‘Sucesso faz com que muitas pessoas te odeiem’, leia a entrevista concedida à Clash Magazine

por / quinta-feira, 12 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

Clash

 

Americana sonhadora: Lana Del Rey entrevistada

Medo e luxúria no rastro de ‘Ultraviolence’…

A Califórnia tem uma imperdoável e característica cerveja denominada Anchor. Mas em Hollywood ninguém bebe Anchor, pois eles preferem Bellinis preparado com pêssegos frescos.

Desde que cheguei aqui três dias atrás, cada ator que conheci bebendo esses Bellinis, sozinho no Chateau Marmont, me diz que esse sentimento de sonho distante que tenho experimentado é um feitiço conhecido por marinar o olho de sua mente após alguns dias na Costa Oeste. Suponho que você possa chama-lo de ‘Californicação’.

Em todos os lugares eu vejo janelas enfumaçadas ilusórias de um filme que um dia assisti. As calçadas de “Crepúsculo dos Deuses” de Billy Wilder, Johnny Utah batendo em surfistas na praia Leo Carrillo ou Billy Hoyle em “Homens Brancos Não Sabem Enterrar” chegando para jogar basquete na avenida Windward em um Cutlass conversível dos anos 60. Deve ser isso que transformou o britânico e corajoso David Hockney no David Hockney das piscinas paradisíacas e dos prédios vermelho-amarronzados.

É como se a própria geografia de Los Angeles te levasse a um coma de ignorante êxtase e otimismo subjugado, onde o futuro sempre parece bom porque você parou de dar atenção ao passado. A cerveja Anchor tem o gosto do mundo que você tem e os Bellinis, do mundo que você almeja. Mas você não pode beber Bellinis para sempre.

Lana Del Rey não é de LA – ela nasceu Elizabeth Grant em Nova Iorque no verão de 1986 – mas seu novo álbum, ‘Ultraviolence’, é o que ela chama de “dirigido pela Califórnia”.

Eu gosto da ideia de falar sobre isso sempre mais e morar aqui mais e mais, e de me apaixonar por uma vida real aqui, ao lado do oceano. Existe definitivamente um tema superior de encontrar um lar e estar na Costa Oeste.”

Ela está no jardim de trás quando eu chego, e enquanto eu me sento, ela desliza em uma poltrona reclinável, banhada pelos primeiros raios de sol. Eu conto a ela sobre o assunto de nossa próxima revista, o Sonho Americano, e ela ri: “Eu estou definitivamente atrás de meu próprio pequeno Sonho Americano.”

Ela ainda está carregando o brilho de uma divina apresentação no festival Coachella há apenas 48 horas atrás. Ao encarar a plateia naquele show, eu vi coisas que não esperava. Em um vestido alaranjado adornado com hibiscos noturnos, ela andava descalça pelo palco – lembrando uma Holly Golightly da vida real – entregando ao público faixas como “Body Electric”, “Blue Jeans” e “Ride”, em um ritmo capaz de induzir um verdadeiro transe.

Mas, à minha volta, as pessoas não estavam simplesmente absorvendo o show. Elas estavam, na verdade, despejando-o para fora: catarticamente envolviam a poeta angelical por cada um de seus versos cantados, respondendo com lágrimas, incredulidade, estranhas expressões de alegria e tentativas frenéticas de tocá-la quando ela passava por perto.

“Ela não chegou a fazer uma verdadeira tour pela América com o último álbum,” explica o pai de Lana, com o qual começo uma conversa após percebermos termos em comum um interesse mútuo por sem graça (e com isso quero dizer: incríveis) camisas havaianas. “Esta é a primeira vez que eles a viram ao vivo. Eles querem tocá-la. É como se eles não acreditassem que ela existe de verdade.”

Eu apostaria um palpite de que a recepção bastante crítica que Lana recebeu após o lançamento de seu (segundo) álbum ‘Born to Die’ em 2012, teve um papel importante na sua escolha em não fazer uma tour pelos Estados Unidos até agora. Enquanto na Europa o álbum foi generalizadamente aceito, uma rajada de vento não tão favorável soprava de muitas publicações vindas do outro lado do Atlântico. Eram críticas estranhas e pessoais que desviavam o assunto da avaliação musical em favor de divagações machistas que ferviam de formas redundantes, criticando o tamanho de seus lábios, como ela havia mudado o cabelo, e como ela costumava se chamar anteriormente de Lizzy Grant.

Eu admito, enquanto observava esses ataques com desprezo, havia uma pequena e vergonhosa chama de ansiedade e curiosidade em mim. Eu queria saber como alguém era capaz de adquirir tanto ódio e admiração na mesma medida. Um meio-segundo de tempo se passa, antes que Lana de boa vontade, reflete.

Para eles, nunca foi sobre a música. Minha história pública é mais uma história sobre o jornalismo; como um comentário sobre a forma como o jornalismo no mundo moderno funciona. A maioria das coisas escritas não foram solicitadas ou faziam parte apenas de escritas criativas, e grande parte estava simplesmente errada. Eu quero dizer, algumas fotos haviam sido f*didas para parecerem diferentes do que realmente eram. Foi muito estranho.”

Eu posso dizer rapidamente que, apesar da ascensão sobre ácidas críticas, algumas cicatrizes permanecem. “Quando ninguém escreveu nada sobre você antes, você está interessada no que eles têm a dizer. Você espera que sejam coisas boas. Quando não é e você continua seguindo de qualquer forma, você precisa não se importar. Mas você não consegue.

Não é surpresa que, em meio a tudo isso, Lana se tornou uma queridinha da cultura americana. Afinal, se você é amada, então seus amores vão celebrar você, mas apenas quando você é tanto amada quanto odiada na mesma medida você conseguirá o mundo inteiro falando. A pergunta é: a que preço?

Eu a questiono se ela alguma vez considerou desistir da música. “Todos os dias”, ela admite. “Eu nunca quis fazer isso, nunca. Você pode fazer música apenas por fazer música. Você não precisa colocar no Youtube, e essa foi definitivamente uma opção viável para mim. Eu tenho muitas paixões e fazer música sempre foi algo que eu fazia para me divertir. Entretanto, a partir do que me ocorreu, simplesmente não valia a pena na maior parte do tempo.

É interessante avaliar o simbolismo no título do novo álbum de Lana, ‘Ultraviolence’, o qual foi retirado de Laranja Mecânica, livro de Anthony Burgess. Na adapatação cinematográfica de Stanley Kubrick, música é a salvação para o profundamente atormentado protagonista Alex. Apesar da dor, horror e ultraviolência à sua volta, música é a única paixão verdadeira que pode libertá-lo e guia-lo à euforia. Apesar disso, é a própria música que finalmente o conduz à sua perdição.

Ainda não vale a pena por todas aquelas merdas”, continua Lana. “Ser capaz de contar a minha história por meio da música é simplesmente incrível, mas é aí que começa e termina.” Ela abre um sorriso, e se houve alguma amargura nele, ela conseguiu escondê-la com uma expressão de dominante confiança. “Eu não me importo agora porque eu não posso. Eu já sei o que está por vir. Vai ser desastroso em algum ponto, de alguma forma.

Lana deve se sentir como se ela estivesse olhando uma sequência de adversidades inevitáveis, mas seu novo álbum não carrega qualquer sinal dessa apreensão. ‘Born to Die’ e sua sequência de oito faixas, ‘Paradise’, consistiram em um luxuoso e impressionante álbum, um verdadeiro Bellini feito com pêssegos frescos, enriquecidos pela América dos anos 50 e 60, com seções de cordas grandiosas, o penteado em colmeia e a narrativa do anjo caído. Mas era claramente um álbum que havia sido fabricado. Tremido, em alguns momentos agitado e mixado do início ao fim.

Inversamente, ‘Ultraviolence’ – lançado dia 16 de Junho – é uma fera enraivecida, uma imperdoável cerveja Anchor, produzida com uma banda, em um quarto. A solene técnica de gravação que usa técnicas em baixa fidelidade aproxima o disco do álbum quase-epônimo de estreia de 2010 (trocando vogais para ser intitulado ‘Lana Del Ray’), mas com uma maior profundidade, formando uma confusão de guitarras modificadas e de colisões harmônicas irregulares. Pop, jazz, rock e uma linhagem de álbuns clássicos colore suas influências: ‘Hotel California’ do Eagles, ‘Happy Together’ do The Turtles, ‘Young Than Yesterday’ do The Byrds. Está claro que seu produtor, líder da banda de blues-rock The Black Keys, Dan Auerbach, era a água fervente neste chá psicodélico.

Eu não conhecia muito sobre o Dan ou seus trabalhos quando o conheci”, divulga Lana. “Por exemplo, eu não sabia que a palavra que ama usar era “nebulosidade*”. Por muito tempo, eu venho dizendo que eu precisava do fogo e da nebulosidade. Quando nos conhecemos, ele estava, tipo, ‘Bem, eu sou conhecido pela nebulosidade.’ E, então eu sabia: ‘Legal! Você é meu cara’!

*Do original “fuzz”: Fuzzbox é um tipo bem característico de pedal de distorção, geralmente usado em guitarras elétricas. A palavra fuzz significa “nebuloso”, “embaçado”, e a característica sonora destes pedais é a distorção do som, que é além disso bastante grave.

Antes do Dan, houve dezembro (Nova Iorque, 2013, frio). Lana decidiu que ela estava pronta para levar o material com o qual estava trabalhando para dentro dos estúdios. Essa decisão eventualmente resultaria numa reviravolta do destino que iria, no fim das contas, incendiar ‘Ultraviolence’.

Eu fui ao Electric Lady Studios no East Village por um tempo”, ela explica. “Um amigo meu dirige o lugar agora, então ele me deixou ter o espaço todo só para mim por cinco semanas. Eu produzi tudo sozinha com meu guitarrista e depois contratamos um baterista. Havíamos feito esse álbum inspirado meio que no rock clássico – 11 faixas. Então, eu pensei, estava pronto.

Ela ri. “E então, na última noite, eu conheci Dan. Nós fomos a uma boate, olhamos um para o outro e estávamos, tipo, ‘Talvez devêssemos fazer isso juntos?’ Isso foi muito raro pra mim, porque ocorreu de uma forma realmente espontânea. Cinco dias depois, eu voei para Nashville e toquei todas as minhas faixas para ele. Nós havíamos conversado sobre essa vibe mais tropical, sobre como eu amo LA e sobre como é um local engrandecedor pra mim. Eu sinto que toda a energia de LA é muito sexy. Mas estar lá também havia aumentando meu amor pela Costa Leste, pelo fato de estar longe dela. Nós realmente tínhamos esse som meio Costa Oeste na cabeça, mas com um sabor da Costa Leste. E então nós gravamos o álbum no meio do país. Foi uma amalgamação americana.

Com um álbum inspirado tanto pelo Leste como pelo Oeste, e construído no meio, seria justo atesta ser a América a musa suprema de Lana Del Rey?

Com certeza era. Eu estava tentando levar meus sentimentos bons de volta à Nova Iorque, porque muitas merdas aconteceram lá. Eu tinha uma verdadeira fragrância disposta lá, sozinha por anos, vagando pelas ruas, me sentindo livre e enlouquecida. Eu não conseguia mais me sentir livre quando as coisas se tornaram grandes. Eu perdi esse sentimento. Então, voltar ao Oeste e trabalhar com um estranho como Dan fez com que eu me sentisse mais viva e mais em contato com a América.

Eu pergunto a Lana sobre sua escolha em portar John Wayne, Marilyn Monroe e Elvis como espíritos divinos no Jardim do Éden em seu curta-metragem, Tropico. “Eu escrevi um pequeno monólogo para aqueles que vieram à première de Tropico. Quando eu estava estudando filosofia meu professor me disse que está tudo bem em sentir que as pessoas com as quais você mais sente próximo não estão mais vivas. As vezes elas são as melhores companhias para se manter. São personalidades que ponderaram as mesmas questões que você, e tinham a mesma mentalidade sobre a vida que você. Eu estava triste e inspirada por aquela descoberta.

Eu sabia, então, de verdade, que meus amigos mais próximos seriam pessoas que eu nunca conheci antes. Eu era tão diferente, e eu não conhecia muitas pessoas que tinham o mesmo sentimento sobre a mortalidade como eu. Como resultado, eu realmente sinto uma conexão pessoal com esses ícones: John Wayne, Elvis. Eu amo a forma como Marilyn era, eu me associo a ela, de certa forma. Encontrar garotas que eram tão amáveis e carinhosas como ela é muito difícil.

Como Lana, Marilyn Monroe não seria a mesma sem suas difamações. “Sucesso faz com que muitas pessoas te odeiem”, ela disse uma vez, “Eu queria que não fosse assim.” De forma similar, alguns ainda veem a aura femme-fatale de Lana Del Rey como um alvo comercial apontado puramente para incitar luxúria e vender, vender, e vender mais. “Esqueça sobre cantar”, inicia-se a mais recente entrevista ao vivo ao The Chicago Tribune. “Lana Del Rey poderia ter se passado por uma modelo de biquíni posando para câmeras de paparazzi no show lotado de quinta-feira em Aragon”, realçando como, para muitos, seu encanto será sempre superficial.

Mas, para seus ávidos fãs, seu fascínio é artisticamente assombroso. Assim como a Lolita de Vladimir Nabokov, a Holly Golightly de Truman Capote, a Gilda de Charles Vidor, ou até mesmo a original Carmen, sim, há uma superficialidade de sedução – mas, além desta imagem, há a profunda interpretação em ação. Lana personifica uma luta entre a estabilidade e a liberdade; ela transmite expressões de fuga, um vislumbre pela coragem em frente ao cataclismo, a subconsciente necessidade de se confessar, o desejo por poder. Isso não é uma competição de biquínis.

Essa expressiva narradora retorna da escuridão para a faixa “Money Power Glory” de seu novo álbum. Ela pode ter paisagens de guitarras e texturas de rock, mas – com uma batida penosa e baixos tão profundos que nem Adele conseguiria rolar** – essa faixa é essencialmente uma “mulher aproveitadora” remixada. Lana abre com seus tradicionais rap lentificados, antes de crescer com vocais ascendentes, uma boa oitava acima do esfumaçado, lânguido e profundo contralto pelo qual é conhecida. “I want Money and all your power and all your glory”, soa a lírica medusa, “I’m going to you for all you’ve got.”

**do original roll: Trocadilho feito com a música de Adele, “Rolling in the deep”.

Esse ritmo continua em “Sad Girl”, a qual não deve ser sua mais explosiva e contagiante música, mas cujos versos são excepcionalmente vivos, e uma perturbada e sádica música sobre o amor é jogada dentro de um roteiro cinemático. “Being a mistress might not appeal to fools like you,” ela ridiculariza, “but you haven’t seen my man.” Esse verso caracteriza bem o tema da composição: apesar das melhores intenções do observador, algumas vezes as pessoas não querem ser salvas. Todo esse romance baseado em Mary Gaitskill é açúcar confeitado por uma produção fantasmagórica e por pitadas de violões espanhóis.

Shades of Cool’ nasce como uma valsa mortal para amantes depressivos, e ilustra essa agitação com um ar de jazz, batidas lentas, um refrão de tirar o fôlego e uma ponte que lembra “Helter Skelter” dos Beatles. Eu começo a perguntar a Lana qual sua canção favorita.

(A que abre o álbum) ‘Cruel World’,” ela decide, antes mesmo de eu terminar. “Eu fui até a praia e eu estava pensando sobre tudo, interiormente. Os versos são carinhosos e distraídos, mas então o refrão cai nesse mundo de contrabaixos pesados e caóticos. A justaposição destes dois mundos, o pacífico início e o caótico refrão, ela resume as minhas sensações pessoais de tudo estar indo facilmente e então de tudo estar simplesmente f*dido. Parece muito comigo.

Nesta Costa Oeste que ela tão ferventemente tira inspirações, a qual eu estou sentado ao lado agora mesmo, até mesmo o clima contribui e inspira. Como em algum pacto de patética fraude, a chuva resiste e se recusa a cair, sempre, e ao invés disso, banha a cidade um constante e ilusório ‘tudo-está-bem’ raio de sol. Uma vez, na exaustão do cansaço da viagem, eu consegui observar leves chuviscos às 5:30 da manhã, e quando olhei para baixo do meu quarto de hotel no decimo andar, eu senti que os glamuorosos distritos de Bel Air, Beverly Hills e Westwood estavam se afastando de mim, como uma garota ainda não maquiada, gritando: “Não era para você ter me visto assim!”

Até mesmo agora, enquanto o infame sol assola o pátio, eu juro que consigo ouvir cada pedra se rachar em rendição. Sentindo o calor, Lana me pergunta se eu gostaria de dar uma volta, e por alguma razão corporal, aquele primeiro movimento em uma hora inteira – neurotransmissores efervescendo, fluxo sanguíneo retornando e músculos se aquecendo – direciona a conversa para temas mais profundos.

“Quando eu tinha 15 anos, eu tive um professor chamado Gene Campbell, que ainda é um grande amigo”, inicia Lana. “No internato, para ser um professor você não precisava ter mestrado. Eu tinha 15 anos e ele 22, nascido em Georgetown. Ele era jovem, e na minha escola nós podíamos fazer pequenas viagens nos fins de semana. Nas nossas viagens de carro pelas terras de Connecticut, ele me apresentou Nabokov, (Allen) Ginsberg, (Walt) Whitman, e até mesmo Tupag e Biggie. Ele foi meu portal para a inspiração e para a cultura. Essas inspirações que adquiri quando tinha 15 anos são até hoje minhas únicas inspirações. Eu tiro tudo desse mesmo poço. É um mundo que eu mergulho para criar outros mundos. Como o filósofo Josiah Royce disse uma vez: ‘Sem raízes, você não pode ter frutos.’

Esta ideia de “esculpir o seu próprio mundo para viver” é uma prioridade para Lana, e é dessa inspiração herdada que ela irriga o Planeta Del Rey. Nós encontramos uma forma exagerada desse mundo na arte visual que acompanha sua música, assim como as próprias faixas. Ela levanta um dedo que me diz “espere um pouco”, e corre de volta à casa apenas para voltar com um grande álbum de fotografias em capa dura por sob o braço. A capa diz “Pulp Art Book”, e carrega a imagem de uma mulher nua usando um cocar ameríndio típico enquanto acende um cigarro.

Um amigo me deu esse livro de presente, mas por algum motivo eles achavam que o fotógrafo (Neil Krug) estava morto”, Lana explica. O trabalho de Krug é ousado e semelhante àquele de um surrealista do oeste com um ideal de fazer uma macarronada para encontrar o mérito artístico nas bugigangas americanas dos anos 70. Esse livro em particular é uma coleção de momentos sublimes capturados por meio de Polaroids antigas, que traçam fantasias acidamente caleidoscópicas, violência/exploração sexual nos filmes classes B e a subcultura dos estados do centro dos Estados Unidos.

Eu era realmente muito influenciada por ele, sempre pensando que ele estava morto”, Lana diz. Felizmente, a informação era falsa: Neil não estava morto. Ele estava vivo, bem, e administrando as duas coisas próximo à Los Angeles. Não demorou muito para o par se encontrar e construir planos a longo prazo; e o impacto visual de Neil tem sido proeminente em ‘Ultraviolence’.

Por algum motivo, ele tem realmente mudado a minha vida”, admite Lana. “Ele ama pintar Polaroids e fazer pequenas 8×10. Eu vi uma das fotos que ele tirou de mim, e eu senti que aquela tinha que ser a capa do álbum. Aquela foto me influenciou a mudar a lista de músicas.

Ainda ontem, eu assisti Neil tirar fotos de Lana numa praia localizada em Malibu para a Clash. Quando a câmera parou e ninguém estava ajustando sua franja, ordenando uma pose ou arrumando um colar, ela parou sozinha no oceano, as ondas batendo lentamente, cercando um momento tranquilo enquanto enviava um olhar eterno ao horizonte do Pacífico. Me lembrou um verso do escritor californiano Joan Didion: “Aqui, sob a imensidão do céu esbranquecido: é onde nosso continente termina.”

Eu pergunto a Lana se ela se lembra disso. “Eu sou como um peixinho”, ela orgulhosamente declara. “Quando você vai até aquela água, e você não é daqui, é como se você tivesse ido o mais longe quanto poderia ir. Você tem seus pés no oceano e você está na encosta do mundo.

Eu a questiono se sua espiritualidade reside puramente na sublime natureza ou, há alguma religião nisso? “Eu cheguei a um ponto 10 anos atrás onde tudo estava tão errado na minha vida pessoal que eu desisti e parei de forçar meu jeito na vida. Quando eu desisti de tudo e parei de tentar ser uma cantora e escrever bonitas canções e ser feliz, então as coisas começaram a dar certo. Eu estava me rendendo à vida nos seus próprios termos. Foi uma experiência real com a ciência da vida que ninguém me ensinou. Você desiste de tudo o que você acha que quer, e foca em tudo o que você ama, e essa é a única vibração que você está apresentando ao mundo.

Então, quando você para de focar em seus desejos, as coisas que você sempre quis vêm naturalmente até você?

Não. É um sentimento como se você já estivesse lá: que você é o que você quis ser o tempo todo. Você só precisa imaginativamente deixar que as coisas sejam assim.

É essa ideia de decorar a realidade com elementos de fantasia que guia ‘Ultraviolence’: esse casamento do sonho da florida e alaranjada Costa Oeste com o realismo sombrio e difícil da Costa Leste; a ideia de ver a pílula azul e a pílula vermelha, e escolher um pouco de ambas. É pedir ao garçom um Bellini feito com pêssegos frescos e virá-lo numa garrafa de cerveja Anchor.


Por 
Joe Zadeh

Traduzido por Wesley Lima

 

Veja em nossa galeria o ensaio completo para a The Clash feito pelo Neil Krug:


Redação LDRA
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