudo aquilo que será a nossa oportunidade na galáxia. Minha ideia de feminismo real é a de uma mulher que se sente livre o suficiente para fazer o que quer”. “Ultraviolence” carrega em seus ombros a pressão de replicar o sucesso do ano passado. “Born to Die”, lançado em 2012, vendeu em torno de seis milhões de cópias pelo mundo todo. Como produtor, desta vez ela chamou um dos incríveis personagens do mundo do rock, Dan Auerbach de um dos Black Keys: “O disco é inspirado pela West Coast mas parece com a East Coast. Eu amo ambas”, ela disse. “Eu nasci no leste mas a California nos anos recentes tem sido um tipo de escape para mim: Eu vou para a praia e parece que flutuo na beira do mundo. Por trás do disco também há influências do jazz.

O sucesso de Lana veio junto de um criticismo. Muitos a viram como uma personagem construída em uma mesa de cirurgia. Começando pelo nome. O verdadeiro é Elizabeth Grant mas ela o abandonou depois de seu primeiro disco não ter reconhecimento e sendo a filha de um magnata da web ela teve que pensar em algumas estratégias de internet para lançar uma artista mais de plástico do que sua boca. Talvez isso também tenha sido o caso mas suas musicas eram robustas: imaginário do noir dos anos 50, acordes líricos e hip hop rítmico. “Eu estava impressionada com o criticismo. Eu sou uma pessoa que interioriza essas coisas. Meu caráter reflete mais a história do jornalismo do que a minha vida. As pessoas escrevem o que outros pensam sobre mim ao invés de falar do que eu digo nas músicas.” Uma das novas musicas se chama “Money Power Glory”. O que é melhor o: dinheiro, poder ou gloria? “Tenho escrito de modo sarcástico. O que eu queria com o primeiro disco era respeito, ao mesmo tempo em que senti que aquilo me conseguia poder de vender, glória, mas, tal como eu os entendo, acabei ganhando insultos também.

Sua melancolia vem em “Sad Girl”. Você percebe isso. “Eu tenho meus momentos de tristeza. Eu sempre tenho esperança nas coisas, porém no final sempre tem aquele sentimento de melancolia em minha vida.” Sua adolescência turbulenta acabou na reabilitação. “West Coast” usa um meio de dizer o que acontece “if you do not drink, do not have fun.” “Eu ainda sinto a tentação de sair e ficar um pouco louca, ela confessa. California é um lugar incrível: Dentre pessoas e festas, Los Angeles é um lugar inspirador. Eu gosto de sair e ficar louca mas tento ficar “saudável”.” Em “Florida Kilos” que fala a respeito de traficantes de drogas: “Me inspirei em um documentário chamado Cocaine Cowboys que fala de traficantes em Miami nos anos 70. Me atraio por aqueles que usam métodos ilegais para conseguir o que querem. Quando eu era criança eu pensava que tinha o direito de ter aquilo que queria a todo custo. Eu gosto da ideia de ir ao topo com o seu próprio método, seja legal ou ilegal.” A última coisa que você fez de ilegal? “Eu diria mas isso acabaria em problemas.

 

Por Andrea Laffranchi
Tradução por André Felipe Moreira Reis
Revisão por Dandara Marangon e Mariana Araujo

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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