‘Falar com Lana Del Rey sobre sua música é como tentar pegar fumaça com as mãos’, leia a entrevista concedida ao site radio.com

por / quinta-feira, 12 junho 2014 / Publicado emEntrevistas

Radio.com

 

Lana Del Rey vai de “Malévola” a “Ultraviolence’’ até o topo

Eu queria produzir um álbum que era uma mistura de belos tons de jazz e uma fusão da costa oeste, meio que inspirado pelos The Eagles e The Beach Boys e essa coisa de renascimento da Laurel Canyon que estava acontecendo nos anos 70

Falar com Lana Del Rey sobre sua música é como tentar pegar fumaça com as mãos.
Sua natureza contemplativa a torna uma musa em tangentes, de Elon Musk até os jesuítas, até o som de Laural Canyon da década de 70, quando se tenta colocar significado e inspiração por trás de suas músicas em palavras. Enquanto isso, ela se mantém aberta e honesta.

Durante uma entrevista em um calmo estúdio no KROQ, em Los Angeles (uma estação da rádio.com), O comportamento de Lana foi surpreendentemente relaxado e muito charmoso. Alguns críticos rapidamente a descartaram como uma fabricação inautêntica, mas enquanto ela falava sobre seu novo álbum Ultraviolence (lançamento previsto para 17 de junho) , nos deparamos com uma pessoa em total controle de sua música e da rápida ascensão de sua carreira.

Scott T.Sterling: Como aconteceu do álbum se chamar “Ultraviolence”?
Lana Del Rey: Eu acho que o álbum já se chamava “Ultraviolence” antes mesmo de eu ter as músicas. Isso é porque eu realmente amo palavras. Eu meio que me sinto inspirada por um trabalho cujo título é composto por apenas uma palavra. Para esse, eu tinha pensamentos sobre hortênsias, principalmente porque essas flores que eu amo possuem vários tons de azul e violeta e quando eu estava conversando com (o produtor) Dan (Auerbach, da banda “The Black Keys”) sobre inspirações e tonalidades de cores, essa vibração de um violeta escuro surgiu na minha cabeça. Talvez porque azul seja uma cor ligada ao jazz e também à tristeza.

STS: O que inspirou o primeiro single do álbum, “West Coast”? Ele definitivamente expande as dimensões da sua sonoridade.
LDR: “West Coast” como demo era muito diferente e eu não sentia que a música tinha alcançado todo o seu potencial até que conheci Dan Auerbach. Eu estava contando para ele que eu estava realmente interessada em… que meu coração era do jazz e minha mente e minhas raízes estavam no jazz e que eu queria gravar um álbum que fosse como um mix de tons obscuros de jazz com um clima da Costa Oeste, meio que inspirados pelo “The Eagles” e “The Beach Boys” e todo esse renascimento do Lauren Canyon que estava ocorrendo nos anos 70. Então eu fui até Nashville e ele reproduziu “West Coast” e, eu não sei… Eu simplesmente amei. Dan disse que tudo no álbum, todas as músicas, tem esse ritmo meio narco-swing. Então apesar de tanto os versos como a batida em “West Coast” serem muito diretos, o refrão naturalmente escorrega nessa batida em meio-tempo mais lenta. Eu me lembro que todos na gravadora estavam “Meu Deus, diminuindo o ritmo no refrão?” E todos estávamos tipo, “isso aí”!

STS: Na sua turnê americana mais recente, um dos pontos altos do show era quando você ia até o público encontrar as pessoas, assinar autógrafos, tirar selfies e aceitar presentes. O que te inspirou a ter momentos tão íntimos com seus fãs durante os shows?
LDR: É completamente diferente de como eu imaginava que uma turnê seria, mesmo que um dia eu fosse sortuda o suficiente para realizar uma, entende, na minha cabeça eu tinha uma ideia do que talvez pudesse fazer. Eu fui uma cantora tímida por anos, e nunca realmente mergulhei no mar de excitação que o público pode trazer, não até eu ir à Europa ano passado para minha turnê de quatro meses. Eu acho que quando as coisas são mais difíceis pessoalmente, você se vê virando para o público de forma sincera procurando suporte, não é algo que eu achei que faria, então, sim, é impressionante e comovente. Pessoas trazem cartas e eles querem realmente conversar. Talvez faça isso porque eu sempre sinto que minha energia permanece a mesma durante os shows, meio que em nível intermediário, enquanto todos eles estão nesse nível maníaco de energia. Pra mim, o show é para eles e eu me encontro perdida vendo todo mundo, principalmente porque todos são muito animados.

STS: Quando você volta aos palcos, você é abarrotada com presentes dos fãs. Qual o presente mais memorável que você já ganhou de um fã durante um show?
LDR: Um rapaz me deu uma caixinha de joias prateada, e nela estava gravado um poema do T. S. Eliot que tem sido a minha biografia no Twitter. Era esse comentário sobra uma rosa que tinha o olhar de uma flor que era sempre olhada. Então ele sabia que essa era uma das minhas citações favoritas e eu achei esse gesto muito carinhoso.

STS: Na sua atual entrevista com a “The Fader”, você falou sobre um interesse nas áreas de ciência e tecnologia.
LDR: Eu me formei em metafísica na faculdade, foi nessa área que consegui meu diploma. E escolhi esse ramo porque os Jesuítas que ensinavam não eram apenas teologistas, eles tinham uma base científica. Obviamente a busca por paz, a busca pelo conhecimento de algo maior… é o fim do caminho. É nisso que sou realmente interessada. Mas tecnologia, eu acredito, está nos tornando mais próximos de talvez descobrir as respostas para algumas dessas questões, e eu acho que nós temos visto isso nos últimos dez anos. Sou interessada assim como qualquer um é. Eu acho que encontrar pessoas como Elon Musk e pessoas envolvidas no mundo da tecnologia de formas diferentes tem sido um interesse para mim.

STS: Eu queria lhe perguntar sobre a canção “Fucked My Way Up to the Top” do Ultraviolence.
LDR: Ó, Deus.

STS: Em uma entrevista com a Grazia na Alemanha, você atestou que ela era em parte uma resposta a outra artista feminina popular que havia dito coisas degradantes sobre você à imprensa.
LDR:
Como dizer… Eu gasto muito tempo em colocar uma narrativa na ordem das músicas, e eu sou muito boba porque eu deveria saber que isso vai ser totalmente desprezado porque eu sempre me engano. Deixe-me falar dessa forma, cada faixa que eu coloco no disco e o nome de cada faixa e a ordem em que elas estão conta uma história que é importante para mim. Na minha cabeça, a narrativa deste álbum termina com a última canção, não as músicas da versão deluxe e essas coisas. A narrativa termina com o cover de “The Other Woman” da Nina Simone. E sem realmente falar mais nada, a decisão de terminar com um cover de uma música de jazz e o que ela diz, a narrativa meio que conta tudo por si mesma. E é isso ter “Fucked My Way Up to the Top” seguindo em direção ao fim da tracklist. Eu diria que a música tem uma batida de hip hop mais pesada, enquanto o resto do álbum é mais orgânico e vivo…. Ela meio que direciona o álbum para casa. É difícil quando você está fazendo algo no estúdio, você meio que sente que sua história sobre a gravação vá terminar lá, mas aí nas entrevistas você nunca sabe até que ponto explicar… Não há muito que eu possa dizer sobre isso que vá ajudá-lo a entender. Vou só esperar você ouvi-la.

STS: Além do Ultraviolence, você teve imediato sucesso esse ano com sua versão de “Once Upon a Dream” do filme da Disney, Malévola. Quais são suas lembranças daquela sessão de gravação?
LDR: Foi ótimo, porque eu tenho cantado aquela música pelos últimos dez anos com meu melhor amigo, Dan Heath, que se tornou um de meus produtores. Ele e eu temos essa conexão incrível. Nós gravamos em casa na verdade, em seu estúdio doméstico. Gravamos no mesmo microfone que usamos para muitas outras canções minhas que fizemos juntos. Foi excitante porque nós amamos a Disney. Amamos a história da Disney. Então, foi bem natural e legal estar envolvida em um projeto como esse.

 

Por Scott T.Sterling
Traduzido por Hallem Anderson e Wesley Lima

Redação LDRA
Down on the west coast. They got a saying...
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